Bullying nas aulas de Educação Física
Por 4 ou mais colegas 5 17,3% 9 17,3% 14 17,3%
4.3.2 PONTO DE VISTA DO AGRESSOR
Dedicámos a segunda parte da secção ao estudo das mesmas questões agora vistas do lado do agressor. A forma como o inquérito está apresentado permitiu esta comparação, pois as perguntas 9,10 e 11 põem perante o agressor precisamente o mesmo conjunto de hipóteses de resposta que as perguntas 3, 4 e 5 (já estudadas) punham à vítima. Assim, como o estudo que apresentaremos de seguida segue os mesmos trâmites do apresentado na primeira parte desta secção, omitiremos a explicação acerca dos motivos que nos levaram a agrupar as hipóteses de resposta (no caso do estudo das questões 10 e 11) e dos critérios usados na definição das novas classes.
54 Começámos por analisar a frequência com que os agressores atuavam, através do estudo das respostas à pergunta nº 9 do inquérito: “Quantas vezes ajudaste a maltratar os outros nas aulas de Educação Física?” que sumariamos no Quadro 24.
Quadro 24 – Quantas vezes ajudaste a maltratar os outros nas aulas de Educação Física?
Respostas Escola TEIP
Escola Ensino
Regular Total
n % n % n %
Eu não ajudei a maltratar (…)
nas aulas de Educação Física 161 93,1% 341 90,7% 502 91,4% Só 1 ou 2 vezes 8 4,5% 29 7,7% 37 6,7%
De 3 a 6 vezes 2 1,2% 4 1,1% 6 1,1%
Uma vez por semana 0 0,0% 2 0,5% 2 0,4%
Sempre 2 1,2% 0 0,0% 2 0,4%
Total 173 100,0% 376 100,00% 549 100,0%
Este quadro indica que a grande maioria dos alunos não pratica atos de agressão. Ainda assim, há a salientar que perto de 10% (o que resulta num número significativo de alunos, dada a dimensão da amostra) admite ter tido aquele tipo de práticas.
Os resultados apresentados por Brito (2006) com a aplicação do mesmo questionário, apontaram para números da mesma ordem de grandeza.
No Quadro 24A apresentamos a distribuição de frequências associada às respostas que indicam agressão:
Quadro 24A – Frequência das agressões nas aulas de Educação Física, segundo o agressor
Respostas Escola TEIP Escola Ensino
Regular Total
n % n % n %
Só 1 ou 2 vezes 8 66,7% 29 82,9% 37 78,6%
De 3 a 6 vezes 2 16,6% 4 11,4% 6 12,8%
Uma vez por semana 0 0,0% 2 5,7% 2 4,3%
Sempre 2 16,7% 0 0,0% 2 4,3%
55 O Quadro 24A indica que a maioria das vezes os agressores atuam de forma pontual e que essa tendência é mais acentuada na Escola de Ensino Regular.
Para avaliar o significado estatístico das diferenças detetadas começámos por aplicar o teste do Qui-quadrado da independência, definindo a hipótese nula como: “A distribuição de frequências da variável “Quantas vezes ajudaste a maltratar os outros nas aulas de Educação Física” é independente da tipologia da escola”. O output apresentado no anexo (ver output 21) mostrou um valor para o p-value 0,117 (obtido através do teste de Fisher), o que implicou a não rejeição da hipótese nula. Desta forma, concluímos que as diferenças que podemos observar nas distribuições de frequência associadas às duas escolas não são significativas o suficiente para que as possamos diferenciar quanto a este tópico.
Estudámos, seguidamente, a forma como as frequências se repartiam pelas várias categorias em cada um dos géneros e em cada um dos ciclos de estudo: apresentamos de seguida (ver Quadro 25A) o resultado da análise por género:
Quadro25A – Frequência das agressões em função do género do agressor
Respostas Escola TEIP Escola Ensino Regular Total
Masculino Feminino Masculino Feminino Masculino Feminino
n % n % n % n % n % n %
Só 1 ou 2
vezes 6 75,0% 2 50,0% 16 80,0% 13 86,7% 22 78,6% 15 78,9% De 3 a 6 vezes 1 12,5% 1 25,0% 4 20,0% 0 0,0% 5 17,8% 1 5,3%
Uma vez por
semana 0 0,0% 0 0,0% 0 0,0% 2 13,3% 0 0,0% 2 10,5% Sempre 1 12,5% 1 25,0% 0 0,0% 0 0,0% 1 3,6% 1 5,3%
Total 8 100,0% 4 100,0% 20 100,0% 15 100,0% 28 100,0% 19 100,0%
A leitura do Quadro 25A indicia a existência de diferenças nas observações associadas a cada género: nos rapazes o peso das agressões perpetradas com regularidade é mais elevado. No entanto o teste Fisher não comprova (p-value de 0,192 - ver output 22.1).
Pereira et al. (2009) também concluíram serem os rapazes quem mais desempenha o papel de agressor.
56 Por aplicação do teste do Qui-quadrado de aderência à distribuição Uniforme aos dados associados ao grupo dos rapazes, verificámos que, de facto, as diferenças entre as proporções associadas às várias categorias têm significado estatístico (o valor do p-value (0,000) permitiu rejeitar a hipótese nula definida como: “No grupo dos rapazes, as categorias da variável “Quantas vezes ajudaste a maltratar os outros nas aulas de Educação Física” ocorrem com igual probabilidade” – ver output 22.2.
e no Quadro 25B o resultado da análise por ciclo:
Quadro25B – Frequência das agressões em função do ciclo frequentado pelo agressor
Respostas Escola TEIP Escola Ensino Regular Total
2.º Ciclo 3.º Ciclo 2.º Ciclo 3.º Ciclo 2.º Ciclo 3.º Ciclo
n % n % n % n % n % n %
Só 1 ou 2
vezes 5 71,4% 3 60,0% 16 76,2% 13 92,9% 21 75,0% 16 84,2% De 3 a 6 vezes 1 14,3% 1 20,0% 3 14,3% 1 7,1% 4 14,3% 2 10,5%
Uma vez por
semana 0 0,0% 0 0,0% 2 9,5% 0 0,0% 2 7,1% 0 0,0% Sempre 1 14,3% 1 20,0% 0 0,0% 0 0,0% 1 3,6% 1 5,3%
Total 7 100,0% 5 100,0% 21 100,0% 14 100,0% 28 100,0% 19 100,0%
No Quadro 25B tentámos verificar se existe diferenciação da distribuição das frequências quando analisamos cada ciclo per si, bem como comparando os dois ciclos.
Mais uma vez, recorremos ao teste do Qui-quadrado para clarificar as questões em discussão. No primeiro caso definimos a hipótese nula como: “No 2.º (3.º) Ciclo, as categorias da variável “Quantas vezes ajudaste a maltratar os outros nas aulas de Educação Física” ocorrem com igual probabilidade” e no segundo caso como: “A distribuição de frequências da variável “Quantas vezes ajudaste a maltratar os outros nas aulas de Educação Física” é independente do ciclo de estudo”.
Os resultados que apresentámos nos anexos implicaram a rejeição da primeira hipótese (p-value de 0,000 - ver outputs 23.1; 23.2) e a não rejeição da segunda (neste caso, com recurso ao teste de Fisher para obtenção de um p-value de 0,844 – ver output 23.3). Assim, não podemos relacionar a frequência/regularidade das agressões nas aulas de Educação Física com o ciclo frequentado. Verificamos ainda
57 um claro predomínio da opção “1 ou 2 vezes”, seguida da categoria “3 a 6 vezes”. As categorias “uma vez por semana” e “sempre” ocorrem com menor frequência.
Analisámos, em seguida, as respostas à pergunta nº 11 do inquérito “Maltrataste outro(s) colega(s) na(s) aula(s) de Educação Física, de alguma das seguintes formas?”. O tratamento dos dados recolhidos com esta questão permitiu tipificar a agressão quanto à forma. O Quadro 26 sumaria os resultados obtidos (fazemos notar que nesta questão se admitia a escolha de uma ou mais hipóteses de resposta):
Quadro 26 – Maltrataste outro(s) colega(s) na(s) aula(s) de Educação Física, de alguma das seguintes formas?
Respostas Escola TEIP Escola Ensino
Regular Total
n % n % N %
Não maltratei os meus colegas nas aulas de
Educação Física 155 83,8% 337 86,2% 492 85,4% Bati, dei pontapés 4 2,2% 2 0,5% 6 1,0%
Empurrei 7 3,8% 9 2,4% 16 2,8%
Ameacei 5 2,7% 2 0,5% 7 1,2%
Chamei-lhes nomes por causa da sua cor ou
raça 2 1,1% 0 0,0% 2 0,3%
Chamei-lhes nomes ou gozei com ele/ela de
outras maneiras 0 0,0% 13 3,3% 13 2,3%
Gritei 6 3,2% 3 0,8% 9 1,6%
Pus de parte alguns colegas de propósito,
afastando-os do meu grupo/equipa 0 0,0% 8 2,0% 8 1,4%
Chateei 3 1,6% 15 3,8% 18 3,1%
Fiz outras coisas. Por favor, diz o quê 3 1,6% 2 0,5% 5 0,9%
Total 185 100,0% 391 100,0% 576 100,0%
A leitura do Quadro 26 indica uma dispersão significativa nos valores das frequências associadas às categorias, parecendo também não haver diferenças significativas entre as distribuições de frequência observadas em cada escola nem entre escolas. Para clarificar estes assuntos, começámos por apresentar, no Quadro 26A a distribuição de frequências associada às respostas positivas:
58 Quadro 26A – Forma da agressão, segundo o agressor
Respostas Escola TEIP Escola Ensino
Regular Total
n % n % n %
Bati, dei pontapés 4 13,3% 2 3,7% 6 7,1%
Empurrei 7 23,3% 9 16,7% 16 19,0%
Ameacei 5 16,7% 2 3,7% 7 8,3%
Chamei-lhes nomes por causa da sua cor ou raça 2 6,7% 0 0,0% 2 2,4%
Chamei-lhes nomes ou gozei com ele/ela de
outras maneiras 0 0,0% 13 24,1% 13 15,5%
Gritei 6 20,0% 3 5,5% 9 10,7%
Pus de parte alguns colegas de propósito,
afastando-os do meu grupo/equipa 0 0,0% 8 14,8% 8 9,5% Chateei 3 10,0% 15 27,8% 18 21,5%
Fiz outras coisas. Por favor, diz o quê 3 10,0% 2 3,7% 5 6,0%
Total 30 100,0% 54 100,0% 84 100,0%
Definindo a hipótese nula, H0, como: “As categorias da variável “Maltrataste outro(s)
colega(s) na(s) aula(s) de Educação Física, de alguma das seguintes formas?” ocorrem com igual probabilidade na TEIP (Escola de Ensino Regular)” conseguimos, por aplicação do teste do Qui-quadrado de aderência à distribuição Uniforme, estudar a primeira observação e definindo a hipótese nula, H0, como: “A distribuição de
frequências da variável “Maltrataste outro(s) colega(s) na(s) aula(s) de Educação Física, de alguma das seguintes formas?” é independente da tipologia da escola” conseguimos, por aplicação do teste do Qui-quadrado da independência, estudar a segunda.
Os valores obtidos para o p-value apontaram em sentidos divergentes. Com efeito, quando aplicámos o teste de aderência à distribuição Uniforme, concluímos pela não rejeição de H0 quando analisamos a TEIP (p-value= 0,605 – ver output 24.1) e pela
rejeição de H0 quando analisamos a Escola de Ensino Regular (p-value= 0,000 – ver
output 24.2). Assim, concluímos que na Escola de Ensino Regular há diferenças significativas nas proporções das diferentes categorias e que o mesmo não acontece na TEIP. Este resultado indiciou a diferenciação das escolas, o que foi comprovado quando aplicámos o teste do Qui-quadrado da independência, pois obtivemos um p-
value de 0,000 (p-value obtido através do teste Fisher, pois constatámos que não se
verificavam as condições de aplicação do teste Qui-quadrado - ver output 24.3).
Tal como anteriormente, com o intuito de determinar o peso relativo de cada uma das formas de agressão, agregámos as respostas dos inquiridos, classificando as respostas “Ameacei”, “Chamei-lhes nomes por causa da sua cor ou raça”, “Chamei-
59 lhes nomes ou gozei com ele/ela de outras maneiras.”, “Gritei”, “Pus de parte alguns colegas de propósito, afastando-os do meu grupo/equipa” e “Chateei” como verbais/sociais e as restantes como físicas. As respostas “Fiz outras coisas. Por favor, diz o quê” foram classificadas caso a caso. Apresentamos os resultados obtidos no Quadro 27:
Quadro 27 – Peso relativo das agressões verbais/sociais e físicas, segundo o agressor
Respostas Escola TEIP Escola Ensino
Regular Total
n % n % n %
Verbais/sociais 18 60,0% 42 77,8% 60 71,4%
Físicas 12 40,0% 12 22,2% 24 28,6%
Total 30 100,0% 54 100,0% 84 100,0%
A leitura deste quadro fornece indicações claras: o peso das agressões verbais/sociais é superior ao peso das agressões físicas, em ambas as escolas (no total, as agressões físicas representam cerca de 1/3 das agressões registadas).
Para confirmar a leitura apresentada, recorremos à inferência estatística. Aplicámos o teste da Binomial para aferir a existência de diferenças significativas nas proporções associadas a cada categoria, em cada escola, definindo a hipótese nula como: ”As agressões de tipo verbal/social e física ocorrem com igual probabilidade na TEIP (Escola de Ensino Regular) ” e aplicámos o teste do Qui-quadrado da independência para aferir a existência de diferenças na importância relativa de cada categoria nas duas escolas, definindo a hipótese nula como: “A distribuição de frequências da variável em estudo é independente da escola”.
Os valores obtidos confirmam parcialmente as indicações acima apontadas: com efeito, não rejeitámos H0 quando aplicámos o teste da Binomial à TEIP, mas
rejeitámos H0 quando aplicámos o mesmo teste à Escola de Ensino Regular (p-value
de 0,362 e 0,000, respetivamente – ver outputs 25.1 e 25.2) e não rejeitámos a hipótese de independência da distribuição de frequências face à tipologia da escola (p-
value de 0,129 – ver output 25.3).
De seguida, analisámos o comportamento das distribuições de frequência por género e por ciclo (Quadro 27A e Quadro 27B, respetivamente).
60 Quadro 27A – Peso relativo das agressões verbais/sociais e físicas, segundo o género do agressor
Respostas Escola TEIP Escola Ensino Regular Total
Masculino Feminino Masculino Feminino Masculino Feminino
n % n % n % n % n % n %
Verbais/sociais 9 52,9% 9 69,2% 23 76,7% 19 79,2% 32 68,1% 28 75,7%
Físicas 8 47,1% 4 30,8% 7 23,3% 5 20,8% 15 31,9% 9 24,3%
Total 17 100,0% 13 100,0% 30 100,0% 24 100,0% 47 100,0% 37 100,0%
O Quadro 27A permitiu-nos analisar o modo como as duas formas de agressão se distribuem pelos dois géneros e o modo como essa distribuição se relaciona com a tipologia da escola.
Constatamos que as agressões de tipo verbal/social têm maior peso em todos os grupos. Para verificar se as diferenças observadas são significativas o suficiente para que se possa validar a afirmação anterior, aplicámos o teste da Binomial a cada um dos grupos definidos pelos pares género-escola, definindo a hipótese nula como: ”As agressões de tipo verbal/social e física ocorrem com igual probabilidade no grupo dos rapazes (raparigas) na TEIP (Escola de Ensino Regular) ”. Os valores obtidos para o
p-value (ver outputs 26.1; 26.2; 26.3 e 26.4) não permitiram a rejeição da hipótese nula
na TEIP, mas permitiram na Escola de Ensino Regular. Na TEIP e na Escola de Ensino Regular, os resultados, por género, refletiram o que observámos quando analisámos cada escola como um todo.
Deste modo ao verificarmos que tanto os rapazes como as raparigas praticam principalmente agressões verbais/sociais, na Escola de Ensino Regular, encontramos diferenças com o defendido por Campos (2007), Elliot (2002) e Martins (1997). Estes autores disseram que os rapazes praticam mais agressões físicas. Quanto às raparigas os nossos resultados vão de encontro aos de Campos (2007), Elliot (2002) e Neto (2005).
Comparámos, também, os dois géneros quanto à forma como as frequências se distribuíam pelas duas categorias, em cada escola. Para o efeito recorremos ao teste do Qui-quadrado da independência, definindo H0 como: ”Na TEIP (Escola de Ensino
Regular), a distribuição de frequências da variável em estudo é independente do género”. Os resultados (obtidos através do teste de Fisher - ver outputs 26.5 e 26.6) implicaram a não rejeição de H0 em ambas as situações.
61 Finalmente, comparámos as duas escolas quanto à forma como as frequências se distribuíam pelas duas categorias, em cada género. Para o efeito, recorremos, mais uma vez, ao teste do Qui-quadrado da independência, definindo H0 como: ”No grupo
dos rapazes (raparigas), a distribuição de frequências da variável em estudo é independente da escola”. Os resultados (obtidos através do teste de Fisher - ver outputs 26.7 e 26.8) implicaram, também, a não rejeição de H0 em ambas as
situações.
Replicando a análise anterior de modo a comparar os níveis de agressão nos dois ciclos, obtivemos o Quadro 27B.
Quadro 27B – Peso relativo das agressões verbais/sociais e físicas, segundo o ciclo do agressor Respostas Escola TEIP Escola Ensino Regular Total
2ºCiclo 3º Ciclo 2ºCiclo 3º Ciclo 2ºCiclo 3º Ciclo
n % n % n % n % n % N %
Verbais/sociais 12 57,1% 6 66,7% 24 80,0% 18 75,0% 36 70,6% 24 72,7%
Físicas 9 42,9% 3 33,3% 6 20,0% 6 25,0% 15 29,4% 9 27,3%
Total 21 100,0% 9 100,0% 30 100,0% 24 100,0% 51 100,0% 33 100,0%
Por análise do Quadro 27B podemos avaliar o modo como as duas formas de agressão se distribuem pelos dois ciclos.
Observamos um maior peso das agressões de tipo verbal/social em todos os grupos. No entanto, os resultados do teste da Binomial que aplicámos a cada um dos grupos definidos pelos pares ciclo-escola, definindo a hipótese nula como: ”As agressões de tipo verbal/social e física ocorrem com igual probabilidade no grupo do 2º. Ciclo (3.º Ciclo) na TEIP (Escola de Ensino Regular)”, não permitiram generalizar aquela observação a todos os casos. De facto, o valor obtido para o p-value só permitiu a rejeição da hipótese nula, quando comparámos a importância relativa das duas categorias, no grupo dos alunos da Escola de Ensino Regular (ver outputs 27.1; 27.2; 27.3 e 27.4).
Tal como no caso anterior, estudámos os dois grupos de alunos quanto à forma como as frequências se distribuíam pelas duas categorias, em cada escola. Estudámos, também, as duas escolas quanto à forma como as frequências se distribuíam pelas duas categorias, em cada grupo de alunos. Para o efeito, recorremos ao teste do Qui-
62 quadrado da independência, definindo H0 como: ”Na TEIP (Escola de Ensino Regular),
a distribuição de frequências da variável em estudo é independente do ciclo frequentado” - primeiro caso e ”No grupo dos alunos do 2.º Ciclo (3.º Ciclo), a distribuição de frequências da variável em estudo é independente da escola” – segundo caso. Os resultados (ver outputs 27.5, 27.6, 27.7 e 27.8) implicaram a não rejeição de H0 nas quatro situações.
Assim, apenas se considera significativa a maior presença das agressões de tipo verbal/social no grupo dos alunos da Escola de Ensino Regular. Nos outros grupos, tendo em consideração os valores dos testes, as diferenças detetadas não são significativas o suficiente para permitir qualquer conclusão sobre este tópico.
Dedicámo-nos, em seguida, ao estudo do número de agressores, por agressão. As respostas à pergunta n.º 10 do inquérito “Quando maltrataste outros colegas, normalmente fizeste-o sozinho ou com outros colegas?” permitiram saber se os agressores agiam sozinhos ou em grupo e ainda a dimensão do grupo em que atuavam.
No Quadro 28 apresentamos um resumo das respostas obtidas à questão enunciada:
Quadro 28 – Quando maltrataste outros colegas, normalmente fizeste-o sozinho ou com outros colegas?
Respostas Escola TEIP
Escola Ensino
Regular Total
n % n % n %
Não maltratei os meus colegas nas
aulas de Educação Física 159 91,7% 340 90,4% 499 90,9% Normalmente fi-lo sozinho 6 3,6% 12 3,2% 18 3,3%
Normalmente fi-lo com 1 ou 2
colegas 5 2,9% 22 5,9% 27 4,9% Normalmente fi-lo com 3 a 8 colegas 2 1,2% 2 0,5% 4 0,7%
Normalmente fi-lo com mais de 8
colegas 1 0,6% 0 0,0% 1 0,2%
Total 173 100,0% 376 100,0% 549 100,0%
De seguida, estudámos, a distribuição de frequências associada às respostas positivas que apresentamos no Quadro 28A:
63 Quadro 28A – Número de agressores nas aulas de Educação Física, segundo o agressor
Respostas
Escola TEIP Escola Ensino
Regular Total
n % n % n %
Normalmente fi-lo sozinho 6 42,9% 12 33,3% 18 36,0%
Normalmente fi-lo com 1 ou 2 colegas 5 35,7% 22 61,1% 27 54,0%
Normalmente fi-lo com 3 a 8 colegas 2 14,3% 2 5,6% 4 8,0%
Normalmente fi-lo com mais de 8
colegas 1 7,1% 0 0,0% 1 2,0%
Total 14 100,0% 36 100,0% 50 100,0%
As distribuições de frequência parecem ocorrer da mesma forma nas duas escolas, o que pode ser confirmado por aplicação do teste do Qui-quadrado da independência. Com efeito, o valor obtido para o p-value (0,173, ver output 28.1) não permitiu a rejeição da hipótese de que as distribuições de frequência são independentes da tipologia das escolas.
Os resultados apontam para o predomínio das opções “Normalmente fi-lo com 1 ou 2 colegas” na Escola de Ensino Regular, e “Normalmente fi-lo sozinho” na TEIP. Tal como na subsecção anterior, para a aplicação do teste do Qui-quadrado de aderência à distribuição Uniforme, considerámos os dados agregados em três categorias (ver quadro 29):
Quadro 29 – Número de agressores nas aulas de Educação Física, segundo o agressor (dados
agregados)
Respostas Escola TEIP
Escola Ensino
Regular Total
n % n % n %
Normalmente fi-lo sozinho 6 42,9% 12 33,3% 18 36,0%
Normalmente fi-lo com 1 ou 2
colegas 5 35,7% 22 61,1% 27 54,0% Normalmente fi-lo com 3 ou mais
colegas 3 21,4% 2 5,6% 5 10,0% Total 14 100,0% 36 100,0% 50 100,0%
e definimos a hipótese nula como: “Na TEIP (Escola de Ensino Regular), as categorias da variável em estudo ocorrem com igual probabilidade”.
Os resultados obtidos implicaram a retenção da hipótese nula na TEIP, mas a rejeição na Escola de Ensino Regular (p-value 0,607 e 0,000, respetivamente - ver outputs 29.1
64 e 29.2). Significa isto que apenas na Escola de Ensino Regular se detetam diferenças significativas entre as três opções, pelo que, só nesta escola, se pode concluir existir uma maior probabilidade das agressões ocorrerem em grupo.
Os nossos resultados mais uma vez diferem dos apresentados por Brito (2006), pois a autora verificou que no 1.º Ciclo os agressores atuavam principalmente sozinhos, enquanto que nós constatámos, numa das escolas, que os alunos do 2.º e 3.º ciclos atuam preferencialmente em grupo.
Aplicando o teste do Qui-quadrado da independência aos mesmos dados comparámos a forma como as frequências se repartiam pelas três categorias nas duas escolas. Para a aplicação do teste definimos a hipótese nula, H0, como: “A distribuição de
frequências da variável em estudo é independente da escola”. Obtivemos um p-value
p=0,127 (através do teste de Fisher – ver output 29.3), o que implicou a não rejeição
de H0 e, portanto, a não diferenciação das escolas.
De seguida avaliámos a existência de relações entre as respostas dos inquiridos a esta pergunta e o seu género e ciclo. Para tal, começámos por desagregar os resultados apresentados no Quadro 28B em função do género dos inquiridos (ver Quadro 29A):
Quadro 29A – Número de agressores nas aulas de Educação Física, segundo o género do agressor (dados
agregados)
Respostas Escola TEIP Escola Ensino Regular Total
Masculino Feminino Masculino Feminino Masculino Feminino
n % N % n % n % n % n % Normalmente fi-lo sozinho 4 44,4% 2 40,0% 9 42,9% 3 20,0% 13 43,3% 5 25,0% Normalmente fi-lo com 1 ou 2 colegas 3 33,3% 2 40,0% 12 57,1% 10 66,7% 15 50,0% 12 60,0% Normalmente fi-lo com 3 ou mais colegas 2 22,3% 1 20,0% 0 0,0% 2 13,3% 2 6,7% 3 15,0% Total 9 100,0% 5 100,0% 21 100,0% 15 100,0% 30 100,0% 20 100,0%
65 Quadro 29B – Número de agressores nas aulas de Educação Física, segundo o ciclo do agressor (dados agregados)
Respostas Escola TEIP Escola Ensino Regular Total
2ºCiclo 3º Ciclo 2ºCiclo 3º Ciclo 2ºCiclo 3º Ciclo
n % N % n % n % n % n % Normalmente fi-lo sozinho 3 50,0% 3 37,5% 9 39,1% 3 23,1% 12 41,4% 6 28,6% Normalmente fi-lo com 1 ou 2 colegas 3 50,0% 2 25,0% 14 60,9% 8 61,5% 17 58,6% 10 47,6% Normalmente fi-lo com 3 ou mais colegas 0 0,0% 3 37,5% 0 0,0% 2 15,4% 0 0,0% 5 23,8% Total 6 100,0% 8 100,0% 23 100,0% 13 100,0% 29 100,0% 21 100,0%
O Quadro 29A e o Quadro 29B permitem-nos analisar a importância relativa de cada categoria nos dois géneros e nos dois ciclos, replicando a análise elaborada a propósito da pergunta n.º 11.
Observamos desde já a grande variabilidade dos dados: não identificamos a existência de tendências nem quando comparamos os valores quanto ao género, nem quanto ao ciclo.
Como vem sendo habitual, começámos por aplicar o teste do Qui-quadrado a cada um dos grupos definidos pelos pares género-escola e ciclo-escola, definindo a hipótese nula como: ”As categorias da variável em estudo ocorrem com igual probabilidade no grupo dos rapazes (raparigas) na TEIP (Escola de Ensino Regular)” e “As categorias da variável em estudo ocorrem com igual probabilidade no grupo dos alunos do 2.º Ciclo (3.º Ciclo) na TEIP (Escola de Ensino Regular)”. Os valores obtidos para o p-
value confirmaram a indicação dada: a hipótese nula não foi rejeitada em nenhum dos
8 casos estudados, o que nos inibe de elaborar conclusões acerca de diferenças na importância relativa de cada categoria, em cada grupo (ver outputs 30.1 a 30.8).
Como seria de esperar, face aos resultados anteriores, por aplicação do teste do Qui- quadrado da independência concluímos não poder relacionar a forma como as frequências se distribuem pelas categorias com os géneros (ciclos), em cada escola (ver outputs 30.9 a 30.12).
66