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Políticas públicas: o Programa das Aldeias Históricas de Portugal

REDES E PARCERIAS EM TERRITÓRIOS RURAIS DE BAIXA DENSIDADE: UMA ANÁLISE AO PROGRAMA DAS ALDEIAS HISTÓRICAS DE PORTUGAL

3. Políticas públicas: o Programa das Aldeias Históricas de Portugal

A multiplicidade de iniciativas levadas a cabo em Portugal e nas regiões do Sul da Europa, apoiadas por diferentes Intervenções Operacionais e Iniciativas Comunitárias, reflectem as diversas tentativas de inverter as permanentes dificuldades com que determinadas áreas rurais de baixa densidade se vêem confrontadas, decorrentes de um contínuo abandono demográfico e perda de notoriedade destas áreas.

Um desses momentos foi preconizado pela crise dos anos 70 e 80, com efeitos devastadores em certas áreas rurais, tendo criado condições para uma nova abordagem das políticas públicas que passaram a incidir numa lógica de valorização do território, num novo papel a desempenhar pelos actores, pelas empresas e as diferentes redes onde se integram (Pecquer, 1989). Ou seja, a crítica aos modelos de desenvolvimento que vinham sendo prosseguidos, abriu portas para um novo modelo de desenvolvimento de base endógena.

Este ambiente de valorização dos recursos culturais enquanto elementos estratégicos de desenvolvimento de territórios, constituiu o mote para uma das iniciativas mais emblemáticas em Portugal, no início da década de 90, com lançamento do Programa de Recuperação das Aldeias Históricas de Portugal.

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A iniciativa piloto de requalificação iniciou-se no âmbito do II Quadro Comunitário de Apoio – 1994-1999 (Programa Operacional de Promoção de Potencial de Desenvolvimento Regional), com continuidade no III Quadro Comunitário de Apoio – 2000-2006 (Programa Operacional da Região Centro, nomeadamente a Acção Integrada de Base Territorial - “Acções Inovadoras de Dinamização das Aldeias”).

A intervenção pretendeu responder aos problemas das áreas rurais do interior mais débeis e com dificuldades estruturais ao nível do abandono demográfico e da desvalorização das actividades tradicionais.

No fundo, as Aldeias Históricas de Portugal, acabaram por representar a incidência regional e local de uma estratégia nacional, que visava discriminar positivamente alguns dos territórios do interior da região Centro, já considerada aquando a elaboração do Plano Nacional de Turismo (1985-1988), foram inventariados e classificados os recursos turísticos estratégicos, fazendo um claro apelo aos recursos culturais, naturais e de animação de “algumas aldeias típicas”. Desta forma, não só se reconhecia a importância do património e da cultura, como factores de diferenciação dos territórios, como se atribuía prioridade na protecção e recuperação das mesmas.

Segundo estes requisitos, definiu-se na região Centro uma Rede de Aldeias Históricas que integra aglomerados localizados, na sua grande maioria, ao longo da fronteira, entre o Douro e Tejo, aglomerados que assumiram no passado um papel estratégico na defesa do território e na afirmação da nacionalidade.

Esta intervenção abrangeu de uma forma selectiva uma dezena de aglomerados, num primeiro momento: Almeida, Castelo Mendo, Castelo Novo, Castelo Rodrigo, Idanha-a- Velha, Linhares, Marialva, Monsanto, Piódão e Sortelha (no período de 1994-1999), a que se juntaram mais tarde os lugares de Belmonte e Trancoso (2000-2006).

Assim, pretendeu-se dotar estes lugares de infra-estruturas básicas que permitissem contribuir para o desenvolvimento social e económico (melhoria da qualidade de vida da própria população); recuperação e valorização do património (intervenções nas fachadas e cobertura das estruturas edificadas), realçando o legado histórico e dinamizando um potencial segmento turístico-cultural; promoção e divulgação do território e animação das economias locais, através do envolvimento e participação de diversos actores locais públicos e privados, com vista ao desenvolvimento de diferentes projectos localmente implementados.

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A intervenção realizada decorreu ao abrigo de um plano global de reabilitação, preparado em estreita colaboração entre a Comissão de Coordenação da Região Centro, o Fundo de Turismo, as autarquias, o Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico, a Direcção Geral do Património do Estado e a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e as organizações locais.

O investimento financeiro ocorreu no II e III QCA (Quadro Comunitário de Apoio), tendo sido atribuída uma verba por aldeia em função da dimensão física do aglomerado, necessidade de infra-estruturas básicas, e da densidade e estado de conversação do património histórico existente e referenciados nos respectivos Planos de Aldeia, que foram construídos no momento de candidatura.

De uma forma global, o volume de investimento envolveu cerca de 44.620.704 milhões de euros, e contemplou os seguintes domínios estratégicos: valorização do património com 12.139.999 milhões de euros, seguindo-se-lhe a reabilitação e requalificação urbanística (9.783.590 milhões de euros), os equipamentos de apoio directo ao turismo 8.661.207 milhões de euros e 6.972.232 milhões de euros em infra-estruturas básicas. Na componente imaterial, com um investimento um pouco inferior, foram realizadas acções de animação, promoção e divulgação (3.816.018 milhões de euros) e registando-se apenas 2.295.574 milhões de euros ao nível da criação de micro empresas (CCDRC, 2013).

Em suma, uma disparidade considerável em termos da tipologia de projectos e investimento financeiro realizado nas aldeias e nos dois Quadros Comunitários de Apoio (quadro n.º 1). Verifica-se também uma desigualdade na distribuição do investimento nas aldeias e nos dois momentos de apoio, destaca-se o caso de Castelo Mendo com cerca de 1,4 milhões de euros e de 7 milhões de euros em Linhares da Beira. A distribuição da verba esteve associada às especificidades referenciadas nos Planos de Aldeia, bem como houve um atraso no arranque dos trabalhos no primeiro período e face aos resultados atingidos desta fase de experimentação, apresentou-se como determinante manter e aumentar a consolidação e aprofundamento das metodologias de recuperação das Aldeias Históricas no III QCA.

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Quadro 1 – Investimento financeiro realizado nas Aldeias Históricas (1995-2006)

Fonte: CCDRC16

A percepção geral é que houve alguma falta de articulação entre as diferentes componentes do programa, ou seja, uma forte concentração da fatia dos investimentos na componente material, relativa às obras de requalificação e valorização do património e as restantes componentes ficaram para a parte final da intervenção, ou seja, não houve tempo de preparação e maturação de projectos concretos no campo económico local, com diminuto apoio de verbas para o apoio ao empreendedorismo e criação de micro empresas.

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Dados disponibilizados por Maria Isabel Boura, responsável pela coordenação da AIBT – Acções

Inovadoras de Dinamização das Aldeias, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC). Aldeia QCA II (1995- 1999) QCA III (2000- 2006) Total (euros) Almeida 5.232.853 437.789 5.670.643 Castelo Mendo 1.331.164 49.560 1.380.725 Castelo Novo 48.972 2.596.468 2.645.440 Castelo Rodrigo 2.606.873 1.114.888 3.721.762 Idanha-a-Velha 1.587.530 2.468.162 4.055.693 Linhares da Beira 2.437.803 5.025.528 7.463.332 Marialva 2.243.556 1.328.471 3.572.027 Monsanto 1.482.858 363.122 1.845.980 Piódão 5.314.004 237.027 5.551.031 Sortelha 1.793.043 702.320 2.495.364 Trancoso - 1.604.228 1.604.228 Belmonte - 1.877.118 1.877.118 Projectos Transversais 2.374.815 362.552 2.737.361 Total 26.453.471 18.167.233 44.620.704

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4. Rede de parceria(s) um território de baixa densidade: o Programa das Aldeias