3 ANÁLISE DO CAPITAL SOCIAL NA PERSPECTIVA DOS
3.2 Predominância do estado civil e escolaridade
Quanto à predominância do estado civil dos feirantes, as suas respostas ao questionário indicaram que são, predominantemente, casados, com 67,3% das respostas e apenas 7% deles responderam que eram solteiros.
Tabela 4 − Qual é o seu estado civil?
Porcentual Casado/a 67,3 Solteiro/a 7,0 Divorciado/a 10,0 União estável 16,7 Válido Total: 30 100,0
Dados elaborados pelo autor a partir da Pesquisa: Projeto Cooesperança experiência de capital social em Santa Maria - NEDD/UFSM - 2013.
No que tange à escolaridade dos feirantes, constatou-se uma escolaridade que varia entre o ensino fundamental incompleto até o ensino superior completo. Entre estes, 3,3% tiveram acesso apenas ao ensino fundamental, seja de forma completa ou incompleta; já 70,0% conseguiram alcançar o nível médio (completo ou incompleto); e a amostra apontou ainda que 26,7% obtiveram ou estão cursando ensino de graduação ou mesmo de pós- graduação (mas estes últimos em número inexpressivo).
Tabela 5 − Grau de instrução
Porcentagem Básico 3,3 Médio 70,0 Superior 26,7 Válido Total: 30 100,0
Dados elaborados pelo autor a partir da Pesquisa: Projeto Cooesperança experiência de capital social em Santa Maria - NEDD/UFSM - 2013.
3.2.1 Aspectos da situação econômica
Nesse sentido, foi perguntado a cada pesquisado se ele se preocupa em ficar desempregado. Entre os entrevistados, 50,0% responderam que sim, e 43,3% dos pesquisados responderam que não se sentem preocupados em ficar desempregados, pois são aposentados. Aqui se percebe que na Economia Solidária, todos são seus próprios empregadores questão
esta que possibilita inferir que estes agricultores familiares desenvolvem suas atividades laboriais tendo como um dos objetivos a manutenção familiar.
Tabela 6 − Você se preocupa em ficar desempregado/a?
Porcentagem Sim 50,0 Não 43,3 NR 6,7 Válido Total: 30 100,0
Dados elaborados pelo autor a partir da Pesquisa: Projeto Cooesperança experiência de capital social em Santa Maria - NEDD/UFSM - 2013.
Fica saliente a preocupação dos entrevistados em relação à manutenção do emprego, pois se trata de mulheres na maioria provedoras do lar.
Tabela 7 − Qual é a sua renda mensal?
Porcentagem Menos de R$ 600 7,1 600 a 1200 32,1 1200 a 4000 60,7 Válido Total: 30 100,0
Dados elaborados pelo autor a partir da Pesquisa: Projeto Cooesperança experiência de capital social em Santa Maria - NEDD/UFSM - 2013.
Ao conferir as respostas sobre a renda dos feirantes, observou-se que a média se apresentava relativamente dentro do padrão do trabalhador assalariado brasileiro, ficando acima de R$ 1200 para 60,7% dos respondentes. Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2010, a renda salarial mensal brasileira média é de R$ 668,00.
Quanto ao assunto seguinte das entrevistas, observou-se que os feirantes manifestam preocupação com a origem dos produtos, e com sua forma de fabricação, a higiene e manutenção (armazenagem). Visam a qualidade dos produtos pela via da sustentabilidade e essa é uma das peculiaridades do Projeto, a de produzir produtos de qualidade, em sistema sustentável, diferentemente da realidade de oferta das outras feiras ou do comércio em geral. É consenso que todos os feirantes trabalhem com produtos de cunho solidário, demonstrando o comprometimento com a tradição e a filosofia do Projeto Cooesperança, visando, assim, a sua consolidação.
Entretanto, muitos se preocupam também com uma formação contínua, visando, com isso, adquirir real conhecimento do significado de comércio justo e solidário, ou seja, demonstram conhecimento e facilidade em relatar a dinâmica do processo laborial que praticam, não se limitando a apenas responder que o comércio justo é o “preço cobrado”.
Os feirantes enfatizaram que alguns dos motivos pelos quais fizeram a opção de participar do Projeto foi e é fugir da burocracia excessiva, foi e é trocar experiências, ajudar a família, é trabalhar com liberdade integrando-se comercialmente, além de poderem comercializar seus produtos sem intermediários. São comerciantes que, porém, não mantêm uma relação exclusiva com o projeto, ou seja, desenvolvem outras atividades e outras relações comerciais. Talvez esse seja um fator que possa estar associado à questão de a atividade não ser tão lucrativa, mas que compensa pelo fato de ser acréscimo salarial aos recursos de que muitos dispõem como aposentados ou artesões. O assunto relacionado com a Tabela 8 questionou sobre quantas pessoas dependiam da renda do entrevistado, justamente visando verificar qual era a importância da arrecadação financeira obtida nas feiras e a importância dessa renda para a manutenção familiar.
Tabela 8 − Quantas pessoas dependem dessa renda?
Porcentagem
Uma pessoa 10,3
Mais pessoas 89,7
Válido
Total: 30 100,0
Dados elaborados pelo autor a partir da Pesquisa: Projeto Cooesperança experiência de capital social em Santa Maria - NEDD/UFSM - 2013.
Computadas as respostas, verificou-se que 89,7% dos entrevistados disseram que mais pessoas dependiam dessa renda das feiras. Observou-se que, nas famílias de menos renda, há uma predominância no que se refere à cultura de aumento da prole.
3.2.2 Manifestação de interesse por política convencional
Os índices demonstram que os entrevistados têm interesse em se manterem informados sobre os assuntos da política em geral. O percentual é de 58,3%, índice que demonstra que os entrevistados estão informados sobre os assuntos políticos. Conforme Putnam (2000), é importante que o sujeito e a comunidade local se mantenham informados sobre as questões políticas e possam, assim, emitir seu juízo de opinião referente à cultura política local no que tange à efetivação da democracia.
Tabela 9 – Quanto à política, você se interessa e se mantém informado/a?
Porcentagem
Mais ou menos 37,9
Não 3,8
Total: 30 100,0
Dados elaborados pelo autor a partir da Pesquisa: Projeto Cooesperança experiência de capital social em Santa Maria - NEDD/UFSM - 2013.
Ressalta-se a importância da informação sobre os assuntos da política para os feirantes, pois eles são comerciantes de rua, numa situação em que eles dependem de boas práticas cotidianas de manutenção alimentar, modelo de produção e de alguma forma a política local é a reguladora do supracitado mercado. Um fator importante é observar que a política local é portadora do poder de limitação ou expansão das migrações desses feirantes dentro do perímetro urbano.