CAPÍTULO 1 TECNOLOGIAS E EDUCAÇÃO
1.2. POLÍTICAS PÚBLICAS DO MEC: OS PRIMEIROS PASSOS
Compreende-se Política Pública como um subcampo de Ciência Política. Segundo Sabatier & Mazmanian (1995) a definição consiste em um “conjunto de decisões de
modo coletivo”. Rua (2009, p. 20) afirma que “embora uma política pública implique decisão política, nem toda decisão política chega a constituir uma política pública”. As políticas públicas resultam, portanto, de decisões e ações caracterizadas por estratégias a serem implementadas independentemente das preferências e das decisões tomadas pelos sujeitos envolvidos na esfera do poder público. Política pública é, portanto, o
campo do conhecimento que busca, ao mesmo tempo, “colocar o governo em ação” e/ou analisar essa ação (variável independente) e, quando necessário, propor mudanças no rumo ou curso dessas ações e ou entender por que e como as ações tomaram certo rumo em lugar de outro (variável dependente). Em outras palavras, o processo de formulação de política pública é aquele através do qual os governos traduzem seus propósitos em programas e ações, que produzirão resultados ou as mudanças desejadas no mundo real (SOUZA, 2003, p. 13).
As ações de saúde, educação, segurança e meio ambiente dependem da utilização das políticas públicas por parte do governo, que podem ou não solucionar os problemas da sociedade. Teixeira (2002, p. 2) declara que as “políticas públicas são diretrizes, princípios norteadores de ação do poder público; regras e procedimentos para as relações entre poder público e sociedade, mediações entre atores da sociedade e do Estado”.
Para Shiroma, Moraes e Evangelista (2011, p. 8), as políticas públicas são “as possibilidades para implementar sua face social [do Estado], em um equilíbrio instável de compromisso, empenhos e responsabilidades”. Deste modo, as ações implantadas por meio das políticas públicas devem contemplar a sociedade, promovendo, assim, um bem estar social para o homem. De acordo com Teixeira (2002),
as políticas públicas traduzem, no seu processo de elaboração e implantação e, sobretudo, em seus resultados, formas de exercício do poder político, envolvendo a distribuição e redistribuição de poder, o papel do conflito social nos processos de decisão, a repartição de custos e benefícios sociais. Como o poder é uma relação social que envolve vários atores com projetos e interesses diferenciados e até
4 O Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo) foi criado pela Portaria nº 522/MEC, de 9 de abril
de 1997, para promover o uso pedagógico das tecnologias de informática e comunicações (TICs) na rede pública de ensino fundamental e médio.
contraditórios, há necessidade de mediações sociais e institucionais, para que se possa obter um mínimo de consenso e, assim, as políticas públicas possam ser legitimadas e obter eficácia, (TEIXEIRA. 2002, p. 2).
Portanto, podemos perceber que as políticas públicas passam por um processo de preparação para que possam ser implantadas, de forma a desenvolver suas ações. Cabe ao Estado5 ter o compromisso de articular e manter as atividades em prol de benefícios para a sociedade. Nesse contexto, a educação é vista como uma política pública indispensável, pois, através dela, o homem teria uma formação e passaria a integrar-se socialmente. Dessa forma, entendemos que as políticas públicas são os principais instrumentos utilizados pelo Estado para intervir na sociedade, promovendo e concretizando programas de governo e ações públicas.
A Constituição Federal de 1988 marca o início de um período de vida democrático no Brasil. Ela é conhecida também como “Constituição Cidadã”6, porque houve participação
dos cidadãos7brasileiros, sindicatos e associações na assembleia constituinte (BRASIL, 1988). Esse período também foi marcado, sobretudo, pelas atuações presidenciais na área educação nos governos de Fernando Collor de Melo, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, respectivamente. A ideia de gestão democrática na educação ganhou força a partir da promulgação da Constituição, impulsionando as lutas dos movimentos sociais e fomentando debates locais, municipais, estaduais e nacionais. Algumas iniciativas influenciadas pela ideia foram: o Estatuto da Criança e do Adolescente; o Projeto de Lei de Diretrizes e Bases da educação Nacional (LDB); o Plano Nacional de Educação Para Todos; a constituição do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF); a elaboração dos Parâmetros Curriculares; a obrigatoriedade da Alfabetização de Jovens e Adultos; a garantia de educação para os portadores de necessidades especiais; o incentivo às Tecnologias Educacionais, dentre outras (OLIVEIRA,2009; PINTO, 2009).
5 Entendemos aqui o termo Estado como se referindo à organização política, a qual tem poder soberano para governar a população de uma determinada área geográfica.
6 De acordo com Câmara dos Deputados (2015) a Constituição Federal de 1988 foi chamada de "Constituição
Cidadã", porque regula o maior período de vida democrática no Brasil desde 1946.
7 A participação dos cidadãos na Constituição Federal aconteceu da seguinte maneira: “entre março de 1986 e
julho de 1987, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, por meio do projeto “Diga Gente e Projeto Constituição”, lançou uma campanha para os cidadãos expressarem suas sugestões para a nova Constituição. Cinco milhões de formulários foram distribuídos e disponibilizados nas agências dos Correios do Brasil. Para deixar a sugestão, o cidadão deveria se deslocar para a agência mais próxima e preencher o formulário e encaminhar, sem custos, a carta resposta para o Senado Federal” (CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2015).
Apesar dos avanços explicitados, infelizmente, data também dessa época uma maior interferência estrangeira na política brasileira, representada por organismos internacionais, como o Banco Mundial, a UNICEF e a UNESCO. Estes estabeleceram alguns critérios8 para que o Brasil pudesse receber empréstimos internacionais.
Entre os interventores merece destaque o Banco Mundial, uma importante instituição que influi na agenda educacional como forma de auxiliar os governos, principalmente de países em desenvolvimento, com o objetivo de reduzir a pobreza mediante concessão de financiamentos e transmissão de experiência técnica.
Para Fonseca (1998), o Banco Mundial é considerado uma importante fonte de financiamento de projetos e reformas educacionais. Essas reformas têm o objetivo de promover melhorias da qualidade do ensino, principalmente na educação básica e na gestão administrativa das escolas. Porém, a política do Banco Mundial consiste em oferecer um financiamento em troca da possibilidade de propor políticas, que nem sempre atendem necessariamente a resoluções das problemáticas locais. Todavia, podemos considerar a necessidade dessas reformas nos sistemas educativos, principalmente ao refletirmos sobre a importância dos desafios impostos pela globalização. Se analisarmos de forma racional, trata- se de um caminho sem volta por conta exatamente das revoluções tecnológicas, principalmente no campo das telecomunicações. Porém, essa política neoliberal resultou em privatização de estatais e congelamento das políticas para educação superior, que atrasaram o País na área da educação (FONSECA, 1998).
Novas expectativas na área da educação surgiram com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve início em 2003. O governo Lula, em seu primeiro mandato, deu continuidade às ações da administração anterior, principalmente aos acordos firmados com as agências internacionais.
A partir de 2003, começaram a ser implantadas políticas9 de médio e longo prazo, o que resultou um grande avanço em termos de políticas públicas, principalmente na
8 Fonseca (1998, p. 43), ao analisar esses critérios, destaca a redução do papel do Estado, sobretudo no “controle
do investimento do setor público e o reforço do setor privado; a realização de reformas administrativas; a estabilização fiscal e monetária; a redução do crédito interno e das barreiras do mercado internacional. Além das exigências na base econômica, o novo modelo organizacional do BIRD impõe as chamadas’ condicionalidades’ para os seus empréstimos, que incluem a participação do Banco na definição da política de longo prazo para os setores financiados. Assim, os critérios para a concessão de financiamentos têm permitido que o Banco influencie as agendas setoriais dos países”.
9 São elas: Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB), Pro-infância, Ensino
Fundamental de nove anos, Provinha Brasil, Programas de apoio ao Ensino Médio, Educa Censo, Prova Brasil, Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE), Olimpíadas Brasileiras de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), Olimpíadas Brasileiras da Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, Mais Educação, Caminho da Escola, Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE), Pró-Escola, Programa Nacional de
educação. Essas políticas, no entanto, provocaram inúmeras discussões que até hoje não se esgotaram. São debates que tratam de aspectos da cultura organizacional na escola, da administração e gestão escolar, das reformas educacionais, da utilização das TICs etc. Todas essas questões e ações estão obrigatoriamente vinculadas a um conjunto de leis no âmbito do governo federal, estadual e municipal. Elas nos fazem pensar de modo global e local, tendo como suporte as diretrizes e planos de ação de cada país, estado e município, e sugerem, portanto, tratar o processo de ensino e de aprendizagem de forma democrática e autônoma.
Antes de refletirmos sobre essas questões no âmbito da pesquisa intitulada “Políticas Federais de Inclusão Digital Social na Amazônia: uma Análise da Implementação do PROUCA em Santarém – Pará”, é pertinente inicialmente contextualizar as políticas públicas na área de tecnologias educacionais.
As primeiras ações ocorrem nos anos 1970, levadas a cabo pela CAPRE – Coordenação de Atividades de Processamento Eletrônico, órgão do Ministério do Planejamento, que começa a operar a partir do Decreto nº 70.370, de 05 de abril de 1972. De acordo com este último, a CAPRE tem a incumbência de “adotar e propor medidas visando à racionalização dos investimentos governamentais no setor e à elevação da produtividade na utilização dos equipamentos de processamento de dados instalados e a instalar” (BRASIL, 1972).
Logo depois, as atribuições da CAPRE são retiradas, e ela é substituída pela SEI - Secretaria Especial de Informática, por meio do Decreto nº 84.067 de 02 de outubro, de 1979 Art. 11. A SEI ficou responsável por “assessorar na formulação da Política Nacional de Informática (PNI) e coordenar sua execução, como órgão superior de orientação, planejamento, supervisão e fiscalização, tendo em vista, especialmente, o desenvolvimento científico e tecnológico no setor” (BRASIL, 1979). Além disso, a SEI, para viabilizar a inserção dos computadores no setor educacional, criou, em 1980, a Comissão Especial de Educação em parceria com o MEC, designada a promover discussões e equipar com computadores as escolas públicas. Em paralelo a essas ações governamentais, já existia um movimento das comunidades acadêmicas motivadas pelas pesquisas desenvolvidas em outros países como Estados Unidos e França (VALENTE, 1999).
Tecnologia Educacional (ProInfo), Biblioteca na Escola, Saúde na escola, Olhar Brasil, Educação Especial, Brasil Alfabetizado, Programa Nacional do Livro Didático para a Alfabetização de Jovens e Adultos (PNLA), Programa Nacional de Integração Profissional com a Educação Básica na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (PROEJA), Programa Nacional de Inclusão do Jovem (PROJOVEM), Brasil Profissionalizado, Escola Tecnológica (E-TEC), Catálogo Nacional dos Cursos Técnicos (CNCT), Catálogo dos Cursos Superiores de Tecnologia (CST), Piso Salarial do Magistério, Sistema Nacional de Formação de Professores, Universidade Aberta do Brasil (UAB), Pró-letramento, Expansão do Ensino Superior, dentre outros (BRASIL, 2015).
A primeira iniciativa direcionada à Informática Educativa (IE) no Brasil foi registrada em 1971: “[...] na Universidade Federal de São Carlos (SP) [...] [ocorreu] um seminário intensivo sobre o uso de computadores no ensino de Física, ministrado por E. Huggins, especialista da Universidade de Dartmouth, EUA” (VALENTE, 1999, p.19).
E, ainda, neste mesmo período, foi promovida, pelo Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, a Primeira Conferência Nacional de Tecnologia em
Educação Aplicada ao Ensino Superior (VALENTE, 1999, p. 19). Aquela época (1975) foi
marcada pelos grandes feitos científicos na área de Informática Educativa de pesquisadores como Seymour Papert e Marvin Minsky, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), que foram convidados a partilhar suas experiências e estabelecer uma cooperação técnica com a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), o que resultou na criação de um grupo interdisciplinar no estudo experimental no ambiente LOGO, em 1976 (MORAES, 1997). Trata-se, segundo Almeida (2000), de uma linguagem de programação criada em meados dos anos 60, no MIT, sob a coordenação de Mitchell Resnick e Seymour Papert, este último discípulo de Jean Piaget, matemático e PhD em informática educativa. Em seguida, em 1983, têm-se as iniciativas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em estudar a inserção da Informática Educativa (VALENTE, 1999). Dessa forma, torna-se inegável as contribuições dadas pela comunidade científica brasileira, bem como suas influências nas propostas políticas de inserção dos computadores na educação.
A partir dessas discussões e reflexões sobre o uso das tecnologias digitais, em 1981 foi realizado o I Seminário Nacional de Informática, em Brasília (DF), e, no ano de 1982, aconteceu o II Seminário Nacional de Informática e Educação, sediado em Salvador (BA). Ambos foram promovidos pela SEI, pelo MEC e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (VALENTE, 1999).
Nesse último seminário foi recomendada a criação de uma comissão com representantes de todas as instituições que agenciaram o evento, que ficariam responsáveis por fomentar discussões sobre a possibilidade de criação de Centros-piloto em algumas universidades no Brasil para intensificar pesquisas a propósito do uso dos computadores na educação (OLIVEIRA, 2002). Como resultado dessas discussões foi desenvolvido um
documento intitulado Subsídios para a implantação do Programa e Informática na
Educação10.
Os diálogos acerca deste documento foram aprofundados no II Seminário, no qual foi enfatizado principalmente a formação de recursos humanos e a implementação de Centros-piloto na área de informática educacional (MORAES, 2002).
Como resultado desses eventos (Seminários I e II), surgiram as primeiras diretrizes nacionais de políticas direcionadas à Informática Educacional, bem como houve a criação da Comissão Especial de Informática na Educação (CE/IE), composta por membros do MEC, SEI, CNPQ e Finep, para a criação do Projeto EDUCOM (Educação e Computadores) em 1983 (VALENTE, 1999).
O Projeto EDUCOM foi o primeiro projeto público a tratar da informática educacional. Para operacionalização das ações da SEI, selecionou cinco instituições públicas que se candidataram para implantação dos Centros-piloto, utilizando critérios estabelecidos pela CE/IE. São elas: Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Vale ressaltar que se candidataram vinte e seis instituições públicas (OLIVEIRA, 2007). As atividades do EDUCOM foram previstas para serem desenvolvidas no período compreendido entre 1983 e 1988. O Projeto reuniu diversos pesquisadores da área de IE, e teve como princípio o investimento em pesquisas educacionais que contribuiriam tanto para a formação de recursos humanos, os quais permanecem até hoje fazendo pesquisas na pós-graduação, quanto para a alocação de profissionais em universidades que colaboram na formação de outros professores (VALENTE, 1999).
Em 1984, o MEC instituiu que o Centro de Informática (CENIFOR) ficaria responsável por coordenar e supervisionar o projeto EDUCOM, consolidando o comando do MEC na operacionalização do projeto, principalmente na administração financeira (OLIVEIRA, 2007). O objetivo dos experimentos do EDUCOM era investigar o uso dos computadores no antigo segundo grau, avaliando os efeitos dessas tecnologias no processo de aprendizagem, na postura do professor e na organização escolar (OLIVEIRA, 2007). O quadro 1 apresenta em retrospecto cada uma das experiências dos centros-pilotos.
Quadro 1. Experiências na área de Informática Educacional dos Centro-pilotos do EDUCOM
CENTROS-PILOTO EXPERIMENTOS
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Este centro piloto transformou-se na Coordenação de Informática da Educação Superior, direcionando suas pesquisas para três áreas: tecnologia educacional, tecnologia de software educacional e investigações sobre os efeitos sociais, culturais, éticos, etc., provocados pelo uso do computador no processo educacional. Atua na realização de cursos de especialização em tecnologia educacional, ensinando também nas graduações de licenciaturas e nos cursos de informática.
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Desenvolveu suas pesquisas nas áreas de: informatização de escolas, desenvolvimento e avaliação de Programas Educativos pelo computador (PECs), capacitação de recursos humanos e utilização da informática na educação especial, primando sempre pela interdisciplinaridade, pela visão construtivista e pelo estudo das implicações sociopolítico-culturais da entrada dos computadores na educação.
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
A UFPE voltou suas atividades para três áreas: formação de recursos humanos, informática na educação especial e atividades de educação musical com uso de computadores. Atende professores das redes municipal e estadual de ensino e realiza cursos de extensão para alunos do curso de pedagogia e licenciatura. Procurou pesquisar e desenvolver uma metodologia de ensino apropriado para surdos. Para isso, utilizou a linguagem LOGO no trabalho com deficientes auditivos, pois ela possui um desenho próprio para educação. Universidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS)
Criou o laboratório de Estudos Cognitivos (LEC), em 1973, que investiga como o computador pode contribuir no processo de aprendizagem. Também pesquisou a utilização desses recursos na educação de crianças deficientes.
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Investiu na formação de recursos humanos, avaliando programas educativos e desenvolvendo uma metodologia de ensino com uso de computadores. Utilizou também a linguagem LOGO.
Fonte: Adaptado de Oliveira (2007).
As experiências dos Centros-piloto foram pautadas principalmente pela formação de recursos humanos e produção de softwares educativos para o uso dos computadores no processo de ensino-aprendizagem. Porém, o projeto enfrentou muitas dificuldades, principalmente de ordem financeira, e devido às transições governamentais.
Somente em 1986 o MEC formulou novas ações na área de IE com a criação do Comitê-Assessor de Informática na Educação (CAIE), que requereu a aprovação do Programa de Ação Imediata (PAI). O comitê ficou responsável por criar “uma infraestrutura de suporte junto às secretarias estaduais de educação” (MORAES, 1993, p. 23). Ele se integrou ao
Projeto EDUCOM, provendo financiamento de pesquisas acadêmicas nos Centros-piloto (MORAES, 1997).
A partir de 1987, todas as ações de IE, inclusive o EDUCOM, ficaram a cargo da Secretaria de Informática (SEINF) (MORAES, 1997). Ainda neste mesmo ano, o PAI promoveu dois eventos importantes: a Jornada de Trabalho de Informática na Educação, sediado na cidade de Florianópolis (SC), e o 1º Concurso Nacional de Software Educativo, na UNICAMP. O primeiro teve como finalidade a formulação de ações de IE para os próximos três anos, e também propunha a formação de docentes pelas universidades (NASCIMENTO, 2007). O segundo evento apoiou a implementação do primeiro curso de formação de professores, o Projeto FOMAR (NASCIMENTO, 2007).
O projeto FORMAR começou a ser implementado em 1987, com o FORMAR I, e 1989, com o FORMAR II, coordenados pelo NIED/UNICAMP. Seu foco era oferecer dois cursos de pós-graduação lato sensu de modo modular e ministrados por pesquisadores integrantes do Projeto EDUCOM. O FORMAR I tinha por finalidade capacitar profissionais para implantarem Centros de Informática Educativa (CIEd) no sistema público de educação, com apoio técnico e financeiro do Ministério da Educação (MEC). O Projeto formou cerca de 150 educadores provenientes de secretarias estaduais, municipais e escolas técnicas, profissionais de educação especial, e também professores universitários. O FORMAR II dedicou-se a implantar Centros nas Escolas Técnicas Federais (CIET) e/ou em instituições de ensino superior (VALENTE, 1999). Este projeto resultou na criação de 17 CIEds em vários estados da Federação. Cada um tinha em torno de 30 microcomputadores por centro e atendia alunos, professores e a comunidade em geral (VALENTE, 1999). Nesse contexto, percebe-se que as ações do FORMAR se voltaram para a multiplicação de conhecimentos na área de IE em quase todo o território brasileiro sem se limitar somente aos Centros-piloto do EDUCOM (universidades).
Por conta dessas ações no âmbito da Informática Educativa o Brasil ficou em evidência. Foi quando o Ministério da Educação (MEC) recebeu um convite da Organização dos Estados Americanos (OEA) para apresentar um projeto de cooperação multinacional. A primeira atuação do governo foi a Jornada de Trabalho Luso Latino-Americana de
Informática na Educação, realizada na cidade de Petrópolis (RJ), em 1989. Desta, sucedeu
uma coleta de informações, que mais tarde se configuraria em um novo projeto entre os países membros da cooperação (NACIMENTO, 2007 apud SILVA, 2014).
Ainda em 1989, foi criado o Programa Nacional de Informática Educativa (PRONINFE), pela Portaria Ministerial nº 549/GM (em anexo), por intermédio da proposta
recomendada na Jornada de Trabalho de Informática na Educação: Subsídios para Políticas – promovida pela SEI em Florianópolis-SC, e da Jornada de Trabalho Luso Latino-
Americana de Informática na Educação, realizada em Petrópolis-RJ (BRASIL, 1994). O
programa era coordenado no âmbito do MEC em parceria com a SEI e com o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), e teve seu Regimento aprovado em março de 1990. Neste mesmo ano, integraria II Plano Nacional de Informática e Automação (PLANIN) vinculado