No capítulo anterior foi apresentado o programa de controle do uso de drogas lícitas e ilícitas no ambiente de trabalho que foi objeto de pesquisa nesse estudo. Ainda que aparentemente possa passar a impressão de se tratar de mais uma típica ação voltada para a vigilância direta e o disciplinamento dos trabalhadores por parte dos órgãos de gestão centrais da empresa, o programa em questão apresenta algumas características que fazem com que se enquadre melhor a partir de uma perspectiva que permita vê-lo como um mecanismo de poder menos centralizado, voltado mais para a classificação dos funcionários a partir da forma como conduzem sua liberdade e menos interessado em manter o respeito a padrões morais de comportamento.
A análise foucaldiana e a perspectiva de governamentalidade desenvolvida por ele para compreender arranjos específicos de poder em contextos de liberdade se apresentam como ferramentas teórico-metodológicas mais interessantes para a abordagem do programa de controle do uso de drogas lícitas e ilícitas do que se o encarássemos como mero instrumento de domínio no ambiente de trabalho. Nesse capítulo, pretende-se apresentar a maneira como Foucault compreende a questão do poder e seus arranjos em contextos sociais contemporâneos.
A análise do poder: trajetória teórica
A análise do poder é uma das questões principais da obra de Michel Foucault. Em que pese o autor ter declarado que o tema geral de sua pesquisa sempre tenha sido o sujeito, o desafio de compreender as formas e os processos através dos quais seres humanos são efetivamente transformados em sujeitos fez com que Foucault tivesse efetivamente que encarar a questão do poder, de como redes de poder muito complexas atravessam os indivíduos e de como essas redes produzem os sujeitos historicamente situados (FOUCAULT, 1995, p. 232). Dessa maneira, ainda que o sujeito possa ser o grande tema da sua obra, Foucault deixou bastante claro que a questão da subjetividade não pode ser trabalhada isoladamente de uma genealogia do poder.
Pesquisador do sujeito, uma das principais contribuições de Foucault é justamente a sua análise do poder nas sociedades modernas. Por meio de uma abordagem que transgride as perspectivas canônicas da filosofia e das ciências sociais, o poder não é concebido como um elemento externo à sociedade nem como algo que se irradia sobre ela a partir de um centro produtor que determina e modela as relações sociais, mas antes, como um componente
intrínseco às próprias relações sociais, fluindo através de suportes sociais complexos, não hierarquizados e tão heterogêneos quanto saberes, instituições, teorias, espaços, tecnologias e práticas.
Foucault jamais chegou a desenvolver algo como teoria geral do poder e tampouco era essa sua pretensão15. Ao contrário, o autor se dedicou a analisar os mecanismos concretos através dos quais o poder se articula histórica e socialmente, estando o tema disperso ao longo de toda a sua obra. Para ele, o poder nunca deveria ser encarado de forma reificada, como uma substância ou uma entidade unitária, estável, positiva e com existência fixa e coerente, mas entendido como um conjunto de mecanismos e procedimentos cujo papel ou efeito é justamente a manutenção da sua própria dinâmica – ainda que eles nem sempre consigam fazê-lo com sucesso (FOUCAULT, 2008b, p. 4). Implica dizer que o poder não existe como algo em si, mas apenas na medida em que se concretiza em ações específicas, ainda que aparentemente desconexas, de sustentação do poder em movimento.
O que quer dizer, certamente, que não há algo como “o poder” ou “do poder” que existiria globalmente, maciçamente ou em estado difuso, concentrado ou distribuído: só há poder exercido por “uns” sobre os “outros”; o poder só existe em ato, mesmo que, é claro, se inscreva num campo de possibilidades esparso que se apoia sobre estruturas permanentes (FOUCAULT, 1995, p. 232).
Essa perspectiva permite à análise do poder superar abordagens clássicas nas ciências sociais que pressupõem a existência de núcleos de poder privilegiados que seriam mais ou menos capazes de determinar a vida social e plasmar as formas sociais conforme a quantidade de poder que concentram. Essas abordagens clássicas são em geral dominadas por dois modelos analíticos de poder: em um deles o poder é considerado uma capacidade simples ou uma substância acumulável e no outro como um direito, ou dito de outra maneira, uma capacidade complexa na medida em que ela precisa ser legitimamente atribuída a alguém.
O modelo analítico do poder como uma substância, como algo que pode ser conquistado e possuído, é recorrente no pensamento político moderno e até mesmo naturalizado nas abordagens mais tradicionais da Sociologia e da Ciência Política. Nesse modelo o poder (social e político) é tratado de forma análoga a de qualquer recurso natural – energia elétrica, recursos hídricos, etc: uma capacidade ou potência passível de ser quantificada, acumulada e utilizada para fins diversos por parte de quem a detém. Em
15
Não raro encontram-se leituras equivocadas de Foucault atribuindo-lhe uma teoria geral do poder, especialmente no que se refere ao panoptismo.
consequência, os atores sociais (indivíduos, grupos, organizações, instituições) que acumulam mais poder seriam capazes de fazer prevalecer seus desejos sobre aqueles que possuem menos ou nenhum poder, de maneira que haveria sempre uma relação desigual entre quem usa o poder (e está imune a ele) e quem está submetido aos seus efeitos. Nessa concepção, portanto, o poder é invariavelmente um instrumento de dominação, a exemplo do que se pode constatar da definição de Weber:
Em geral, entendemos por “poder” a possibilidade de que um homem, ou um grupo de homens, realize sua vontade própria numa ação comunitária até mesmo contra a resistência de outros que participam da ação (WEBER, 1982, p. 211).
Essa concepção quantitativa de poder enquanto um recurso fundamenta grande parte da tradição do pensamento político ocidental e representa uma perspectiva na qual a natureza do poder em si não chega a ser problematizada, mas tratada como ponto pacífico. Por se tratar de uma espécie de “forma base” da qual partem muitas análises políticas e sociais, essa categoria analítica reúne uma grande diversidade de teorias e escolas de pensamento – mesmo aquelas que, em princípio, possam parecer rivais, mas que na verdade são apenas variações dentro de uma mesma perspectiva na qual é possível sempre reduzir o poder a esse significado essencial subjacente: uma capacidade quantitativa (HYNDESS, 1997).
A segunda concepção é semelhante à primeira, mas mais complexa: compartilha com ela a noção de poder como uma capacidade quantitativa, mas acrescenta que essa capacidade necessita ser legitimada para se exercer; em outros termos, trata-se de um direito de agir, baseado na autorização daqueles sobre os quais se exerce. A noção do para o exercício do poder agrega à perspectiva da capacidade uma condição de legitimidade, exercendo também grande influência no pensamento político moderno. Podem ser considerados representantes dessa categoria os modelos analíticos voltados para questões de soberania e legitimidade nos quais o poder soberano deve estar fundamentado no consentimento explícito ou implícito de agentes morais autônomos e racionalmente capazes de outorgar tal direito.
O poder na perspectiva foucauldiana: cortando a cabeça do rei
Em contraste com toda a tradição moderna de pensamento político, fundamentada numa noção reificada de poder, Foucault irá afirmar que qualquer análise do poder precisa superar a ideia arraigada de que o mesmo se trata de uma substância, bem como desvencilhar- se do seu corolário – a obsessão com certos temas tais como soberania e legitimidade, por exemplo. Ele afirma que no pensamento e na análise política ainda não cortaram a cabeça
do rei (FOUCAULT, 2014, p. 97), insistindo que pensar o poder a partir de tais modelos resulta em análises insatisfatórias, especialmente diante da emergência de novos poderes que de nenhuma maneira são passíveis de serem reduzidos a algum tipo de representação jurídica.
Permanecemos presos a uma certa imagem do poder- lei, do poder-soberania que os teóricos do direito e a instituição monárquica tão bem traçaram. E é desta imagem que precisamos liberar-nos, isto é, do privilégio teórico da lei e da soberania, se quisermos fazer uma análise do poder nos meandros concretos e históricos de seus procedimentos. É preciso construir uma analítica do poder que não tome mais o direito como modelo e código (FOUCAULT, 2014, p. 98- 99).
Dessa maneira, ao invés de explorar questões referentes à conquista ou à legitimidade do poder, o interesse de Foucault é compreender os meios através dos quais se produzem os efeitos de poder e por isso sua análise volta a atenção principalmente para suas técnicas e racionalidades.
Ao contrário daqueles modelos analíticos convencionais, para Foucault o poder não deve ser tratado como uma substância ou como algo que possa ser possuído, acumulado e quantificado.
O poder (...) não é algo que possa se dividir entre aqueles que o possuem e o detêm exclusivamente e aqueles que não o possuem e lhe são submetidos. O poder deve ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia. Nunca está localizado aqui ou ali, nunca está nas mãos de alguns, nunca é apropriado como uma riqueza ou um bem. O poder funciona e se exerce em rede (FOUCAULT, 2012, p. 183).
Nessa concepção o poder não deve ser confundido com aqueles os mecanismos institucionais que garantem a sujeição dos cidadãos ao Estado, nem visto como um sistema geral de dominação. Soberania, lei, arranjos de dominação, etc, podem até ser, eventualmente, manifestações ou formas terminais de algum tipo de poder, mas não devem ser confundidas com a origem do mesmo nem com sua expressão mais decisiva (FOUCAULT, 2014, p. 100). Para Foucault, esses não devem ser os pontos de partida da análise, ainda que possam ser elementos importantes numa determinada disposição específica de poder. Isso está relacionado a um é ponto fundamental da perspectiva de Foucault: o poder se localiza num nível autônomo em relação às estruturas políticas tradicionais; ainda que ele possa se apoiar nelas, sua existência não advém delas nem se esgota ali, uma vez que ele se realiza em atos e práticas dispersos no tecido social como um todo – não apenas nas grandes estruturas, mas
principalmente na microfísica da vida cotidiana. Se o poder não é uma substância inerte, se não existe senão em ato, então também não cabe concebê-lo como recurso, potência ou capacidade: só há poder em exercício. Nesse sentido, melhor do que falar em “poder” seria falar em "relações de poder”, de maneira que não se corra o risco de desconsiderar-se dois elementos fundamentais para sua análise, quais sejam, as condições históricas que permitem configurações de poder específicas emergirem concretamente em toda a sua complexidade e a multiplicidade de seus efeitos cujo alcance vai muito além daqueles campos restritivos aos quais as ciências sociais convencionalmente lhe confinam. Mais uma vez, trata-se de superar a ideia de um centro irradiador privilegiado de poder para investigar de que maneira relações sociais, práticas e efeitos estão associados a uma dinâmica concreta (ENERGICI, 2016, p. 33).
Abordar a questão do poder através de uma análise de “como [ele se exerce]” é, então, operar diversos deslocamentos críticos com relação à suposição de um “poder” fundamental. É tomar por objeto de análise
relações de poder e não um poder (FOUCAULT,
1995, p. 242) [grifo do autor].
Foucault destaca quatro orientações analíticas que guiam a abordagem do tema para uma perspectiva distinta do modelo tradicional soberano-lei. Em primeiro lugar, deve-se compreender o poder não como uma substância em si, mas enquanto uma correlação de forças – forças estas que são imanentes ao campo onde elas se manifestam e simultaneamente constitutivas desse próprio campo. Em segundo lugar, ele deve ser entendido também como o próprio jogo ou dinâmica através do qual tal correlação de forças se intensifica, se transforma ou se reverte. Além disso, em terceiro lugar, as redes ou sistemas que se formam a partir da dinâmica dessas correlações também devem ser levados em consideração – assim como os isolamentos ou rupturas entre elas. Por fim a análise também deve incorporar à ideia de poder aquelas estratégias que se configuram e se transformam de acordo com as variações da dinâmica dessa correlação de forças – estratégias essas que muitas vezes se cristalizam em formas institucionalizadas como aparelhos estatais, constructos legais, hegemonia social, instituições sociais, etc. Essas quatro orientações analíticas estão intimamente associadas à ideia de que a condição de possibilidade do poder não se encontra em nenhum centro irradiador privilegiado: não se trata de buscar uma espécie de núcleo central de soberania onde o poder estaria acumulado e a partir do qual suas formas derivadas, estáveis e consolidadas, emanariam até o campo social. O que a análise foucauldiana faz, ao contrário, é demonstrar como são justamente a mobilidade e a fluidez das correlações de forças que,
devido ao seu próprio equilíbrio instável e dinâmico, induzem continuamente a formação de configurações específicas de poder, sempre concretas e mais ou menos precárias.
Sem dúvida, devemos ser nominalistas: o poder não é uma instituição e nem uma estrutura, não é uma certa potência de que alguns sejam dotados: é o nome dado a uma situação estratégica complexa numa sociedade determinada (FOUCAULT, 2014, p. 100-101).
Governo e poder: a problematização foucauldiana
As relações de poder se caracterizam pelo fato de que entre os seus agentes há uma tentativa constante de uns conduzirem as condutas de outros. A dinâmica desse exercício de “condução das condutas” é o que caracteriza o poder e isso traz à tona mais um dos pontos decisivos da perspectiva foucauldiana: ao contrário do que afirmam as teorias mais clássicas, o poder moderno é muito mais da ordem do governo do que do afrontamento, da disputa entre rivais ou da subjugação de um pelo outro. Esse uso bastante específico da ideia de “governo” por parte de Foucault é fundamental na sua proposta analítica. Diferentemente do senso comum – muitas vezes reproduzido pelo próprio discurso sociológico -, que associa a ideia de governo às formas institucionalizadas e estruturas políticas e administrativas do Estado, Foucault dá ao termo um sentido muito mais amplo e abrangente. Para ele, a ideia de governo se refere ao exercício de direção das condutas de indivíduos ou grupos através de um complexo heterogêneo de saberes, instituições, espaços, tecnologias e práticas e que não se esgota nas modalidades positivadas ou formalmente legítimas de sujeição, mas envolve também amplamente todos os modos de ação destinados a influenciar ou prefigurar de alguma maneira o comportamento dos agentes envolvidos na relação.
Governar, nesse sentido, é estruturar o eventual campo de ação dos outros. O modo de relação próprio ao poder não deveria, portanto, ser buscado do lado da violência e da luta, nem do lado do contrato e da aliança voluntária (que não podem ser mais do que instrumentos); porém, do lado deste modo de ação singular – nem guerreiro nem jurídico – que é o governo (FOUCAULT, 1995, p. 244).
A sobreposição de poder e governo é em geral naturalizada e inquestionável nas ciências sociais clássicas. Foucault, entretanto, problematiza essa relação e suas condições de possibilidade na medida em que, considerando o governo como o exercício permanente de “condução das condutas”, associa-o a uma economia de poder específica que, através de uma série heterogênea de mecanismos e procedimentos, lhe assegure as condições de existência. Distinguir entre governo e poder é um procedimento teórico-metodológico fundamental na análise de Foucault, revelando uma relação complexa onde as investigações de inspiração
clássica viam apenas uma convergência não problemática. Duas considerações decisivas emergem dessa problematização: primeiramente, os objetos e os locais de análise do poder se ampliam consideravelmente para além das formas institucionalizadas. O próprio Foucault considerou ser legítimo que análises se voltem para instituições formais enquanto um recurso para se observar a partir de quais práticas e de quais lógicas as relações de poder se efetivam no caso concreto, mas ressaltou que ao fazê-lo deve-se estar atento para evitar explicar as relações de poder a partir das instituições – ou seja, deve-se ter o cuidado de não tomar as próprias instituições como o fator explicativo ou o elemento causal para existência de relações de poder, o que equivaleria, afinal, a explicar tautologicamente o poder pelo poder. Ora, se as relações de poder têm um caráter constitutivo, o que uma análise institucional deve fazer é justamente o contrário: abordar as instituições a partir das relações de poder, demonstrando que a sua condição de existência não se explica por ela mesma. As relações de poder são coextensivas a todas as relações sociais na medida em que sempre existe ali um espaço para a ação sobre a ação do outro, um campo aberto para uma multiplicidade de práticas, objetivos, organizações e intervenções. Por isso as formas e os lugares onde se dá o governo, onde se dão as tentativas de ação de uns sobre a ação de outros, são múltiplos e variados, não sendo o caso de se buscar um centro irradiador de poder como objeto privilegiado de análise ou como explicação causal principal: o poder não deriva das instituições. O enfoque analítico é microfísico e talvez nesse sentido seja mais exato falar que o governo deva ser estudado a partir do micropoderes que lhe dão corpo. Ainda que um elemento como o Estado, por exemplo, possa ser considerado a forma ou o lugar mais importante de exercício de poder nas sociedades ocidentais, isso não significa que o poder derive dele, mas sim que, em alguma instância e de certa maneira, todas as demais relações de poder se refiram ou se conectem a ele – um fenômeno que Foucault chamou de “estatização contínua das relações de poder” 16.
Em segundo lugar, destaca-se um elemento intrínseco do nexo entre poder e governo: a liberdade. Se o exercício do poder é fundamentalmente um governo das condutas livres e não a imposição violenta ou a pura e simples coerção, nenhuma relação de poder pode ser separada do elemento de liberdade que lhe constitui. A liberdade é para a análise foucauldiana uma condição necessária da relação entre poder e governo, pois a mera dominação física anula o sujeito e, necessariamente, bloqueia a dinâmica do poder. Entre sujeito e objeto pode
16
Ao nos referirmos ao sentido restrito da palavra “governo”, poderíamos dizer que as relações de
poder foram progressivamente governamentalizadas, ou seja, elaboradas, racionalizadas e centralizadas na forma ou sob a caução das instituições do Estado (FOUCAULT, 1995, p. 247). O
que é muito distinto de afirmar que as instituições do Estado sejam a sua causa ou condição de existência.
haver domínio, mas não uma relação de poder, na medida em que as ações do objeto não são livres e, portanto, não são governáveis.
O poder só se exerce sobre “sujeitos livres”, enquanto “livres” entendendo-se por isso sujeitos individuais ou coletivos que têm diante de si um campo de possibilidades onde diversas condutas, diversas reações e diversos modos de comportamento podem acontecer. Não há relação de poder onde as determinações estão saturadas (FOUCAULT, 1995, p. 244).
Foucault desconstrói a ideia clássica de confronto ou exclusão recíproca entre poder e liberdade, afirmando que ambos se ligam numa relação complexa na qual ao mesmo tempo em que a liberdade é uma condição para a existência do poder ela também só pode resistir a ele na medida em que o mesmo tende, ao final, a determina-la completamente – relação que o autor chamará de “agonismo”, uma provocação permanente ao invés de uma oposição de termos que se anulam, simultaneamente uma incitação mútua e um confronto. É justamente ao tornar indissociáveis poder e liberdade que Foucault poderá, por um lado, reconhecer no poder um papel não somente repressivo, mas fundamentalmente instigador e produtivo – de efeitos de verdade, de subjetividades, etc - e por outro lado, compreender de que maneira os