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Práticas relacionadas à dimensão “Obras e reformas”

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4.3 Aplicação das práticas sustentáveis relacionadas ao PLS e à A3P

4.3.4 Práticas relacionadas à dimensão “Obras e reformas”

As medidas recomendadas para a dimensão “obras e reformas” do Roteiro prático de ações sustentáveis relacionam-se diretamente ao eixo “Construções sustentáveis”, da A3P, as quais objetivam a economia da manutenção e operacionalização da edificação, a redução do consumo de energia e água, o conforto e a acessibilidade dos usuários, e a utilização de tecnologias e materiais menos agressivos na obra pública, com o intuito de reduzir seu impacto socioambiental.

Nesse aspecto, a partir da mesma Escala Likert, já descrita nas subseções anteriores, serão analisadas as questões que buscaram detectar a percepção dos servidores a respeito da

98 frequência que adotam certos critérios de sustentabilidade nas edificações dos Centros Acadêmicos que gerenciam. O Quadro 16 apresenta as medidas de tendência e dispersão das respostas obtidas:

Quadro 16 – Medidas de tendência e dispersão dos critérios de sustentabilidade adotados na UFPE campus Recife, referentes à dimensão “Obras e reformas”

Critérios sustentáveis das edificações

Medidas de tendência e dispersão Média Moda Desvio

padrão

Preferem pinturas com tinta à base de água e em cores claras para melhor

aproveitamento e reflexão da luz natural. 2,78 3 1,48 Observam, nos projetos, a eficiência energética de nível “A”, respeitando os

Requisitos Técnicos da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos-RTQ-C, aprovado pela Portaria Inmetro nº 372 de 17/09/2010.

2,00 2 1,00

Nas áreas internas, optam por divisórias ao invés de paredes, para dotar maior

flexibilidade à edificação no que se refere a mudanças de uso do imóvel. 3,67 4 1,22 Nos projetos ou em reformas, adaptam a rede hidráulica para aproveitar a água

da chuva e utilizar na água servida (cinza) nos sanitários. 1,33 1 0,50 Fazem com que os sistemas de iluminação priorizem a luz natural e respeitem

as práticas de economia de energia. 2,89 3 0,78 Fonte: Dados da pesquisa.

Em referência à eficiência energética das instalações, Brasil (2017a) explica que as construções que priorizam a iluminação natural favorecem a redução do consumo de energia devido à diminuição do uso de lâmpadas. Contudo, no questionário, os servidores alegaram que as ações de suas Gerências nos prédios dos seus Centros Acadêmicos “privilegiam a utilização da iluminação natural, seja com pinturas de cores claras ou com os sistemas de iluminação adequados”, com uma regularidade baixa.

As médias apresentadas por essas ações foram menores que 03 (2,78 e 2,89, respectivamente), demonstrando que são observadas “raramente” ou “às vezes”. Algumas das explicações possíveis para isso são: o fato de alguns poucos ambientes, dentro dos prédios, não possuírem janelas; e a baixa reflexibilidade das paredes com tintas escuras, típicas de pinturas antigas.

Ainda com base nos resultados dispostos no quadro acima, na perspectiva dos servidores, a ação adotada com a segunda menor frequência pelas gerências, refere-se a “observar, nos projetos, a eficiência energética de nível ‘A’, respeitando os Requisitos Técnicos da Qualidade

99 para o Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos-RTQ- C”. Essa prática apresentou a média (2,00), significando que é realizada “raramente”.

Por outro lado, observa-se que o critério sustentável com maior média (3,67) foi o que trata da “utilização de divisórias, nas áreas internas dos prédios, ao invés de paredes”. Ou seja, de acordo com a percepção dos respondentes, dentre os itens listados, no Quadro 16, esse critério é o mais adotado nas edificações do campus, sendo utilizado “às vezes” ou “frequentemente”.

Uma das explicações para essa média não ter sido maior, provavelmente, é o fato de que existem alguns prédios que não fazem uso desse mecanismo. Para Volgelmann Júnior (2014), a prática de se utilizar divisórias, em substituição a paredes de alvenaria, permite maior flexibilidade em relação a mudanças de uso dos imóveis.

Notou-se, no Quadro 16, que a média para prática sustentável relacionada à “adaptação dos projetos e reformas para que a rede hidráulica aproveite a água da chuva e utilize-a na água servida (cinza) nos sanitários ” foi de 1,33, ratificando que, na percepção dos servidores, este tópico é adotado com uma regularidade baixíssima nas edificações.

Através da sua moda, é possível observar também, que a alternativa “nunca” foi a resposta mais frequentemente assinalada pelos respondentes. Ademais, o desvio padrão desse item foi baixo, demonstrando uma relativa proximidade das respostas em relação à média apresentada. No que concerne à gestão da água nas construções, verificou-se, através dos comentários, que a única prática de reuso de água, realizada na UFPE Campus Recife, foi feita em um prédio novo do curso de Medicina, no Centro de Ciência da Saúde/CCS. Todavia, corresponde a adaptações realizadas de forma isolada, como sendo um teste de gestão e custos com um edifício moderno e sustentável. Os demais prédios não possuem sistemas de reuso de águas cinzas e de captação de água da chuva. Entretanto, foi identificado que está em estudo a implantação desses critérios para outros novos prédios.

As práticas de reuso de água da chuva e de águas cinzas (provenientes de chuveiros, pias, ar condicionado) correspondem à reutilização delas em jardins, sanitários, lavagens de piso, entre outros, diminuindo os custos e os impactos ambientais provocados pelo descarte. Logo, é necessária a inserção desses sistemas nos projetos prediais da instituição, a fim de se aproveitar melhor os recursos disponíveis, reduzindo a poluição gerada por suas atividades e servindo de exemplo prático para os indivíduos que dela fazem parte.

100 Em resumo, a partir do contexto apresentado, percebe-se que as Gerências de Infraestrutura dos Centros Acadêmicos do campus Recife da UFPE vêm adotando algumas práticas direcionadas a tornar suas obras e reformas mais sustentáveis. Contudo, constata-se que são ações isoladas de cada centro e muitas vezes não partem diretamente da gestão do campus como um todo.

Algumas práticas ainda não foram implementadas nessas gerências, como, por exemplo: a inserção nos projetos prediais de sistemas de reuso de água e captação de águas pluviais. Mesmo se entendendo que ações desse tipo, muitas vezes, exigem uma elevada fatia do orçamento da universidade, faz-se necessário priorizar as metas institucionais sustentáveis, pois, a longo prazo, a implantação da sustentabilidade nas obras públicas, traz benefícios sociais, ambientais e, principalmente, econômicos.

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