Na lei ainda podemos observar a previsão de algumas medidas básicas destinadas a assegurar o sigilo necessário ao desenvolvimento das atividades da ABIN. Art. 9º Os atos da ABIN,
cuja publicidade possa comprometer o êxito de
suas atividades sigilosas
, deverão serpublicados em extrato
. § 1º Incluem-se entre os atos objeto deste artigo os referentes ao seu peculiar funcionamento, como às atribuições, à atuação e às especificações dos respectivos cargos, e à movimentação dos seus titulares. § 2º A obrigatoriedade de publicação dos atos em extratoindepende de serem de caráter ostensivo ou
sigiloso os recursos utilizados
, em cada caso.Professor, o que é publicação em extrato? Extrato é somente um resumo da publicação com as informações mais básicas possíveis, dados que não comprometam o sigilo. Vamos supor que a Agência adquiriu equipamentos de vigilância eletrônica. Você deve imaginar que seria muito arriscado o órgão divulgar o tipo e as especificações do equipamento que está comprando, assim ela vai publicar as informações mais sucintas
www.pontodosconcursos.com.br | Prof. Diego Fontes 37 sobre essa aquisição. Tranquilo? Mas atenção! Não são todas as publicações que serão realizadas em extrato! São apenas as dos atos cuja publicidade possa comprometer o êxito de suas atividades sigilosas! Então, se a banca vier com gracinha afirmando “todas as publicações da ABIN deverão ser realizadas em extrato”, você vai marcar o item como ERRADO. Ok?!
Outro detalhe muitíssimo importante é que a publicação desses atos em extrato
INDEPENDE
de os recursos utilizados serem de caráter ostensivo ou sigiloso. Isso aqui é muito simples. O orçamento da ABIN conta com recursos ostensivos e sigilosos (estes últimos costumam ser denominados “verba secreta”). Voltemos ao exemplo dos equipamentos de vigilância eletrônica. Vamos supor que no orçamento da ABIN conste uma alocação para “compras e investimentos” e também a alocação da “verba secreta”. A Agência pode utilizar na aquisição desses equipamentos recursos de qualquer uma dessas alocações orçamentárias, tanto da ostensiva quanto da sigilosa. O que a lei esclarece é que a publicação em extrato não decorre necessariamente da utilização de recursos sigilosos. Mesmo o recurso sendo ostensivo, se a publicidade do ato puder comprometer o sigilo das atividades da Agência, a publicação deverá ser realizada em extrato.13. (CESPE - 2008 - ABIN - Agente de Inteligência) Os atos da ABIN cuja publicidade possa comprometer o êxito de suas atividades sigilosas devem ser publicados em extrato.
Questão tranquilíssima. O examinador praticamente copiou o texto da lei. Gabarito: CERTA.
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14. (CESPE – 2008 - ABIN - ANALISTA DE INFORMAÇÕES/CÓDIGO 1 - 2004) Seria inconstitucional dispositivo de lei que excluísse a ABIN da incidência do princípio da publicidade.
Apesar de a ABIN ter boa parte de suas atividades protegidas pelo sigilo, isso não dá o direito do órgão de se ver excluído do princípio da publicidade. Vou repetir: atividade de inteligência no Brasil NÃO EXCLUI o dever de obediência ao princípio da publicidade. Claro, ocorrem certas mitigações devido à natureza do serviço, mas NÃO ao ponto de representar EXCEÇÃO a esse princípio. A obrigação de publicar certos atos em extrato comprova bem o que acabei de afirmar.
Gabarito: CERTA.
15. (CESPE - 2010 - ABIN - Oficial Técnico de Inteligência - Área de Direito) Os atos administrativos, no âmbito da ABIN, que viabilizem aquisições de bens e serviços cuja publicidade possa comprometer o êxito das atividades sigilosas da agência devem ser publicados em extrato, cabendo ao gestor utilizar, nesses casos, recursos orçamentários sigilosos.
Olha que interessante! A banca quis confundir o candidato desatento, que na pressa poderia fazer uma rápida associação entre atividades sigilosas e recursos orçamentários sigilosos. Vou repetir: a publicação desses atos em extrato
INDEPENDE
de os recursos utilizados serem de caráter ostensivo ou sigiloso. Aqui até mesmo alguém bem preparado poderia rodar, porque pensaria "é... se a atividade é sigilosa o recurso orçamentário tem que ser sigiloso". Nem sempre! Os recursos orçamentários podem ser sigilosos ou ostensivos.www.pontodosconcursos.com.br | Prof. Diego Fontes 39 Gabarito: ERRADA.
Art. 9º-A. § 2º - A autoridade
ou qualquer outra pessoa
que tiver conhecimento ou acesso aos documentos ou informações referidos no caput deste artigoobriga-se a
manter o respectivo sigilo
, sob pena de responsabilidade administrativa, civil epenal, e, em se tratando de procedimento judicial, fica configurado o interesse
público de que trata o art. 155, inciso I, do Código de Processo Civil
, devendo qualquer investigação correr, igualmente, sob sigilo. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.216-37, de 2001)Esse dispositivo faz referência às informações ou documentos sobre as atividades e assuntos de inteligência produzidos, em curso ou sob a custódia da ABIN. O mais importante aqui é que a obrigação de manter sigilo não é apenas da autoridade que tiver acesso a essas informações ou documentos, mas de
qualquer pessoa
, mesmo não possuindo relações funcionais com a Administração Pública.Sobre esse assunto, o Cespe pode trazer questão com estorinha do tipo: “João, funcionário de uma empresa privada de transporte de valores, integra a equipe que realiza o abastecimento dos caixas eletrônicos existentes na sede da ABIN. Certo dia, enquanto abastecia esses caixas, ouviu uma conversa entre dois servidores sobre assuntos de natureza sigilosa. Após o expediente, João encontrou alguns amigos em um bar e após beber algumas cervejas contou toda a conversa que acabara de ouvir. No presente caso, João não está sujeito a qualquer tipo de responsabilidade, já que não é funcionário da ABIN”. Para responder a essa questão corretamente, só é você lembrar de duas palavrinhas: “
qualquer pessoa
”. Item ERRADO.www.pontodosconcursos.com.br | Prof. Diego Fontes 40 A parte final do Art. 9º-A. § 2º trata dos casos em que assuntos de inteligência sejam objeto de procedimento judicial, deixando claro que nessas circunstâncias
fica
configurado o interesse público
mencionado no dispositivo do Código de Processo Civil (CPC) que regula as hipóteses de sigilo judicial.Há quatro hipóteses de sigilo judicial previstas no art. 189 do Novo Código de Processo Civil (correspondente ao art. 155 do antigo CPC ao qual a Lei nº 9.883/99 fez remissão expressa):
“Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os processos:
I - em que o exigir
o interesse público
ou social;II - que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, (...)
III – (...) IV – (...)
Os incisos II, III e IV trazem situações bastante específicas, como processos sobre casamento, divórcio, separação, entre outros. Nesses casos o juiz não tem qualquer juízo de discricionariedade. Se a ação, por exemplo, versar sobre divórcio ele tem que decretar o sigilo nos autos. Já o inciso I dá certa margem de discricionariedade ao Juiz, que analisando o caso concreto decidirá se o interesse público ou social exige que aquele processo corra em segredo de justiça.
Essa discricionariedade acabaria sendo um risco para a atividade de inteligência, já que a preservação do sigilo dependeria da cabeça de cada magistrado. Atento a essa possibilidade, o legislador se antecipou, já deixando de antemão as matérias de interesse da atividade de inteligência enquadradas nesse inciso I. A lei quis dizer com isso que todos os processos que digam respeito a informações ou
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documentos sobre as atividades e assuntos de inteligência são de interesse público, não cabendo qualquer margem de discricionariedade ao magistrado, devendo nesses casos sempre resguardar o sigilo judicial.
Por fim, a lei nº 9.883/99 traz outra previsão na mesma linha de sua política de sigilo. Observe e memorize a parte do dispositivo que está em destaque:
Art. 10. A ABIN
somente poderá comunicar-se
com os demais órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,com o conhecimento
prévio da autoridade competente de maior hierarquia do respectivo
órgão, ou um seu delegado
.16. (CESPE - 2010 - ABIN - Agente Técnico de Inteligência - Área de Tecnologia da Informação) A ABIN, mesmo sendo o órgão central do SISBIN, somente pode comunicar-se com os demais órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, com o conhecimento prévio da autoridade competente de maior hierarquia do respectivo órgão, ou de um delegado seu.
Essa questão praticamente reescreve o dispositivo que acabamos de estudar! Gabarito: CERTA.
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