Com o objetivo de esclarecer mais a intenção dos designers quanto ao design de superfície dos seus produtos, foram lançados sete questionamentos diretos sobre possiblidades do design de superfície participar da cadeia de fornecimento das
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indústrias de móveis planejados, tanto como produto quanto como atividade de projeto interna dentro dos setores de design das indústrias.
O primeiro questionamento feito foi quanto à definição do tema escolhido para o desenvolvimento dos padrões. Conforme a figura 74.
Figura 74 - Questionamento 1 - escolha da madeira
Fonte: o autor (2018)
Considera-se o resultado uma evidência que a grande maioria dos participantes da amostra é extremamente favorável a liberdade de escolha das madeiras antes que os padrões de acabamento sejam desenvolvidos. Mais de 70% dos designers concorda totalmente com a ideia de poder escolher a lâmina de madeira ou elemento natural antes do início do desenvolvimento do Design de Superfície dos seus produtos. Considerando também que neste questionamento não houve nenhuma resposta contrária, e que 4 designers saíram da posição de neutralidade tendendo a concordar com a proposta, pode-se considerar que este fato seria totalmente aceito em um novo modelo de trabalho. O sistema de negócios atual não privilegia a liberdade criativa dos designers de móveis planejados. A escolha das madeiras pelos designers se dá após a criação dos desenhos e as suas participações no processo são entendidas como limitadas.
O segundo questionamento é de ordem estética e tem a ver com a propriedade da pregnância. Conforme a figura 75.
Figura 75 - Questionamento 2- mesmo padrão
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A maior parte dos PE da amostra concorda em ter um único padrão aplicado sobre todas as matérias-primas utilizadas em uma linha de produtos. Porém chama atenção que 23% da amostra se totalmente contrário a esta proposta.
Conforme abordado neste estudo, o modelo de desenvolvimento atual faz com que os designers tenham que coordenar padrões parecidos, aproximando os pela cor e textura superficial. O conceito proposto, de manter um único padrão passa pela autonomia dos designers em controlar a aparência do produto de forma total. Mesmo com a falta de concordância de 4 participantes, 60% se mantem fora da posição de neutralidade e a favor deste conceito de produto. Apenas 3 PE tem dúvidas quanto ao conceito.
O terceiro questionamento é sobre a responsabilidade na criação dos desenhos aplicados na superfície dos produtos. Conforme a figura 76.
Figura 76 - Questionamento 3- Responsabilidade na criação
Fonte: o autor (2018)
Pode-se afirmar que é evidente, dentro desta amostra, que a maioria dos PE gostaria de criar os próprios padrões aplicados nas suas matérias-primas. Apenas 2 designers se posicionaram com neutralidade, e nenhum participante foi contrário ao proposto. Considera-se que isto corrobora o questionamento quanto a real participação dos designers na criação dos novos padrões dentro do sistema de desenvolvimento vigente no mercado atual.
O quarto questionamento diz respeito à possibilidade de o fornecimento de Design de Superfície passar a ser visto como um produto da cadeia de suprimentos do segmento moveleiro. Conforme a figura 77.
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Figura 77 - Questionamento 4 - fornecimento de design de superfície
Fonte: o autor (2018)
Este foi o ponto de maior concordância no conjunto de 7 questionamentos, com 88% de respostas positivas em todos os aspectos. Embora o resultado positivo dentro da amostra não seja total, nenhum participante discordou totalmente do proposto. Percebe-se que o Design de Superfície tem espaço na cadeia moveleira, assim como ocorre no segmento têxtil ou cerâmico e a falta de participação profissional nesta área do design ficou evidente nas fases anteriores deste estudo.
Complementando o questionamento anterior, o quinto questionamento também trata da participação de designers fornecendo suas criações no segmento moveleiro. Observam se as respostas na figura 78.
Figura 78 - Questionamento 5 - compra de desenhos de superfície
Fonte: o autor (2018)
Neste quesito, percebe-se uma diminuição de concordância, embora a maioria das respostas (67%) tenha sido de concordância total. Dois designers discordam totalmente da possiblidade, apenas um se manteve neutro e 3 apenas concordam com a afirmação. Analisando este tópico em conjunto com o anterior, considera-se que a possibilidade de atuação de designers de superfície fornecendo suas criações para o segmento moveleiro é real desde que dentro dos procedimentos técnicos adequados.
O sexto questionamento foi o que suscitou as maiores dúvidas no conjunto de perguntas. Diz respeito ao registro dos produtos, conforme a figura 79.
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Figura 79 - Questionamento 6 – Registro de posse dos desenhos
Fonte: o autor (2018)
Mais de 50% da amostra, ou seja, 10 designers concordam totalmente com a ideia de ter o controle de posse, ou o registro sobre um desenho de padrão de acabamento para poder centralizar a distribuição do desenho para os fornecedores. Um designer apenas concorda com isto, enquanto 5 designers se posicionaram de forma neutra. Por outro lado, 2 PE consideraram desnecessário, sendo que 1 deles foi radicalmente contra. Hoje os desenhos que são criados pelas empresas de papel decorativo não são distribuídos para os demais participantes da cadeia. Quando o designer desenvolve um novo padrão de móveis planejados, este produto pode ser copiado, ou mesmo ser reproduzido por um fabricante de móveis sob medida, caso ele encontre as mesmas matérias-primas no mercado.
O sétimo e último questionamento diz respeito ao entendimento dos PE sobre as possiblidades que a impressão digital pode trazer para o segmento. Conforme a figura 80.
Figura 80 - Questionamento 7 - impressão digital
Fonte: o autor (2018)
Percebe-se que a maior parte dos designers acredita no potencial que a impressão digital oferece como processo dentro da cadeia produtiva moveleira. Mais de 50 % concordam totalmente que futuramente a impressão digital vai permitir que os processos de decoração das matérias-primas poderão ser controlados dentro da linha de produção da indústria de móveis. Hoje estes processos estão dentro dos fornecedores de matérias-primas, embora algumas empresas já disponham de equipamentos capazes de imprimir uma peça de PMR, ou fita de borda. Apenas dois
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participantes discordam deste ponto de vista, não totalmente. 3 se mantem neutros e dois concordam em parte.
As indústrias de menor porte, que desenvolvem móveis assinados ou móveis personalizados de menor tiragem já utilizam o processo de impressão digital como ferramenta para a diferenciação no mercado, porém também necessitam de um fornecedor de matérias-primas que possua condições de produzir. A capacidade de centralizar os processos passa pela autonomia no desenvolvimento dos padrões. Por isto a intenção de expor a sequência de desenvolvimento de um padrão amadeirado, que pode servir de base para o desenvolvimento de modelos e metodologias específicas para o segmento moveleiro.
Percebe-se que este é um tema atraente para os designers e evidencia-se p seu interesse em participar do processo desde o início. Entende-se que para este envolvimento poder se consolidar um dos aspectos que necessita ser aprofundado é como se realiza o desenvolvimento de desenhos a partir de elementos naturais.
A seguir será apresentado um ensaio que trata de sugerir um modelo de desenvolvimento para um novo padrão amadeirado.