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Potencial e perspectivas de desenvolvimento do setor sucroalcooleiro

O setor apresenta alguns potenciais de desenvolvimento, entre eles destaca-se o uso do bagaço da cana e demais resíduos já citados, que podem ser usados para co-geração de energia, além do fato de que diversas novas tecnologias de produção e comercialização de etanol a partir da utilização do bagaço estão sendo desenvolvidas em todo o mundo e poderão atingir estágio comercial nos próximos anos.

Segundo informações do site ProCana (2009) o mercado brasileiro de etanol apresentou um crescimento nos últimos anos, e a partir deste crescimento, a maior produtora de petróleo do País, a Petrobrás, iniciou um plano de negócios na área de biocombustíveis em 2009, com projeção até o ano de 2013. A primeira parceria foi acordada pela empresa com a usina Itarumã, em Goiás.

A previsão, segundo ProCana (2009) é de que até 2013, cerca de 1,9 bilhões de litros de etanol sejam exportados pelas usinas da Petrobras e 1,8 bilhão de litros dirigidos ao mercado interno. Mais 200 milhões de litros serão produzidos pela companhia na Colômbia.

De acordo com a União da Indústria de cana-de-açúcar – UNICA (2009), o índice de mecanização da colheita nos canaviais brasileiros ficou estacionado em 30% durante dez anos, entre 1997 e 2007. De lá para cá, o índice atual de mecanização nos 6,8 milhões de hectares de canaviais do País já é de 38%, mas alguns fabricantes acreditam que exista um potencial para chegar este índice a 75%. Para elevar este índice de mecanização da colheita para 75% seriam necessárias a instalação de mais 1,2 mil unidades produtivas.

Entre as diversas diretrizes, conforme UNICA (2009) destaca-se aquela que antecipa os prazos legais para o fim da colheita da cana-de-açúcar com o uso prévio do fogo nas áreas cultivadas pelas usinas. Essa prática agrícola, denominada “queima controlada da palha da cana” é necessária para a sua colheita manual, sem o emprego de máquinas. O governo do estado de São Paulo, dentre os produtores do Brasil, é um dos únicos que já dispõe de instrumentos legais para evitar a queima.

Além da queima controlada da palha de cana, o Protocolo dispõe sobre outros temas de enorme relevância, como: conservação do solo e dos recursos hídricos, proteção de matas ciliares, recuperação de nascentes, redução de emissões atmosféricas e cuidados no uso de defensivos agrícolas, UNICA (2009).

Sob diversos pontos de vista, o etanol brasileiro de cana-de-açúcar é produzido de maneira sustentável, nos aspectos sociais, econômicos e ambientais, representando atualmente a melhor e mais avançada opção existente no mundo para produção de biocombustíveis em larga escala. A União da Indústria de cana-de-açúcar (2009) cita algumas perspectivas de desenvolvimento para o setor nos próximos anos:

a) Balanço Energético: o balanço energético do etanol brasileiro (energia contida no combustível em comparação com a energia fóssil usada para produzi-lo) é de aproximadamente de 9.3, cerca de quatro vezes melhor que o etanol de beterraba e trigo e quase cinco vezes superior ao etanol produzido de milho.

b) Gases de Efeito Estufa: segundo diversas estimativas, calculadas com base na análise de ciclo de vida do produto, o etanol brasileiro, produzido de cana-de- açúcar, reduz as emissões de gases de efeito estufa em mais de 80% em substituição à gasolina.

c) Produtividade: o etanol brasileiro apresenta a maior produtividade em litros por hectares quando comparado às demais alternativas. Enquanto o etanol de cana brasileiro produz cerca de 6.800 litros por hectare, o de beterraba europeu não ultrapassa 5.500 litros por hectare e o milho americano aproximadamente 3.100 litros por hectare. Além das implicações diretas nos custos de produção do etanol,

a produtividade em litros por hectares também é um importante fator relacionado à crescente escassez de recursos para produção de alimentos e energia.

Além destas vantagens comparativas entre a cana-de-açúcar brasileira com demais fontes alternativas de energia, de acordo com UNICA (2009) existem ainda outros diferenciais que podem ser obtidos a partir de melhores práticas agrícolas e ambientais da cana-de-açúcar brasileira, como:

Consumo de Fertilizantes: a utilização de fertilizantes na cultura de cana-de-açúcar no Brasil é baixa, aproximadamente 0.425 toneladas por hectare, enquanto que o cultivo da soja utiliza aproximadamente 0.650 toneladas por hectare. Isto se deve principalmente à utilização de resíduos industriais da produção do etanol e açúcar, como a vinhaça e a torta de filtro, como fertilizantes orgânicos. Além disso, o uso da palha da cana deixada sobre o solo após a colheita, principalmente nas áreas mecanizadas, vem a aperfeiçoar todo este processo em termos de reciclagem de nutrientes e proteção do solo.

Consumo de Defensivos: o uso de inseticidas na cana-de-açúcar no Brasil é baixo e o de fungicidas é praticamente nulo. As principais pragas da cana são combatidas através do controle biológico de pragas e com a seleção de variedades resistentes, em grandes programas de melhoramento genético.

Perdas de Solo: a cultura da cana no Brasil é reconhecida hoje por apresentar relativamente pequena perda de solo (cerca de 12.4 toneladas por hectare). Esta situação continua melhorando com o aumento da colheita sem queima da palha de cana e com técnicas de preparo reduzido, levando a perdas e valores muito baixos, comparáveis ao plantio direto em culturas anuais.

Uso de Água: a cana-de-açúcar no Brasil praticamente não é irrigada. As necessidades hídricas, na fase agrícola, são sanadas naturalmente pelo regime de chuvas das regiões produtoras, principalmente no Centro-Sul do país, e complementadas pela aplicação da vinhaça em processo chamado de fertirrigação. Os níveis de captação e lançamento de água para uso industrial têm sido reduzidos substancialmente nos últimos anos, de cerca de cinco metros cúbicos por tonelada para cerca de um metro cúbico por tonelada processada.

Auto-suficiência Energética: toda energia utilizada no processo industrial da produção de etanol e açúcar no Brasil é gerada dentro das próprias usinas a partir da queima do bagaço da cana. Este processo, chamado de co-geração, consiste na

produção simultânea de energia térmica e energia elétrica a partir do uso de biomassa, capaz de suprir as necessidades da usina e prover energia excedente para a rede pública de energia elétrica.

A cultura da cana-de-açúcar no Brasil apresenta várias vantagens sobre as demais fontes de bioenergia: menor utilização de fertilizantes e de defensivos agrícolas, além de co- geração de energia para o funcionamento da usina. Estas são algumas razões para o setor merecer os crescentes investimentos.