3.3 Prédios do Instituto Nossa Senhora do Calvário
Na figura número17, temos alunas e alunos de frente do INSC, observados pelas irmãs enquanto são fotografados. Todos estão uniformizados, calçados o que demonstra o cuidado de freiras e padres com a aparência de alunas e alunos ali matriculados. Ajuizamos que essa é uma imagem dos alunos e alunas nos primeiros anos de fundação da instituição, pois o prédio tinha apenas o primeiro piso, contudo, não foi possível identificarmos o ano com precisão.
A imagem apresenta um agrupamento de meninos e meninas, juntamente com o chefe instrutor de marcha Cláudio, conforme apresentado na legenda da fotografia que encontramos descrita no acervo pessoal das Freiras Calvarianas de Guajará-Mirim. Essa foto para nós representa possibilidades de pesquisas futuras, pois embora não tenhamos encontrado outra documentação que mencionasse a escola para meninos, além da formação oferecida às mulheres, percebemos que o INSC também parece ter formado meninos.
Figura 17: Prédio do Instituto Nossa Senhora do Calvário com o piso térreo
Fonte: Acervo Pessoal das Irmãs Calvarianas de Guajará-Mirim, RO.
Na figura número 18, visualizamos o projeto de ampliação do Instituto Nossa Senhora do Calvário, único documento que encontramos no arquivo geral de Guajará-Mirim, deteriorado pelo tempo. O desenho foi feito manualmente com caneta preta, datado de 19 de dezembro de 1950, elaborado pelo Padre Máximo Biennés, pelo mestre de obra Almir Madeira, carimbado e assinado pela Prefeitura Municipal de Guajará-Mirim.
Nesse projeto está exposto as subdivisões do INSC, a localização do terreno, entrada, administração, salas de aulas, varanda, telhado, privadas, as instalações necessárias para o funcionamento da instituição escolar. Percebemos que nesse projeto a instituição escolar tinha apenas um andar pela estrutura apresentada e a entrada da instituição era na atual Avenida 15 de novembro na cidade de Guajará-Mirim.
Provavelmente essa deve ter sido a planta que deu origem à construção da instituição escolar no ano de 1933. A entrada do INSC indica que a porta era direcionada para a Avenida 15 de novembro.
Figura 18: Planta do projeto de ampliação do Instituto Nossa Senhora do Calvário em Guajará-Mirim.
Fonte: Arquivo Geral Municipal de Guajará-Mirim, Rondônia.
Intuímos que essa planta foi a que deu origem à construção do INSC, pois visualizamos um desenho menor ao lado direito da figura 18, indicando o seguinte: Antigo Colégio, projeto adiado e construção nova. Conjecturamos que instituição escolar passou por esses processos até a ampliação do prédio novo e, após 1950 ocorreu a ampliação do prédio para dois andares de alvenaria, como descrito no Histórico do Instituto NSC, de Guajará-Mirim: “Em 11 de abril de 1950 foi inaugurado o novo prédio que contou com a matrícula de 408 alunos”. (GUAJARÁ-MIRIM, s/d. p.1).
Na figura número 19, é possível identificar a localização da instituição com a porta de entrada direcionada para a Avenida Presidente Dutra.
Figura 19: Localização do Prédio do INSC em Guajará-Mirim
Fonte: Google Maps. Adaptado pela pesquisadora.
Visualizamos na figura 19 que uma área extensa foi destinava ao INSC e à Igreja Perpétuo Socorro e outra área quase ao lado para a Prelazia de Guajará-Mirim, lugares bem próximos naquela região. A esse respeito Xavier Rey, relatou em uma carta ao Superior Geral dos franciscanos sobre seus planos de aquisição de imóveis na cidade de Guajará-Mirim.
A empresa "Rubber-Guaporé" liquida seus bens. Temos uma oportunidade que não irá ocorrer novamente para adquirir, a preços muito bons, dois pontos principais, um de cada lado da igreja, já prospectados pelos protestantes. Nestes terrenos, em parte cultivadas e plantadas com árvores frutíferas, são três casas, uma com um andar, outra, menor, porém melhor concebidos e mais sólidos, todos equipados no interior com instalações elétricas e mangueiras hidráulicas, privilégio raro nesta cidade e reservados para casas pertencentes à empresa. (XAVIER REY, Diário. [entre 1935 e 1938], p. 2).
A figura número 20 ilustra a parte lateral esquerda do prédio do Instituto Nossa Senhora do Calvário. Essa imagem mostra que a instituição já apresentava um piso térreo e mais um andar. Portanto, podemos inferir que a instituição foi fotografada depois dos anos de 1950, pois conforme a planta o projeto de ampliação da instituição ocorreu na data de 19 de dezembro de 1950.
Figura 20: Prédio do Instituto Nossa Senhora do Calvário com a parte do Térreo e primeiro andar
Fonte: Acervo Pessoal das Irmãs Calvarianas de Guajará-Mirim, Rondônia.
Na figura se vê uma estrada estreita na qual o homem da figura caminha, na verdade um dos caminhos de Guajará-Mirim, no período dos anos 1950. Guajará-Mirim ainda tinha um aspecto rural significativo. A instituição, contudo, era uma bela construção de alvenaria, o que poderia ser comparado a um “palácio de instrução” um edifício com dois andares, uma estrutura moderna, incomum para época. Provavelmente, um prédio admirado pelos moradores da região do Vale do Guaporé. Xavier Rey, na carta escrita ao Superior Geral, em 13 de fevereiro de 1932, descreveu como a construção era diferenciada de todas na região.
Para Luciano Mendes Faria filho, referindo-se aos grupos escolares, a escola da República deveria ter uma identidade para os profissionais que se ocupavam da instrução primária: um local adequado à educação escolar, um “palácio” para a instrução. (FARIA FILHO, 2000).
Na figura número 21, visualizamos o prédio do Instituto Nossa Senhora do Calvário na cidade de Guajará-Mirim, o prédio com o térreo e o primeiro andar. Ao lado esquerdo da era o local no qual ocorreriam as aulas. Era também o alojamento, a moradia das moças que vinham de outras localidades para estudar. O prédio ao lado direito da figura era o local no qual as religiosas Calvarianas realizavam as atividades pastorais com a comunidade e com as famílias carentes da região.
O prédio existe ainda hoje e está localizado na Avenida Presidente Dutra n° 571, Bairro Centro e funciona como Mosteiro Nossa Senhora do Seringueiro, abrigando as monjas Beneditinas40 que vieram do Mosteiro da Virgem da cidade de Petrópolis do estado do Rio de Janeiro.
Figura 21: Instituto Nossa Senhora do Calvário em Guajará-Mirim, Rondônia.
Fonte: Biblioteca IBGE/Distrito Federal.
O prédio do INSC permaneceu com a mesma estrutura desde sua construção até os dias atuais. Ao longo dos anos o edifício recebeu apenas obras de manutenção e reparos.
Lembramos que o INSC foi construído bem próximo ao Rio Mamoré, o que denota que foi uma instituição estrategicamente planejada para que os fiéis pudessem conhecê-la, admirá-la e ter fácil acesso a ela por meio de embarcações, o principal meio de transporte da época. Isso possibilitaria aos fiéis que as moças, filhas de famílias tradicionais ribeirinhas e rurais ao longo do Rio Mamoré e Rio Guaporé, pudessem ali estudar.
O Rio Mamoré, excetuando-se a viagem realizada com animais como o cavalo e mulas, por um longo período era o único meio de deslocamento acessível à população da cidade de Guajará-Mirim. Por isso, as cidades se instalaram às suas margens. O INSC estava,
40 As monjas Beneditinas são freiras que seguem o estilo de vida de São Bento, em oração, estudo e trabalho.
Essas freiras vivem enclausuradas em um mosteiro e se dedicam exclusivamente à vida religiosa.
portanto, localizado na região central da localidade, como era comum às escolas católicas criadas nesse período em outras cidades brasileiras.
Na mesma quadra na qual estava localizado o INSC, a Igreja Perpétuo Socorro, localizada na Avenida 15 de novembro, entre a Avenida Costa Marques e Avenida Presidente Dutra, Centro de Guajará-Mirim ali permanece. Próximo à Igreja Perpétuo Socorro, persevera em suas atividades, a Diocese de Guajará-Mirim, a ancestral Prelazia de Guajará-Mirim.
3.4 Normas e Funcionamento de Ensino do Instituto Nossa Senhora do Calvário
Nos anos em estudo, a nação brasileira republicana buscava popularizar o ensino, formando professoras e criando instituições escolares, o que contribuía para que cada vez mais mulheres ingressassem nas escolas em busca de uma profissão “aceitável” na sociedade:
a de professora. Educada, a mulher teria condições de bem administrar o lar e melhor educar suas filhas e filhos. Especialmente para a mulher, a educação representaria uma distinção social e a ela poderia assumir um papel na sociedade e nos espaços públicos, sendo valorizada pelo seu saber e pela capacidade de educar uma nova geração, como abordado por Guacira Lopes Louro.
As sociedades urbanas, no entanto, ainda apostam muito na escola, criando mecanismos legais e morais para obrigar que todos enviem seus filhos e filhas à instituição e que esses ali permaneçam alguns anos. Essas imposições, mesmo quando irrealizadas, têm consequências. Afinal, passar ou não pela escola, muito ou pouco tempo, é uma das distinções sociais. Os corpos dos indivíduos devem, pois, apresentar marcas visíveis desse processo; marcas que, ao serem valorizadas por essas sociedades, tornam-se referência para todos (LOURO, 2000, p. 13).
O INSC, aliado aos governos republicanos e buscando consolidar um espaço de atuação na localidade de Guajará-Mirim, também percebeu que a mulher poderia ser importante aliada na disseminação de suas crenças. Entre os cursos ofertados, o INSC oferecia o Curso Primário, Curso de Economia Doméstica, Aula de Piano, Aula de Francês.
Para Ferreira (2014), em sua obra na qual analisa programas de um Curso de Economia Doméstica, os conhecimentos relacionados à Economia Doméstica relacionavam-se com a vida pessoal da mulher e da família e atribuía à mulher considerável soma de responsabilidades, visando ao bem-estar familiar e ao progresso social. As mulheres eram formadas de modo que pudessem difundir conhecimentos que elevassem o padrão social e
cultural da comunidade na qual estavam inseridas e “consequentemente, por extensão, promover uma estrutura harmoniosa e estável na sociedade brasileira”. Esses cursos atribuíam
“à mulher considerável soma de responsabilidades a serem realizadas e difundidas visando ao bem estar das famílias, ao progresso social. [...]”. (FERREIRA, 2014, p. 245).
Não foi possível estabelecer com precisão quais eram os cursos oferecidos e qual a duração de cada um deles. Mas identificamos que no INSC eram oferecidos o curso primário com duração de 04 anos, o curso complementar com duração de 01 ano que oferecia a certificação de regentes de ensino elementar. Os Cursos de Economia Doméstica e outros provavelmente poderiam ser considerados como o que hoje denominamos cursos de extensão ministrados com duração entre três meses e um ano como era comum aos cursos de treinamento na época.
Todos os cursos eram objeto de avaliações anuais ao final de cada ano letivo. Uma aluna escreveu aos pais no ano de 1945: “paizinhos essa cartinha é também para avisar-lhes que as férias estão próximas, as aulas são encerradas em 19 de novembro, peço aos paizinhos mandarem me buscar na primeira lancha que houver [...] rezem muito por mim para que eu faça bom exame sim?”. (A.L.R. 1945).
Figura 22: Certificado do Curso Primário Complementar do INSC.
Fonte: Acervo pessoal de A. L. R.
Na figura 22, visualizamos o certificado do Curso Primário Complementar de uma aluna do INSC. O documento com a chancela do governo do Território Federal de Rondônia, certifica que A.L.R terminou o curso primário complementar no dia 15 de novembro de 1945 e é assinado pela diretora do Instituto Nossa Senhora do Calvário.
O Decreto-Lei nº 8.529 de 2 de janeiro de 1946, a Lei Orgânica do Ensino Primário no capítulo II, estabeleceu as categorias do Ensino Primário e outras modalidades de ensino.
Podemos identificar que o Curso Complementar ofertado no INSC provavelmente estava organizado consoante o Artigo 5º do Decreto-Lei que estabelecia que o ensino primário fundamental seria ministrado em dois cursos sucessivos: o elementar e o complementar.
(BRASIL, 1946). agrícola e de formação de regentes de ensino elementar.
3. O curso supletivo com os cursos de aprendizagem agrícola e industrial e com os de artesanato, em geral. (BRASIL, 1946).
Nessa linha de raciocínio, podemos ponderar que o curso do qual Astrogilda Leite Ribeiro recebeu o certificado era primário complementar e oferecia a formação de regente de ensino elementar, como preconizado pelo Decreto-Lei nº 8.529 de 2 de janeiro de 1946.
Observamos que no artigo 5° referiu sobre a articulação do Ensino Primário com outras modalidades de ensino. No certificado de uma ex-aluna do INSC notamos que ela concluiu o curso complementar. Ponderamos que os cursos ministrados no INSC se fundamentavam no Decreto-Lei nº 8.529 para estabelecer seus planos de ensino.
Analisamos ainda, no artigo 5º, que uma das competências do Curso Primário Complementar era para formação de regentes de ensino elementar. Assim, destacamos que as moças formadas no INSC, no Curso Primário Complementar, após o término do curso foram ser as mestras do ensino na região do Vale do Guaporé. Nessa linha de raciocínio parece-nos que Xavier Rey e as calvarianas estavam pautados na Lei Orgânica do ensino primário para o funcionamento dos cursos no INSC.
O mesmo Decreto-Lei n° 8.529, de 2 de janeiro de 1946 instituía, no artigo 7, como o ensino elementar, um dos cursos ministrados no INSC, deveria ser organizado.
Art. 7º O curso primário elementar, com quatro anos de estudos, compreenderá:
I. Leitura e linguagem oral e escrita. II. Iniciação matemática.
III. Geografia e história do Brasil. IV. Conhecimentos gerais aplicados à vida social, à educação para a saúde e ao trabalho. V. Desenho e trabalhos manuais. VI. Canto orfeônico. VII. Educação física. (BRASIL, 1946).
No artigo 8 º do Decreto-Lei 8.529 identificamos os grupos de disciplinas que foram ofertadas nas instituições educativas que ofereciam o Curso Complementar, conforme evidenciado no certificado da ex-aluna A.L.R. Logo, ponderamos que provavelmente o INSC ofertou essas disciplinas às alunas ali formadas.
Art. 8º O curso primário complementar, de um ano, terá os seguintes grupos de disciplinas e atividades educativas: I. Leitura e linguagem oral e escrita.
II, Aritmética e geografia, III. Geografia e história do Brasil, e noções de geografia geral e história da América; IV. Ciências naturais e higiene. V.
Conhecimentos das atividades econômicas da região. VI. Desenho. VII.
Trabalhos manuais e práticas educativas referentes às atividades econômicas da região. VIII. Canto orfeônico. IX. Educação física. Parágrafo único. Os alunos do sexo feminino, aprenderão, ainda, noções de economia doméstica e de puericultura. (BRASIL, 1946).
No Vale do Guaporé, no INSC, após conclusão do Curso Primário Complementar, as moças já estavam aptas a trabalhar como professoras regentes de ensino elementar como preconizava o Decreto em seu artigo 5º. Desse modo, Xavier Rey empenhou-se em criar escolas para que as moças pudessem ensinar a população, ao mesmo tempo em que fortaleciam a fé católica nas localidades como haviam sido ensinadas. O Decreto também as tornava devidamente aptas a exercer o cargo de professoras e, portanto, amparadas pela lei no exercício da docência.
A figura abaixo apresenta um certificado de promoção da aluna A.L.R. atestado pela diretora do INSC, Irmã Maria Agostinho Corrêa rubricado pelo diretor da divisão de educação do Território Federal do Guaporé. No documento consta a data de 19 de novembro de 1945, contendo a aprovação da aluna A.L.R. nos exames finais do 4º ano do curso primário do INSC e a declarando apta a entrar no 5 º ano, ou seja, no curso primário complementar.
Figura 23: Certificado de Promoção do Instituto Nossa Senhora do Calvário
Fonte: Acervo pessoal de A.L.R
O Decreto-Lei nº 8.530 de 2 de janeiro de 1946, no artigo 4º, determinou que poderiam formar professores apenas os estabelecimentos de ensino normal e definiu três tipos de instituições: o curso normal regional, a escola normal e o instituto de educação.
Art. 4º Haverá três tipos de estabelecimentos de ensino normal: o curso normal regional, a escola normal e o instituto de educação.
§ 1º Curso normal regional será o estabelecimento destinado a ministrar tão somente o primeiro ciclo de ensino normal.
§ 2º Escola normal será o estabelecimento destinado a dar o curso de segundo ciclo desse ensino, e ciclo ginasial do ensino secundário.
§ 3º Instituto de educação será o estabelecimento que, além dos cursos próprios da escola normal, ministre ensino de especialização do magistério e de habilitação para administradores escolares do grau primário.
§ 4º Os estabelecimentos de ensino normal não poderão adotar outra denominação senão as indicadas no artigo anterior, na conformidade dos cursos que ministrarem. Parágrafo único. É vedado a outros
estabelecimentos de ensino o uso de tais denominações, bem como o de nomes que incluam as expressões normal, pedagógico e de educação.
(BRASIL, 1946).
Parece-nos que a instituição foi denominada como Instituto Nossa Senhora do Calvário, o INSC, pois intentava oferecer o curso normal. O mesmo Decreto-Lei n°8.530, no artigo 47, mencionou que os estabelecimentos de ensino normal deveriam ter anexa uma escola primária para as práticas de ensino realizadas durante o Curso Normal. “§ 3º Cada instituto de educação manterá um grupo escolar e um jardim de infância” (BRASIL, 1946).
Identificamos que o INSC tinha um Jardim de Infância São José que funcionou durante alguns meses em uma das salas do INSC até a construção do prédio próprio para as atividades educativas.
Em 19 de março de 1946 foi fundado o Jardim da Infância “São José”, tendo como diretora Ir. Maria Celeste, ela trabalhou em Guajará-Mirim durante 25 anos numa inteira doação assim como outras que por lá passaram. A matrícula inicial foi de 24 alunos. Nos primeiros tempos o Jardim funcionou ao lado de uma das classes, separado apenas por um paravento. (GUAJARÁ-MIRIM s/d, p. 1).
Parece nos assim, que o INSC oferecia um curso normal rural, com a finalidade de preparar as moças da região do Vale do Guaporé para ensinar nos povoados mais afastados no Vale do Guaporé. O projeto idealizado por Xavier Rey desencadearia, dessa forma, uma verdadeira onda de civilidade e cristianismo naquelas terras distantes, no Território Federal do Guaporé.
Na figura número 24, visualizamos o Certificado de Habilitação emitida pelo estado de Mato Grosso, contendo a aprovação nos exames para exercer o magistério na data de 30 de abril de 1952, realizado por A.L.R.41.
Na figura abaixo foi possível analisar que o curto período entre o término do Curso Primário no INSC no ano de 1945 não seria suficiente para que Astrogilda Leite França, conseguir uma formação específica para lecionar. Logo o ensino que recebeu no INSC, possibilitou assumir o cargo de professora do estado de Mato Grosso, conforme o Certificado de Habilitação. 1952 a ex-aluna do INSC estava casada o que justifica o acréscimo do sobrenome França em sua assinatura.
Figura 24: Certificado de Habilitação
Fonte: Acervo pessoal de Astrogilda Leite França
No projeto educativo das escolas calvarianas constatamos que os princípios educacionais das instituições escolares seguiam a doutrina do fundador da Congregação, o Pe.
Pierre Bonhomme. Logo, a evangelização fazia presente no projeto educacional das escolas calvarianas.
As Escolas Calvarianas têm seu Projeto Educativo fundamentado na Pedagogia de Jesus Cristo, nos princípios deixados por nosso fundador Pe.
Pierre Bonhomme, [...] Diante do processo de mudanças sociais, políticas e econômicas do mundo atual e face às Novas Diretrizes de Evangelização, a Equipe de Educação da Província Brasileira reelaborou seu projeto de Educação, buscando assegurar a identidade de nossas escolas Calvarianas que se traduz na formação integral e integrada da pessoa humana, visando o desenvolvimento dos valores éticos e cristãos. Nosso Projeto Educativo solidifica a certeza de que estamos “firmes em nossas raízes de educar”, orientadas pelo nosso Carisma de “Maternidade Universal” e pela bondade e firmeza, princípios de nosso fundador, o Educador Pe. Pierre Bonhomme.(
PROJETO EDUCATIVO DAS IRMÃS DE NOSSA SENHORA DO CALVÁRIO, s/d, p. 2-3).
Conjecturamos que as professoras calvarianas conduziam a educação estabelecendo um laço maternal conforme a sociedade esperava na época e consoante a ideia de liga-las à Virgem Maria. Assim, o cuidado e os valores transmitidos na instrução das meninas foi uma forma de educar para ser mãe, professoras e seguidoras da religião católica.
Nessa lógica, para Almeida (1998), a profissão de professoras era aceita pela sociedade, logo identificadas com o papel de mãe. Desse modo, as mulheres assumiram a profissão que foi permitida a elas, aceita pela sociedade e com a proteção divina.
Aceitação dos atributos de vocação e missão sagrada tinha sua justificativa e essa imagética revestia-se de concretude na vida dessas mulheres, pois a Gramat, na França, descreveu que o governo reconheceu oficialmente as instituições escolares
Aceitação dos atributos de vocação e missão sagrada tinha sua justificativa e essa imagética revestia-se de concretude na vida dessas mulheres, pois a Gramat, na França, descreveu que o governo reconheceu oficialmente as instituições escolares