2.6 POSTURA CORPORAL
2.6.3 Postura Corporal de praticantes de dança
Para Matos (2010) as pessoas são diferentes uma vez que possuem hábitos e biótipos diferentes, em detrimento disso, as posturas não podem ser classificadas como corretas ou incorretas, pois a boa postura é adaptada individualmente em cada evolução mecânica e sensorial.
Considera-se que a postura correta é a posição na qual um estresse mínimo é aplicado sobre cada articulação sendo assim, a postura defeituosa é qualquer posição que aumente esse estresse. Assim, se o indivíduo possui músculos fortes e flexíveis esse estresse é menos excessivo devido à capacidade de mudar as posições articulares prontamente (MAGEE, 2005).
Desta forma, a dança é capaz de promover modificações anatômicas, biomecânicas, morfológicas e físicas que podem desestabilizar o equilíbrio funcional dos praticantes ao longo dos anos de prática, facilitando o aparecimento de alterações posturais (MEEREIS et al., 2011).
De acordo com Picon et al., (2002), a postura é influenciada pelas forças às quais é submetida. Diante dessa afirmação, é possível inferir que o histórico de atividade física ou seja, os movimentos realizados durante a prática da dança, pode influenciar a postura de bailarinas.
Segundo Meereis et al., (2011, p.2):
Estas alterações posturais podem aumentar o risco de lesões e de dores articulares e musculares, além de diminuir o desempenho técnico das bailarinas nos treinos de dança, e a eficiência das atividades de vida diária, prejudicando assim a qualidade de vida da bailarina (os)
Para Picon et al., (2002) o ballet é umas das danças que pode promover algumas modificações anatômicas, biomecânicas, morfológicas e físicas que podem desestabilizar o equilíbrio funcional dos praticantes ao longo dos seus anos de prática, assim facilitando o aparecimento de algumas alterações posturais.
Segundo Magee (2005), a má postura pode ser causada pela contratura muscular ou desequilíbrio, pelas condições respiratórias, fraqueza geral, excesso de peso, perda da propriocepção, espasmo muscular ou pela dor.
Para Aguiar (2011, p.14):
A má postura é caracterizada pela necessidade de grandes esforços e tensões musculares quando criança encontra-se em posição ortostática. Esta postura errada pode causar um quadro doloroso, devido a constante sobrecarga mecânica e muscular. Com o passar do tempo e a manutenção da má postura, o quadro torna-se crônico com o aparecimento das alterações posturais.
Já para Matos (2010) a má postura é classificada como momentânea ou estrutural, pode advir da manutenção da postura momentânea ou de alteração em um dos segmentos corporais.
Segundo Tecklin (2002) os bailarinos devem possuir uma base para executar os movimentos e adquirir habilidades funcionais, para poderem compreender o mecanismo de controle postural normal – MCPN. Este mecanismo envolve reações posturais dinâmicas, que são movimentos ativos ou mudanças no tônus de forma automática, as quais funcionam em conjunto para a manutenção e ajuste da postura antes, durante e depois do movimento.
Segundo Mansoldo e Nobre (2007) a prática de atividades físicas pode facilitar o desenvolvimento de posturas incorretas ou erros posturais por meio da
solicitação exacerbada de um dos membros, ou facilitar o reequilíbrio postural. Para Gallahue (2005) as alterações visíveis na posição de qualquer seguimento corporal caracterizam como um movimento.
De acordo com Prati e Prati (2006), para que ocorra um desenvolvimento técnico elevado e capaz de levar à aquisição de determinadas tendências posturais, são necessários mais de sete anos de prática do ballet clássico. Dessa forma, pode- se afirmar que a maioria das bailarinas envolvidas no presente estudo possuía maturidade na dança, pois o tempo de prática apresentado foi, em média, de 9,1 (± 3,1) anos.
Simas e Melo (2000) efetuaram um estudo “Padrão Postural de Bailarinas Clássicas”, a qual tinha por finalidade avaliar a prática do ballet clássico e sua influência sobre o padrão postural em bailarinas com cinco anos ou mais de prática na cidade de Florianópolis. Nesta pesquisa, as alunas deveriam ter iniciado a modalidade com oito anos de idade, realizar a atividade cinco vezes semanal e com duração do treino de 1 h 30 min a 2 h. Entretanto, no resultado do estudo, os desvios posturais mais incidentes foram: curvatura lombar alterada (80%), desnível de ombros (78%) e inclinação do tronco para trás (72%). Dando seguimento ao estudo, o segundo objetivo foi de identificar o padrão postural da bailarina clássica. Simas e Melo (2000) identificaram como segmento mais afetado na vista lateral o desvio lordose na coluna vertebral (80%), na vista posterior, os ombros em desnível (78%), e na vista anterior, os tornozelos pronados (64%). Os pesquisadores concluíram que que as alterações mais incidentes na vista lateral foram hiperlordose, tronco inclinado para trás e pernas hiperestendidas. Na vista posterior, ombros e quadris desnivelados, e, em vista anterior, os tornozelos pronados e joelhos varos. De acordo com os autores e, levando em consideração os resultados, o ballet clássico aparenta ter implicações negativas no desenvolvimento postural das bailarinas (SIMAS; MELO, 2000).
Um outro estudo de Meereis et al., (2011) buscou através do estudo “Análise de tendências posturais em praticantes de ballet clássico” avaliar tendências posturais de bailarinas que já praticavam ballet há três anos nas escolas da cidade de Santa Maria. Os autores realizaram uma avaliação postural utilizando o Software de avaliação Postural-Sapo, com as bailarinas, que, de acordo com o questionário, as mesmas praticavam a atividade no mínimo oito (8) anos, e por isso, analisaram os resultados da avaliação através de um programa SPSS (Statistical Package for the
Meereis et al., (2011) apresentou resultados como inclinação da cabeça para a direita (80%), ombro esquerdo mais elevado (80%), espinha ilíaca ântero-posterior esquerda mais elevada (70%). As bailarinas ainda se encontraram com joelhos valgos (70%) e tornozelos valgos (70%), escápulas abduzidas (70%), anteversão pélvica (100%) e joelho semiflexo (60%).
Por visão do estudo de Meereis et al., (2011), o ballet influencia muito nas tendências posturais, principalmente na extensão do tronco e anteversão da pelve, além das correlações que indicaram que ao longo do tempo, a bailarina clássica tende a ter tornozelos valgos. Esta situação ocorre pelo fato de músculos, tendões, ossos e articulações serem repetidamente levados aos seus limites de estresse durante sobrecargas no treino (PICON et al., 2002; PRATI; PRATI, 2006)