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Considerando todas as informações coletadas através das revisões bibliográficas, revisões documentais e entrevistas com pessoas atuantes na área de inovação, foram levantadas algumas premissas, necessárias para compor o modelo de Processo de Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis em Biotecnologia Marinha.

a- Existe uma escala de maturidade tecnológica

A pesquisa demonstra que para tornar-se uma inovação, não basta que a descoberta ou o protótipo desta descoberta (invenção)53 seja publicada em papers de revistas internacionais. O caminho, na verdade, apresenta-se bem mais longo, uma vez que a descoberta só é considerada inovação quando é disponibilizada à sociedade.

Fonte: Elaborado pela autora.

b- Existem vários atores envolvidos na geração de inovação em biotecnologia marinha

O modelo de inovação fechada, onde todo o processo de desenvolvimento da ideia, da invenção, protótipo, escalonamento, testes, produção e comercialização ocorre dentro de uma única instituição/empresa, e é efetuado por seus próprios empregados/funcionários, está pouco a pouco desaparecendo. A inovação aberta, na qual vários atores, de diferentes instituições são envolvidos no processo de

53 Segundo a legislação brasileira e de outros países como os europeus, Índia, Japão, China e Austrália

descobertas não são consideradas invenções. Por exemplo, a descoberta de uma nova via metabólica e a descoberta de um processo de fermentação não são passíveis de proteção.

Fonte: Pinheiro; Martins; Ladeirai (2014).

0 1 2 3 4 5 Descoberta Invenção Produto Comercialização Sociedade Ideia

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desenvolvimento de produtos, vem ganhando espaço e disponibilizando cada vez mais produtos à sociedade.

No contexto da biotecnologia marinha, podemos identificar os seguintes atores: • ICTs / Universidades

• Pesquisadores / inventores (alunos e professores) • Agências de Fomento

• Agências de Inovação – NITs • Empresas parceiras

• Startups / Spinoffs acadêmicas • Incubadoras

• Parques Tecnológicos • Fundação de apoio • Escritórios de Patentes • INPI

c- A inovação ocorre em rede

Considerando os diversos atores e a necessidade de interação entre eles, para avançar na escala de maturidade tecnológica, podemos visualizar que a inovação ocorre através de uma rede de relacionamentos entre estes diversos atores, conectando pessoas e instituições com capacidades complementares, capazes de desenvolver todas as atividades necessárias para cada etapa da escala.

A forma mais comum de relacionamentos entre os atores da área é apresentada a seguir (Figura 38).

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Figura 38: Visualização da interação em rede dos atores que atuam em inovação em biotecnologia marinha

Fonte: Elaborado pela autora.

d- Os atores da rede atual não operam de forma integrada

Apesar da existência de um número cada vez maior de pesquisadores (mestres e doutores) no País, das iniciativas jurídicas e orçamentárias brasileiras, e da existência de entidades e atores envolvidos com inovação dentro dos ambientes das universidades e ICTs, é possível perceber que não há uma integração adequada entre os atores.

Neste contexto, identifica-se a necessidade da atuação de uma entidade integradora, que está mais relacionada às atividades a serem desempenhadas, do que à nomenclatura propriamente dita, e não representa, necessariamente, a criação de uma nova unidade nas ICTs, mas sim a estruturação de uma equipe multidisciplinar, capaz de entender as demandas do mercado, definir estratégias, negociar parcerias, planejar e acompanhar todo o trajeto da invenção até a inovação, integrando os atores e monitorando os resultados obtidos.

e- Para efetivar a rede, as instituições precisam de parcerias formalizadas A estrutura jurídica brasileira, mesmo que de forma tardia em relação a outros países, adequou-se às necessidades atuais demandadas pela inovação, e atualmente

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proporciona recursos financeiros, arcabouço jurídico para formalização de co- desenvolvimento de pesquisa, registros de patentes com coautoria, operações comerciais de prestação de serviço e ainda operações de licenciamento e recebimento de royalties, envolvendo atores públicos e privados.

Desta forma, cabe aos envolvidos no processo de desenvolvimento de produtos da área em questão, formalizar os acordos, seja somente entre atores públicos, ou envolvendo atores privados, de forma a garantir os direitos e deveres das partes, ao longo da escala de maturidade tecnológica. Para tanto, poderão contar com o apoio das fundações de apoio ou outra entidade integradora que possa vir a ser responsável pela gestão de tais contratos.

f- A inovação precisa de uma estratégia; de um modelo de negócio

Como comenta Chesbrough (2003), a inovação usualmente necessita de um modelo de negócio que seja tão inovador, quanto o próprio produto que visa oferecer.

Olaizola (2003) também comenta que, no final das contas, o objetivo da biotecnologia marinha é gerar recursos, através da venda de seus produtos a preços maiores que os custos de produção, e que esta venda implica na existência de um mercado, de consumidores interessados na compra do produto. Sendo assim, a abordagem ideal consiste em primeiro achar um mercado consumidor, para em seguida desenvolver o produto desejado.

De fato, para avançar na escala de maturidade tecnológica, é preciso entender o mercado, quem são os compradores e de que forma o produto será oferecido à sociedade. Ou seja, é importante desenvolver uma estratégia para o produto e nela identificar possibilidades de modelo de negócios, que tenham mais aderência às necessidades dos consumidores e à realidade do ambiente em geral ao qual será inserido.

Também é importante definir uma estratégia de proteção intelectual, incluindo titularidade (quem ou qual instituição será detentora da patente), quadro reivindicatório (o que será protegido), prazo de vigência e amplitude geográfica (em quais Países seria interessante proteger), seja para os casos patenteáveis, quanto para os não patenteáveis.

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Isto porque, ao depositar uma patente, as especificações da invenção devem ser descritas, tornando-a disponível ao público no momento da publicação do depósito da patente. Desta forma, a proteção através de segredo industrial deve ser considerada no desenvolvimento da estratégia e do modelo do negócio (BIOMINAS BRASIL, 2014).

No caso de decisão por proteção internacional, deve-se entrar com um pedido de proteção via PCT (Tratado de Cooperação de Patentes) no prazo de até 12 meses da data do pedido no INPI, e solicitar, em até 30 meses (da data do pedido) as confirmações do depósito internacional em cada um dos Países selecionados (chamada fase nacional).

g- A maioria dos pesquisadores brasileiros não tem interesse em criar startups No que tange à inovação nacional atual, verificamos a existência de uma série de incubadoras e parques de inovação tecnológica, inseridos nos ambientes das ICTs, além do surgimento de diversos programas de pré-aceleração e aceleração, alguns financiados pelas próprias agências de fomento nacionais, como a FINEP.

No entanto, tais iniciativas visam, por essência, o apoio financeiro ou treinamentos conceituais e mentoria, para que o desenvolvimento da inovação possa ser realizado pelos próprios desenvolvedores das invenções. Ou seja, são programas delineados para apoiar spinoffs e startups a trilharem o caminho até a inovação por si mesmas.

Esse tipo de iniciativa é extremamente interessante para o desenvolvimento econômico do País, mas não contempla a realidade de muitos pesquisadores de ICTs – principalmente os pesquisadores com dedicação exclusiva (DE), que não têm interesse em criar spinoffs e startups ou não podem atuar nestas empresas, gerando um nicho de possibilidades de geração de inovação desatendido.

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