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Política cambial e ajustamento do setor externo

No documento NIRALDO JOSÉ PONCIANO (páginas 57-61)

3. METODOLOGIA

3.1. Modelo teórico

3.1.2. Política cambial e ajustamento do setor externo

As relações com o exterior têm sido de importância fundamental para as economias emergentes, tanto pelo volume elevado de transações como pela ineficiência dessas economias na produção de grande parte dos bens de capital e na

geração de progresso técnico. O comércio externo influencia a demanda agregada de qualquer economia aberta (FREITAS, 1994).

A taxa de câmbio efetiva real é definida como unidades de moeda brasileira (real) e moeda estrangeira (dólar), deflacionadas pelo relativo índice de preços por atacado, ponderado por pesos comerciais (ZINI, 1993). Para este autor, o termo taxa de paridade designa a razão P*/P, isto é, uma comparação direta dos níveis de preços de dois países. A taxa de câmbio real é definida como a razão (e*

P*/P), que envolve apenas dois países. Portanto, a taxa de câmbio efetiva real é a razão (e* P*/P), quando P* for uma média ponderada de preços dos países parceiros comerciais. Esta terminologia é freqüentemente usada em comércio internacional. Quando a moeda local está forte (moeda valorizada), o ambiente é favorável às importações, pois os bens vendidos pelo resto do mundo ficam mais baratos. Essa mesma situação do câmbio encarece os bens deste país nas exportações para o resto do mundo (SACHS e LARRAIN, 1995).

Para ROCHA (1995), há uma série de metodologias que avaliam o grau de competição de um país; no caso do Brasil, a taxa de câmbio real permite boa avaliação. O complexo agroindustrial, que comercializa parte de sua produção externamente e parte internamente, é muito influenciado pela taxa de câmbio na composição de seus preços. Dessa forma, o crescimento da competitividade é fator que destaca sua importância na formulação de políticas macroeconômicas que objetivam a estabilização da economia.

A oferta e a demanda de moeda estrangeira dependem, respectivamente, da demanda externa das exportações brasileiras e da demanda doméstica de importações. Portanto, na ausência de políticas destinadas a alterar a posição do balanço de pagamentos, tem-se o ponto de equilíbrio entre oferta e demanda de moeda estrangeira, que são geradas por essas forças de exportação e importação, que, por sua vez, determinam a taxa de câmbio de equilíbrio (ZINI, 1993).

Há relação entre a taxa de câmbio e a taxa de juros, a qual surge à medida que os investidores transferem dinheiro de um país para outro, em busca de melhores retornos. Por exemplo, se a taxa de juros elevasse no Brasil, os investidores comprariam títulos em reais e esperariam uma apreciação da taxa de

câmbio, caso não sofresse intervenção governamental. Nesse caso, uma taxa de câmbio apreciada causaria expectativa de que o valor do real decrescesse (desvalorizasse) e tornasse os investidores indiferentes entre possuir ativos em reais, a juros elevados, e ativos no exterior, a juros baixos. Dessa forma, a diferença entre a taxa de juros interna e a taxa de juros externa seria semelhante à taxa esperada de desvalorização da moeda (HALL e TAYLOR, 1989).

Quanto ao regime cambial, têm-se o câmbio fixo e o câmbio flutuante.

Após o colapso do sistema cambial de Bretton Woods, em 1973, vários países adotaram diferentes combinações desses regimes cambiais (HALL e TAYLOR, 1989).

No regime de câmbio fixo, a autoridade monetária fixa o preço da moeda nacional em relação à moeda estrangeira. Para que a paridade seja sustentada, o Banco Central compra ou vende moeda, a uma determinada taxa. Pode existir taxa de câmbio fixa quando um país ancora, unilateralmente, o valor da sua moeda ao da moeda de outro país, e o primeiro país responsabiliza-se pela manutenção do nível da taxa de câmbio com a qual se comprometeu. Por outro lado, a responsabilidade pode ser conjunta ou cooperativa, como no caso da União Européia (ROSSETTI, 1977).

No regime de câmbio flutuante, se não houver intervenção das autoridades monetárias no mercado, a taxa de câmbio é determinada pelas forças de demanda e pela oferta de divisas estrangeiras conversíveis. Se o Banco Central interferir na compra ou na venda de moeda estrangeira, o regime cambial será chamado

“flutuação suja”, caso contrário, “flutuação limpa” (ROSSETTI, 1977).

A taxa de câmbio é definida como a quantidade de moeda nacional que pode ser trocada por uma unidade de moeda estrangeira, ou seja, = X reais/ US$

1,00 dólar]. Os movimentos da taxa cambial recebem diferentes nomes, de acordo com o regime cambial. Um aumento de σ é denominado desvalorização, quando ocorre num regime de câmbio fixo, e depreciação, num regime de câmbio flutuante, enquanto redução de σ é conceituada valorização, no regime de câmbio fixo, e apreciação, no flutuante (SACHS e LARRAIN, 1995).

Os arranjos cambiais, geralmente, são mais complexos. É comum definir uma taxa de câmbio fixa para transações da conta corrente e uma taxa mais depreciada para a conta capital. Outro arranjo de câmbio, usado em vários países em desenvolvimento, é o sistema de serpenteamento (crawling peg). Nesse sistema, a taxa de câmbio é depreciada, a uma taxa igual ao diferencial de inflação entre um país e seus parceiros comerciais. Este sistema é conhecido como política de minidesvalorizações cambiais (DORNBUSCH e FISCHER, 1991).

Para ZINI (1996), a adoção de flutuação de banda cambial é uma maneira pragmática de dar flexibilidade à taxa de câmbio nominal para responder a mudanças nas condições externas e internas do país e, ao mesmo tempo, informar o mercado sobre o valor dessa variável nominal, com vistas em estabilizar as expectativas.

Segundo HELPMAM et al. (1994), a política de bandas cambiais dos países que previamente tiveram alta inflação, por exemplo, Chile, México e Israel, é bem diferente da política de bandas dos países europeus. A taxa de câmbio nominal naqueles países é usada como âncora básica das expectativas inflacionárias. A banda possui uma paridade central que se desvaloriza paulatinamente, e as autoridades desses países podem intervir no processo para sustentar a banda, cujas larguras são bem maiores do que as dos países da Europa. A banda cambial no Chile, por exemplo, sofre minidesvalorizações pré-anunciadas a cada mês e limite de flutuação de 10% para cima e para baixo da taxa central.

Segundo DORNBUSCH (1990), não há garantia de que a estabilização da economia leve ao seu crescimento; se ela não for bem coordenada, poderá resultar em estagnação. Esse economista aborda o essencial da estabilização, destacando alguns elementos como alvo da inflação pós-estabilização, quais sejam, política fiscal, política monetária, nível da taxa de câmbio apropriada, e política de renda.

Os países que têm experimentado alta inflação prolongada, instabilidade financeira e crises de pagamento, não encontrarão seu caminho de volta para o crescimento facilmente. Suas economias precisam de conseguir não apenas reconstrução fiscal por um meticuloso balanceamento do orçamento, mas também, na reconstrução institucional de longo alcance que envolva um sistema financeiro capaz de fornecer intermediação eficiente e um regime regulador e de comércio que ajude a alocar recursos para maximizar a produtividade (DORNBUSCH, 1990).

No Brasil, questiona-se o custo elevado do combate à inflação, como, por exemplo, a geração de grandes déficits. O fraco desempenho das exportações em relação ao das importações tem contribuído para o desempenho deficitário da balança comercial. Nesse sentido, a recuperação da competitividade da indústria brasileira, bem como o aumento da capacidade produtiva do CAI, permanece como o principal problema relativo ao crescimento das exportações brasileiras.

No documento NIRALDO JOSÉ PONCIANO (páginas 57-61)