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Além das diferenças observadas no perfil demográfico do Brasil nas últimas décadas, as alterações epidemiológicas também foram notáveis. A diminuição da taxa de natalidade e o aumento da expectativa de vida, tornou a população brasileira com um número maior de doenças crônico-degenerativas.

As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) foram responsáveis por 63%

das causas de mortalidade a nível mundial, e, no Brasil, representaram 74%

dos óbitos (OMS, 2010).

O Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), elaborado no Brasil em 2011, a partir da atenção integrada à saúde, estimulou as ações intersetoriais, a qualidade da atenção à saúde e o fortalecimento do controle social, visando o controle e o cuidado às DCNT no país. Nesse sentido, a Secretaria de Atenção à Saúde elaborou em 2012, a Rede de Atenção às pessoas com Doenças Crônicas, a fim de que, a partir das ações e serviços já existentes no cotidiano das equipes de saúde, fosse promovida uma rede de cuidado às pessoas com tais doenças (BRASIL, 2011).

A saúde, para a população idosa, além de ser representada pelo controle e a prevenção de doenças crônicas deve ser baseada na interação entre saúde física, saúde mental, independência financeira, capacidade funcional e o suporte funcional. Tendo em vista essas condições, as políticas públicas brasileiras voltadas ao idoso têm caráter protetor e transversal, objetivando o envelhecimento seguro e digno da população. A Política Nacional de Saúde do Idoso (2006), por exemplo, não difere deste propósito, ao apresentar como objetivo específico, por meio das medidas e planos de ações, a promoção da autonomia, dignidade e seguridade social do idoso (BRASIL, 2006).

Além dessas, outras leis e projetos emergiram no Brasil com a finalidade de proteger a pessoa idosa. Em 1º de outubro de 2003, a partir da lei n.º 10.741, criou-se o Estatuto do Idoso, assegurando os direitos fundamentais à todas as pessoas com faixa etária acima de sessenta anos. Dentre as principais seguridades endossadas, ressaltou-se o direito à educação, cultura,

esporte, lazer, diversões, espetáculos, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade; a atenção integral à saúde, por intermédio do SUS, incluindo a atenção especial às doenças que afetam preferencialmente aos idosos; o direito à moradia digna, no seio da família natural ou substituta, ou em instituição pública ou privada. O descumprimento perante esses direitos e tantos outros enumerados no Estatuto, por qualquer parcela integrante da população, confere intervenção judicial e aplicação de pena e reclusão (ESTATUTO DO IDOSO, 2003).

Outro marco para o bem-estar dos idosos foi a implantação da Política Nacional de Saúde (PNS, 2006), que teve como finalidade primordial recuperar, manter e promover a autonomia e a independência das pessoas idosas, direcionando medidas consonantes com os princípios do SUS. Dentre as diretrizes, pode-se destacar a promoção do envelhecimento ativo e saudável;

atenção integral à saúde, estímulo às ações intersetoriais, fortalecimento da participação e controle social; divulgação e informação sobre a política e apoio ao estudo e pesquisa. É importante viver muito, mas é fundamental viver bem.

Assim, preservar a autonomia e a independência funcional das pessoas idosas é meta em todos os níveis de atenção (GOMES, 2009).

Em 2015, foi elaborada a Agenda 2030 que elaborou os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), elencando 17 itens que conjuntamente têm por meta analisar as condições ou situações de riscos que se relacionam à combinação das mudanças ambientais, climáticas e sociais. Especialmente, o ODS 3 que tem por lema “assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todas e todos, em todas as idades” atentou-se positivamente à saúde do idoso. Dentre as propostas, destaca-se: oferecer aos gestores em saúde informações e indicadores que auxiliem a tomada de decisões e o planejamento de ações voltadas à população idosa, tanto no âmbito municipal como estadual; oferecer informações acerca das condições de saúde e qualidade de vida da população idosa nos diferentes níveis à pesquisadores e interessados na temática e propor indicadores diretos ou indiretos de monitoramento de metas e diretrizes pactuadas pelas políticas e programas nacionais e internacionais.

O ODS 10, que primordialmente enfoca a “redução das desigualdades”, também se direciona ao idoso, incluindo suas propostas de qualidade de vida,

preservação da autonomia, independência funcional e igualdade como necessidades sociais.

Ainda, a Constituição Federal coloca a saúde como um direito de todos e é um dever do Estado garanti-la. O Ministério da Saúde preocupado com a fragilidade da saúde do idoso, decorrente do acompanhamento por diversos médicos especialistas, sem homogeneização dos tratamentos e sem comunicação entre eles, o que, frequentemente, leva à iatrogenia e à polifarmácia, implantou a Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, cuja distribuição e correta organização é de responsabilidade da Estratégia de Saúde da Família (ESF) (BRASIL, 2018).

A Caderneta permite o registro e o acompanhamento, pelo período de cinco anos, de informações sobre dados pessoais, sociais e familiares, das condições de saúde e os hábitos de vida da pessoa idosa, identificando suas vulnerabilidades, além de ofertar orientações para seu autocuidado. O profissional de saúde com acesso à caderneta, poderá gerenciar e harmonizar o tratamento (SECOLI, 2010). Não obstante os esforços governamentais relativos à saúde da pessoa idosa,

“...predominam as referências ao idoso como aquele sobre o qual pesa uma condição de fragilidade e um estado de passividade e incapacidade diante das exigências da vida...

os asilos ou ILP devem apontar a família como um lugar importante para o assentamento do idoso e a saúde dessas pessoas deve ser uma preocupação fundamental” (JUSTO;

ROZENDO, 2010, p. 481).

A Promoção da Saúde, segundo a OMS, engloba cinco campos de ação: implementação de políticas públicas saudáveis, criação de ambientes saudáveis, capacitação da comunidade, desenvolvimento de habilidades individuais e coletivas e reorientação de serviços de saúde (OMS,2017).

As decisões em qualquer campo das políticas públicas têm influências favoráveis ou desfavoráveis sobre a saúde da população. Por isso, os estudos fundamentados nos campos de ação da promoção da saúde podem propor estratégias que visam a promoção da saúde para todos os indivíduos.

2. JUSTIFICATIVA

A administração de medicamentos está associada à um aumento substancial da morbimortalidade entre os idosos, principalmente devido às alterações anatomofisiológicas que têm consequências ao nível da farmacocinética e farmacodinâmica devido à necessidade efetiva de múltiplos medicamentos. Esses fatores aumentam o risco à prescrição de MPI e, consequentemente, à toxicidade e às reações adversas.

Além disso, o envelhecimento populacional tem se tornado importante questão social no Brasil. Estima-se que, em 2031, o índice de envelhecimento seja de 102,3 o que significa que haverá 102,3 idosos para cada 100 jovens (IBGE, 2018). Nota-se, um aumento da demanda por serviços sociais e de saúde dadas as dificuldades econômicas e psicossociais encontradas pelas famílias para o cuidado ao idoso. Este cuidado se torna ainda mais difícil para aqueles que apresentam redução da capacidade funcional, o que tem aumentado também a procura por ILPI.

Dessa maneira, justifica-se a necessidade de estudos que abordem a multiplicidade de medicamentos e seus efeitos no organismo do idoso, sobretudo em pacientes institucionalizados, de maneira a alertar os profissionais de saúde envolvidos quanto ao risco potencial dessas interações a fim de minimizar efeitos tóxicos e gastos evitáveis com internações, o que contribuirá para uma melhora na qualidade de vida desses idosos.

3. OBJETIVOS

3.1. GERAL

Identificar a prevalência de medicamentos potencialmente inapropriados e relacionar o uso de polifarmácia com o risco de reações adversas em idosos residentes em uma Instituição de Longa Permanência.

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