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Postura e fixação nos ouvintes

4. Português e Espanhol: diferentes prosódias

Abordar a oralidade é, sem qualquer margem para dúvida, explanar também o processo de aquisição da prosódia. Como tal, a explanação que apresento em seguida tem como principal objetivo descrever o processo de aprendizagem de um idioma, que pode muito bem aplicar-se aos alunos da área do Espanhol ou do Português.

A pesquisa efetuada relativamente à prosódia é relativamente recente e contribui para o aumento de conhecimentos no que diz respeito a esta área. “A prosódia estuda o modo como estas características...” (acento, tom, entoação e duração) “...funcionam nas línguas em geral e numa língua em particular.” (Mateus, Falé & Freitas, 2005, p. 240). Assim, é essencial efetuar a distinção entre a Língua Portuguesa como língua materna e o Espanhol como língua segunda. Enquanto que no Português se procura uma melhoria em termos de proficência do uso da língua, a aprendizagem de um segundo idioma envolve sempre um aprendizado desde um nível inferior, como se tal se tratasse de uma língua materna.

No que diz respeito ao Português, defendendo, no entanto, que esta mesma pesquisa se pode aplicar à área do Espanhol, os estudos realizados tomam como pressuposto o treino de falantes nativos do português no seu estado inicial de aprendizado, ou seja, neste processo de aquisição de novos conhecimentos, o aluno iniciante desce a um nível quase tão básico como aquele que levou a cabo em Português durante a sua infância.

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A primeira categoria a ser distinguida é de natureza descritiva e diz respeito à emissão de sons semelhantes a outros produzidos por adultos (ou indivíduos) incluídos no mesmo entorno social. Entre estes mencionamos sons do tipo descendente ou ascendente. A segunda categoria é mais do tipo funcional/formal e refere-se a produtos relativos ao fabrico de distintos tipos de frases, tais como: declarativas, interrogativas ou exclamativas.

Ainda inserido neste mesmo estudo encontramos elaborações, de perímetros definidos em termos sonoros, compreensíveis e auditivamente perceptíveis e definidos para as diferentes classificações frásicas. Esta classificação estabelece uma relação direta entre classificação acústica e a classificação entonacional. A compreensão da produção sonora passa pela combinação da emissão sonora da criança e do adulto. Autores como Lieberman (1984; 1986), Crystal (1986) e Stark (1986) fazem referência ao choro, às vocalizações e aos balbuceios como fenómenos caraterísticos dos estados iniciais de desenvolvimento (fases pré-linguística e não linguística).

As produções sonoras da criança são caracterizadas, desta forma, pela existência de um número reduzido de classes e por uma frequência muito elevada de frases declarativas. Por outro lado, verificamos que as vocalizações por estas produzidas por vezes carecem de sentido, analogia esta que pode ser realizada aquando do início da aprendizagem do Espanhol, processo durante o qual o aluno por vezes utiliza termos pertencentes às duas línguas (a língua materna e L2). A aplicação de significado em termos textuais, verificamos ser, assim, um processo gradual. Quanto à entoação, é muito menor na criança do que no adulto.

Para o conjunto de sons linguísticos é possível afirmar também que este tem limites e é diferente conforme cada uma das línguas. No que diz respeito às vogais, todos os idiomas possuem vogais, tais como [a, i, u], no entanto o Espanhol, por sua vez, possui formas específicas de pronunciação do “e” e do “o”. Na língua portuguesa citam-se exemplos, tais como “perna” e “feira”. De acordo com os dois modelos mencionados, a pronúncia do “é” realiza-se de uma forma aberta, coisa que não acontece em Espanhol. Verifique-se, por exemplo a pronúcia do “e” nas palavras “Te” e “pie”. O som é muito mais fechado.

A pronúncia do “o” é também díspar nos dois idiomas. Assim, em português esta vogal pode ser aberta ou fechada, conforme as palavras em questão. Se tormamos em linha de conta os vocábulos “outro”, “coisa” ou “ouro”, constatamos que o som é fechado. Ao passo que nas palavras “óleo” ou “ordem”, a pronúncia do som é aberta. De uma forma contrastiva, ainda que as palavras sejam acentuadas, o som é quase sempre fechado, tal como acontece com os vocábulos “orden”, “oro” e “canción”. Em Português, a letra “o” quando usada em final de palavra é aberta. Verifiquem-se os exemplos de “como”, “relógio” e “brinquedo”, que acabam por ser pronunciadas como se terminassem em “u”. Na prática, e de acordo com o sistema de sons português a pronunciação é /comu/, /relógiu/ e /brinquedu/.

Em relação às consoantes, quase todas as línguas têm os sons [p, t, k], mas existem outras que têm sons, tais como [ꭍ] [θ] [ ᶾ] [ꭓ]. O segundo e o quarto sons são específicos do

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Espanhol, no entanto, os demais surgem, igualemente, em Português, em Francês, Inglês e Catalão.

Quanto mais próximas estiverem os idiomas do ponto de vista de linhagem, mais semelhante será o catálogo dos seus sons; e quanto maior for a distância em relação à família linguística a que pertencem, menos semelhanças apresentarão. O Espanhol é uma língua românica, tal como sucede com o Italiano. Sendo o idioma do nosso país vizinho, pertencente à família indo-europeia, sub-família românica, difere do Russo, dado que este se trata de um idioma indo-europeu eslavo.

Dentro de cada idioma, os sons, que constituem o sistema fonológico ajustam-se de acordo com uma série de regras próprias de cada língua. São estas regras que vão afetar a divisão silábica. Como tal, em cada idioma os sons podem surgir no início ou final de sílaba, afetando desta forma a prosódia. No Espanhol, as consoantes podem surgir em final de sílaba, uma vez que a tendência natural deste idioma é fazê-las sucumbir, uma vez que estas consoantes não se lêm em final de palavra. O inventário das consoantes em Espanhol reduz- se, desta forma, aos sons [d, s, l, n, r], existindo, no entanto, uma excepção à regra no que diz respeito aos neologismos. Relativamente às consoantes desta L2, é frequente surgirem em final de sílaba, sons tais como [b, p, t, k, m].

As línguas diferenciam-se entre si, de acordo com o sistema de acentuação como veremos mais adiante, sobretudo em dois pontos: em primeiro lugar de acordo com a forma como se acentuam as sílabas (podendo estes apresentar características mais acentuadas, p.ex.: italiano); em segundo lugar, segundo as características do sistema de regras que regula a acentuação: há casos em que o acento se posiciona na última sílaba, salientando-se o caso do francês; noutros idiomas a posição do acento é variável, tal como sucede em Espanhol e Português.

As línguas naturais, conforme já foi referido anteriormente, fazem uso de um terceiro meio de expressão: as curvas entonativas (recurso utilizado para dar um maior ênfase a uma parte da informação transmitida). Para o presente relatório é essencial reforçar a ideia de que a prosódia se altera de língua para língua, verificando-se tal situação nos casos do Português e do Espanhol. A aprendizagem depende de variáveis, tais como: o grau de semelhança entre os dois idiomas, a motivação, a amplitude para a aprendizagem, a idade do aluno e o género de conhecimento.