2.2 Naturologia
2.2.3 Práticas Integrativas e Complementares, Naturologia e Saúde Pública no
No Brasil, as medicinas alternativas ou complementares tiveram sua ascensão a partir das décadas de 70, como práticas que poderiam contribuir para o bem-estar da população. Começaram a ocorrer crescentes discussões, ora criticando, ora valorizando os métodos destas práticas. Contudo, o crescimento das terapias naturais é tão somente a redescoberta destas práticas que estão presentes há muito tempo nas sociedades e grupos em geral (CARVALHO, 2007).
Entre as recentes discussões internacionais os quais se destacam a favor das medicinas alternativas e complementares, têm-se a posição da Organização Mundial da Saúde (OMS) que, em 1962, fala pela primeira vez sobre Medicina Tradicional e Complementar utilizando o termo Medicina Alternativa. “Em 1978, a OMS recomenda aos seus estados-membros o uso integrado destas práticas pelos
Sistemas Nacionais de Saúde, em conjunto com as técnicas da medicina ocidental moderna” (AZEVEDO, 2007a, p. 12).
No Brasil, a discussão sobre terapias naturais, alternativas e complementares cresceu a partir de 1986, com a 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em Brasília. O item 2.3.a do relatório final desta conferência inclui a: “introdução de práticas alternativas de assistência à saúde no âmbito dos serviços de saúde, possibilitando ao usuário o acesso democrático de escolher a terapêutica preferida” (CONFERÊNCIA NACIONALDE SAÚDE, 1986 in BRASIL 2006).
Destaca-se, também, a 10ª. Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1992, que apontou no relatório final o estímulo à pesquisa nas áreas da MCA13 (Medicina Complementar Alternativa) e MT14 (medicinas tradicionais) e a incorporação destas no atendimento público como forma de garantir a universalidade de acesso e a atenção integral, princípios básicos do Sistema Único de Saúde (SUS). (AZEVEDO, 2007a, p.12 - grifo nosso).
O recorte histórico dos resgates das medicinas tradicionais e o aumento da procura das medicinas alternativas e complementares sempre vêm atrelados a um momento histórico particular:
(...) no qual surgem questionamentos sobre o modelo de saúde vigente; a necessidade da humanização das práticas médicas; o fortalecimento da visão inter e transdisciplinar da ciência e os conceitos de eficácia, segurança e reações adversas dos medicamentos. (AZEVEDO, 2007b 3).
Esses questionamentos estavam presentes na população em geral, bem como na Reforma Sanitária. Rodrigues (2008) descreve que ocorre nas ciências humanas e biológicas um movimento no sentido de valorizar parâmetros mais amplos que o tratamento de doenças, controle de sintomas, diminuição da mortalidade ou aumento da expectativa de vida, direcionando-as noções de promoção de saúde e qualidade de vida, noções integradas no Sistema Único de Saúde a qual a Naturologia pode contribuir.
Ressalta-se que a crescente busca por terapias naturais, sejam as tradicionais ou as complementares, passa também pelo modismo e pela ótica do mercado. Assim, além do sistema de saúde brasileiro, os sistemas de ensino, especialmente o público, de terceiro grau e de pós-graduação, deveriam direcionar
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Tratar-se de um conjunto de práticas sanitárias que não fazem parte da tradição do país, ou não estão integradas em seu sistema sanitário prevalecente (AZEVEDO, 2007a, p. 12).
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Para a OMS, trata-se de “práticas, enfoques, conhecimentos ou crenças sanitárias diversas que incorporam fitoterapia, técnicas manuais, técnicas espirituais e exercícios, de forma individual ou em combinação, para manter o bem-estar, além de tratar, diagnosticar e prevenir as enfermidades”
esforços para que se estabeleçam pesquisas na área, especialmente para contribuir no contexto social em que se insere.
O SUS abre, cada vez mais, espaço às práticas terapêuticas naturais, tradicionais e complementares. Nesse sentido, tem-se a Portaria Nº 971, de 3 de maio de 2006, que aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS. Tal portaria assegura o uso da medicina tradicional chinesa/acupuntura, homeopatia, do termalismo social e das plantas medicinais - fitoterapia como práticas a serem realizadas por profissionais da saúde (segundo suas habilidades asseguradas pelos respectivos conselhos) (BRASIL, 2006). Embora haja uma política nacional que assegura a inserção de práticas naturais no âmbito público, são poucos os profissionais da saúde formados com especialização e conhecimento nesta área.
O curso de Naturologia auxilia a preencher esta lacuna existente no âmbito acadêmico brasileiro. A criação desse curso de graduação pretende “(...) contribuir no contexto social em que se insere, as práticas naturais baseadas em conhecimentos que privilegiam a pesquisa, o ensino e a extensão nesta área” (SILVA, 2004, p.13).
A PNPIC é uma das políticas nacionais que pode fortalecer ainda mais a inserção de Naturólogos no SUS. Atualmente existem naturólogos trabalhando na saúde pública e também experiências educacionais, em que estagiários do curso de Naturologia realizam trabalhos remunerados ou voluntários em âmbito público de saúde.
Nesse sentido, destaca-se a prefeitura de São Joaquim, em Santa Catarina, como sendo a primeira no Brasil a contratar, através de concurso público, naturólogos para atuar na saúde pública (ESTADO DE SANTA CATARINA, 2007). A prefeitura da cidade de Santos, no estado de São Paulo, aprovou um projeto de inclusão das terapias naturais no sistema de saúde municipal a ser exercida por profissionais com especialidades na área, em especial o Naturólogo. Destaca-se ainda, o Departamento Municipal de Saúde de Registro, em São Paulo, o qual abriu inscrições, em maio de 2007, para o processo seletivo afim de preencher a vaga de Naturólogo para o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE SAÚDE DE REGISTRO, 2008). Em 2008, a prefeitura de Tijucas (SC) contratou uma naturóloga para atuar na atenção básica.
Além da contratação de profissionais, algumas prefeituras, como as de Palhoça (SC), Santo Amaro da Imperatriz (SC) e Biguaçu (SC), contrataram acadêmicos do curso de Naturologia para atendimento dos trabalhadores no serviço municipal de saúde. No município de Palhoça - SC, alguns voluntários do Programa Linha Verde, ligado ao Curso de Naturologia da UNISUL, atendem em algumas Unidades Básicas de Saúde do município, os profissionais trabalhadores do SUS, além de atenderem à população em outras instituições públicas, como no Centro de Apoio Psicossocial (CAPS) (UNISUL, 2008c).
Existem atualmente, no estado de Santa Catarina, dois Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) que contam com serviços de Naturologia: Palhoça e Caçador. Em Palhoça o trabalho realizado nesta instituição consiste no atendimento semanal dos usuários do CAPS através das Praticas Naturais realizadas por estagiários e acadêmicos de Naturologia Aplicada. Os usuários são encaminhados pelos profissionais do CAPS para os atendimentos semanais, totalizando cerca de 10 sessões. Em Caçador, os usuários do CAPS são acompanhados por uma Naturóloga contratada pelo município (FARIAS; at all, 2008).
3 PERCURSO METODOLÓGICO
Em qualquer lugar que se queira chegar, faz-se necessário escolher um caminho e percorrê-lo. Pode-se ir a pé ou através de outros meios de locomoção. Pode-se ir só ou acompanhado. Vai-se às escuras, sem certeza de chegar, ou se vai com um mapa para facilitar a chegada.
Apresenta-se a seguir o caminho percorrido para alcançar os objetivos deste estudo, lugar onde se almejava chegar. Inicia-se com o tipo de estudo, meio de locomoção utilizado, segue-se com o cenário e os sujeitos da pesquisa, as terras caminhadas e as pessoas que forneceram informações. Na sequência, mostra-se o mapa do percurso: coleta de dados, amostragem e a análise dos mesmos e, por fim, as limitações do método, as quais apresentam, além dos pedágios, os caminhos desviados.