A comunicação é uma precisão basilar do ser humano, do indivíduo social. Díspar do que muitos discorrem, ela vai além das expressões verbais. Através de meios de comunicação das mídias, alcança-se uma ampla influência sobre experiências e sobre a opinião pública, já que em muitas regiões essas são as principais formas de acesso ao conhecimento.
A globalização do alcance dos meios de comunicação vem sendo proporcionada pelas atuais evoluções das tecnologias e pelas enormes mudanças ocorridas na sociedade. Isto constituiu, dentre outras coisas, a abertura de mercados antes impenetráveis para empresas do ramo de comunicação. Para Giddens (2005, p.369-371), “esse fato, aliado aos avanços na tecnologia de satélites e de cabos, facilitou em muito a transmissão dos programas de televisão, que assim puderam ultrapassar as fronteiras dos estados-nações”.
Essa pujança não está apenas relacionada ao seu alcance, mas à maneira como a mensagem chegará ao receptor e ao modo como será compreendida. Uma ótima transmissão pode gerar consequências indesejadas se o código comunicado e os signos forem um enigma para o receptor, já que, pior do que não entendê-lo, ele poderá interpretá-lo de forma errada e internalizar ideias ou conceitos que não foram antevistos nem intencionados pelo emissor.
Nesse sentido, o design é uma ferramenta efetiva para que os diferentes receptores dos meios de comunicação possam ter acesso autêntico às informações que lhes são emitidas. O design tem como função transcrever a mensagem a ser transmitida para o código simbólico estabelecido (VILLAS- BOAS apud HOELTZ, 2001).
Norteando-se para esse fim, o designer trabalha não só a clareza do código, mas atua na comunicação por diversos prismas que vão desde os elementos mais básicos da mensagem até os que deliberem seu grau persuasivo. São ponderados os fatores que atraem o receptor ou o motivam a receber determinada informação; os elementos que identificam e distinguem os diferentes tipos de informação; a orientação dos níveis de leitura da mensagem por grau de relevância e muitos outros aspectos que garantem que a reação do receptor à mensagem será aquela que se pretendeu.
O design e suas relações com a sociedade variam de acordo com o contexto social, cultural e/ou político no qual estão inseridos em uma profusão de efeitos intermultitransdisciplinares (COUTO; OLIVEIRA, 1999). Entre design e sociedade, há uma pluralidade de representações que se inscrevem como produtos, serviços, técnicas, artefatos, objetos e, até mesmo, estratégias, como da arquitetura à decoração, da arte à comunicação, da publicidade à moda. A interculturalidade dá suporte a isto.
A interculturalidade é usada para indicar um conjunto de propostas de convivência democrática entre diferentes culturas, buscando a integração entre elas, sem anular sua diversidade, ao contrário, “fomentando o potencial criativo e vital resultante das relações entre diferentes agentes e seus respectivos contextos” (FLEURI, 2005).
Tomando como exemplo a mídia vitrina, onde o design tem um papel de extrema importância, pois é dele que surgirão as ideias iniciais, é dele que surgirão os signos que irão comunicar ao receptor passante o que está sendo desejado, é nele que a estética e a criatividade estarão embasadas, de acordo com o público e a sociedade onde esta será criada.
Muricy (2006), expõe que “a história deve ser não uma ciência mas uma arte – a arte de interpretar a partir da questão do valor da vida. Uma metamorfose da história em obra de arte, isto é, em uma criação estética”.
O campo do design reconhecido como um campo de saber, acompanha a história da cultura e é entendido como um processo de configuração de artefatos, presente em praticamente todos os objetos que permeiam o cotidiano das pessoas das mais variadas origens e classes sociais. Permite uma leitura das culturas em que são identificados comportamentos, visões de mundo, avanços tecnológicos e os valores estéticos da sociedade na qual se insere.
"Não bastam renovações tecnológicas para que uma linguagem alargue seus limites. É necessário, também, que sua cota de informação não seja dissolvida, pois não há criatividade que resista ao temor do novo, ao compromisso com o já feito e experimentado" (ESCOREL, 2000).
Mais que uma questão de pesquisa, a força do design abrange teoria e prática ao mesmo tempo, para adentrar no universo da cultura. A cultura, portanto, (re) desenha dados capazes de pressagiar a história dos artefatos. Ao repensar o estatuto do objeto no ambiente tecnológico da hipermídia, observam-se as práticas culturais atuais e os “novos/outros” paradigmas que diversificam as concepções de mundo (EAGLETON, 2005).
A cultura dilata a percepção humana em uma espiral de infinita predisposição de incertezas. O desenvolvimento humano, na verdade, inscreve os princípios que fazem nascer a sistematização da cultura (EAGLETON, 2005). Ou seja, relacionar uma atividade projetual do design não é suficiente para representar atribuições específicas dadas pela cultura. A cultura, dessa forma, desperta para diretrizes flexíveis e evidencia “novos/outros” resultados.
Historicamente, as rupturas sempre marcaram de forma indelével a sociedade e a cultura. Todo o processo criativo advém da necessidade de transformar o caos em algo ameno e fazer com que os aparentes rompimentos com tradições e posições já instaladas se constituam em necessidade para o criar e produzir
mudanças que se constituem em desenvolvimento e melhorias sociais e culturais. Harvey (2003, p. 28) utiliza o conceito nietzschiano da destruição criativa para encontrar a essência eterna e imutável da humanidade:
“Se a destruição criativa era uma condição essencial da modernidade, talvez coubesse ao artista como indivíduo uma função heroica, mesmo que as consequências pudessem ser trágicas. O artista, deve não somente compreender o espírito de sua época como iniciar o processo de mudança”.
Assim como o artista, também o designer precisa estar conectado ao seu tempo sem perder sua originalidade, isto é: sua origem! Uma forma original enquanto originária de uma ideia a qual representa. O designer precisa estar com o olhar feito um prisma, nas criações e nas novidades de outros países, estados, regiões, para que sempre venha a persuadir o seu público, venha sempre transmitir ao receptor a informação correta através de suas criações.
O método científico é definido como a forma pelo qual os cientistas pretendem construir uma representação da realidade, se constitui como um caminho, uma lógica de pensamento a ser utilizada pelo pesquisador.
O método também pode ser caracterizado como a união de atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista (LAKATOS; MARCONI, 1991, p. 83).
O presente estudo emprega o método que permite entender o comportamento humano a partir do próprio sujeito, permite conhecer as pessoas pessoalmente e ver como elas estão desenvolvendo suas próprias visões de mundo.
A escolha pelo método fenomenológico deveu-se ao fato de ele privilegiar procedimentos qualitativos de pesquisa que permitem explorar com “maior profundidade, da natureza e das origens dos pontos de vista das pessoas, ou das razões e consequências da escolha de critérios de desempenho corporativo” (EASTERBY-SMITH; THORPE; LOWE, 1999, p. 2).
A pesquisa fenomenológica está voltada para os significados do perceber, “...para expressões claras sobre as percepções que o sujeito tem daquilo que está sendo pesquisado, as quais se expressam pelo próprio sujeito que as percebe” (MARTINS; BICUDO, 1989, p. 93), que é o caso da pesquisa deste trabalho, onde adquiriu-se através de observação, qual o comportamento, quais as percepções dos
consumidores e gestores de organizações do segmento luxo, diante às vitrinas de lojas/boutiques do segmento luxo.
De acordo com Capalbo (1979), para o método fenomenológico, o objeto percebido é tema que se põe à consciência quando esta se volta para ele. É esta percepção externa que se torna assunto para sua reflexão e frente a qual poderá afirmar a existência do objeto.
Este terceiro capítulo da pesquisa tem por objetivo apresentar os elementos metodológicos constituintes do processo de investigação, como forma de garantir a confiabilidade e o rigor científico do trabalho, na busca da construção ou refinamento dos conhecimentos acerca do design, da mídia vitrina e do comportamento do consumidor do segmento luxo.