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CAPÍTULO 2 MAPEANDO ACTORES, REDES, ESTRUTURAS E PRODUTOS

5. Da importância da pluralidade dos produtos PISA

5.2. Documentos de uso externo

5.2.5. Portal OCDE/PISA

A par dos produtos referidos, o Portal da OCDE/PISA constitui igualmente uma ferramenta crucial no trabalho de disseminação. Embora não nos debrucemos pormenorizadamente sobre este recurso, não podemos deixar de assinalar alguns aspectos mais relevantes. Desde logo, realçamos a preocupação em fazer chegar ao máximo de utilizadores os resultados do PISA. A intencionalidade está patenteada nas actas de reunião do órgão político – o PGB (à época ainda BPC). Na oitava reunião deste órgão, em 2000, foi considerado desejável assegurar que os diferentes intervenientes no PISA, incluindo as escolas participantes, tivessem igualdade de acesso aos materiais, solicitando-se ―ao Secretariado que o facilitasse fazendo um conjunto de itens ilustrativos disponíveis não só em formato impresso, mas também na forma de um Portal interactivo‖ (OECD/DEELSA, 2000a, p.5).

Em consonância com a literatura, a informação disponível é a nuclear, sendo disponibilizados os materiais na sua totalidade. Aquilo que autores reportados em questões do design de Portais referem (Quadro 9). Efectivamente, o portal OCDE/PISA faz uma apresentação pormenorizada do PISA, identificando os principais actores (tanto nacionais, como internacionais), o(s) objecto(s) da(s) avaliação, os métodos, quadros conceptuais e instrumentos. Existe a preocupação em tornar explícita a identidade do programa, veiculando-a de forma atractiva, e procurando congregar os leitores em torno dos seus dados e resultados, produtos e acções. Por exemplo, em relação às publicações, na secção ‗O que o PISA produz‘ é assumido que a disponibilização dos materiais se deve a uma vontade de ―facilitar uma eficaz divulgação internacional dos resultados‖, bem como ―para apoiar futuras análises dos dados‖. Os documentos disponibilizados no Portal estão divididos por edição (2000, 2003 e 2006), de acordo com as seguintes

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categorias: publicações, bases de dados, relatórios nacionais, questões dos testes,

newsletters / brochuras, eventos/conferências/reuniões, manuais, fontes e métodos,

sugestões de leitura e, em 2006, ainda notas técnicas.

Quadro 9 – Elementos-chave no design de informação de Portais

Design de informação Literatura

Qualidade da informação e conteúdo

Abels, White & Hahn, 1998; Salam et al., 1998

Quantidade da informação Abels et al., 1998; White & Manning, 1998 Acessibilidade, facilidade de leitura Murphy, 1999; Ceaparu, 2003

Compreensão pela audiência Reynolds, 1997; Net et al., 1999

Adequação Bevan, 1998; Cukier, 2003

Topografia, design do texto White & Manning, 1998; Nielsen, 1999

Encontrar informação Jenkins et al., 2003; Ceaparu, 2003; Hargittai, 2003 Fonte: Bentley & Fisher, 2003, p. 3.

O Portal da OCDE/PISA permite aos leitores fazerem o download de documentos ou solicitar a aquisição dos mesmos em formato de papel. A Literatura PISA, desde a mais técnica e impenetrável ao leitor comum, à de carácter mais geral e virada para o exterior, encontra-se disponível on-line. Podemos afirmar que, quer do ponto de vista da qualidade, quer da quantidade, a informação veiculada é abundante, abarcando a totalidade das publicações do PISA. Trata-se de um portal cujo design permite uma consulta satisfatória da informação, o que é facilitado através de

hiperligações laterais e de alertas informativos que despertam o utilizador para outra(s)

informações. A localização da informação é facilitada através de um motor de busca que permite a fixação de informação por palavras. Além disso, a secção FAQ facilita o acesso à informação sobre o Programa PISA, abarcando o essencial do projecto.

Parece haver um forte interesse em tornar público o maior número de informação possível, o que envolve desde as ‗actividades de publicação‘ às ‗actividades de convocação‘ (seminários conferências, workshops, sumários das reuniões do PGB). A acessibilidade a toda a informação e a diversidade de putativos utilizadores estão

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acauteladas na forma como o Portal foi concebido, ao que não é alheia a vertente interactiva. Assim, na secção ‗Base de dados‘ está prevista a interactividade com os utilizadores através da disponibilização de testes interactivos, permitindo ao utilizador fazer ensaios e exercícios directamente nas bases de dados (Interactive data selection -

to explore the PISA 2000 dataset; Multi-dimensional data request - submit a query to an automated service). Trata-se de um sítio claramente desenhado para acomodar

diferentes públicos, diríamos mesmo o maior número de utilizadores possível.

Síntese conclusiva do Capítulo 2

O que em primeiro lugar ressalta como significativo é a ideia de que o sucesso do PISA é também o sucesso da OCDE como agência que se organiza, criando organização dentro da organização (entenda-se a organização-PISA, dentro da organização OCDE) e concorrendo assim para o exercício da regulação no campo da educação.

Esta capacidade da agência OCDE/PISA em ‗criar organização‘ prende-se com um segundo ponto: o de o PISA se assumir como um ‗espaço‘ de mediação entre os diferentes conhecimentos, por via da gestão de actividades de produção e de difusão de conhecimento, mormente através da coordenação de actividades de investigação, publicação e troca (ver Lindquist, 1990).

Em terceiro lugar, sendo certo que o sucesso do trabalho de mediação do PISA depende das actividades de produção e de difusão de conhecimento, este sucesso depende, ainda, da manifestação das capacidades de agir e de ser reconhecido como gerador de um conhecimento que deve ser, simultaneamente, credível do ponto de vista científico, relevante e partilhável pelas suas audiências políticas (ver Lindquist, 1990, pp. 32-35). Neste sentido, a agência da OCDE assenta na sua validação como ‗organização perita‘ (ver Noaksson & Jacobsson, 2003, p. 42). Deste modo, a autoridade da OCDE depende de um desempenho que ateste a sua credibilidade enquanto ‗contadora da verdade‘, uma organização livre de pontos de vista políticos e de circunstâncias particulares, capaz de produzir conhecimento comum, para todos, a

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partir de estudos empíricos fundados em saberes sobre os quais existe um relativo consenso científico (ver Carvalho & Costa, no prelo).

Em quarto lugar, ressalta a natureza colaborativa do empreendimento, que evidencia uma grande capacidade em reunir universos sociais distintos – que envolvem investigadores, universidades, governantes, centros de investigação, profissionais da OCDE, entre outros – envolvidos na construção de quadros cognitivos e normativos comuns.

Em quinto lugar, alinhado com o processo de decisão da OCDE, constatamos que o empreendimento criado em redor do PISA, prevendo a coordenação dos actores através de relações de interdependência e em processos de co-autoria e co-construção de conhecimento, põe em relevo um modo soft de regulação pela informação, pela negociação e pelo conhecimento, a par da subsistência de formas de coordenação que mantêm traços burocráticos.

Finalmente, salientamos a variedade das publicações produzidas pelo empreendimento PISA e a variedade de públicos a que se dirigem, sendo evidentes as preocupações com o público-alvo, que nos permite concluir que a desmultiplicação de materiais produzidos em cada uma das edições do PISA se faz acompanhar por um trabalho reflectido atinente à sua circulação e manipulação por diferentes audiências. Resultando, como se viu, de um trabalho colaborativo, multidisciplinar, os produtos PISA são concebidos de modo a poderem ser reproduzidos, seleccionados, adaptados, aprofundados por diferentes utilizadores (e para diferentes públicos). Luís Miguel Carvalho fala de uma ―amplificação (sonora) do PISA‖ (Carvalho, 2009a, p.72) com repercussões no número de textos e de pesquisas levadas a efeito sobre e/ou a partir dos dados gerados pelo PISA (idem, pp.70-71). É exactamente sobre a produção científica desenvolvida em torno/ a partir do PISA que versará o próximo capítulo da tese.

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CAPÍTULO 3 - A REPRODUÇÃO E RECRIAÇÃO DO