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Praça do Ferreira sem o abrigo central e a coluna da

Fonte: Arquivo Nirez.

Entre 1968 e 1969, na administração do prefeito José Walter Barbosa Cavalcante, ocorreu mais uma reforma na Praça do Ferreira e, quando concluída, causou grande insatisfação, acarretando o desaparecimento dos freqüentadores tradicionais, passando a atrair um outro público. A Coluna da Hora foi demolida e a Praça configurou-se em um local pouco aprazível (FOTO 17). Conforme reportagem do Jornal O Povo, os

enormes blocos de concreto espalhados no local, foram feitos para impedir uma visão totalizante e evitar aglomerações na praça. A derrubada da Coluna da Hora e a construção da Galeria Antônio Bandeira indignaram os antigos freqüentadores, que reclamavam ainda da falta de bancos, árvores, iluminação, critério visual e aconchego. (O POVO, 1991, p. 2B).

A praça, espaço de polêmicas e de debates, tornou-se “sem alma, toda de cimento, sem arte, sem bancos de madeira, sem iluminação e com esconderijo que só beneficiariam as guerrilhas da época da ditadura militar.” (NIREZ, 1991)40.

Vale ressaltar, que as reformas nos espaços públicos é uma realidade brasileira em razão das mudanças ocorridas, ao longo do tempo, na história das cidades. E, atrelados às formas atuais desses espaços, estão também os fragmentos do passado. Quando se tem uma justaposição de temporalidades, questiona-se qual a importância e necessidade desses equipamentos, hoje, para que se legitimem as intervenções dos poderes municipais nos espaços públicos da cidade?

As cidades brasileiras vêm sendo alvo de várias intervenções, dentre elas, o ‘revigoramento dos centros históricos’ através de ações como: restauração de fachadas, alargamento de passeios, renovação do mobiliário urbano, reformas dos logradouros e edifícios antigos, entre outras. Mas, para além dessas realizações nos aspectos físicos dos equipamentos urbanos, o poder público não pode perder de vista o objetivo maior que é a visão integrada dessas ações. Assim, “deve-se pensar e estimular os trajetos, articular visitas às edificações, promover uma reinserção dessas áreas com as práticas do usuário da cidade.” (SILVA FILHO, 2003). Acredita-se que dessa forma, esses espaços terão ressuscitado o seu significado e a ‘memória pode se constituir elemento de ligação entre vários tempos e experiências sociais’. Quanto a isso, o mesmo autor cita Menezes, quando este diz:

a memória diz respeito, antes ao presente, que ao passado. Exilá-la no passado é deixar de entendê-la como força viva do presente. Sem memória, não há presente humano, nem tampouco futuro. A memória gira, portanto, em torno de um dado básico, o fenômeno humano, a mudança. Se não houver memória, a mudança será sempre fator de alienação e desagregação, pois inexistiria uma plataforma de referência e cada ato seria uma reação mecânica, uma resposta nova e solitária a cada momento, um mergulho do passado esvaziado para o vazio do futuro. (MENESES, 1990 apud SILVA FILHO, 2003, p. 26).

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Ao se reportar à praça do Ferreira deve-se destacar o seu significativo conteúdo social constituindo-se, ao longo dos anos como um “ícone” para Fortaleza. Tradicional local do encontro e da sociabilidade foi um espaço de lazer por excelência, sendo ainda hoje a praça de maior representação no centro. Torna-se perceptível a grande vitalidade que ali se efetiva, através dos eventos culturais, manifestações sociais e a permanência de alguns usos que vêm resistindo em meio às transformações ocorridas naquele espaço público.

De modo que, a praça do Ferreira, com muita freqüência, vem recebendo a visita de professores de instituições públicas e privadas para retratar o valor histórico da mesma, bem como sendo utilizada como local para eventos culturais e campanhas de saúde e é, ainda, o local preferencial para manifestações políticas. No dia 11/03/2006, por exemplo, foram observados em visita a campo na referida praça, a concentração de alunos e professor do Curso de Especialização em Educação da UFC, realizando uma aula prática no centro da cidade. E o colégio de Ensino Fundamental e Médio Sênior, em 15/03/2006, com a presença de quinze alunos e dos professores de história e geografia, falando da importância da praça para a história da cidade.

Dentre as atividades realizadas e contempladas na praça do Ferreira pode- se destacar os shows e eventos políticos, campanhas sociais, a comemoração do aniversário da cidade, as festas juninas, natalinas e pré-carnavalescas, os protestos dos servidores públicos, a concentração nos jogos da copa etc. De modo que, a praça é palco dos principais eventos da cidade, desenvolvendo assim, um grande poder de congregação social. A exemplo disso, no dia primeiro de maio do ano de 2006, quando se comemorava o dia do trabalho, foi realizado, naquela Praça, um grande show do cantor Belchior, patrocinado pela Prefeitura Municipal de Fortaleza.

Um dos acontecimentos de maior destaque para a cidade é a comemoração do seu aniversário. É um momento no qual se mobilizam todos os setores sociais. São realizadas palestras, seminários e outras atividades, envolvendo as instituições públicas (municipais, estaduais e federais) e privadas, procurando abranger e movimentar a sociedade fortalezense. (FOTO 9). De forma que, a culminância do evento é,

tradicionalmente, encerrada com um bolo gigante para a degustação de todos, prática iniciada na gestão do prefeito Juraci Magalhães.

Nesse período, é comum, a Universidade Federal do Ceará, através dos Departamentos de Geografia e História, porem em prática, procurando resgatar a memória da cidade, o projeto de extensão ‘Nas Trilhas da Cidade’, que vem sendo difundido desde 1995. Tal projeto é liderado pelos professores e estudantes da UFC, que realizam atividades com estudantes do ensino fundamental e médio nas escolas da rede pública, procurando mostrar aspectos histórico-culturais da cidade, em aulas de campo nos principais marcos da cidade e, em especial, nas praças do centro.

FOTO 9 - Trilha realizada pelos professores e alunos do SESC (aniversário da

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