2. CONCEPÇÃO TEÓRICA SOBRE APRENDIZAGEM COLABORATIVA
3.2. O desenvolvimento do Projeto
3.2.1. Preparação do ambiente virtual
O ambiente virtual pode ser considerado “como um sistema que envolve elementos diferentes que interagem, elementos pedagógicos, comunicacionais, sociais e afetivos, a partir dos quais emerge um feixe de relações constituído por dinâmicas operacionais dos sujeitos implicados” (MORAES, 2004, p. 192). Relações que acomodam várias vozes e olhares que se interligam e juntas tecem um saber coletivo, significado e ressignificado por todos de acordo com suas percepções, objetivos e mediações. A formatação dos ambientes virtuais parece compreender que a palavra precisa ser dita, interpretada e refletida para que se compreenda o sujeito na práxis social.
Para Ramal (2003, p. 4), esta formatação é, de certo modo, “uma versão da polifonia que Bakhtin buscava”; e, portanto, uma possibilidade para o diálogo entre as diferentes vozes, para a negociação dos sentidos e para a construção coletiva do pensamento.
A possibilidade do diálogo e o processo que o acolhe: troca, negociação, colaboração, luta, poder, conflito, é também uma forma de contextualizar a linguagem. Apropriar-se da linguagem contextualizada significa enriquecer os esquemas mentais
com novas formas de lidar com a linguagem verbal, alteram-se percepções, modos de fazer e entender a comunicação, resultando num processo de aprendizagem e de conhecimento.
Com estas possibilidades, o e-mail foi escolhido como o primeiro ambiente virtual a ser utilizado pelos alunos. A escolha do ambiente, realizada pelos professores, foi criteriosa, revelando cuidados para a inserção das TIC no processo de aprendizagem colaborativa. A escolha se deu por considerarem as características técnicas e pedagógicas do e-mail condizentes com o objetivo do projeto e com o contexto sociocultural dos alunos. Dentre os motivos, destacamos:
o tempo da comunicação nesse ambiente pode acontecer sem a presença dos alunos parceiros, por ser assíncrono.
conforma com o tempo de estudo presencial dos alunos, o grupo da N.E, no período da manhã e o do C.E.G.A.F., no período da tarde.
democratizar o acesso e apropriação da linguagem de forma significativa, especialmente, pelos alunos do C.E.G.A.F., por ser o primeiro contato para a maioria.
a flexibilidade de sua interface em possibilitar trabalhar a escrita sob diferentes formatos, estilos, cores, tamanhos e a inserção de recursos artísticos como imagem, desenhos e emoticons26.
possibilita a interatividade.
A compreensão do conceito e meandros do ambiente virtual foi o norte para os professores refletirem sobre os sujeitos e suas realidades e para optar pelo acesso ao portal27 da BOL, para os alunos cadastrarem suas contas de email, haja vista que este ambiente, apresenta uma linguagem clara e de formatação simples, possibilitando, uma
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Segundo a Enciclopédia online Wikipédia, acessada em 08 jul 2008, o emoticon é uma forma de comunicação paralingüística, palavra derivada de emotion (emoção) + icon (ícone) (em alguns casos chamado smiley) é uma seqüência de caracteres tipográficos, tais como: :), ou ^-^ e :-); ou, também, uma imagem (usualmente, pequena), que traduzem ou querem transmitir o estado psicológico, emotivo, de quem os emprega, por meio de ícones ilustrativos de uma expressão facial. Exemplos: (i.e. sorrindo, estou alegre); (estou triste, chorando), etc.. O Nome "emoticon" deriva da contração do inglês emotion+icon.
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Um portal é um site na internet que funciona como centro aglomerador e distribuidor de conteúdo para uma série de outros sites ou subsites dentro, e também fora, do domínio ou subdomínio da empresa gestora do portal. Retirado do site www.wikipedia.com.br. Acesso em 07 de jun de 2007.
apropriação mais rápida e menos conflituosa quanto à compreensão da linguagem e funcionamento do ambiente para os alunos do C.E.G.A.F.
Essa análise parece contraditória com os princípios teórico-metodológicos da aprendizagem colaborativa discutidos neste estudo, mas inferimos que evitar o conflito nesta situação, refere-se a uma reflexão sobre a importância do reequilíbrio e que a mediação do professor e a interação do aluno com a tecnologia são norteadores. Enfatizamos esta reflexão porque a aprendizagem colaborativa mediada pelas TIC, requer uma outra lógica, para além da sala de aula convencional, apenas um professor pode não ser suficiente para o atendimento aos alunos.
O ideal é a mediação em conjunto, entre o professor da sala de aula convencional e o professor da Sala de Informática, haja vista, que o tempo de 50 minutos de aula é insuficiente para a aprendizagem com tecnologias virtuais. Das duas aulas semanais da disciplina Geografia, uma foi destinada efetivamente ao Projeto, ao trabalho na Sala de Informática e nos ambientes virtuais, a outra, era para o estudo dos conteúdos curriculares, na sala de aula convencional. Muito embora, a depender do conteúdo a ser estudado, estes serviam para a contextualização dos temas e das problemáticas do Projeto, como Sociedade e Estado, Sociedade e Economia e População.
Das quatro aulas de Português, duas eram destinadas ao trabalho na Sala de Informática, as outras duas para o estudo dos conteúdos curriculares, mas também para o estudo e orientação das atividades do Projeto, visto que no C.E.G.A.F., a professora da disciplina mencionada não pode mediar o trabalho na Sala de Informática e nos ambientes virtuais. O tempo, portanto, pode ser um implicante para a aprendizagem com TIC, se as escolas se situarem sob a organização da sala de aula convencional, como foi o caso deste projeto, objeto de estudo nesta dissertação.
Identificamos também, que apesar das escolas manterem a mesma esquematização de tempo para as aulas presenciais, sem o uso das TIC, reconhecemos que as professoras de Geografia, da N.E. e de Português, do C.E.G.A.F. mantiveram uma postura flexível em relação ao currículo de suas disciplinas. Primeiro, pelo interesse em trabalhar com Projetos Colaborativos entre escolas, mediados por tecnologias, segundo, por disponibilizarem parte dos seus horários destinados ao estudo exclusivo dos conteúdos das referidas áreas do conhecimento, para o desenvolvimento das atividades do Projeto.
A vontade e a tentativa dos professores em quererem mediar práticas pedagógicas colaborativas, mediadas pelas TIC, mostram uma conexão de suas concepções pedagógicas com as possibilidades de informação e comunicação, incitadas pelas tecnologias da informática, possibilidades que estimulam processos colaborativos de aprendizagem focados na participação, na troca e na interatividade.