Os poderes tributários, por tributo municipal, vêm descritos no quadro n.º 5, onde estão evidenciados os níveis de autonomia existentes e, claramente, se observa a ausência de liberdade completa ou autonomia integral para a fixação, modificação ou extinção dos tributos.
Quadro n.º 5 – Poderes tributários por tributo municipal
Tributo
Descrição
IMI
- O CIMI veio contribuir para o reforço do poder tributário face a antigo Código da Contribuição Autárquica, pela capacidade de influenciar a base de incidência, de definir as taxas dos prédios urbanos dentro do [0,3% - 0,5%], de ampliar o intervalo das taxas dos prédios urbanos e rústicos, através de majorações e minorações, e do direito de serem ouvidos e emitirem parecerem vinculativos.
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________________________________________________________________________________________ 39 - O poder tributário municipal, ao nível do IMI, é de certa forma contraído e incompleto, pois o n.º 9 do artigo 16.º da atual LFL, refere que as isenções totais ou parciais apenas podem ser concedidas pelos municípios quando exista lei que defina os termos e condições para a sua atribuição, remetendo- nos para o CIMI.
IMT
- O CIMT não veio contribuir para o reforço do poder tributário face ao antigo Código de SISA, embora exista a consagração do poder de concessão e reconhecimento de benefícios fiscais / tributários por parte dos municípios, em matéria de IMT.
- O CIMT não faculta aos municípios qualquer poder para modelar as taxas, sendo estas fixadas uniformemente pelo artigo 17.º, sendo elas progressivas e servem para a prossecução de uma política de redistributiva a cargo da administração central.
- O poder tributário, a nível do IMT, é reduzido pois o n.º 9 do artigo 16.º da atual LFL refere que as isenções totais ou parciais apenas podem ser concedidas pelos municípios quando exista lei que defina os termos e condições para a sua atribuição, remetendo-nos para o CIMT.
IUC
- O CIUC não traduz qualquer poder tributário por parte das autarquias locais. A sua base tributável é definida em função das características dos veículos (cilindrada, antiguidade, nível de dióxido de carbono emitido et
cetera) e as suas taxas são definidas na lei e objeto de atualização anual.
- O poder tributário, em matéria de IUC, é reduzidíssimo ou inexistente pois o n.º 9 do artigo 16.º da atual LFL refere que as isenções totais ou parciais apenas podem ser concedidas pelos municípios quando exista lei que defina os termos e condições para a sua atribuição, remetendo-nos para o CIUC. - Em termos de IUC, os municípios não têm qualquer poder ou autonomia tributária, uma vez que é a própria lei que define a percentagem da receita que lhes cabe.
Derrama Municipal
- As assembleias municipais, sob proposta das câmaras municipais, podem, querendo, deliberar lançar ou não a derrama. Em caso afirmativo poderão fixar a taxa geral que fique compreendida no [0,0% - 1,5%] e uma taxa reduzida para sujeitos passivos com um volume de negócios no ano anterior que não ultrapasse € 150.000,00, conforme estabelece o n.º 4 do artigo 18.º da LFL.
- Em termos de derrama, os municípios têm o poder ou autonomia tributária que a atual LFL lhes confere, para definir as isenções totais ou parciais aos sujeitos passivos deste imposto.
Participação Variável no IRS
- As assembleias municipais, sob proposta das câmaras municipais, podem, querendo, deliberar abdicar ou receber a participação do IRS dos sujeitos passivos com domicílio fiscal na circunscrição territorial, sendo que a taxa única poderá estar compreendida no [0,0% - 5,0%].
- A fixação ou não da taxa pelos municípios leva a que o contribuinte tenha ou não direito a uma redução da respetiva coleta de IRS, situação que configura uma maior ou menor poupança fiscal para os munícipes.
- A consagração do poder de concessão e reconhecimento de benefícios fiscais / tributários por parte dos municípios, ao nível deste tributo, é inexistente.
Encargos de Mais-Valias ou Contribuições Especiais
- De acordo com a alínea f) do artigo 14.º da atual LFL, constituem receitas municipais o produto da cobrança de encargos de mais-valias destinados por lei ao município, sendo a que a sua criação cabe ao Estado e não aos municípios.
- A consagração do poder de concessão e reconhecimento de benefícios fiscais / tributários por parte dos municípios, ao nível deste tributo, é inexistente.
Taxas Municipais
- Os municípios possuem uma ampla autonomia tributária ao nível da fixação dos elementos essenciais deste tributo (incidência, taxas, isenções), mas não dispõem de um total poder tributário devido à obrigatoriedade de respeitar rigorosamente o princípio da prevalência da lei habilitante e dos seus termos disciplinadores.
40 _________________________________________________________________________ Projeto Aplicado de Mestrado em Gestão – Ramo de Administração Pública
3.2.5 – Poder de liquidação por tributo municipal
A concretização de uma obrigação tributária resulta de um processo que culmina com a liquidação que permite quantificar os montantes do imposto ou das taxas devidos, condição necessária para ser exigível ao devedor, uma vez que este não pode ser chamado a cumprir um pagamento cujo montante desconhece (Morais, 2006: 16).
De acordo com Oliveira (2013: 285) a atual LFL concede aos municípios a possibilidade de liquidar e cobrar os impostos e outros tributos a cuja receita tenham direito, mas está dependente de regulamentação a definir em diplomas próprios, ainda não publicados, conforme estipulado nas alíneas b) e c) do artigo 15.º e artigo 17.º.
No quadro n.º 6 procurou-se identificar a responsabilidade pela liquidação e o seu enquadramento legal, por tributo.
Quadro n.º 6 – Responsabilidade da liquidação dos tributos municipais
Tributo Responsabilidade Enquadramento legal
IMI Autoridade Tributária, por iniciativa própria Artigos 113.º e 115.º do CIMI IMT por iniciativa do Sujeito Passivo Autoridade Tributária, Artigo 19.º e seguintes do CIMT IUC Autoridade Tributária, por iniciativa própria Artigo 25.º e 26.º do CIUC Derrama Municipal Por iniciativa do Sujeito Passivo (autoliquidação) Artigo 89 e seguintes do CIRC Participação Variável no IRS Autoridade Tributária, por iniciativa própria Artigo 97.º e seguintes do CIRS
Encargos de Mais-Valias ou
Contribuições Especiais Autoridade Tributária, por iniciativa própria Decreto-lei específicos Taxas Municipais Municípios, por iniciativa própria ou do Sujeito Passivo Regulamentos Municipais
Fonte: Elaboração própria.
Concorda-se com Morais (2006: 9) que afirma que o grau de intervenção da administração no processo de lançamento e liquidação é diverso e diferenciado por tributo.
A evolução geral vai no sentido de uma progressiva privatização de tais tarefas de “administração fiscal” para empresas especializadas. Neste alinhamento Nabais (2015: 258) refere que o fenómeno da privatização da administração ou gestão fiscal/tributária é um dos mais importantes e decisivos desafios colocados ao direito fiscal.