1 Elementos de pesquisa
6. What operating system does Watson use? What language is he written in?
1.3.4 Por que a escolha da UFO?
A UFO é escolhida devido aos seus fundamentos coerentes logicamente e alinhados com os paradigmas lógico-filosóficos do grupo de pesquisa que os pesquisadores autores deste texto estão envolvidos. Destaca-se, quanto a esse alinhamento, a abordagem modal dada à ontologia (GUIZZARDI, 2007a), o reconhecimento da distinção entre sujeito e objeto e da limitação sensorial, observado por Albuquerque e Guizzardi(2013) na distinção entre Qualia eQuality Region, a abordagem fundamental de generalização de conceitos, entre outras características. Ressalta-se que a abordagem modal da Lógica é estudada, por exemplo, desde a tese de doutoramento do orientador deste trabalho (LIMA-MARQUES, 1992); a distinção entre sujeito e objeto é base para a Fenomenologia, característica marcante dos trabalhos do grupo de pesquisa CPAI18; e abordagem de generalização de conceitos e de construção de teorias de visão de mundo está presente em trabalhos como a Proposta de Teoria Geral para a Arquitetura da Informação de Lima-Marques (2011), entre outros trabalhos.
Além da congruência das linhas de pesquisa, as seguintes características da UFO a torna adequada para a condução deste trabalho:
a) trata-se de uma ontologia de fundamentação construída de forma unificadora a partir de resultados de outras ontologias relevantes na literatura, a saber, GFO/GOL (DEGEN et al.,2001; DEGEN et al.,2011)19 e OntoClean/DOLCE (WELTY; GUARINO,2001;GUARINO; WELTY, 2002;GUARINO; WELTY,
2008), embora atualmente seja desenvolvida de forma independente dessas. A seção 4.3 descreve com mais detalhes da UFO e suas correlações com as demais ontologias;
18 Presente desde o trabalho deSoares(2004), até o nosso (ARAUJO,2012), entre dezenas de outros do
mesmo orientador.
b) a UFO aborda de forma abrangente temas relevantes à modelagem conceitual, como estruturas taxonômicas (GUIZZARDI et al.,2004), relações parte-todo (GUIZZARDI, 2007a;GUIZZARDI, 2009; GUIZZARDI,2010a; GUIZZARDI, 2010b;GUIZZARDI,2011), propriedades intrínsecas e espaços de valores (GUIZ- ZARDI; MASOLO; BORGO, 2006; ALBUQUERQUE; GUIZZARDI, 2013; GUIZZARDI; ZAMBORLINI, 2014), papeis, (MASOLO et al., 2005; GUIZ- ZARDI,2006), propriedades relacionais (GUIZZARDI; WAGNER, 2008;GUA- RINO; GUIZZARDI, 2015), entidades perdurantes caracterizados como eventos com duração delimitada, compostos de partes temporais (GUIZZARDI; FALBO; GUIZZARDI, 2008; GUIZZARDI et al., 2013), entidades sociais e intencio- nais, incluindo aspectos linguísticos (GUIZZARDI,2006;GUIZZARDI; FALBO; GUIZZARDI,2008;GUIZZARDI; GUIZZARDI,2010;BRINGUENTE; FALBO; GUIZZARDI, 2011), entre outras (Capítulo 4);
c) existem diversas pesquisas científicas concluídas desenvolvidas com base na UFO (MEDEIROS, 2011a; MEDEIROS, 2011b; FARINELLI; MELO; ALMEIDA, 2013;LI et al.,2014), inclusive no grupo de pesquisa deste trabalho (AZEVEDO, 2014). Essas pesquisas apresentam resultados positivos pela implementação de métodos sugeridos pela ontologia em tela;
d) há trabalhos que investigam aspectos pragmáticos de construção de ontologias com base em interação homem-máquina, como o método desenvolvido por Graças (2010) e Graças e Guizzardi (2010), que visa construir ontologias com base na UFO por meio de perguntas em interfaces com usuários. Esses trabalhos podem servir de referência para a integração futura de abordagens baseadas nos resultados desta pesquisa;
e) há livros publicados por autores não envolvidos diretamente com a pesquisa original, o que confirma a relevância da ontologia para outros grupos de interesse (HENDERSON-SELLERS, 2012; HENDERSON-SELLERS, 2011);
f) há aplicações práticas da UFO documentadas na literatura, como:
– Guizzardi et al.(2009): descreve um caso de aplicação da ontologia no domínio de petróleo e gás;
– Carolo e Burlamaqui (2011): apresentação realizada por representantes do Portal de jornalismo online G120, das Organizações Globo, que expõe o sucesso no uso de UFO para reformulação do portal de esportes da empresa;
g) há uma pluralidade de ontologias construídas sobre ontologias de fundamentação em geral, a exemplo da ontologia para o domínio artefatos multimídia de Arndt et al. (2007). Usando a UFO, de forma não exaustiva, pode-se mencionar: 20 <http://g1.globo.com/>
1.3. Justificativa 61
– a ontologia de mensuração de software deBarcellos, Falbo e Dal Moro(2010); – as ontologias de processos de software deGuizzardi, Falbo e Guizzardi(2008) e deBringuente, Falbo e Guizzardi(2011), em que ambas também desenvolvem conceitos ontológicos a respeito de entidades sociais;
– a ontologia de arquitetura de continuidade serviços de software de Silva et al. (2012);
– a core-ontology de serviços proposta porNardi et al. (2013)21 e aprimorada emQUIRINO et al. (2015) com base na ideia de “enterprise ontology pattern language” deFalbo et al.(2014);
– a ontologia de referência para atos normativos deBarcelos, Guizzardi e Garcia (2013);
– a ontologia de referência de conceitos jurídicos deGriffo, Almeida e Guizzardi (2015);
h) ontologias de fundamentação também são usadas para realizar interoperabilidade semântica entre diferentes domínios (GUIZZARDI et al., 2011), o que é de interesse da Arquitetura da Informação, especialmente considerando a natureza ubíquoa da informação (RESMINI; ROSATI, 2009). Nessa linha de aplicação, Gonçalves, Guizzardi e Filho(2011) descreve como a UFO é usada no contexto de adequação aos padrões de dados da área de eletrocardiograma.
Em seu trabalho, Guizzardi desenvolve não apenas a UFO como evolução de ontologias anteriores22, mas também estabelece critérios de avaliação de adequação de linguagens usadas na formalização de ontologias, além de, com base nesses critérios, propor uma série de ajustes à linguagem UML (OBJECT MANAGEMENT GROUP, 2011b), para que esta se adeque ao propósito de formalizar conceituações. Esse novo perfil da linguagem UML proposta pelo autor foi denominadaOntoUML. Trata-se de uma linguagem diagramática, com a qual se pode construir especificações de ontologias de domínio com base na UFO. A OntoUMLtraz avanço significativo à área de Modelagem Conceitual e de Arquitetura da Informação, pois permite que vários ganhos sejam obtidos, especialmente o de ligação e da coerência teórica da metafísica de uma ontologia fundada em semântica do mundo real – no caso, a UFO – com a prática da construção de uma conceituação específica, o que é percebido devido a redução de ambiguidade dessas conceituações. Essa abordagem ontologicamente consistente de modelagem permite que outros instrumentos de formalização de ontologias sejam construídos com base, ou a partir dela. Por exemplo, o grupo Ontology & Conceptual Modeling Research Group da Universidade Federal do Espírito Santo (NEMO)23tem desenvolvido, com base em tecnologias livres e na linguagem 21 No âmbito da Arquitetura da Informação, um estudo sobre o tema arquitetura de serviços é realizado
por Rios Filho(2014).
22 Ver seção 4.3.
Java, um editor para OntoUML que permite uma série de verificações adicionais sobre os modelos construídos com a linguagem, como a definição de restrições sobre modelos definidas com Object Constraint Language (OCL) (ISO/IEC, 2012b), a identificação de padrões e anti-padrões (GUIZZARDI, 2009; GUIZZARDI; GRAÇAS; GUIZZARDI, 2011; GUIZZARDI, 2014; SALES; BARCELOS; GUIZZARDI, 2012) e a integração com Alloy (GUERSON; ALMEIDA; GUIZZARDI,2014;BRAGA et al.,2010). O editor é chamado de OntoUML Lightwight Editor (OLED)24. No caso, como um instrumento de model checking, Alloy é utilizado pelos autores mencionados como um tipo de validação da modelagem, baseado na busca de contra-modelos que são consistentes com as especificações da ontologia descrita (satisfatibilidade), e também aqueles que eventualmente não sejam coerentes com a intenção dos autores da ontologia.
Ao analisar a abordagem adotada nas pesquisas sobre Arquitetura da Informação realizadas grupo do CPAI, é possível observar uma espécie de objetivo compartilhado entre os pesquisadores a respeito do desenvolvimento de uma ontologia sobre AI. Esse é um objetivo, por exemplo, presente nos trabalhos de Siqueira(2008),Albuquerque (2010), Albuquerque e Lima-Marques (2011) e de Siqueira (2012a). Os próprios autores desta pesquisa investigaram conceitos sobre arquitetura e configuração com intuito de servirem de base para a construção futura de uma ontologia de referência para a área (ARAUJO, 2012). Nesse contexto, a escolha da UFO também se justifica no sentido de que pode trazer às pesquisas futuras fundamentos para o desenvolvimento de uma ontologia de referência sobre AI que seja cognitiva e filosoficamente bem-fundamentada. Dessa forma, as sistematizações teóricas referentes à UFO realizada neste trabalho, especialmente na subseção 4.5.1 e no Glossário da UFO, são contribuições diretas a esse pleito.
Por fim, cabe assentar que a escolha do fragmento endurante da UFO, chamada de UFO-A, é justificada exclusivamente para limitação do escopo de pesquisa. De toda forma, não se trata de uma escolha arbitrária. Ela reflete a estratégia adotada em Guizzardi (2005), que dedicou-se inicialmente a desenvolver essa ontologia antes de avançar sobre a ontologia de perdurantes. Por isso, registra-se naseção 11.3 que trabalhos futuros podem estender os resultados obtidos nesta pesquisa com intuito de incluir conceitos que envolvem as ontologias de perdurantes (UFO-B), de objetos sociais (UFO-C) e de serviços (UFO-S), apresentadas naseção 4.3, além de outras ontologias de fundamentação.