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5.1 O SGI na Rede Pública: o Processo de Implementação nas Escolas Municipais de

5.1.1 A implementação do SGI, sob a ótica de professores e gestoras

5.1.1.3 Pontos negativos do SGI, segundo Professores e Gestoras

Nos pontos negativos, destacados pelos professores, percebemos o foco na intensificação do trabalho, fato revelado ao explicitarem a insatisfação com o tempo e a quantidade de tarefas exigidas na implementação do SGI na escola.

A quantidade de trabalho e o tempo foram também apontados, pelas gestoras, embora com menor ênfase. Os pontos negativos de maior relevância, para elas, referem-

se às resistências, à falta de interesse dos professores, ao pouco envolvimento da Secretaria de Educação e à falta de integração da equipe técnica.

Em uma das Escolas de Maior Avanço (EMA1), as professoras destacaram, como pontos negativos: o tempo e a quantidade de atividades. Como podemos perceber nas expressões: sobrecarga de atividades burocráticas para o professor; muitas atividades; o professor precisa realizar todas as atividades dentro de um prazo, “muitas vezes ficávamos sufocadas e atordoadas com tantas informações”; o tempo para ser aplicada alguma tarefa; o tempo interferia nos conteúdos a serem trabalhados; a pressa por dados estatísticos (ver APÊNDICE C).

Outros pontos negativos referem-se à forma como o SGI foi implementado na escola, conforme afirmação das professoras (EMA1): dificuldades em contextualizar gráficos na Educação Infantil; a forma como o SGI foi implantado na escola “sem perguntar se o professor queria participar, ele era obrigado a participar”; a forma como o professor recebe as informações já pensadas por outrem; poucas informações e esclarecimentos (ver APÊNDICE C).

Nessas afirmações podemos perceber o descontentamento dos professores com a implementação e com a forma pela qual foram inseridos no processo. Além desses aspectos, a Educação Infantil também foi incluída nos processos de avaliação, conforme o objetivo central do SGI de atingir o “alto desempenho” do aluno. Tal inclusão gerou uma dificuldade, relatada por uma das docentes pesquisadas, no que diz respeito ao preenchimento dos gráficos, decorrente, conforme entendemos, da inconsistência entre a própria concepção de Educação Infantil – presente na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n. 9394/96), nas Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil (Resolução CNE/CEB nº 05 de dezembro de 2009) e nos Indicadores da Qualidade na Educação Infantil (2009) – e os mecanismos de avaliação propostos por esse modelo de gestão.

A gestora dessa mesma escola (EMA1), quando questionada sobre os pontos negativos, atribui a si mesma a responsabilidade pelas lacunas durante o processo de implementação. Conforme revela:

Pra falar a verdade o que eu boto de negativo, eu boto em mim mesma, porque foi a forma pela qual eu cheguei, tá entendendo? Por eu não compreender o processo. Então, por eu não compreender, eu passava errado e pegava o resultado errado, aí eu agonizava por estar errado e eu não sabia como agir. Então, pra isso acontecer, eu cheguei pra você e disse: olha chegou um sistema novo que a Secretaria

implantou e nós vamos ter que fazer isso. Nós não vamos ter que fazer isso! Pra primeiro você fazer e dar certo você tem que acreditar, gostar, porque se não... você não vai conseguir fazer[...]. (GESTORA- EMA1, 2012, grifo nosso).

Na outra Escola de Maior Avanço (EMA2), as professoras apontaram como principal ponto negativo o tempo, conforme podemos identificar nas respostas: tempo para confecção de material e para o professor estudar; tempo para realização do processo; tempo insuficiente para dedicação total nos trabalhos a serem realizados. Outro ponto negativo refere-se ao processo, sobre o qual uma das pesquisadas ressalta a “falta de atendimento para elaboração de gráficos e atividades”. Em tal escola, uma das professoras deixou a resposta em branco e a outra, que não participou do processo inicial de implementação, aponta, considerando sua vivência atual, que não encontrou pontos negativos (ver APÊNDICE C).

A gestora dessa escola (EMA2) descreve certa “harmonia” vivenciada pela equipe no desenvolvimento do projeto, focalizando os pontos negativos na falta de tempo, no pouco envolvimento da Secretaria de Educação e nas resistências do início do processo.

os negativos eu acho que foi o próprio... ao ser implantado eu acho que teria que ter uma... o que compete à secretaria eu acho que devia ter maior envolvimento, né? A gente teve o envolvimento da equipe que estava junto a gente, né, fazendo. Mas eu acho que eles deveriam assim dá até um apoio moral pra a gente assim é... enfrentar todos os desafios que a gente enfrentou aqui dentro e teve o os blindados, que foi a resistência e foi difícil também pra gente. [...] então assim...foi a resistência que a gente sentiu inicialmente depois assim... é a questão de tempo que eu sempre colocava lá que era necessário planejar... que isso também é um diferencial, entendeu? [...] Quando quer fazer um projeto, que senta pra discutir, que elabora em equipe né, que a gente ta vendo unidade no trabalho... a gente vê que o resultado é positivo, né? E é... isso é fundamental e a gente não tem muito tempo pra isso, professor não tem tempo, a gente precisa de tempo esse ano foi um ano assim muito atribulado, muito corrido, muito cheio...então daí houve essa necessidade de mais tempo pra planejar... (GESTORA – EMA2, 2012).

Em uma das Escolas de Pouco avanço (EPA1), as professoras apontaram, como pontos negativos, a falta de tempo e de apoio e a falta de liberdade. No que concerne ao tempo, destacaram como pontos negativos: tempo disponível para planejamento das atividades; prazos apertados; excesso de cobrança e prazos curtos para cumprir com as

atividades do projeto. No que concerne ao apoio e à liberdade, destacaram: falta de apoio necessário por parte das pessoas responsáveis pelo projeto, e falta de liberdade nas ações do professor (ver APÊNDICE C).

Já na fala da gestora dessa mesma escola (EPA1), foram apontadas a falta de integração da equipe técnica, a resistência dos professores, a falta de interesse de todos. Conforme aponta,

É... Assim eu acho é... primeiro eu colocaria a falta de integração da equipe técnica porque toda equipe se integra, dar as mãos, aí facilita o trabalho do professor, dos alunos, de todos da escola, então é...Isso nem todos aceitaram e também é.../a dificuldade que a gente teve com os professores, a aceitação dos professores a gente via até assim no geral que tinha pessoas que aceitavam porque era como se fosse um/uma cobrança, vamos colocar assim, entendeu? Teve essa dificuldade, entendeu? Que era a falta de interesse de todos... Eu acredito que até foi porque aquelas falhas que teve desde o início, um profissional não aceitou e saiu, entendeu? Já entra outro, saiu outro... A quebra que teve aqui foi isso, né? (GESTORA – EPA1, 2012).

Na outra Escola de Pouco Avanço (EPA2), muitos aspectos demonstram a insatisfação das professoras com a forma como o SGI foi implementado na escola. Foram destacados como pontos negativos: a grande quantidade de atividades; tempo insuficiente; imposição da liderança; obrigação em participar do projeto; má estrutura física da escola; a falta de estudo do projeto; a execução das atividades de forma corriqueira e sem democracia; a forma como o SGI chega às escolas (ver APÊNDICE C).

Outro aspecto relevante, nas afirmações dos professores, esteve relacionado às pressões, conforme podemos destacar e que faz parte de um processo de intensificação do trabalho docente: a pressão sobre os professores para cumprir o tempo previsto; a pressão psicológica devido ao imediatismo das tarefas exigidas; a carga extra de trabalho para exposição dos cartazes e painéis. E aos prazos, como observado na afirmação de que “desejavam uma mudança do sistema escolar a curto prazo e de cima para baixo” (ver APÊNDICE C).

A gestora dessa escola direcionou a crítica ao momento pelo qual a escola passava - reformas no prédio, falta de uma equipe técnica, quantidade de trabalho -, conforme explica:

Na implementação...Pra gente foi a situação que nós estávamos né? É... não foi implementado numa boa hora pela questão estrutural da escola é... houve um problema sério com a questão da equipe que nós não tínhamos uma equipe completa, tínhamos só duas supervisoras e uma orientadora uma supervisora que é justamente a que estava aqui, ela estava saindo porque ela tava pra ter um bebê então não podia se envolver muito, a orientadora teve um processo que ela não se envolveu, então ficou uma equipe de liderança restrita pra trabalhar com o universo bem maior do que o normal, né? (GESTORA – EPA2, 2012).

Em uma compreensão global, no que diz respeito aos pontos positivos destacados pelos pesquisados, a organização e a sistematização estão presentes, tanto nas afirmações das professoras e gestoras das Escolas de Maior Avanço (EMA1 e EMA2), quanto nas Escolas de Pouco Avanço (EPA1 e EPA2), demonstrando um certo consenso em torno das principais características do Sistema de Gestão Integrado e relação com o trabalho desenvolvido na escola.

Em relação aos pontos negativos, questão que expressa um certo “desabafo” das professoras sobre o processo de implementação do SGI na escola, percebemos a ênfase na falta de tempo para desenvolver as ações determinadas pela Equipe de Liderança, devido à grande quantidade de tarefas e às pressões exercidas para que fossem cumpridas em prazos determinados/limitados. Tais aspectos, no contexto da implementação do modelo de gestão gerencial, demonstram uma intensificação do trabalho do professor, o qual foi inserido no processo, devendo reorganizar suas ações em sala, elaborar missões, estabelecer metas, organizar os dados em gráficos para apresentação dos resultados em prazos curtos, mediante cobranças de resultados.