CAPÍTULO 1. ANALÍTICO, PROBLEMÁTICO, HISTÓRICO
A) O PONTIFICADO POLACO E A QUEDA DO BLOCO DE LESTE
Apesar de existir comumente a opinião de que a integração da Polónia na União Europeia começou com a queda do comunismo em 1989, os primeiros esforços da sociedade polaca para a integração na Europa Ocidental devem ser procurados na escolha dos cardeais que apontaram Karol Wojtyła como Papa durante o conclave de 16 de Outubro de 1978, em Roma. Há vários especialistas na área de assuntos internacionais e políticos que tratam este evento como decisivo para a futura unificação da Polónia com os outros países europeus no quadro da União Europeia.27
É difícil imaginar o que seria o destino da Polónia e dos países da Europa Central e do Leste sem o pontificado do Papa João Paulo II. Durante 25 anos Karol Wojtyła desempenhou um papel crucial como líder dos católicos. Mas a sua actividade não se limitou apenas ao campo de acção da Igreja Católica, pois o Papa polaco mudou o rumo dos acontecimentos em vários Estados através da sua política. Um dos principais territórios da sua actuação foi a sua terra natal, onde influenciou a esmagadora maioria dos seus compatriotas, incluindo muitos líderes políticos do seu país.28 Não há dúvidas de que, o muito longo pontificado de João Paulo II marcado pelo um ciclo de frequentes peregrinações apóstólicas à sua terra natal mudou a sociedade polaca29, que entre os séculos XX e XXI se distanciou dos outros povos europeus na sua atitude religiosa.
O mundo reconheceu os esforços de Karol Wojtyła no âmbito de luta pela liberdade dos povos e ainda durante o seu pontificado começou a ser chamado de “defensor dos direitos humanos”. Para vários autores o período de governação do Papa João Paulo II no Vaticano foi um dos mais importantes para a história da Igreja. Para George Weigel, o historiador norte-americano, o Sumo Pontífice da Polónia foi um dos
27 ROTFELD Adam, “Niebawem minie rok od wejścia Polski do Unii Europejskiej” (Rapidamente passará um ano sobre a adesão da Polónia à UE). Polska Agencja Prasowa, [http://serwisy.gazeta.pl/jp2/1,72542,2642704.html], 07.04.2005.
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O general Wojciech Jaruzelski, procurando a saída da difícil situação internacional, dirigiu-se em primeiro lugar ao Vaticano. Da mesma forma o presidente Aleksander Kwaśniewski procurava o apoio papal à adesão da Polónia à União Europeia.
29 PAWLINA Krzysztof, “Młodzi z Janem Pawłem II u progu III tysiąclecia” (Os jovens com João Paulo II no limiar de Terceiro Milénio), Wydawnictwo Sióstr Loretanek, Varsóvia, 1997, p. 55.
23 mais importantes Papas desde o tempo da Contra-reformação do século XVI. 30 Adam Rotfeld, ex-ministro polaco de Negócios Estrangeiros sublinhou também o papel decisivo de João Paulo II na luta pela transição de comunismo para a democracia31 , bem como historiador britânico Adam Zamoyski 32 .
É difícil analisar o impacto da escolha do arcebispo de Cracóvia para Papa e dos 25 anos do seu pontificado, sobre a fé dos polacos e a sua relação com a Igreja Católica. Mesmo no final da sua vida, João Paulo II não deixou de ter influência sobre a vida de milhões dos seus compatriotas, tendo sido na Polónia menos visível a diminuição do interesse pela religião e pela Igreja, comparativamente com outros lugares da Europa. Um dado revelador deste fenómeno é o das vocações para o sacerdócio. A escolha do Papa João Paulo II teve uma influência extraordinária a este nível: no período de 1978 a 1987 o crescimento das vocações espirituais foi de 40%, tendo posteriormente, entre 1988 e 1994, diminuido 20%. Mas no período entre 1994 e 2003, ou seja, no período no qual foi organizado o referendo sobre a adesão da Polónia à União Europeia, o número de vocações para o sacerdócio aumentou novamente em cerca de 16 %. 33
A aproximação da sociedade polaca e a grande confiança do povo na hierarquia da Igreja Católica revelou-se alguns anos antes, especialmente no período que antecedeu a comemoração do Milénio do cristianismo na Polónia. Este evento coincidiu com o aniversário dos mil anos do Estado polaco, e os comunistas polacos tentaram aproveitar esta data para celebrar um evento concorrente às festas da Igreja em 1966.34 Mais uma vez durante a ditadura realizaram naquela altura um ataque contra a Igreja, fazendo a confiscação de propriedades suas e inserindo restrições à liberdade de religião.
Antes da organização das celebrações do Milénio, as autoridades da República Popular da Polónia começaram mais uma vez a confiscar alguns prédios da Igreja que não tinham fins religiosos directos e introduziram impostos altos, o que afectou de forma devastadora as finanças da Igreja. Ao mesmo tempo, as autoridades estatais não expressavam a aprovação da construção de novos edifícios de culto, mesmo naqueles locais onde não existiam construções deste tipo. A governação da República Popular da Polónia perseguia os católicos não apenas no âmbito material, mas também na esfera
30 WEIGEL George, “Testemunho de Esperança. A Biografia de Papa João Paulo II”, Bertrand Editora, Lisboa, 1999, p.11.
31 ROTFELD Adam, op. cit.
32 ZAMOYSKI Adam, “História da Polónia”, Edições 70, Lisboa, 2010, p. 341-355.
33 BONIECKI Adam, „Zapatrzeni w Papieża. 25 lat pontyfikatu” (De olhos fixos no Papa. 25 anos do pontificado). Suplemento ao semanário “Tygodnik Powszechny”, 19.10.2003, p. 6.
34 O baptismo da Polónia recebido em 966 pelo príncipe Mieszko significava o início do Estado polaco.
24 espiritual. Os comunistas proibiram os padres de agir no âmbito das suas funções pastorais em áreas fechadas, como nas prisões, na tropa e em hospitais.35
Um fenómeno curioso é que a Igreja Católica na República Popular da Polónia, quando perdeu mais bens materiais e privilégios, foi quando se tornou mais próxima da sociedade polaca. Esta confiança cresceu constantemente afirmando a autoridade moral dos bispos.36
No período das celebrações do milénio do cristianismo e do Estado polaco aprofundou-se a crise na relação entre a Igreja Católica e o Estado comunista. Estas celebrações também fizeram sobressair as duas primeiras divisões no interior do catolicismo polaco. Os comunistas tentaram mesmo fazer inimigos entre os próprios bispos logo depois do Concílio Vaticano II. Alguns dos provocadores tentaram de uma maneira conveniente para o regime interpretar as conquistas do Vaticano II colocando em lados opostos a política progressista dos Papas João XXIII e Paulo VI, contra o Primaz da Polónia, cardeal Stefan Wyszynski.37
Contudo, esta avaliação da propaganda não atingiu o alvo do Primaz da Polónia – guardar os católicos polacos como um monólito e atrasar o mais possível a introdução das iniciativas sociais recomendadas pelo Concílio Vaticano II, baseadas na maior participação dos leigos na vida da Igreja. A resistência do cardeal Stefan Wyszynski teve a sua fonte no medo de que os comunistas usassem mais uma vez a táctica “salami”38
para se infiltrarem dentro das estruturas pastorais e enfraquecer a Igreja.39 Uma provável entrada dos agentes comunistas nestas circunstâncias dentro de laicado polaco podia desfragmentar a solidez interior dos católicos e por essa razão o cardeal Stefan Wyszynski não fez parte dos apoiantes da realização do Vaticano II na Polónia, ao contrário do cardeal Karol Wojtyła.
35 EISLER Jerzy, KUPIECKI Robert, SOBAŃSKA-BONDARUK Melania, op.cit, p. 252. 36 O Primaz da Polónia cardeal Stefan Wyszynski em 1957 confirmou ao cardeal de Viena Franz
Koenig que perseguições comunistas em vez de enfraquecer tornaram a Igreja Católica polaca mais forte. – Estou feliz sabendo que a Igreja na minha pátria já não tem praticamente nenhumas riquezas...”. Ver: H. Stehle, “To Księdza wina... O kardynale Franzu Koenigu” (É culpa do senhor padre... Sobre o cardeal Franz Koenig) in página na Internet do semanário „Tygodnik Powszechny”,
[http://www.opoka.org.pl/biblioteka/T/TH/THW/wina.html].
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A visão da Igreja Católica do Primaz Wyszynski pode ser reconhecida como uma política de apoio à religiosidade tradicional, do povo enquanto Cardeal Wojtyła punha muita atenção no desenvolvimento de movimentos de leigos.
38 A táctica „salami” foi usada desde 1945 até 1948 pelos partidos comunistas para chegar ao poder nos países de Europa de Leste. O método foi também usado pelos comunistas polacos que se infiltraram dentro do partido socialista e conseguiram submeter outros partidos. Ao mesmo tempo dominaram a administração do Estado usando chantagens, ameaças e de força, bem como alimentaram o conflito entre vários grupos na sociedade.
25 Juntamente com a carta aos bispos alemães, a atitude do Episcopado polaco no período das celebrações do milénio do cristianismo no país teve também uma grande importância para a posterior normalização das relações entre os polacos e os alemães.40
Karol Wojtyła, que passou muito tempo fora da Polónia, estudando em Roma, participando activamente nas deliberações do Concílio Vaticano II e que foi enviado especial do Papa Paulo VI, deu-se a conhecer não só aos católicos polacos, mas também aos membros da Igreja no mundo inteiro. O cardeal polaco também representava o pensamento do catolicismo universal, aberto às outras nações. A sua eleição como Papa contribuiu também para a abertura sistemática dos católicos polacos à ideia da Igreja universal.
Uma explosão de entusiasmo na Polónia após a eleição do Papa João Paulo II foi algo mais do que a erupção do orgulho nacional. Excluídos da Europa e do mundo pelo sistema comunista, a censura, ou as dificuldades na obtenção de passaportes, os polacos estavam cientes de que ninguém estava interessado em mudar esta situação. Quando de repente um seu compatriota se tornou a principal figura de outro Estado e da maior instituição religiosa, tornando-se o seu porta-voz no mundo.41
O regime comunista, que dominou na Polónia após a Segunda Guerra Mundial, ao mesmo tempo provocou o isolamento dos seus cidadãos face ao resto do mundo. A versatilidade e o carácter internacional da Igreja Católica tinham sido sempre um problema para os comunistas. As autoridades da República Popular da Polónia queriam provocar um desentendimento da Igreja Católica local com o Vaticano e a criação de uma igreja nacional, mas não o conseguiram. O pontificado de João Paulo II quebrou o muro que separava os polacos do resto do mundo, porque o interesse em viagens papais chamava a atenção dos seus compatriotas para outros países. Desta forma, a ideia do Papa e o Vaticano tornou-se muito concreta.
As visitas do Papa João Paulo II tinham um impacto muito forte na sociedade polaca. As organizações destes eventos que decorriam em curtos ciclos com intervalos de poucos anos ajudaram os católicos polacos a manter um contacto próximo com a Santa Sé e a sociedade polaca, o que no passado era extremamente difícil e raro. Desta forma, a Igreja polaca manteve um contacto com os fiéis e existia um vínculo que através da pessoa do Papa João Paulo II ajudava a ouvir a voz da hierarquia da Igreja
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RAINA Peter, “Kardynał Wyszyński: konflikty roku milenijnego” (O Cardeal Wyszyński: os conflitos do ano milenar), Wydawnictwo von Borowiecky, Varsóvia, 1999. 192-217.
26 local. Os polacos ouviam com atenção os discursos papais durante as suas peregrinações apóstólicas. Cada uma das oito visitas papais foi introduzida numa situação específica: de uma forma nos tempos do comunismo, de outra no período de construção e amadurecimento da democracia polaca. O Papa João Paulo II sempre levava aos seus compatriotas os problemas actuais, e chamava-os para um sentido de responsabilidade e, acima de tudo, constituiu para eles um testemunho de fé.
Todo o pontificado de João Paulo II foi cheio de actividades no quadro do ecumenismo e das acções de promoção de ideias libertadoras, que ajudaram a libertar os povos, especialmente da Europa Central e de Leste. Durante a liderança de Karol Wojtyła registou-se o maior número de proclamações de independência nesta parte do mundo. O Sumo Pontífice teve também um papel importante na suavização das relações entre o Ocidente e o Leste. O próprio chefe do Kremlin, Michail Gorbachev, admitiu que “graças ao Papa polaco” a Guerra-fria chegou ao seu final.42
As primeiras eleições democráticas de Junho 1989 foram um acontecimento importante para o Papa João Paulo II, tendo para a sua realização contribuido uma forte posição da Igreja Católica na Polónia, bem como na diplomacia da Santa Sé e das várias peregrinações apóstólicas do Papa a este país sob a ditadura comunista. As mudanças iniciadas pelo sindicato Solidariedade foram decisivas para o início da transformação política que atravessou a Europa Central e de Leste provocando no final dos anos 80 a queda da Cortina de Ferro e o desmantelamento da União Soviética. Na opinião de vários especialistas em relações internacionais, a influência de João Paulo II face à integração do seu país na União Europeia foi muito maior do que se possa pensar.43 Este papel não tem o seu início no momento do pedido de adesão da Terceira República da Polónia, mas sim muito antes, quando Karol Wojtyła foi eleito Papa no Conclave de 1978.
A escolha de Karol Wojtyła para a posição de Sumo Pontífice foi incrível não só dentro da Igreja Católica, como também para o mundo. A decisão dos Cardeais chocou especialmente as autoridades da União Soviética onde, sob as decisões do partido comunista e do Estado, a religião foi praticamente banida. Essa ideia da luta contra a fé cristã foi lançada pelo Kremlin após a Segunda Guerra Mundial também nos outros países do Bloco de Leste, mas o processo de ateização falhou na Polónia, o que foi sem dúvida o resultado da política do cardeal Stefan Wyszynski e do cardeal Karol Wojtyła.
42 WEIGEL George, “Testemunho de Esperança...”, p. 41
27 No entanto, sem o apoio do cardeal de Viena, Franz Koenig, na candidatura do arcebispo de Cracóvia, a posição do polaco no Conclave podia ser definitivamente mais fraca. Na verdade, o Papa João Paulo II, em seguida, adoptou uma estratégia de lidar com o comunismo de forma semelhante à ideia do cardeal de Viena. O cardeal Koenig já na década de 50 observou que a Igreja Católica não se podia afastar da Europa Oriental, e tinha que colocar o seu pé “no espaço estreito da porta”, que estava na área entre a teoria e a prática comunista. “Mas, apesar do comunismo” – disse o cardeal Franz König já em 1965, assistindo a acontecimentos em ambos os lados da Cortina de Ferro – “no final pode acontecer que o problema do ateísmo seja muito mais grave no Ocidente do que no Oriente.”44
Não há dúvida de que João Paulo II com a sua mensagem carismática em grande parte contribuiu para a derrocada das ditaduras comunistas na Europa Oriental. O líder da última União Soviética, Mikhail Gorbachev, admitiu-o, bem como muitos historiadores modernos.45 O envolvimento directo do Papa na política polaca começou com a legitimização da forte oposição democrática durante a onda de greves dos operários em 1980. Mas o apoio ao Solidariedade não tinha apenas carácter moral. A voz de João Paulo II percorria o mundo inteiro apelando tanto aos activistas oprimidos do sindicado polaco, como aos líderes mundiais. O Papa ajudou os seus compatriotas a sobreviver ao tempo difícil de Dezembro de 1981, mobilizando a opinião pública sobre a introdução da Lei Marcial, e ajudando com a diplomacia católica a acabar com ela. Desta forma se iníciou a ruptura do monólito do bloco comunista na Polónia.46
Com o Conclave de 1978, aumentou a autoridade da Igreja Católica na Polónia, que era apoiada cada vez mais por massas que cresceram na sociedade, e que gradualmente começou a ganhar a liderança espiritual. De facto, a primeira peregrinação papal de João Paulo II, que teve lugar em Junho de 1979, foi decisiva para enfraquecer o papel moral do regime comunista. O impacto do evento já tinha sido previsto anteriormente pelos líderes soviéticos.
O próprio Primeiro Secretário do Partido Comunista da União Soviética, Leonid Brezhnev, alertou o primeiro-ministro polaco Edward Gierek sobre um possível crescimento da popularidade da Igreja Católica após a visita papal à Polónia. O líder soviético sugeriu às autoridades da República Popular da Polónia que pedisse ao papa
44 STEHLE Hans Jakob, “Tajna dyplomacja Watykanu” (A diplomacia secreta do Vaticano), Real Press, Cracóvia, 1993, p. 15-32.
45 ASH Timothy Garton , „The first world leader”, in „The Guardian”, 04.04.2005, p.2. 46 BONIECKI, Adam, ks, „Zapatrzeni w Papieża...”, op.cit., str. 6
28 polaco que não viesse à sua terra natal. Do ponto de vista do movimento comunista, Leonid Brezhnev tinha razão. Ele previu que isso poderia ter consequências de longo alcance não só para os polacos, mas para toda a região. Não é por acaso que se sublinhava naquela altura que o novo papa era eslavo e que isso podia ter influência sobre os povos que na maioria dos casos foram conquistados por Stalin.47
A ampla correspondência entre os líderes dos dois países confirmou que ambos não queriam a visita do Papa ao seu país, mas para Edward Gierek esta decisão não foi nada fácil. O líder dos comunistas polacos temendo uma reacção negativa da sociedade polaca, maioritariamente católica, deu luz verde à chegada de João Paulo II em visita apóstólica. Finalmente, graças a esta primeira peregrinação, o Papa tornou-se o líder espiritual da nação e em seguida o regime perdeu a legitimidade do poder aos olhos dos cidadãos polacos.48
Um dos pontos mais altos desta peregrinação papal foi a missa realizada na Praça da Vitória, em Varsóvia. Durante a homilia o Papa chamou o Espírito Santo para renovar a “face da terra” polaca.49 Estas palavras papais mais tarde tornaram-se o lema
principal para as mudanças que ocorrem na Polónia.50
A primeira peregrinação de João Paulo II na Polónia libertou um processo de bola de neve, que o sistema já obsoleto e ineficiente do regime comunista não conseguiu parar. Para os acontecimentos futuros também contribuiu uma crise económica acentuada, que se manifestou na República Popular da Polónia no final dos anos 70. Isto foi causado por um enorme desperdício de recursos para o desenvolvimento económico, bem como a excessiva vida à base de crédito que a equipa do Primeiro Secretário do Partido Operário Unificado Polaco (PZPR), Edward Gierek, ofereceu à sociedade polaca.
A chegada de João Paulo II à República Popular da Polónia também teve uma influência definitiva sobre a oposição política. Pouco depois da peregrinação papal começaram a formar-se os sindicatos livres do Solidariedade, que realizaram numerosas e eficazes greves em Agosto de 1980. O Papa polaco foi explicitamente favorável à
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DUDEK Antoni, „Breżniew miał rację” (Brezniev tinha razão), in jornal „Dziennik”, 07.06.2009, [http://wiadomosci.dziennik.pl/opinie/artykuly/90559,dudek-brezniew-mial-racje.html]
48 Ibidem
49 Homilia de João Paulo II dita durante a Missa na Praça da Vitória em Varsóvia no dia 2 de Junho de 1979, in www.ekai.pl.
50 Em Varsóvia durante a sua homília o Papa disse „Deixai descer o Teu Espiríto e que renove a face da terra, esta terra”, e em Czestochowa sublinhou às multidões: „Aqui sempre fomos livres”.
29 iniciativa51, aceitando Lech Wałęsa e a sua equipa de oposição a acompanhá-lo em Roma.
A criação do sindicato Solidariedade no ano da primeira visita de João Paulo II à Polónia, foi um sinal de que as autoridades comunistas polacas queriam ser condescedentes face à oposição política apoiada por Karol Wojtyła. E apesar do Papa não ser o iniciador do Solidariedade, logo se tornou o seu grande mentor espiritual e já durante a greve dos estaleiros em Gdansk a sua imagem foi colocada no portão principal. A primeira visita papal à Polónia também ajudou a perceber a sua força. João Paulo II repetiu incessantemente palavras sobre os direitos humanos e o direito de soberania, ficando como um ponto de referência para as pessoas, ajudando a quebrar a barreira do medo.52
As previsões dos comunistas tornaram-se uma realidade. A Igreja Católica começou a ficar cada vez mais forte e a ganhar um maior apoio na sociedade e o poder