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POSICIONAMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E DO SUPREMO

ESPECIAIS

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) julga crimes comuns praticados por governadores, desembargadores estaduais, federais, eleitorais e trabalhistas, conselheiros de tribunais de contas e procuradores da República, entre outros.

Ademais, é o órgão constitucionalmente investido na função de uniformizar a interpretação das leis federais, da mesma forma que o Supremo Tribunal Federal (STF).

O Supremo Tribunal Federal é o órgão de cúpula do Poder Judiciário, e a ele compete, precipuamente, a guarda da Constituição. Em grau de recurso, julga as causas decididas em única ou última instancia, quando tais decisões contrariarem algum dispositivo da Constituição Federal.

O Supremo Tribunal Federal é um Tribunal da União, sendo classificado como órgão de convergência, por ser responsável pela última decisão tanto na justiça comum como na justiça federal, e de superposição pelo fato de que as decisões proferidas por seus ministros sobrepõem as decisões dos demais órgãos, considerados como inferiores.

Certamente esses órgãos podem discorrer acerca do jus postulandi nos juizados especiais, pois, apesar do presente trabalho ter foco maior em juizados especiais cíveis, o material de estudo aqui poderá ser aplicado aos Juizados Especiais Federais e Criminais.

De acordo com os artigos 102 e 105 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, os Recursos Especiais são julgados pelo Tribunal de Justiça e os Recursos Extraordinários pelo Supremo Tribunal Federal. O REsp é proibido pela súmula 203 do Superior Tribunal de Justiça, e o Recurso Especial é permitido pela súmula 640 do Supremo Tribunal Federal:

Súmula 203 – STJ: "Não cabe recurso especial contra decisão proferida por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais".

Súmula 640 - STF: “É cabível recurso extraordinário contra decisão proferida por juiz de primeiro grau nas causas de alçada, ou por turma recursal de juizado especial cível e criminal”.

Vale ressaltar que, somente caberá Recurso Especial contra acórdão da Turma Recursal se a causa envolver questão constitucional.

Quanto a decisão de Turma Recursal que disser respeito à interpretação de lei federal e for contra entendimento já consolidado peloSuperior Tribunal de Justiça (STJ), foi arquitetada a tese de que apenas nesse caso caberia reclamação, caso contrário, a reclamação não seria nem conhecida pelo Superior Tribunal de Justiça.

Mas afinal, no Juizado Especial comum, o que fazer em decisão de turma recursal absurda: Atualmente cabe Reclamação ao Tribunal de Justiça e não ao Superior Tribunal de Justiça.

Em 07/04/2016 o Presidente do Superior Tribunal de Justiça editou a Resolução de nº 03 de 2016, que estabelece que:

"Art. 1º: Caberá às Câmaras Reunidas ou à Seção Especializada dos Tribunais de Justiça a competência para processar e julgar as Reclamações destinadas a dirimir divergência entre acórdão prolatado por Turma Recursal Estadual e do Distrito Federal e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, consolidada em incidente de assunção de competência e de resolução de demandas repetitivas, em julgamento de recurso especial repetitivo e em enunciados das Súmulas do STJ, bem como para garantir a observância de precedentes.

Art. 2º: Aplica-se, no que couber, o disposto nos arts. 988 a 993 do

Código de Processo Civil, bem como as regras regimentais locais, quanto ao procedimento da Reclamação.

Art. 3º: O disposto nesta resolução não se aplica às reclamações já distribuídas, pendentes de análise no Superior Tribunal de Justiça.

Art. 4º: Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação."

De tal forma, sendo a decisão da Turma Recursal ofensiva à Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, às Súmulas do Supremo Tribunal de Justiça e às do próprio Tribunal e seus precedentes, pode-se interpor reclamação direcionada ao Tribunal de Justiça competente.

Vejamos a aplicação das súmulas:

PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL CONTRA ACÓRDÃO DE TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL. NÃO CABIMENTO. SÚMULA 203/STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.

I. É firme o entendimento desta Corte no sentido de que “não cabe recurso especial contra decisão proferida por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais” (Súmula 203/STJ) II. Agravo Regimental improvido.

(STJ – AgRg no AREsp: 590900SP 2014/0253762-0, Relator: Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, Data de Publicação: DJe 26/03/2015).

De acordo com a Súmula 203 do Superior Tribunal de Justiça estabelece que não cabe recurso especial contra a decisão proferida, nos limites de sua competência, por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais. Conforme o princípio da indisponibilidade das competências que significa que a indisponibilidade pode ser relativizada pela própria lei, como, por exemplo, a prorrogação da competência relativa ou foro de eleição pelas partes relacionado ao princípio da tipicidade das competências (toda competência está tipificada, ou seja, está regulado em lei quais são suas regras, qual órgão é competente e qual juiz irá julgar), de acordo com a Constituição, a competência dos órgãos jurisdicionais, entre eles os Tribunais, não pode ser ampliada ou transferida.

SÚMULA 640 STF. SEGURANÇA DENEGADA. 1. Conforme estabelece o art. 34 da Lei 6.830/80, contra sentença proferida nas ações de execução fiscal cujo valor não ultrapassa ao que corresponde a 50 ORTN’s, cabe Embargos Infringentes e de Declaração. 2. Não há que se falar em decisão teratológica ou em ofensa ao princípio do duplo grau de jurisdição quando a decisão que inadmitiu o recurso de apelação foi proferida de acordo com o que estabelece a Lei específica. 3. “É cabível recurso extraordinário contra decisão proferida oppr Juiz de primeiro grau nas causas de alçada, ou por turma recursal de juizado especial cível e criminal.” – Súmula 640 do STF. 4.

Conforme enunciado da Súmula 267 do Supremo Tribunal Federal, “não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição.

Apesar de não caber recurso especial no Superior Tribunal de Justiça, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula 640, afirmando a possibilidade do Recurso Especial:

"é cabível recurso extraordinário contra decisão proferida por juiz de primeiro grau nas causas de alçada, ou por turma recursal de juizado especial cível e criminal".

4.1 Eliminação do Supremo Tribunal de Justiça do sistema recursal dos Juizados Especiais Cíveis Estaduais

A Lei 9.099/95 consagrou a regra da irrecorribilidade das decisões interlocutórias, sendo possível a discussão acerca de alguma questão incidental como preliminar do recurso a ser interposto em face da sentença (BONFIM, Edilson Mougenot. Juizados especiais cíveis e criminais: Leis n. 9.099 de 26-9-1995, e 10.259. De 12-7-2001. São Paulo:

Saraiva, 2006. p. 63). Essa vedação, segundo decisão emitida pelo Supremo Tribunal Federal, não afronta o princípio da ampla defesa, visto que, em razão da

irrecorribilidadedas decisões interlocutórias, em matérias já decididas ao longo do procedimento não prescrevem, admitindo-se impugnação ao recurso interposto contra a sentença.

As decisões proferidas nas turmas recursais podem ser impugnadas por Recurso Extraordinário, nas hipóteses contempladas no art. 102, III, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:

III - julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida:

No que tange ao Supremo Tribunal de Justiça, sua jurisdição está apartada por força da Constituição. O art. 105, III, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, dispõe que o Recurso Especial somente é cabível contra decisões proferidas pelos Tribunais.

Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:

III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida:

As turmas recursais, a despeito de serem órgãos recursais ordinários de última instância, não podem ser qualificados como tribunais, e as jurisprudências, tanto no Supremo Tribunal Federal, quanto no Superior Tribunal de Justiça, firmou posicionamento uníssono reconhecendo o não cabimento de recurso especial contra decisões proferidas pelas turmas recursais dos juizados especiais.

Vejamos a aplicação do artigo 105, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no acordão abaixo:

Número do 1.0000.16.039708-9/001 Numeração 0397089- Relator: Des.(a) Caetano Levi Lopes

Relator do Acordão: Des.(a) Caetano Levi Lopes Data do Julgamento: 10/05/2018

Data da Publicação: 15/06/2018

EMENTA: ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RECLAMAÇÃO.

RESOLUÇÃO Nº 3, DE 2016, DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.

FIXAÇÃO DE COMPETÊNCIA. DIVERGÊNCIA ENTRE ACÓRDÃO

PROLATADO POR TURMA RECURSAL ESTADUAL E JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO DA

RECLAMAÇÃO PELOS TRIBUNAIS ESTADUAIS.

INCONSTITUCIONALIDADE. INCIDENTE ACOLHIDO.

1. De acordo com o art. 96, I, da Constituição da República, compete aos tribunais elaborar seus regimentos internos dispondo sobre a competência e o funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais.

2. O art. 105, I, 'f', da Constituição da República, estabelece ser da competência do Superior Tribunal de Justiça processar e julgar, originariamente a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões.

3. O egrégio Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos Embargos de Declaração no RE nº 571.572 - BA, declarou a competência do egrégio Superior Tribunal de Justiça para dirimir a divergência existente entre decisões proferidas pelas Turmas Recursais estaduais e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça até a criação da turma de uniformização dos juizados especiais estaduais.

4. Portanto, a Resolução nº 3, de 2016, do Superior Tribunal de Justiça, que fixou a competência das Câmaras Reunidas ou da Seção Especializada dos Tribunais de Justiça para processar e julgar as Reclamações destinadas a dirimir divergência entre acórdão prolatado por Turma Recursal Estadual e do Distrito Federal e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, é inconstitucional.

5. Incidente de arguição de inconstitucionalidade conhecido e acolhido, para declarar a inconstitucionalidade da Resolução nº 3, de 2016, do Superior Tribunal de Justiça.

A Resolução nº 3/2016 foi editada a partir de entendimento firmado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça,prevendo a delegação da competência ao -órgão especial ou ao órgão correspondente dos Tribunais de Justiça, para o processamento e julgamento das reclamações oriundas das Turmas Recursais

4.2 Efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal

A Corte Suprema não deveria desconhecer que atender os parâmetros constitucionalmente estabelecidos é um requisito imprescindível para se acessar a corte superior.

Pois bem, a Constituição não aprecia a possibilidade de as turmas recursais cíveis se ascender ao Superior Tribunal de Justiça por uma simples motivo: a reclamação objetiva mantém a autoridade e competência do Superior Tribunal de Justiça.

Contudo, como os Juizados Especiais Cíveis não estão sob a jurisdição desse tribunal superior, as turmas recursais estão imunes à autoridade e competência do Superior Tribunal de Justiça.

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