3 OS MUSEUS COMO ESPAÇO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL
3.3 POSSIBILIDADES EDUCATIVAS EM MUSEUS OU MUSEU E EDUCAÇÃO
pesquisa, um deles.
Nos dias atuais, os museus de ciências consistem em locais em que se desenvolvem diversas interações humanas que justificam o seu funcionamento e também sua existência. Para Gomes (2014), nem sempre os museus desempenharam tal papel. Ainda que as relações humanas que ocorrem nesses locais sejam passíveis de sofrer alteração ao longo do tempo, principalmente no que diz respeito o contato do acervo com o público.
Devido a isso, se fez necessário aqui separar uma porção desse trabalho para fazer um resgate histórico dos museus, com o intuito de nos situarmos e tentar entender um pouco mais do mecanismo que transformou algumas coleções privadas em espaços públicos.
3.3 POSSIBILIDADES EDUCATIVAS EM MUSEUS OU MUSEU E EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS
Ao se referir à função educativa nos museus, nos deparamos com três etapas discutidas por Allard e Boucher (1991 apud MARANDINO, 2008). A primeira fase consiste na criação e inserção de museus em instituições de ensino formal, no caso, as universidades. Um exemplo é o Ashmolen Museum da Universidade de Oxford fundado em 1683 e com acesso restrito para poucos. Já a segunda fase é demarcada pelo acesso de um público mais abrangente e classes sociais variadas. E, por fim, a terceira fase é a da firmação do papel educativo, o que ocorreu durante o século XX justamente devido à diversidade dos visitantes. Dessa forma, os museus encontraram necessidade de superar o papel meramente expositivo.
Dentro deste cenário, era preciso encontrar os meios para garantir que o público pudesse entender o acervo e até mesmo o apreciar. “A preocupação com a utilização educacional dos acervos expostos levou cada vez mais os museus a introduzirem estratégias que facilitassem a comunicação com o público dentro de suas exposições (GOMES, 2014, p. 24).
Levando em consideração a grande importância dos museus de ciências, “torna-se cada vez mais importante uma reflexão acerca das concepções de ciência e de educação que espaços como os museus de ciências naturais vêm apresentando” (MARANDINO, 2009, p. 1).
Gaspar (1993) afirma que ainda é muito comum as pessoas relacionarem a palavra museu a um local onde apenas se guarda coisas velhas e inúteis. No entanto, a análise realizada por Marandino (2005), indica um aumento na compreensão do público em geral sobre as diferentes funções que um museu ou centro de ciências possui, tais como: local de agrado, lazer, contemplação diversão e mesmo educação. Jardim (2013) aponta as diferentes funções dos museus de ciências. Afirma que estes espaços são grandes aliados na divulgação do conhecimento científico para o público geral, ou no caso dos estudantes, uma forma lúdica de apresentar os conteúdos, antes estudados de forma abstrata, podendo ainda despertar o interesse dos alunos e promover participações coletivas. Por esses motivos essas instituições vêm ganhando destaque no que se refere à educação em ciências, contribuindo inclusive para a alfabetização científica, através de abordagens com maior contextualização.
Os museus e centros de ciências estimulam a curiosidade dos visitantes. Esses espaços oferecem a oportunidade de suprir, ao menos em parte, algumas das carências da escola como a falta de laboratórios, recursos audiovisuais, entre outros, conhecidos por estimular o aprendizado. É importante, portanto, uma análise mais profunda desses espaços e dos conteúdos neles presentes (VIEIRA; BIANCONI; DIAS, 2005)
Destaca-se aqui a possibilidade de o museu funcionar como um espaço educacional, onde professores possam ensinar seus estudantes através da divulgação da ciência e da tecnologia. Segundo Kirst e Silva (2009), ensinar dentro do espaço do museu faz muita diferença para educação, pois no contato direto com os materiais expostos, os estudantes podem ter uma melhor noção da ciência como algo concreto e integrado a suas vidas.
No entrecruzamento das áreas de ciências e educação, pode-se ensinar de maneira instigante dentro do espaço museológico, ou seja, fora da sala de aula, mas que se integra a ela neste momento e auxilia os estudantes a ampliar a percepção e a compreensão da ciência, sendo que este deve ser um direito de todos os estudantes (KIRST; SILVA, 2009).
Um dos desafios dos museus é o desenvolvimento de estratégias de comunicação que, ao mesmo tempo, mantenham o entusiasmo pela instituição para o visitante real e promovam uma aproximação dos grupos tradicionalmente excluídos. Análises sobre esta questão podem oferecer subsídios para o aperfeiçoamento de processos de consulta, intercâmbio de opiniões e negociação, com os quais os museus trabalharão para redefinir futuramente sua função. A inclusão de profissionais de marketing nas equipes de trabalho pode trazer contribuições significativas e inovadoras. Esta nova forma de pensar os museus vem propondo soluções conciliatórias entre métodos tradicionais de comunicação realizadas por esses espaços e outros que possibilitem o intercâmbio de ideias entre as partes envolvidas (VALENTE et al., 2005).
No cerne das instituições não formais, se inserem os museus, que se configuram como um local de extrema importância no processo educativo. Através das suas ações, é possível uma maior interação entre os sujeitos e assim, uma construção coletiva onde as experiências e vivencias, onde o conhecimento prévio e os questionamentos trazidos por cada um são valorizados e relacionados durante o processo de construção do conhecimento. Fato esse que se configura como uma verdadeira valorização social e cultural dos indivíduos, onde todos se tornam sujeitos do processo de aprendizagem (MORAIS, 2012, p. 20).
Acerca da alfabetização científica, Valente et al. (2005) ressaltam a necessidade de a população se relacionar com conhecimento e temas científicos, de modo a motivar um jeito de pensar amparado por evidências. Assim, capacita-se as pessoas para a decisão crítica sobre o mundo e a compreenderem as mudanças nele ocasionadas pela atividade humana. As autoras acreditam, ainda, que uma população mais “culta cientificamente” estará mais apta para conduzir ou exigir políticas públicas relacionadas a temas controversos e atuais acerca da ciência (VALENTE et al., 2005, p. 201).
Os museus e centros de ciências têm como objetivo, entre outros, contribuir para a cultura científica da sociedade, propiciando várias formas de aproximação com
o saber científico, atuando por meio de diferentes estímulos, o que torna o processo de aquisição do conhecimento nesses locais tão próprio.