5. Análise dos instrumentos jurídico-legais
5.1.9. Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego que proíbe o
A portaria nº 6, de 5 de fevereiro de 2001, foi redigida pelos membros da Secretaria de Inspeção do Trabalho, pertencente ao Ministério do Trabalho e Emprego, com o apoio do diretor do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho, que também compõe o mesmo Ministério. Esta portaria tem como objeto o trabalho de menores de dezoito anos, e, como objetivo, a proibição de alguns ambientes e atividades de trabalho para este público, como os de fumicultura e de industrialização dos produtos fumígenos.
ART 1º - O trabalho do menor de 18 (dezoito) anos fica proibido nas atividades constantes do Anexo I desta Portaria.
PARÁGRAFO ÚNICO - A classificação dos locais ou serviços como perigosos ou insalubres decorre do princípio da proteção integral à criança
e ao adolescente, não sendo extensiva aos trabalhadores maiores de 18 anos.
(...) Anexo I
Quadro Descritivo dos Locais e Serviços Considerados Perigosos ou Insalubres para Menores de 18 (dezoito) anos.
(...)
11 – Trabalhos no plantio, com exceção da limpeza, nivelamento de solo e desbrote; na colheita, beneficiamento ou industrialização do fumo (BRASIL, 2001a).
A portaria nº 6, do Ministério do Trabalho e Emprego abrange todo o território nacional, na medida em que impõe restrições sobre as práticas laborais de menores de 18 anos de idade, como estratégia para proteger crianças e adolescentes de condições de trabalho perigosas bem como insalubres. Sendo realizadas pelos Estados e Municípios, a aplicação e fiscalização dos impedimentos regulamentados por esta portaria, acabam mobilizando os trabalhadores destas idades e os responsáveis pelos sistemas de produção ou indústrias, que não poderão fazer este tipo de contratação de serviços.
Suas disposições funcionam com o intuito de evitar os riscos à saúde e à vida deste público. No caso da fumicultura, os riscos têm a ver com o manejo de agrotóxicos, que são largamente utilizados na cultura do fumo, bem como com a exposição à nicotina quando no manuseio das folhas de tabaco.
Segundo dados do INCA, a “doença da folha verde” (ou “doença do tabaco verde”) pode ser um resultado de intoxicação por exposição à nicotina; tal intoxicação é bastante facilitada no período de colheita, no qual as folhas são transportadas em contato com o corpo até o local de processamento, neste contato, o orvalho das folhas colhidas e os suores do corpo, intensificam a absorção da nicotina pela pele. Os dados também apontam para os perigos do trabalho manual com o uso de instrumentos cortantes, os quais podem causar ferimentos e aumentar absorção da nicotina. Assim, a denominada “doença da folha verde”, junto aos efeitos do contato com os agrotóxicos, pode causar tontura, diarreia, dificuldades
respiratórias, palidez, sudorese, aumento de salivação, calafrios, alterações na pressão arterial e na frequência cardíaca.
Portanto, a portaria parte de saberes que consideram a fumicultura como um tipo de cultivo que configura um ambiente insalubre para os menores de 18 anos de idade, assim como o é para os fumicultores acima desta idade. No entanto, se comparada a outras inciativas governamentais, regulamentadoras, esta proibição pode ser integrada: às preocupações do Ministério do Trabalho quanto ao trabalho infantil – atualmente definido como crime passível de punição, exceto se exceto se realizado sob supervisão dos pais ou responsáveis; e às preocupações do Ministério da Saúde e de garantia dos direitos das crianças e do adolescente firmadas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
A portaria nº 6 do Ministério do Trabalho e do Emprego pode ser apreendida como mais um dos elementos que arquitetam o dispositivo de segurança da saúde dos indivíduos e das populações. Devido às suas estratégias de prevenir e proteger a saúde e a vida dos menores de 18 anos de idade, a partir da gestão das atividades laborais que estes podem e não podem executar, compreendendo as condições insalubres de muitas delas.
5.1.10. Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária que determina os teores de elementos químicos do cigarro e a classificação dos produtos
A resolução nº 46, de 28 de março de 2001, de competência da Diretoria Colegiada da Vigilância Sanitária, está apoiada nas leis federais que versam sobre as restrições de uso e das propagandas dos produtos fumígenos (lei nº 9.294 e 10. 167), e da lei nº 9.782, que define a organização de um Sistema Nacional de Vigilância Sanitária a fim de criar um órgão (ANVISA) responsável por fazer a gestão dos riscos à saúde da população. O objeto da resolução são os produtos fumígenos e seu objetivo é a definição de teores máximos permitidos para os elementos tóxicos utilizados na sua fabricação. Para tanto, no seu texto-lei, a resolução pondera:
considerando o aumento expressivo do tabagismo, que acarretou, no mundo, a perda de pelo menos 3,5 milhões de vidas em 1998, estimando-se em 10 milhões a cada ano até o ano de 2030, sendo 70% delas em países em desenvolvimento; considerando o reconhecimento mundial da necessidade de estabelecer e controlar os teores
máximos de alcatrão, nicotina e monóxido de carbono dos cigarros;
considerando que os consumidores dos cigarros não diferenciam os riscos da exposição a altos, médios e baixos teores de alcatrão, nicotina e monóxido de carbono, tornando assim, imprescindível que haja uma extinção das terminologias utilizadas para caracterização dos referidos produtos, pois além de não serem esclarecedoras ao consumidor, propiciam mensagens dúbias na publicidade desses produtos (BRASIL, 2001b).
A resolução mobiliza tanto as indústrias tabaqueiras, ao legislar sobre algumas obrigações para a fabricação dos seus produtos, quanto os sujeitos fumantes, os consumidores. Pois leva em conta o aumento do tabagismo – do consumo e uso dos produtos fumígenos – e, por consequência, o número de mortes elevadas devido a doenças consideradas como tabaco-relacionadas. Faz uso de estimativas de aumento destes números, resultantes de estudos estatísticos, para, então, relacionar as doenças tabaco-relacionadas aos riscos de exposição aos tóxicos que compõem estes produtos.
A estratégia de regulação da quantidade de tóxicos passível de ser utilizada na fabricação conjugada à estratégia de coibição de terminologias vinculadas ao discurso publicitário, preveem a diminuição da exposição aos riscos pelos consumidores a partir de uma gestão destes riscos pela Vigilância Sanitária.
As estratégias, portanto, não se ocupam do combate ao fumo pela redução do uso de produtos fumígenos, mas o fazem pela redução dos tóxicos na sua fabricação, para prover a redução dos riscos à saúde dos consumidores. A resolução tem sua aplicação voltada aos “produtos produzidos, transportados, comercializados e/ou armazenados em território nacional ou importados” (Brasil, 2001b).
Art. 1º Estabelecer os teores máximos permitidos de alcatrão, nicotina e monóxido de carbono presentes na corrente primária da fumaça, para os cigarros comercializados no Brasil.
§ 1º A redução dos teores de alcatrão, nicotina e monóxido de carbono, será feita de forma gradual,
obedecendo os prazos máximos abaixo indicados, a contar da data da publicação desta Resolução: (...)
§ 2º Para a medição dos teores serão utilizados métodos definidos internacionalmente pela ISO (International Standards Organization) e reconhecidos pela ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas.
Art.2º É vedada a utilização de qualquer denominação, em embalagens ou material publicitário tais como: classes(s), ultra baixo(s) teor(es), baixo(s) teor(es), suave, light, soft, leve, teor(es) moderado(s), alto(s) teor(es), e outras que possam induzir o consumidor a uma interpretação equivocada quanto aos teores contidos nos cigarros.
(...)
Art. 3º Determinar a obrigatoriedade da impressão nas embalagens dos cigarros, dos teores de alcatrão, nicotina e monóxido de carbono, acompanhada da seguinte informação adicional: ‘não existem níveis seguros para consumo destas substâncias’.
(...)
§ 2º Entende-se por embalagem, os maços, carteiras, pacotes e qualquer outro dispositivo para acondicionamento do produto que vise o mercado consumidor (BRASIL, 2001b).
Fica determinada, por esta resolução, uma redução gradual dos teores das substâncias tóxicas listadas (alcatrão, nicotina e monóxido de carbono) a ser cumprida pelas indústrias tabaqueiras. Trata-se de estabelecer um controle e regulação efetivados pela Vigilância Sanitária em concordância com padrões normativos internacionais. Uma vez que os padrões de medição dos teores são definidos pela ISO, Organização Internacional de Normalização, reconhecidos pela ABNT, como órgão nacional que também se vale de pesquisas com especificações técnicas.
Estes padrões servem de base para normatizar a fabricação dos produtos fumígenos, assim como para normalizar a fabricação dos mesmos produtos caso seja identificada, por fiscalização, alguma infração quanto às obrigações que as indústrias tabaqueiras devem cumprir.
Além desta estratégia de proteção ao consumidor fumante, há uma segunda, correspondente; qual seja, a proibição de denominações que induzam este público à redução de riscos, devido à equivocada consideração de que os teores das substâncias tóxicas sejam realmente baixos em produtos classificados como: light, soft e leve. Vinculada a esta proibição, a fabricação destes produtos, a partir desta resolução, deve contar com a impressão obrigatória (nas embalagens) do quadro de teores das substâncias tóxicas que contêm. Os teores devem ser especificados conforme o padrão de medição, estando identificados em maços, carteiras, pacotes ou quaisquer embalagens que acondicionem os produtos. Estas estratégias fazem parte dos mecanismos inseridos no dispositivo de segurança, que opera (governamentalmente), no tocante à prática de fumar, pela proteção da saúde aos consumidores fumantes.
O uso do enunciado “não existem níveis seguros para o consumo destas substâncias” (Brasil, 2001b) a ser obrigatoriamente impresso nas embalagens utilizadas para comercialização dos produtos, define não apenas a proteção da saúde como propõe que os riscos podem ser reduzidos, contudo não podem ser mensurados. Por conseguinte, a prática de fumar é produzida e atestada – pelo discurso médico-sanitário e pelo exercício do poder soberano – como uma prática não-segura.
Finalmente, a resolução também prescreve punição àquelas indústrias que porventura desrespeitem as determinações expostas, de tal forma que:
Art. 4º A inobservância do disposto nesta Resolução constitui infração de natureza sanitária, sujeitando o infrator às penalidades previstas na Lei no 6.437, de 20 de agosto de 1977 e na Lei Federal n.º 9.294 de 15 de julho 1996 (BRASIL, 2001b).
Sopesada a infração de natureza sanitária, as indústrias tabaqueiras podem ser criminalizadas e punidas mediante multas, advertências, apreensão de produtos, inutilização de produto, e outras medidas semelhantes às que foram abordadas na análise da lei nº 9.294 (Brasil, 1996a).
5.1.11. Medida Provisória que torna obrigatória a impressão de imagens junto às mensagens de advertência
A alteração proposta na Medida Provisória nº 2.190-34, de 23 de agosto de 2001, no que se refere à propaganda e à publicidade de produtos que estão sob o controle, fiscalização e acompanhamento dos órgãos de Vigilância Sanitária, pauta-se na lei nº 9.782, que define o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e cria a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Tal Medida inclui a seguinte normativa, alterando a apresentação das advertências em materiais comercializáveis e publicitários de produtos fumígenos:
Art. 7o Os arts. 2o e 3o da Lei no 9.294, de 15 de julho de 1996, passam a vigorar com a seguinte redação:
(...)
§ 2o A propaganda conterá, nos meios de comunicação e em função de suas características, advertência, sempre que possível falada e escrita, sobre os malefícios do fumo, bebidas alcoólicas, medicamentos, terapias e defensivos agrícolas, segundo frases estabelecidas pelo Ministério da Saúde, usadas seqüencialmente, de forma simultânea ou rotativa.
§ 3o As embalagens e os maços de produtos fumígenos, com exceção dos destinados à exportação, e o material de propaganda referido no caput deste artigo conterão a advertência mencionada no § 2o acompanhada de imagens ou figuras que ilustrem o sentido da mensagem (NR) (BRASIL, 2001c).
As advertências impressas nestes materiais passam, então, a ser acompanhadas de imagens correspondentes, de modo que possa ser reforçada a atenção dos fumantes para os malefícios decorrentes do uso do tabaco. As imagens não são apenas ilustrações dos enunciados que as antecedem, apesar de tentarem traduzir o que eles comunicam e o modo como podem operar; senão, elas são também enunciados, que podem prescindir das frases escritas e, assim mesmo, operarem de maneira similar.
Se apresentadas sem a escrita, seriam tão bem entendidas e agiriam muito semelhantemente a sua forma combinada, de escrita e imagem.
A primeira série de imagens veiculadas pelo Ministério da Saúde inicia no ano de 2001 e permanece até o ano de 2004, tal como visualizadas abaixo:
5.1.12. Decreto que inclui o Ministério do Desenvolvimento Agrário na Comissão Nacional para participação na Convenção-Quadro
Passados 3 anos da publicação do decreto nº 3.136, que cria a Comissão Nacional para resolver as questões de preparação do país nas negociações internacionais em face da Convenção-Quadro de Controle do Tabaco – tratado internacional que legisla sobre as diferentes frentes de ações em relação ao tema, o decreto nº 4.001 altera seu artigo 3º, como segue:
Art. 1o – O art. 3o do Decreto nº 3.136, de 13 de agosto de 1999, passa a vigorar acrescido do seguinte inciso:
VIII - Ministério do Desenvolvimento Agrário (NR) (BRASIL, 2001d).
Figura 1 Figura 1.2 Figura 1.3 Figura 1.4
Ao incluir o Ministério do Desenvolvimento Agrário neste grupo de trabalho, este decreto reconfigura a abrangência das discussões voltadas ao objetivo de discussão do uso do tabaco no interior da realidade nacional. Logo, redinamiza as propostas de ação que a Convenção-Quadro irá desenhar, levando em conta não apenas o uso do tabaco, mas o sistema produtivo pelo qual se organiza a fabricação de produtos fumígenos. O Ministério do Desenvolvimento Agrário, em concordância com as intenções de controle do tabaco, é o órgão governamental responsável por pensar em atividades alternativas (Programa Nacional de Diversificação da Produção em Áreas Cultivadas com Tabaco) para a produção do tabaco, que sejam economicamente viáveis para os produtores de fumo, no intuito de voltar a atenção à saúde dos fumicultores e ao meio ambiente, protegendo-o dos danos causados pelo sistema produtivo do fumo, que conta com grande uso de agrotóxicos.
5.1.13. Portaria Interministerial que incentiva a criação de programas de combate ao fumo nas instituições de saúde e de ensino A portaria interministerial nº 1.498, de 22 de agosto de 2002, tem a participação do Ministério da Saúde e da Educação e faz referência às leis federais: lei nº 7.488 (Brasil, 1986), que cria o “Dia Nacional de Combate ao Fumo”; lei nº 9.294 (Brasil, 1996a), que dispõe sobre normativas quanto ao uso e propaganda de produtos fumígenos; e lei nº 10.167 (Brasil, 2000), que altera as disposições da lei anterior, quanto às propagandas ou materiais publicitários utilizados na divulgação e comercialização destes produtos. O texto-lei parte das seguintes considerações, pautadas no discurso médico- sanitário, apreendido na articulação ou agenciamento das ações de ambos os Ministérios com vistas à gestão dos riscos à saúde e à disciplinarização dos indivíduos:
considerando que o tabagismo é reconhecido pela comunidade científica como um problema de saúde pública, que mata anualmente 4 milhões de indivíduos no mundo, sendo 200 mil no Brasil; considerando que os Ministérios da Saúde e da Educação têm a responsabilidade de desenvolver ações educativas de promoção da saúde;
considerando que a iniciação ao tabagismo deve ser desestimulada, especialmente entre crianças e adolescentes;
considerando que as instituições de saúde e de educação têm a responsabilidade social de promoverem estilos de vida saudáveis;
considerando que os profissionais de saúde e de educação devem estar conscientes dos malefícios causados pelo tabagismo no organismo humano e devem transmitir esses conhecimentos à população, visando promover uma melhor qualidade de vida para a sociedade brasileira, resolvem:
Art. 1º Recomendar às instituições de saúde e de ensino a implantarem programas de ambientes livres da poluição tabagística ambiental (BRASIL, 2002a).
A recomendação de que as instituições de saúde e de ensino implantem “programas de ambientes livres da poluição tabagística ambiental” é uma estratégia interministerial que se vale dos mecanismos de disciplinarização, sob os quais são elaboradas as ações de educação e promoção da saúde da população. Tais ações governamentais fazem parte das funções que competem ao Ministério da Saúde e ao Ministério da Educação.
Por intermédio destes mecanismos de disciplinarização, tanto no campo estrito da Saúde Pública quanto no campo da educação formal (que também tangencia as questões de saúde, de estilos de vida), a aplicação das disposições desta portaria conta com o apoio de instituições e de profissionais destas áreas. Tendo, como finalidade, a promoção da saúde dos indivíduos e das populações de Estados e Municípios e de, por consequência, “melhorar a qualidade de vida para a sociedade brasileira” (Brasil, 2002a), de uma maneira geral.
O objeto desta portaria, então, são as ações antitabagistas a serem operacionalizadas em instituições educacionais e de saúde, por intermédio de seus profissionais – formados para conscientizar ou disciplinar sujeitos, frente ao que se produz como modos de vida saudáveis, e/ou como qualidade de vida. Com o objetivo de que se combata o uso dos produtos fumígenos, derivados do tabaco, em quaisquer lugares, recomenda-se que sejam promovidos programas de combate ao cigarro nestes ambientes. Tais programas incidirão sobre as condutas dos sujeitos, a partir de estratégias de proteção e prevenção do uso destes produtos, especialmente para com
crianças e adolescentes – que estariam mais propensas à dependência do uso, em concordância com os saberes médico-sanitários.
Art. 2º Os Ministros da Saúde e da Educação conferirão, conjuntamente, no Dia Nacional de Combate ao Fumo - 29 de agosto - Certificados de Honra ao Mérito às instituições de saúde e de ensino, que se destacarem em Campanhas dirigidas ao controle do tabagismo (BRASIL, 2002a).
O texto da portaria define uma gratificação para aquelas instituições que se empenharem na elaboração e execução de campanhas anti-tabagistas. Desta forma, trata de mobilizar e sensibilizar fumantes e não-fumantes a pensarem em um estilo de vida compreendido como saudável – e praticarem-no. Trata, enfim, de controlar a prática de fumar, para que, pela disciplinarização dos indivíduos, esta prática não alcance mais adeptos e que, paralelamente, atingindo os fumantes, conscientizem- nos de que esta não é uma prática saudável.
A portaria nº 1.498, por estas razões, estabelece linhas que integram o dispositivo de segurança; uma vez que contam com a colaboração, por agenciamento, de figuras (instituições e profissionais) responsáveis por disciplinar os corpos, normatizando-os por meio de um padrão de sujeitos saudáveis. Em concordância, suas disposições operam por estratégias de promoção da saúde e da qualidade de vida da população (ancoradas em saberes médico-sanitários) a partir do combate do uso do tabaco (relações se saber-poder).
5.1.14. Medida Provisória que altera a lei nº 9.294
A Medida Provisória nº 118, de 3 de abril de 2003, retoma a lei nº 9.294 pela terceira vez, passados três anos após as últimas alterações. O objeto da Medida é o mesmo: o das restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígenos, mas seus objetivos são de permitir, temporariamente, as propagandas televisivas durante eventos esportivos internacionais que seriam realizados no país à época, e aquelas afixadas nos locais de realização. Como contraponto, o discurso jurídico amplia os enunciados referidos ao Ministério da Saúde, como advertências a serem veiculadas junto ao material publicitário.
Parágrafo único – Até 31 de julho de 2005, o disposto nos incisos V e VI não se aplica no caso de eventos esportivos internacionais que não
tenham sede fixa em um único país e sejam organizados ou realizados por instituições estrangeiras. (NR)
Art. 3oC – A aplicação do disposto no parágrafo único do art. 3o-A fica condicionada à veiculação gratuita pelas emissoras de televisão, durante a transmissão do evento, de mensagens de advertência sobre os malefícios do fumo.
§ 1o – Na abertura e no encerramento da transmissão do evento, será veiculada mensagem de advertência, cujo conteúdo será definido pelo Ministério da Saúde, com duração não inferior a trinta segundos em cada inserção.
§ 2o – A cada intervalo de quinze minutos, durante a respectiva transmissão, será veiculada mensagem de advertência escrita ou falada superposta sobre os malefícios do fumo com duração não inferior a quinze segundos em cada inserção, por intermédio das seguintes frases, usadas seqüencialmente, todas precedidas da afirmação "O Ministério da Saúde adverte": I - fumar pode causar doenças do coração e derrame cerebral;
II - fumar pode causar câncer do pulmão, bronquite crônica e enfisema pulmonar;
III - quem fuma durante a gravidez pode prejudicar o bebê;
IV - quem fuma adoece mais de úlcera do estômago;
V - evite fumar na presença de crianças; VI - fumar provoca diversos males à sua saúde;