3 SISTEMA NACIONAL DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE 1 Organização atual da área de Vigilância em Saúde nas três
3.1.3 Portaria GM/MS n 3.252, de 22 de dezembro de
Em 2009 ficou clara a necessidade de revisão da Portaria GM/MS n. 1.172/2004, com vistas a criar condições favoráveis ao fortalecimento da Vigilância em Saúde (VS) e
da Promoção da Saúde no contexto do Pacto pela Vida e das Redes de Atenção à Saúde. Buscou-se uma atualização normativa, tendo como premissa as diretrizes definidas no Pacto pela Saúde, em suas três dimensões, promovendo:
I. substituição do processo de certificação para a gestão das ações de vigilância em saúde pela adesão ao Pacto;
II. a regionalização solidária e cooperativa como eixo estruturante do processo de des- centralização e como diretriz do SUS, devendo orientar, dentro do princípio da integra- lidade, a descentralização das ações e serviços de saúde e os processos de negociação e pactuação entre os gestores;
III. cogestão no processo compartilhado e de articulação entre as três esferas de governo; IV. revisão das responsabilidades sanitárias definidas nos eixos do Pacto de Gestão, de forma a fortalecer a integralidade da atenção à saúde, a ser disciplinada em ato norma- tivo específico; e
V. fortalecimento do processo de participação social e das estratégias de mobilização so- cial vinculadas à instituição da saúde como direito de cidadania.
A portaria GM/MS n. 3.252/09 (BRASIL, 2009) instituiu as diretrizes para execu- ção e financiamento das ações de vigilância em saúde pela União, estados, Distrito Federal e municípios. Construída de forma compartilhada, com a participação de re- presentantes e consultores/assessores da SVS, Anvisa, CONASS e Conasems, abrange os seguintes aspectos:
» Definição/uniformização dos conceitos e área de atuação da Vigilância em Saúde
(já discutidos no 1º capítulo deste livro).
» Inserção da Vigilância em Saúde no Pacto pela Saúde:
› A adesão ao Pacto pela Saúde, por meio da homologação dos respectivos Termos de Compromisso de Gestão, substitui o processo de certificação da gestão das ações de vigilância em saúde como instrumento formalizador do compromisso dos esta- dos, do Distrito Federal e dos municípios no desenvolvimento das ações descentra- lizadas de vigilância em saúde, substituindo o processo de certificação pela adesão ao Pacto, através da assinatura do Termo de Compromisso de Gestão – TCG.
› Os entes federados, considerada a situação atual de certificação e adesão ao Pacto pela Saúde, identificam-se nas seguintes categorias:
II. Municípios certificados e não aderidos ao Pacto pela Saúde; III. Municípios não certificados e aderidos ao Pacto pela Saúde; IV. Municípios não certificados e não aderidos ao Pacto pela Saúde.
› Os municípios certificados e não aderidos ao Pacto pela Saúde permanecem com a gestão das ações descentralizadas de vigilância em saúde até a efetivação de sua adesão e deverão atender ao disposto nos arts. 47 e 48 da Portaria n. 3.252/09, condicionado à alimentação regular dos sistemas de informação acompanhado do monitoramento do saldo bancário, a ser regulamentado em ato específico.
› Os municípios não certificados e aderidos ao Pacto pela Saúde assumirão a gestão das ações descentralizadas de vigilância em saúde, mediante publicação de portaria com os valores referentes ao Componente de Vigilância e Promoção da Saúde, pac- tuados na respectiva CIB, para efetivação da transferência.
› O repasse de recursos do Componente de Vigilância e Promoção da Saúde, do Bloco da Vigilância em Saúde, a municípios não certificados e não aderidos ao Pacto pela Saú- de está condicionado à respectiva adesão, ficando extintas novas certificações.
» Planejamento das ações de vigilância em saúde: introdução na normativa da VS dos
instrumentos de planejamento do Sistema Único de Saúde (preconizados pelo Pacto pela Saúde e regulamentados pela Portaria GM/MS n. 2.751, de 11 de novembro de 2009, que dispôs sobre a integração dos prazos e processos de formulação dos instrumentos do Sistema de Planejamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Pacto pela Saúde) (BRASIL, 2009):
› O processo de planejamento do Sistema Único de Saúde deve ser pautado pela análise da situação de saúde, na identificação das condições, dos determinantes e dos condicionantes de saúde da população, dos riscos sanitários na organização de serviços e na gestão em saúde, estabelecendo condições para a integração entre vigilância, promoção e assistência em saúde.
› As diretrizes, ações e metas de Vigilância em Saúde devem estar inseridas no Pla- no de Saúde e nas Programações Anuais de Saúde – PAS – das três esferas de gestão do Plano de Saúde.
› A Vigilância em Saúde insere-se no processo de regionalização da atenção à saú- de, devendo estar contemplada no Plano Diretor de Regionalização – PDR – e na Programação Pactuada Integrada – PPI, com inclusão da análise das necessidades da população, da definição de agendas de prioridades regionais, de ações interseto- riais e de investimentos.
› Os resultados alcançados das ações de vigilância em saúde comporão o Relatório Anual de Gestão – RAG – em cada esfera de gestão.
» Discussão do modelo de atenção com foco na integralidade, com destaque para o
fortalecimento da integração da VS com a Atenção Primária em Saúde – APS, in- cluindo:
› A elaboração de diretrizes para a construção das linhas de cuidados/agravos e doenças sob gestão da VS.
› A integração do trabalho de agentes de combate às endemias e outros profissio- nais de VS e agentes comunitários de saúde.
› A unificação de territórios/compatibilização do processo de trabalho com equipes de saúde da família.
› Ampliar a presença da VS nas regiões de saúde e no fortalecimento das redes de atenção.
› Inserir a vigilância e a promoção à saúde na agenda de prioridades dos Colegiados de Gestão Regional.
› A articulação intersetorial.
» Buscar alternativas para apoio matricial às ações de VS, tanto nas regiões de saúde
como para a APS, visando contribuir:
› Na análise da situação de saúde dos territórios locais/regionais, incluindo análise de tendência, fatores condicionantes e determinantes, situações de vulnerabilidade e suscetibilidade de grupos populacionais e do meio ambiente.
› No apoio às equipes no planejamento das ações de atenção, vigilância e promoção à Saúde, subsidiando-as na construção de planos de intervenção.
› Na articulação das ações coletivas, incluindo as relacionadas ao meio ambiente. › Na articulação e apoio à implementação da estratégia de gerenciamento do risco individual e coletivo.
» O monitoramento e a avaliação das ações de vigilância em saúde que orientam a
tomada de decisões e qualificam o processo de gestão são de responsabilidade das três esferas de gestão e devem ser realizados:
› De forma integrada, considerando os aspectos da vigilância, promoção e atenção à saúde.
› Com base nas prioridades, objetivos, metas e indicadores de monitoramento e avaliação do Pacto pela Saúde e nas programações das ações.
› Com metodologia acordada na CIT.
› Para avaliação das ações de vigilância em saúde, cada ente federado deverá in- cluir, em seu respectivo relatório anual de gestão, os resultados alcançados com as ações desenvolvidas.