• Nenhum resultado encontrado

17/02/2005 PREGÃO ELETRÔNICO DO GOVERNO CRESCE 103%

3.2 – Da realização do pregão para obras e serviços de engenharia

17/02/2005 PREGÃO ELETRÔNICO DO GOVERNO CRESCE 103%

O número de pregões eletrônicos do governo federal de 2004 cresceu 103% frente ao ano anterior, revelou um balanço divulgado pela Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI), do

Segundo o órgão, foram 3.024 transações realizadas no ano passado, frente a 1.488 de 2003. Na comparação com 2002, a alta foi de

aproximadamente 300%.

Em termos de valores, foram movimentados R$ 384,5 milhões pelo pregão eletrônico no ano, mais do que o dobro dos R$ 173,5 milhões

contabilizados em 2003.

Em 2004, a redução dos custos com o pregão eletrônico foi de 31,5% nas aquisições de bens e serviços comuns.

Por fim, Justen Filho (2005 p. 10) prevê:

Não é exagero estimar que a difusão do pregão eletrônico produzirá a redução da relevância do pregão comum. À medida que as diferentes unidades administrativas instituam o pregão eletrônico, essa passará a ser a alternativa dominante. Portanto, a utilização do pregão comum é uma etapa passageira. Não será surpresa se, dentro de alguns anos, a figura do pregão comum se configurar como uma raridade.

CONCLUSÃO

A Lei de Licitações e Contratos Administrativos, no mês de junho, completou 17 (dezessete) anos de vigência. Malgrado isso signifique o auge da juventude, o tempo de vida útil da Lei n.º 8.666/1993 parece prestes a se exaurir.

Suplantada de forma inapelável pelas novas ferramentas da tecnologia da informação, a Lei n.º 8.666/1993, antes que seja posta em plano secundário, servindo apenas como subsídio às normas do Pregão, ou abandonada pelo desuso, reclama exéquias respeitosas.

Entretanto, perdurando a inação dos poderes constituídos, que tardam a concluir os trabalhos relacionados ao Projeto de Lei n.º 7.709/2007, o Estatuto das Licitações, a despeito de ter cumprido trajetória digna de louvor, estará assemelhado aos relógios parados, que só estão certos duas vezes por dia.

As contratações implementadas pela Administração Pública equivalem a 16% (dezesseis por cento) do Produto Interno Bruto, razão mais do que suficiente para o aperfeiçoamento da legislação de regência, posto que a Lei n.º 8.666/1993 já não responde com proficiência às novas demandas das compras governamentais.

De outra banda, como se protagonizasse uma história apartada do contexto, o uso massivo das compras eletrônicas, em especial do pregão eletrônico, por vários motivos é uma iniciativa inegavelmente exitosa.

Atento à importância do pregão eletrônico, o Brasil concentrou esforços na sua disseminação e consolidação no âmbito da Administração federal. A modalidade foi instituída em 2000, mas a sua utilização era opcional até 2005, quando foi publicado o Decreto Presidencial n.º 5.450, que tornou o

pregão obrigatório na aquisição de bens e serviços do Governo federal. No mesmo ano também foi publicado o Decreto Presidencial n.º 5.504, tornando obrigatório o uso da modalidade, preferencialmente na forma eletrônica, para os estados, municípios e organizações não-governamentais na utilização de recursos públicos repassados voluntariamente pela União.

Aliás, o Comprasnet foi o primeiro no mundo e é o único no Brasil admitido pelo Banco Mundial (BIRD) e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) como um sistema seguro que pode ser utilizado em contratações realizadas com recursos de ambas as instituições financeiras. Estudo realizado pelo BIRD em 2006 na área de compras públicas eletrônicas, concluiu que o Comprasnet atingiu os patamares máximos de eficiência nos indicadores que avaliaram a transparência na divulgação das licitações, de seus respectivos resultados e na utilização de métodos licitatórios competitivos.

À guisa de exemplo da importância da modalidade, que, segundo os dados da Secretaria Nacional de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o pregão em 2002 foi utilizado em apenas 0,8% do valor contratado, percentual que subiu a 3,6% em 2003, 5,8% em 2004, 20,7% em 2005, e em 2006 obteve uma economia de R$ 1,8 bilhão, cerca de 14% do valor licitado.

O fornecimento ao Governo Federal pelas micro e pequenas empresas por meio do pregão eletrônico também cresceu enormemente: em 2004 essa participação foi de R$ 108,4 milhões, de R$ 464,4 milhões em 2005, e de R$ 822 milhões em 2006.

Com esses resultados, o crescimento acumulado do pregão eletrônico em 2006 em relação ano de 2002 foi de 17.926%. Em número de processos de compras, foram realizados 27.682 pregões eletrônicos – 64,9% das licitações.

O balanço mais recente das compras do Governo Federal mostra que a modalidade cresceu ainda mais em 2007. No período de janeiro a maio daquele exercício, o pregão eletrônico movimentou R$ 3,4 bilhões em aquisições – 67,5% do valor dos bens e serviços licitados, representando um crescimento de mais de 10% em relação ao desempenho do ano anterior. Mais uma vez, o pregão eletrônico trouxe redução de custos para os cofres públicos: foram R$ 477,4 milhões economizados em 2007, cerca de 12% do total.

A intenção do Governo Brasileiro é ampliar o uso das ferramentas eletrônicas também nas licitações públicas estaduais e municipais. Com a pretensão de adequar os procedimentos às novas tecnologias da informação, O Governo encaminhou ao Congresso Nacional propostas de modificação da Lei Geral de Licitações, elaborada em 1993, quando todos os processos eram baseados em papel. Entre tais modificações está a possibilidade de realizar todas as contratações por meios eletrônicos, já que hoje somente o pregão pode ocorrer pela Internet, e a obrigatoriedade do pregão também para estados e municípios. Essas e outras modificações, que visam emprestar maior agilidade, eficiência e visibilidade às contratações públicas aguardam apreciação do Senado Federal e integram o conjunto de iniciativas do Programa de Aceleração Econômica (PAC), lançado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro de 2007.

Com essas mudanças em curso, o volume de compras efetuadas através das modalidades eletrônicas deverá crescer ainda mais no país, ampliando a transparência de um setor que, somente no Governo Federal, movimentou quase R$ 20 bilhões de bens e serviços comuns em 2006, dos quais mais de R$ 11 bilhões foram compras eletrônicas.

Processos em papel, como é cediço, facilitam a advocacia administrativa e a ocorrência de fraudes já que passam por várias pessoas até a finalização dos trâmites e a divulgação dos vencedores, ao passo que,

quando as compras são implementadas por meios eletrônicos, o Governo reúne condições de tratar as bases de dados para detectar regras de negócios não explícitas, localizar cartéis, conluios e eventuais combinações prévias de preço.

Como é fácil perceber, a União, ao considerar a relevância dessas questões na formulação das políticas públicas e a ampla transparência de seus processos, parece caminhar rumo à modernização efetiva.

É de se concluir, pelo fio do exposto, que mesmo claudicante ainda, a assepsia que começa a varrer o país dará cabo do bolor que precocemente tomou de assalto o Estatuto das Licitações, porquanto tudo está a indicar que esse rio, que correu durante tanto tempo oprimido por margens tão estreitas, saberá contornar as pedras do caminho, e em breve tempo encontrará outras águas, mais generosas, e terá paisagens novas pela frente. O tempo de improvisação está agonizando. Não é mais possível desconsiderar a importância da negociação, que passou a ser um diferencial competitivo, tanto para o setor privado quanto para o setor público.

Senhor da razão, o tempo dirá se, uma vez mais, prevaleceram interesses subalternos ou se os ventos de mudança que sopram em favor do interesse público vieram para ficar, logrando oxigenar as contratações promovidas pelo Poder Público.

Documentos relacionados