EXCERTO 1: 1 Pp: Quem é este?
32. Pp: One, two, three, go!
33. Os alunos começam a representar as informações contidas na carta por meio do desenho. O aluno S começa por desenhar o emissor da carta, Rodrigo. O aluno está entusiasmado e engajado na atividade.
Logo no início do excerto 2, S expressa seu contentamento ao saber que não precisaria escrever, mas desenhar (linha 2).
Na sequência, a Pp chama a atenção dos alunos (Ss) para a primeira forma geométrica (linha 3), ao que, imediatamente, o aluno relaciona à figura de uma cabeça (linha 4) e, na linha 8, comenta que a mesma figura pode representar a bola. Quanto à figura retangular, o sujeito de pesquisa a relaciona, dentro do conteúdo da carta, ao texto (linhas 10 e 13), à favela (linhas 16 e 22), ao morro (linha 24) e ao metrô (linhas 27 e 29).
Mediante o exposto, pode-se afirmar que, para realizar a atividade de desenho constituinte da SD, o aluno sujeito de pesquisa mobilizou conhecimentos e recuperou informações específicas acerca do conteúdo da primeira carta de apresentação pessoal, explorada como texto de referência. Com isso, podemos afirmar que, conforme defendido pelos teóricos que sustentam este trabalho, o aluno S, mediado pela linguagem, transferiu para o desenho suas concepções, conhecimento de mundo, emoções, sentidos e significados
culturalmente produzidos (VYGOTSKY, 2001; CORRÊA;
STAUFFER, 2008).
Além disso, S demonstrou ser um aluno criativo, que se serviu de uma atividade com uma proposta mais lúdica para demonstrar sua leitura de mundo. Em outras palavras, a atividade proposta possibilitou o engajamento discursivo do aluno, revelando, sobretudo, que S tem a capacidade de ação desenvolvida.
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Juliana Reichert Assunção Tonelli______________________________ Considerações finais
Quando se fala em alunos “disléxicos”, comumente se atribui a eles a falta de interesse, de motivação e, mais especificamente, da capacidade de realizarem tarefas relacionadas à compreensão e produção da linguagem escrita. Com relação à LI, a suposta dificuldade de alunos diagnosticados como “disléxicos” em aprender essa língua é um discurso que circula nas escolas e nos consultórios psicológicos, posto que a LI muitas vezes não recebe a mesma atenção que outras disciplinas consideradas essenciais, como a matemática e a língua portuguesa, por exemplo.
Essa prioridade pode ser compreendida pelo fato de tais conteúdos curriculares se constituírem em conhecimentos básicos que nortearão outras disciplinas curriculares, legitimando, de certa forma, a preocupação ou a atenção especial a elas dispensadas. Contudo, em um mundo cada vez mais globalizado em que o acesso às informações, via de regra, se dá por meio da LI, não se pode mais desconsiderar o lugar de destaque dessa língua. Assim, ignorar o ensino e a aprendizagem de inglês a alunos com alguma limitação com letras e palavras, além de ser uma tentativa de homogeneização de indivíduos que são diferentes por natureza, pode privá-los de pelo menos tentar, à sua maneira, apropriarem-se do conhecimento de uma língua estrangeira.
Neste artigo, apresentei uma atividade de desenho, especialmente desenvolvida e realizada como um dos instrumentos mediares no ensino de inglês, a um aluno de uma escola pública no Estado do Paraná, diagnosticado pela ABD como “disléxico” em grau severo. Apoiada no construto teórico-metodológico do ISD que concebe que toda e qualquer atividade que envolva a linguagem deve considerar os objetivos maiores dos processos comunicativos, como destinatário, emissor, objetivo da interação, não a limitando a palavras soltas fora de contextos reais da comunicação, refuto a concepção de “dislexia” como assumida por pesquisadores que claramente assumem a linguagem como codificação e decodificação de palavras soltas e isoladas.
Tomando como premissa básica que cada indivíduo atribui maior ou menor significado àquilo que julga prazeroso, interessante, importante ou necessário para sua vida, a tarefa de ensino e aprendizagem de LI requer do professor descobrir caminhos que o
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Atividade de desenho como instrumento mediador no ensino e aprendizagem..._____ levem a despertar nos alunos o desejo e o interesse pela língua e, nos casos de alunos que carregam o fardo de um laudo médico, essa tarefa pode ser mais árdua. Isso porque, dependendo do professor, o diagnóstico de dislexia pode ser uma desculpa para não ensinar e, dependendo do aluno, uma desculpa para não aprender. Assim, os esforços empreendidos na relação ensino e aprendizagem podem ser proporcionais ao desejo do sucesso de ambas as partes: do professor e do aluno.
Para poder investir no ensino da LI a um aluno “disléxico” ou a um aluno que apresente algum tipo de dificuldade com a linguagem escrita, é preciso, além de obviamente acreditar na importância e na possibilidade de ensinar e de aprender, identificar no aluno como ele aprende, o que ele sabe e como ele age, quando inserido em uma aula de LI.
Sem perder de vista o objeto de estudo desta pesquisa, faz-se necessário considerar que o processo de apropriação de artefatos por meio de esquemas de utilização não é uma atividade simples e, portanto, pode levar o sujeito a incorrer em “erros”. Nessa perspectiva, o “erro” deixa de ser um sinal de “incapacidade” e passa a ser um indício dos processos de apropriação, reformulação e transformação de saberes e conceitos que são novos para o aprendiz.
Importa, na esteira de minha exposição, considerar que o diferente não é sinônimo de errado. Que é preciso motivar, fazer sentido. Foi preciso desarmar S e mostrar a ele que ler e escrever em qualquer língua faz parte de um processo. Que a língua é para ser manipulada, hipotetizada, rasurada. As relações entre dificuldades com a linguagem escrita e o ensino e aprendizagem da LI estão, muitas vezes, na forma como a língua é ensinada, nas concepções de língua e de linguagem, na projeção do aluno perfeito, que não erra, que não briga, que não cansa e que, mesmo não vendo sentido algum em frequentar a aula de inglês, nela permanece sem achar ruim, sem consultar nada nem ninguém.
Assim, concluo, a partir do desenho produzido por S, que as relações entre dificuldades com a linguagem escrita e o ensino- aprendizagem da LI, neste estudo de caso, com este sujeito de pesquisa, estão nos olhos de quem vê.
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Juliana Reichert Assunção Tonelli______________________________ Referências
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Atividade de desenho como instrumento mediador no ensino e aprendizagem..._____ Apêndice A – Texto de referência
Hi!
I'm Rodrigo. I'm twelve years old and I'm a student. I live in São Paulo. I have two brothers. I don't live with my father. I live with my mother and with my brothers.
My favorite color is blue and my favorite subject at school is History. I like playing soccer and watching TV.
I have brown eyes and brown hair. I'm not very tall. Bye!
Recebido em: 01/06/2018 Aceito em: 22/06/2018
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Ética relacional, formação e autoria docente na perspectiva da inclusão________ ÉTICA RELACIONAL, FORMAÇÃO E AUTORIA DOCENTE