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CAPÍTULO 4 PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO À

4.1. Políticas educacionais e políticas docentes

Vários documentos, como a Constituição de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 e o Plano de Nacional de Educação - aprovado em 2000 e reelaborado a cada dez anos - apoiam esforços no sentido de melhorar o financiamento da educação, a formação dos professores e a qualidade do ensino.

Segundo consta na Constituição de 1988, em seu art. 205:

a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho, e compete à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios organizar, em regime de colaboração, seus sistemas de ensino (BRASIL, 1988).

Ter a educação como direito constitucional de todo cidadão brasileiro foi uma grande conquista, mas também um enorme desafio para a formação dos profissionais que, em grande

medida, se ocupam de concretizar este direito – os professores.

Pode-se dizer que com a LDB 9394/1996 (BRASIL, 1996) foram instituídas, pelo governo federal, diferentes políticas no campo da formação docente, voltadas para o favorecimento da expansão da formação inicial de professores e de parcela do professorado que atuava nas redes de ensino em âmbito municipal ou estadual. De acordo com Maués e Camargo (2014) o investimento em programas de formação de professores que contemplassem esse segmento se fazia necessário dada a necessidade de atendimento às demandas nacionais por formação de professores, bem como aos compromissos internacionais

firmados com o objetivo de ampliar a qualificação dos professores da Educação Básica,

visando garantir melhor qualidade para esse nível de ensino30.

Outra iniciativa que merece destaque é o Plano Nacional de Educação (PNE)31,

aprovado em 2000, que instituiu diversas ações voltadas à melhoria da Educação Básica no país, dentre elas a Política Nacional de Formação de Profissionais do Magistério da Educação

Básica.Promovida pelo Decreto N°6.755, de 2009, esta política estabelece no Art.1° que ―tem

como objetivo organizar, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, a formação inicial e continuada dos profissionais do magistério para

as redes públicas da Educação Básica‖ (BRASIL, 2009). O que se observa com esta política é

um processo de parceria entre os diferentes entes federados em prol da formação de professores. No entanto, conforme salientam Gatti, Barreto e André (2011), ainda são necessários ajustes para a efetividade desta política:

As formas de colaboração dos entes federados têm sido determinadas pela União, mas há que indagar como se articularão elas com as políticas próprias de estados e municípios no gozo de sua autonomia. O regime de colaboração nas diferentes instâncias não está plenamente estabelecido. Ademais, considerando que a formação inicial em serviço continua a manter o caráter emergencial que sempre lhe foi atribuído historicamente, ainda estão por ser formuladas diretrizes amplas de formação nacional de professores que abranjam todas as instituições responsáveis pela oferta de cursos e pela sua regulação e avaliação (GATTI; BARRETO; ANDRÉ, 2011, p.86).

Outra ação é o Plano de Desenvolvimento da Educação, que tem como uma de suas metas propiciar oferta mais ampla de formação graduada em nível superior. Trata-se dos Programas Pró-licenciatura, instituído em 2005, e Universidade Aberta do Brasil (UAB), implementado em 2006, que institucionalizam os programas de formação de professores a distância como política pública de formação (GATTI, 2012). O Sistema UAB é uma política pública de articulação entre a Secretaria de Educação a Distância - SEED/MEC e a Diretoria de Educação a Distância - DED/CAPES com vista à expansão da educação superior, no âmbito do PDE (CAPES, 2010).

30

Para o atendimento a estas demandas, destaca-se o Plano Decenal de Educação para Todos, preparado de acordo com as recomendações da reunião organizada pela UNESCO e realizada em Jomtien, na Tailândia, em 1990.

31 Em 25/06/2014 foi sancionado pela presidente Dilma Russef, o novo Plano Nacional de Educação, que

pretende destinar até 2024, 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para educação. Atualmente o Brasil investe 5,3% do PIB neste setor.

O Programa de Formação Inicial para Professores dos Ensinos Fundamental e Médio (Pró-Licenciatura) se insere no esforço pela melhoria da qualidade do ensino na Educação Básica realizado pelo Governo Federal por meio do Ministério da Educação (MEC), em conjunto com a coordenação das Secretarias de Educação Básica (SEB) e de Educação a Distância (SEED) e com o apoio e participação das Secretarias de Educação Especial (SEESP) e Educação Superior (SESu). Trata-se de um Programa de formação inicial voltado para professores que atuam nos sistemas públicos de ensino, nos anos/séries finais do Ensino Fundamental e/ou no Ensino Médio e que não têm habilitação em licenciatura para o exercício legal da função.

Embora não dirigido diretamente aos cursos formadores de professores, o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), instituído pelo Decreto nº 6.096/2007, também teve efeitos na expansão da oferta de cursos de licenciatura pelas universidades federais (GATTI, 2012).

Ressaltamos novamente a importância do decreto nº 6.755/2009, que instituiu a Política Nacional de Formação de Profissionais do Magistério da Educação Básica, viabilizando iniciativas como o PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência), o PLI (Programa de Licenciaturas Internacionais), o LIFE (Programa de Apoio a Laboratórios Interdisciplinares de Formação de Educadores), o Prodocência (Programa de Consolidação das Licenciaturas), o PARFOR (Plano Nacional de Formação de Professores para a Educação Básica), dentre outros. Com esta regulamentação

o governo federal chamou para si a responsabilidade por essa formação, que antes era feita em programas como os que se realizaram por convênios entre as prefeituras e as instituições de ensino superior ou por iniciativa individual do próprio docente (MAUÉS; CAMARGO, 2014, p. 88).

Há de se destacar que as iniciativas supracitadas estão submetidas ao gerenciamento da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que por meio da Lei 11.502, de 11 de julho de 2007, passou a induzir e fomentar a formação inicial e continuada de profissionais do magistério. A nosso ver, o gerenciamento das políticas de formação de professores pela CAPES representa um avanço significativo para se efetivar a implementação do Plano Nacional de Educação, uma vez que muitas das metas planejadas pelo PNE de 2000 não tiveram o êxito esperado no que tange ao desenvolvimento docente. Por esses motivos há uma grande expectativa depositada em programas como o PIBID, que tem se configurado como uma aposta ambiciosa no estímulo a graduandos para ingressarem no magistério. Aposta esta que tem conquistado grande visibilidade no cenário educacional,

haja vista a publicação da Lei 12.796, de 4 de abril de 2013, que altera o texto da Lei de

Diretrizes e Bases 9.394/96 para incluir, entre outras questões, no Art. 62, §5, o seguinte: ―A

União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios incentivarão a formação de profissionais do magistério para atuar na Educação Básica pública mediante programa institucional de bolsa de iniciação à docência a estudantes matriculados em cursos de licenciatura, de graduação plena, nas instituições de educação superior‖ (destaque nosso).

Muito embora saibamos que a publicação de leis, resoluções e decretos não garanta o cumprimento efetivo dos compromissos legais firmados com a educação, não há como negar que várias tem sido as iniciativas políticas implementadas nos últimos anos pelos gestores educacionais, no sentido de fortalecer a formação de professores. No próximo tópico

trataremos daquela que se constitui nosso interesse nesta pesquisa – a abelha que escolhemos

seguir.