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POLÍTICAS PÚBLICAS E SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

5. RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL DO ESTADO PELA AUSÊNCIA DA PROFILAXIA NO AMBIENTE HOSPITALAR

5.3. POLÍTICAS PÚBLICAS E SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

A promoção da saúde será ajustada à necessidade de cada indivíduo, não havendo, portanto como se estabelecer tratamento igual para todos. Todos, no entanto, devem ter acesso à saúde, e é por meio do planejamento que a Administração estabelece a previsão das políticas e o orçamento.

O planejamento consiste numa importante ferramenta para a garantia do desenvolvimento nacional, sendo necessário tratar de alguns aspectos atinentes ao art.174 da CF46, que previu que o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo

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PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS E REPARAÇÃO POR DANOS MATERIAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. INFECÇÃO HOSPITALAR. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. HARMONIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. NEXO DE CAUSALIDADE. REEXAME DE FATOS E PROVAS.

1. Ausentes os vícios do art. 535 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração.

2. A responsabilidade do hospital pela infecção hospitalar é objetiva, pois essa decorre do fato da internação - ou seja, está relacionada aos serviços relativos ao estabelecimento empresarial, tais como à estadia do paciente (internação), instalações, equipamentos e serviços auxiliares (enfermagem, exames, radiologia) -, e não da atividade médica em si.

3. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 4. Agravo interno no recurso especial não provido.

(STJ – AgInt no RESP: 1394939 ES 2013/0238630-6, Relator: Ministra NANCY ANDRIGUI, Data de Julgamento: 25/10/2016, T3 – TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 10/11/2016)

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“Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado.

e planejamento, como agente normativo e regulador da atividade econômica, ou seja, além de planejar deve também fiscalizar se estão sendo executados os serviços do modo correto, bem como se as normas estabelecidas estão sendo cumpridas.

Entende o Ministro Eros Grau que o planejamento é um método de ação do Estado sobre a economia, e que o plano sem planejamento seria apenas formulação racional de ideias, sem nenhuma efetividade prática47.

Carla apud Luiza Cristina Fonseca Frischeisen (2007, p. 447) define as políticas públicas sociais como as ações estatais, exercidas diretamente pela Administração ou por entes delegados, visando a concretização dos direitos sociais48.

O órgão executor da política nacional de saúde, regulado pela lei nº 8.080/90 e pela lei 8142/90, é conhecido como SUS – Sistema Único de Saúde, conforme previsto no artigo 200 da Constituição Federal49.

Antes da criação do SUS o atendimento de saúde era garantido apenas a alguns grupos de pessoas, como exemplo, os que trabalhavam com registro na carteira e quem detinha maior poder aquisitivo. Porém, após dez anos de luta a Constituição determinou a

§ 1º A lei estabelecerá as diretrizes e bases do planejamento do desenvolvimento nacional equilibrado, o qual incorporará e compatibilizará os planos nacionais e regionais de desenvolvimento.”

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RISTER, Carla Abrantkoski. Direito ao desenvolvimento – antecedentes, significados e consequências/Carla Abrantkoski Rister. – Rio de Janeiro: Renovar, 2007. (P. 304)

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RISTER, Carla Abrantkoski. Direito ao desenvolvimento – antecedentes, significados e consequências/Carla Abrantkoski Rister. – Rio de Janeiro: Renovar, 2007.

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“Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei:

I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde e participar da produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos;

II - executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador; III - ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde;

IV - participar da formulação da política e da execução das ações de saneamento básico;

V - incrementar, em sua área de atuação, o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)

VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor nutricional, bem como bebidas e águas para consumo humano;

VII - participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos;

instituição desse sistema, com o intuito de expandir o acesso à saúde a um número maior de pessoas.

As ações e serviços de saúde, executados pelo Sistema Único de Saúde, seja diretamente ou mediante participação complementar da iniciativa privada, serão organizados de forma regionalizada e hierarquizada em níveis de complexidade crescente.

Conforme disposto no art. 19850 da Constituição Federal, o SUS será financiado com recursos do orçamento da seguridade social, da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, além de outras fontes.

Por sua vez, o art. 16 da Lei Complementar 141/201251 determina que o repasse de recursos a ser utilizados nas ações e serviços públicos de saúde deve ser feito diretamente ao fundo de saúde do respectivo ente da federação. E, praticamente todas as decisões judiciais concessivas de medicamentos e/ou tratamentos de saúde são atendidas com a utilização dos recursos desses fundos.

Observa-se que boa parte dos recursos são destinados ao atendimento de um número limitado de pessoas, o que revela uma elevada concentração de recursos públicos. Com efeito, verbas que se destinariam, em princípio, a todo aparelho, passam a ser redirecionadas para o atendimento de determinadas decisões judiciais, acarretando um desequilíbrio nos fundos de saúde.

Ao mesmo tempo, o perfil das pessoas que têm logrado êxito nas demandas judiciais é predominantemente de indivíduos que não estão submetidos a risco social, restando

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“Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes:

I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo;

II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais; III - participação da comunidade.

§ 1º. O sistema único de saúde será financiado, nos termos do art. 195, com recursos do orçamento da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes. (Parágrafo único renumerado para § 1º pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)”

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“Art. 16. O repasse dos recursos previstos nos arts. 6o a 8o será feito diretamente ao Fundo de Saúde do respectivo ente da Federação e, no caso da União, também às demais unidades orçamentárias do Ministério da Saúde. “

concentrado o acesso apenas para parte da população, e quem de fato precisa acaba ficando prejudicado. Assim, é necessária ponderação por parte do judiciário nas decisões, para que haja um equilíbrio e todos, conforme direito constitucionalmente garantido, sejam beneficiados.

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