• Nenhum resultado encontrado

3.7 Análise SWOT do protocolo

3.7.1 Pontos fortes

1. O estudo-piloto reproduz fielmente o projeto desenhado.

2. O estudo-piloto permite determinar falhas no protocolo que podem só detetáveis aquando da sua aplicação, permitindo assim a sua correção para o projeto final.

3. O menor número de pessoas contatadas permite uma maior aproximação com os volun- tários de forma a perceber as suas expetativas e dúvidas em relação ao projeto e seu protocolo, o que permite melhorar a comunicação entre os investigadores e os voluntários aquando do projeto final.

4. A análise manual das respostas permite determinar quais os erros mais comuns cometidos pelos voluntários de forma a encontrar soluções que permitam diminui-los.

5. Os resultados permitem estimar uma probabilidade de desistência dos voluntários de forma a calcular a amostra inicial necessária para que, no final do estudo, exista uma amostra que permita a obtenção de resultados estatisticamente significativos.

3.7.2

Pontos fracos

1. Não é possível determinar se existe alguma relação entre os membros da população que não aceitam fazer parte do estudo e o seu sexo.

2. O questionário não permite recolher um meio de comunicar com os voluntários que aceitam fazer parte do estudo.

3. O múltiplo clique no botão de envio pode levar ao envio de múltiplas cópias das mesmas respostas.

5. Controlo dos voluntários para os testes cutâneos com forte potencial de erros.

6. A determinação dos motivos que levam alguns alunos a recusar participar no projeto não pode ser formalmente efetuada uma vez que pode constituir uma prática anti-ética do direito de recusa.

7. Impossibilidade de remover uma resposta a uma questão respondida por engano, o que leva a respostas inválidas e que devem ser descartadas.

8. A questão 1 da secção IX (questionário sobre antecedentes familiares) não oferece uma opção de resposta para quem desconhece os antecedentes familiares.

3.7.3

Ameaças

1. A probabilidade de um estudante contatado com sucesso ser um voluntário que aceite realizar os testes cutâneos e compareça para os fazer é baixa (PT C = 19,84 %).

2. Desconhecimento de alguns termos médicos que, ainda que explicados no questionário, suscitam dúvidas e podem conduzir a respostas desfasadas da realidade.

3. Não compreensão por parte da população da necessidade de registar as recusas de parti- cipação no estudo para fins estatísticos.

4. Não compreensão por parte da população da necessidade de informar a equipa de inves- tigadores da sua desistência/saída do estudo científico.

5. Nem todos os voluntários que cometem erros no questionário são voluntários para os testes cutâneos, pelo que a correção destes erros torna-se bastante mais complicada.

6. Os voluntários não consideram alguns medicamentos como sendo medicamentos propria- mente ditos (e.g. pílula anticoncepcional, antigripais de venda livre).

7. A interferência de produtos fitofarmacêuticos e de nutracêuticos com os testes cutâneos não foi estudada.

8. Potenciais problemas de conexão à Internet durante o decorrer do questionário.

3.7.4

Oportunidades

1. Modificação e/ou inovação nos métodos de contato com a população do estudo.

2. Introdução antecipada à investigação científica, ao seu rigor e à sua importância aos novos alunos da UBI.

3. Implementação de um questionário com maior nível de automatização que evite as falhas de interpretação das Notas e consequentes erros de resposta.

4. Análise da literacia médica e farmacêutica dos novos estudantes dos cursos de saúde da UBI.

5. Criação de um dicionário médico e farmacêutico de carácter introdutório para os novos estudantes dos cursos de saúde da UBI.

6. Potencial estudo da interferência de produtos fitoterapêuticos e de nutracêuticos na sin- tomatologia das doenças em estudo (rinite alérgica, asma e eczema).

Capítulo 4

Discussão e conclusões

4.1

Metodologia e resultados

Este estudo-piloto à escala real contempla uma amostra não randomizada de novos estudantes da Universidade da Beira Interior, nomeadamente alunos dos cursos de saúde, os quais foram contatados por via de correio eletrónico e pessoalmente em momentos de aula disponibilizados pelos respetivos docentes, contrastando em parte com os métodos usualmente utilizados noutros estudos realizados na área da sensibilização e doenças alérgicas [43,96], tais como:

• Contato com instituições de saúde pública, onde é feita a abordagem de doentes que aí recebem cuidados de saúde [43,96];

• Estudos cohort desde a nascença [76,97];

• Seleção randomizada de indivíduos de uma população e posterior envio de questionários [98].

A abordagem pessoal foi realizada na maioria dos estudos, assim como no presente estudo-piloto. Contudo, a comunicação por correio eletrónico não é descrita.

Dos 330 alunos que constituíram a amostra, reuniram-se 188 respostas válidas à Declaração de Consentimento Informado (56,97 %) e 181 voluntários (54,85 %), dos quais 129 aceitaram fazer parte dos testes cutâneos (71,27 %) e apenas 68 compareceram para a sua realização (52,71 %). A taxa de resposta (54,85 %), ainda que observada (e.g., 53 % em Accordini et al, 2015 [37]), foi inferior à observada em outros estudos, tais como o South Karelian Allergy Research Project (SKARP) (69 %) [96] e o de Bugiani, M. et al, 2005 (72,7 %) [29].

No estudo SPARK, 96,16 % dos pais aceitou a realização de testes laboratoriais aos seus filhos (com 1–4 anos de idade) e foi possível reunir entre 93,39 % e 93,78 % de respostas aos questi- onários que permitiram a correlação de dados [96]. Num outro estudo, transversal, com uma população similar, Thacher, J.D. et al obteve taxas de resposta que variaram entre 78 % e 96 % ao longo das seis fases do estudo [76]. O interesse dos pais nestes problemas de saúde que se manifestam nos seus filhos pode ser um fator a considerar para estas elevadas taxas de resposta; um progenitor que não esteja a par destes problemas pode não ter interesse em participar, como se pode constatar pela taxa de resposta de 58,65 % obtida num estudo recente de Bunyavanich, Supinda et al [97].

Das 181 respostas ao questionário deste estudo-piloto, registou-se um total de 36 erros (19,89 %), dos quais 8 foram corrigidos a posteriori pelos voluntários (com acompanhamento de pelo menos um investigador) e 1 representou um erro que não invalidou a totalidade do questionário por

não representar respostas contraditórias. Portanto, 154 respostas foram validadas (85,08 %), havendo a necessidade de rejeitar 27 respostas.

O questionário utilizado foi baseado no proposto pelo ISAAC, tendo sido utilizado com sucesso em outros estudos para calcular a prevalência de doenças alérgicas auto-reportadas [75,90,98– 101]. Para além do questionário, outros métodos de avaliação da sensibilização alérgica e/ou de estudo da prevalência de doenças alérgicas foram contemplados:

• Testes cutâneos [43,51,75,99,102]; • Medição IgE sérica [29,98];

• Função pulmonar [100].

O presente estudo-piloto utilizou um dos métodos mais comuns para estimar a sensibilização alérgica — testes cutâneos — em conjunto com um questionário vastamente utilizado. Contudo, o método de preenchimento do questionário variou entre estudos, passando por:

• Preenchimento guiado por um médico [99],

• Envio deste aos voluntários para preenchimento e posterior devolução [98].

Ambos os métodos se revelaram eficazes, não indo de encontro aos resultados obtidos neste estudo-piloto no qual os voluntários responderam aos questionário por via eletrónica e com pelo menos um investigador presente.

Os testes cutâneos permitiram concluir uma prevalência de sensibilização a pelo menos um dos aeroalergénios testados em 66,15 %, a qual é semelhante à prevalência encontrada a nível europeu no estudo GA²LEN III (68,2 %) [79].

Os principais alergénios identificados neste estudo-piloto — ácaros, Poa pratensis, ervas e ce- reais — são parcialmente sobreponíveis aos principais alergénios identificados noutros estudos, sendo de frisar a prevalência dos ácaros como principais alergénios indoor (Tabela 4.1). A prevalência de sensibilização alérgica aos principais alergénios neste estudo-piloto foi inferior à encontrada noutros estudos [43,94,102].

Tabela 4.1: Comparação dos principais alergénios encontrados neste estudo-piloto e em outros dois estudos [43,94]. O estudo de Lourenço, O. et al foi levado a cabo apenas em doentes

com diagnóstico de rinite alérgica.

Alergénio GA²LEN [43] Lourenço, O., et al [94] Estudo-piloto

Indoor

D. pteronyssinus D. pteronyssinus D. pteronyssinus D. farinae D. farinae D. farinae

Blatella Epitélio de gato Epitélio de cão

Outdoor

Gramíneas Mistura de ervas Poa pratensis

Oliveira Mistura de cereais Mistura de ervas

Parietaria Gramíneas Mistura de cereais

Tendo em conta o objetivo de avaliar a exequibilidade do protocolo, constatou-se que a amostra mínima requirida para a obtenção de dados estatísticos com um nível de confiança de 95 % e um intervalo de confiança de 5 % (n = 178 para uma população de 330) é superior ao número

de respostas validadas ao questionário (n = 154) e ao número de testes cutâneos realizados e validados (n = 68).

Havendo a possibilidade dos voluntários reunidos poderem desistir dos seus cursos atuais ou mu- darem para outras instituições de ensino, o número de voluntários reunidos foi manifestamente inferior àquilo que seria ideal. Os resultados não seriam, por conseguinte, estatisticamente significativos. Os dados recolhidos nestes estudo-piloto foram, portanto, analisados apenas em termos de validação e análise dos erros cometidos pelos voluntários e pelas falhas apresentadas no protocolo que puderam levar à indução desses erros.

Isto reflete uma necessidade de analisar as limitações encontradas no protocolo ao longo da sua execução, feita com a análise SWOT doravante discutida. Este é o primeiro estudo a aplicar este método para a análise de um protocolo na área do estudo da sensibilização alérgica com fim à identificação de problemas e propostas de solução para a sua resolução e/ou minimização.

4.2

Análise SWOT