CAPÍTULO 7: COMPARAÇÃO DO PLANO DE MANEJO E ROTEIRO METODOLÓGICO DO ICMBIO
7.1 Políticas do Plano de Manejo nacional e estadual
Atualmente, a nível nacional, a partir da criação do SNUC, com a Lei n° 9.985 (GOVERNO FEDERAL, Leis, Decretos, etc. Lei de 18 de julho de 2000) e da promulgação do Decreto n° 4.340 (GOVERNO FEDERAL, Leis, Decretos, etc. Decreto n°4.340 de 2002), ficou determinado que as UC’s devem dispor de um Plano de Manejo orientado por um roteiro metodológico de Planejamento. Tendo em vista tal fator, o ICMBio elaborou o documento com as bases conceituais dos princípios metodológicos, que conduzem o planejamento voltado para Parques Nacionais, Reserva Biológica e Estações Ecológicas, sendo marco do ordenamento do sistema de planejamento e gerenciamento das UC’s no Brasil.
A nível estadual, atualmente o Sistema Ambiental Paulista, a partir do Comitê de Integração dos Planos de Manejo, em 2017, iniciou a elaboração do Roteiro Metodológico dos Planos de Manejo das UC’s em São Paulo. Segundo a SIGAM (acesso em Julho de 2018), sob orientação da determinação da SNUC, em que as UC’s devem possuir um Plano de Manejo, que consiga abranger a área total da UC, sua zona de amortecimento e corredores ecológicos. No plano, também deve incluir medidas que promovam a integração à vida econômica e social das comunidades vizinhas.
Ainda, segundo o SIGAM (acesso em Julho de 2018), sendo o Plano de Manejo o documento técnico para fundamentar os objetivos gerais da U.C., ele prevê o zoneamento e o manejo dos recursos naturais, como suas estruturas físicas para a gestão da unidade. O Plano de Manejo orienta a gestão e promove o manejo de seus recursos naturais. Das Unidades de Conservação de Proteção Integral, no caso, o Parque Estadual da Ilha Anchieta, além de contemplar as Zonas de Amortecimentos e Corredores Ecológicos, o Plano de Manejo deve possibilitar a
integração das unidades, a relação econômica e social das comunidades do entorno, ressalvando as particularidades de cada categoria. Os Planos de Manejo, segundo SIGAM (2018), servem então para um ciclo continuo de consulta pública de tomada de decisão, tendo em vista as questões ambientais, socioeconômicas, além das questões históricas e culturais que caracterização a Unidade de Conservação. (SIGAM, 2018).
Além da elaboração do “Roteiro Metodológico dos Planos de Manejo das U.C’s de São Paulo, norteadas pelas políticas da SNUC, da Lei n° 9.985 (GOVERNO FEDERAL, LEI 18 de julho de 2000) e da promulgação do Decreto n° 4.340 (GOVERNO FEDERAL, DECRETO n° 4.340, 2012) o Comitê de Integração dos Planos de Manejo, a partir do SMA, prevê também, 11 Planos de Manejo, denominados de “Projeto Piloto”, divididos em 2 blocos, sobre gestão do IF ou da FF. (FF/Acesso: 2018):
(...) sob gestão da Fundação Florestal: Parques Estaduais Itaberaba, Itapetinga; Floresta Estadual de Guarulhos e Monumento Natural Estadual Pedra Grande (Bloco 1) e Parque Restinga de Bertioga, Estação Ecológica Itapeti e Área de Proteção Ambiental Rio Batalha (Bloco2) e 4 UCs sob gestão do Instituto Florestal: Estações Ecológicas Avaré, Marília, (Bloco 1) e Paranapanema e Floresta Estadual Pederneiras (Bloco 2)”. FFlorestal.SP.GOV.BR. / Acesso em Julho de 2018.
Ainda sobre a atual agenda estadual de São Paulo sobre o Plano de Manejo, a partir da resolução da SMA n° 93 (ESTADO DE SÃO PAULO, Leis, Decretos, etc. RESOLUÇÃO, 07 de outubro de 2017), define o Comitê de Integração dos Planos de Manejo, como o responsável por estabelecer as novas diretrizes e procedimentos para a elaboração, implantação e revisão dos Planos de Manejo das UC’s dos Estado de São Paulo. Além das atribuições do Roteiro Metodológico, a uniformização dos conceitos e metodologias, as diretrizes, prazos e formatos para diagnósticos socioambientais e de manejo e gestão ficam também sobre atribuição do comitê.
O Sistema Ambiental paulista divulgou que, em junho de 2018, foi realizada a reunião do Comitê, mas que apenas no fim do ano a COSEMA, após análise, publicará o Roteiro Metodológico. O Parque Estadual da Ilha Anchieta, se encontra como seu Plano de Manejo aprovado, a partir do portal da FF (Acesso em Julho de 2018). Neste documento, dentre as áreas prioritárias para receber o Plano de
Manejo, destacou-se o PEIA e seu Plano de Manejo aprovado em 1989, sem previsão de atualização.
Segundo Guillaumon et al. (1989), a primeira iniciativa do manejo das UC’s, em São Paulo adotada, foi a partir da base de Pádua, em 1978. Pádua estabeleceu, não só as diretrizes para o manejo, mas, principalmente, uma política para conservação destas áreas a nível nacional. Referente as políticas de conservação das áreas de proteção, as diretrizes começaram a ser pensadas na década de 70, dando suporte às primeiras políticas de proteção das áreas naturais. Segundo Guillaumon et al. (1989), a FAO contribuiu transferindo tecnologia para o Plano de Manejo. A partir de então, o instituto florestal estabeleceu políticas para as áreas florestais, discutidas no 1° congresso de política paulista de agronomia.
Os parâmetros básicos para situar uma política para as áreas silvestres a partir da administração do Instituto Florestal, foram estabelecidas a partir de 1972, quando a Comissão designada pela Diretoria Geral, acrescentou critérios e sugestões sobre os planos dos Parques Estaduais. A transferência de tecnologia de planejamento foi efetuada pelo Escritório Regional da FAO para a América Latina e, também, da contribuição de Paul Seibert, da Universidade de Munique, Alemanha. Tais fatores culminaram no estabelecimento de uma política do I.F. para áreas silvestres, ainda no 1° Congresso Paulista de Agronomia (GUILLAUMON et al., 1989).
Mas, tal iniciativa foi interrompida, sendo reestabelecida apenas em 1984, a partir da Proposta de Política Florestal para o Estado de São Paulo, meio a um “Plano Emergencial”, em que se definiam os instrumentos necessários e os objetivos da conservação. Foi-se criado também a Fundação para a Conservação e Produção Florestal do Estado de São Paulo (SÃO PAULO, Leis Decretos, etc. 1986), da qual foi encarregada do Plano de Ação para as Áreas de Preservação Permanente (1987), aprovada pelo Conselho Técnico do I.F. em março de 1987 (GUILLAUMON,
et al., 1989).