Ao refl etir sobre as possibilidades formativas das redes sociais a partir das instituições educativas, um dos grandes desafi os para os educadores consiste em ver o mundo com os olhos dos seus alunos. Ao ouvi-los falar, ao ler o que escrevem e ao ver o que fazem, é possível perceber que “toda a noção de ciberespaço está começando a desaparecer. Nossas ferramentas de mídia social não são uma alternativa para a vida real, são parte dela” (SHIRKY, 2011, p. 37).
Nesse contexto, instituições formadoras e seus agentes vêm buscan- do adaptar-se a essa ‘nova’ realidade através da aquisição de infraestrutura tecnológica - equipando salas de aulas, laboratórios de ensino e pesquisa, espaço multimídia, entre outros - e de propostas pedagógicas amparadas pelos recursos das tecnologias digitais, como por exemplo: Moodle, e-mail, softwares educacionais, sites de busca, etc., ainda que, na sua maioria, a orientação ao uso das TIC esteja vinculada ao desenvolvimento de compe- tências técnicas e na didática transmissiva (BIANCHI, 2014). Mais recen- temente, também se observa o crescimento do uso das tecnologias digitais, especialmente da apropriação das redes sociais como espaço de aprendiza- gem e de educação (LAPA; COELHO; SCHWERTL, 2015).
Quanto à incorporação das tecnologias digitais na educação formal como conteúdo e como ferramenta de apoio didático e de reforço às ativi- dades de ensino, Lapa, Coelho e Schwertl (2015) sugerem pensar também que “a Web, em si, pode promover a educação emancipadora que desejamos, como um espaço livre apropriado criticamente e criativamente por sujeitos autônomos.” Na medida em que os usuários passam a se expressar e agir como produtores de conteúdos nos espaços compartilhados das redes, uma nova problemática se impõe às instituições formadoras que é educar para a cidadania (RIVOLTELLA, 2012). Ou seja, é preciso considerar na elabo- ração de propostas envolvendo as tecnologias digitais e seus dispositivos, o seu potencial criativo e expressivo, oportunizando novas comunicações, mais críticas e colaborativas. E, isso pode ser desenvolvido e tratado peda- gogicamente a partir dos pressupostos da mídia-educação.
Em relação à articulação entre a educação física e as tecnologias di- gitais, especialmente a apropriação das redes sociais como espaço para pro- dução, socialização do saber e para formação, destacamos como exemplos dessa articulação na formação inicial dois estudos. No caso observado por Bianchi (2014), na disciplina de Educação Física e Mídia, ofertada pelo curso de Educação Física-Licenciatura, da Unipampa/RS, verifi cou-se que a problematização acerca das redes sociais se deu através da leitura crítica de
peças jornalísticas que tinham como objeto de análise as próprias redes so- ciais e suas implicações físicas, sociais, econômicas, políticas, etc., bem como da orientação da construção de objetos de aprendizagem dos conteúdos da educação física a partir das ferramentas tecnológicas e comunicacionais oferecidas pelas redes sociais. Dessa forma, a partir do desenvolvimento das habilidades de interpretação crítica do conteúdo que circula nesses novos suportes de comunicação, é possível pensar a produção midiática, faci- litada pelas inúmeras possibilidades técnicas que essas tecnologias ofere- cem, visando à formação de leitores e produtores refl exivos. Nesse sentido, Ferrés (1996) reforça o duplo papel das instituições: preparar os alunos para compreender em profundidade os meios e também para expressar-se por intermédio deles.
Na pesquisa realizada por Mendes (2016), ocorre a problematização com estudantes de educação física sobre os modos como são produzidos os relatos da disciplina de Estágio Supervisionado, na sua maioria, baseados na comunicação verbal e escrita. Sua proposta consistiu em enfatizar na produção desses relatos um viés pedagógico centrado em relações dialógicas, no uso das Tecnologias Digitais de Informação e comunicação (TDIC) e nas múltiplas linguagens, como meios de potencializar a experiência forma- tiva na disciplina de Estágio Supervisionado. Diante disso, as redes sociais foram empregadas como mais um espaço pedagógico para analisar, discutir e compartilhar as experiências oriundas do Estágio entre os participantes do estudo. A partir do uso da internet e, mais especifi camente das redes sociais foi possível explorar o caráter comunicativo desses dispositivos, a criação de materiais multimídias e, principalmente, explorar o processo de produção colaborativa de novos conhecimentos relacionados à formação de professores de educação física.
O referido trabalho nos mostra que é possível propor experiências for- mativas bem sucedidas no âmbito das tecnologias digitais e das redes sociais, indo muito além do seu uso meramente instrumental. Também, evidencia a importância do papel e da participação do professor no momento de pensar a integração das TIC no ambiente educacional, pois é ele o conhecedor das circunstâncias e do contexto concreto de intervenção. Assim, o professor deveria conhecer como as TIC podem contribuir e quais são as suas limi- tações para então decidir como empregá-las (GONNET, 2004). Esse é um dos problemas enfrentados pelos professores sobre este tema, uma vez que eles conhecem e dominam o funcionamento desses recursos e os utilizam em sua vida social e pessoal, mas desconhecem perspectivas críticas para a integração das redes sociais nos processos de ensino e aprendizagem escolar
Capítulo 6 – Redes sociais e as colaborações mediadas para a formação humanas
Apesar de serem poucas as experiências na perspectiva da Mídia- Educação (Física), gostaríamos de concluir essa subseção enfatizando que propor atividades com as tecnologias digitais no contexto educacional, em qualquer nível de ensino e área do conhecimento, não é tarefa fácil, pois se trata de um terreno sem mapas, de um quebra-cabeça sem respostas sim- ples. Contudo, o lado positivo é que podemos, nós, professores fazer muita coisa com nossos alunos e para nossos alunos. Como dizem Palfrey e Gasser (2011, p. 25) “Cada um de nós tem um papel a desempenhar na solução desses problemas. E, mais importante, precisamos preparar os jovens para seguir o caminho para um futuro brilhante na era digital.” Pereira (2014), complementa afi rmando que diante do encontro entre crianças, jovens e adultos é possível refl etir sobre o nosso papel de guiar, mas também de nos surpreendermos com o que conseguimos aprender e ressignifi car quando somos conduzidos pelos mais novos e levados a enxergar o desconhecido.