2.3 Variáveis do desenvolvimento sustentável corporativo
2.3.3 Práticas ambientais das organizações
2.3.3.1 Práticas ambientais do modelo de pesquisa
O primeiro ponto ambiental apontada pelos autores é a redução do consumo de energia por parte da empresa (A1). A respeito deste tema, Silva Filho e Sicsú (2003) apontam que há comprovação de que a Produção Mais Limpa tem, em geral, colaborado para uma diminuição do uso de matéria-prima, água e energia. Corroborando com esta sentença, Layrargues (2000) explana que a economia de recursos naturais e energéticos traz como consequência a diminuição do desperdício e da poluição, tornando-se um passo relevante na busca da sustentabilidade.
A redução de resíduos e emissões das operações (A2) é levantada também por Hart e Milstein (2004) como um motivador da sustentabilidade, no sentido de que esta leva a uma otimização do uso de insumos, podendo se tornar real por meio de maior eficiência ambiental dos produtos e processos. Os autores ainda contemplam o fato de que estas ações podem auxiliar no combate à poluição. Em sincronia com este pensamento, Lorenzett e Rossato
(2010, p.111) ressaltam que “as empresas, perante uma população que clama por sustentabilidade, estão tentando se adequar, principalmente no que diz respeito à questão dos resíduos e efluentes gerados por suas atividades”, sendo que consideram a gestão de resíduos uma ferramenta para o sucesso do desempenho ambiental operacional.
Na questão A3 Chow e Chen (2011) demonstram a preocupação com a flora e a fauna, espécies animais e habitats naturais, sendo que os autores julgam o próprio trabalho como uma forma de visão integral de analisar o ambiente. Citando catástrofes naturais como enchentes e secas, Lorenzett e Rossato (2010) constatam que estes eventos levam a um anseio por sustentabilidade e passam a exigir ações responsáveis das empresas, especialmente das com maior potencial poluidor.
Impactos ambientais dos produtos ou serviços é a quarta questão apontada no modelo – A4. Segundo Lorenzett e Rossato (2010) os consumidores, cada vez mais conscientizados, têm exigido das empresas uma postura ambientalmente responsável. Desenvolvimento ambiental, segundo Chow e Chen (2011) contempla esforços da empresa na geração de produtos finais pouco prejudiciais ao meio ambiente.
Conceituando parceria como um contrato entre instituições a fim de que se alcance objetivos comuns de forma mais rápida e fácil, Carneiro, Magyar e Granja (1993) introduzem o termo às questões ambientais, acreditando que a co-responsabilidade dos setores público e privado pode auxiliar no atendimento à demanda “verde”. Da mesma forma, Chow e Chen (2011) na A5 consideram que a redução de impactos ambientais pode ser alcançada por meio de parcerias.
A possibilidade de reduzir riscos de acidentes ambientais, derramamentos e libertação é abordada no sexto item (A6). Contextualizando que as empresas passaram a ter uma atitude mais voltada ao meio ambiente no início dos anos 1990, Layrargues (2000) explana que elas passam a ser mais proativas, mantendo ações preventivas e assim evitando acidentes e riscos ambientais.
A respeito da redução de compras de materiais, químicos e componentes não renováveis Chow e Chen (2011) criaram a sétima questão ambiental (A7). O consumo de matérias-primas é uma das consequências da crescente industrialização que motiva a sustentabilidade global para Hart e Milstein (2004), que consideram a eficiência dos recursos essenciais para o desenvolvimento sustentável, uma vez que colaboram na prevenção da poluição e confiam em novas tecnologias para reduzir o impacto no planeta.
Sobre a substituição de combustíveis tradicionais por menos poluentes (A8), Silva e Menezes (2007) ressaltam que o desenvolvimento sustentável visa o consumo racional: “este
tipo de lógica busca a utilização de fontes alternativas de energia como o álcool, a energia solar, a energia eólica, o hidrogênio, a biomassa, entre outras. Enfim, busca novas fontes para substituírem os combustíveis fósseis tão degradantes do meio ambiente” (p.38). Os autores advogam que a poluição do ar proveniente de fontes como grandes indústrias que liberam gases poluentes colabora com o efeito estufa, responsável por catástrofes ambientais.
Assumir ações voluntárias para restaurações ambientais, ou seja, aquelas que não são exigidas por lei é uma posição avaliada na A9 do modelo. Não mais voltadas somente para as legislações ambientais, as empresas agregam a variável ambiental vislumbrando oportunidades de negócios, tendo uma atitude reativa, visando vantagem competitiva (LAYRARGUES, 2000). O fato das exigências dos consumidores cada vez mais voltadas à responsabilidade social das empresas também colabora para adoção da gestão ambiental (LORENZETT e ROSSATO, 2010).
Para completar as questões ambientais (A10) Chow e Chen (2011) postulam que assumir ações para auditoria ambiental, divulgação pública, treinamento de pessoal e imunidade está relacionado ao Desenvolvimento Sustentável Corporativo. Desta maneira, Borges e Tachibana (2005) colocam que a busca pela conservação exige uma nova postura das empresas e gerentes. Evidenciada por Ben (2005), a auditoria é de suma importância para as empresas que incorporam ações ambientais:
(...) a auditoria é de fundamental importância para a segurança dos agentes sociais, em relação às atividades desenvolvidas pelas organizações, inclusive para os gestores e controladores dessas entidades. A auditoria se preocupa com a verificação de elementos contábeis e sociais e a determinação e exatidão das demonstrações e dos relatórios contábeis, sociais e ambientais (p.70).
Outra questão trazida pela A10 é a divulgação pública, que, segundo Ben (2005) exige uma integração com a área da contabilidade, uma vez que existe a necessidade de divulgar informações ambientais nas demonstrações contábeis. O treinamento evidenciado por Chow e Chen (2011) também é citado por Ben (2005) como forma de explicitar a responsabilidade social e corporativa das organizações no Balanço Social, sendo que no Activity Based Costing (ABC) pode-se mensurar atividades ambientais como o treinamento de funcionários para a melhoria ambiental e a implantação de um sistema de gestão ambiental. O autor deixa evidente que as empresas necessitam de instrumentos que monitorem o cumprimento e o acompanhamento da legislação.