• Nenhum resultado encontrado

5. Finalidade, objectivos e metodologia

5.1. Finalidade e objectivos do estudo

5.2.4. Preparação do questionário auto-preenchido

Em 1982, a Cadeira de Saúde Ocupacional da ENSP, actualmente Grupo de Disciplinas de Saúde Ocupacional, levou à prática um inquérito, por questionário postal, que teve como objectivo essencial obter a indispensável contribuição de todos os diplomados com o Curso de Medicina do Trabalho para o processo de avaliação de resultados da formação em que a Cadeira se encontrava empenhada, com vista a uma reformulação das actividades lectivas, e ao aperfeiçoamento do ensino (Portugal, 1982).

A experiência desta primeira iniciativa serviu de suporte à elaboração de um novo inquérito, uma dezena de anos depois, com objectivos mais alargados e que incluiu para além da avaliação da prática profissional e da pertinência da formação recebida na ENSP, o conhecimento da opinião expressa dos diplomados sobre o desempenho em Medicina do Trabalho e em Saúde Ocupacional e sobre propostas concretas de um modelo de organização de cuidados de Saúde Ocupacional para o país (Faria et al., 1985).

O presente estudo para além das questões adaptadas do questionário inicial integrou ainda novos quesitos relativos ao exercício profissional dos médicos do trabalho, referenciados por diversos autores e já ensaiados com populações médicas da área da medicina do trabalho, saúde pública e clínica geral (Navarro; Imperatori, 1983; Navarro, 1983; Vanhoorne, 1988; Brandt-Rauf; Teichman, 1988; Pransky, 1990; Joffe, 1992). As perguntas de opinião ou de atitude foram formuladas segundo um modelo predominantemente do tipo Likert com cinco alternativas (Ward, 1974). Previam-se as respostas: 1- Concordo totalmente; 2- Concordo parcialmente; 3- Não concordo nem discordo; 4- Discordo parcialmente; 5- Discordo totalmente.

5 – Finalidade, objectivos e metodologia

127

O projecto de questionário foi de seguida submetido à apreciação individual de um grupo de peritos, docentes da ENSP (António Sousa Uva, Fernanda Navarro, João Prista e Silva, Júlia Vilar, Luís Graça, Mário Faria, e Teodoro Briz). As críticas, sugestões e propostas recebidas foram analisadas e no essencial traduziram-se por: concordância genérica com os objectivos e o modelo de questionário; separação clara entre a primeira parte do questionário, essencialmente com questões de opinião, a ser respondida por todos os inquiridos, independentemente do tipo de exercício profissional e, uma segunda parte com questões orientadas para a prática profissional, dirigida aos médicos do trabalho de empresa; reordenação dos quesitos de forma lógica tendo em conta a sugestão anterior; precisão na linguagem e nos termos técnicos bem como a reformulação de algumas perguntas. O questionário final, composto por dois questionários autónomos e diferenciados de acordo com os objectivos parciais a atingir, foi revisto em reunião restrita do autor com dois daqueles docentes (Luís Graça e Mário Faria).

O primeiro questionário (Anexo 1) dirigido a todos os inquiridos visou colher opinião sobre o desenvolvimento geral da medicina do trabalho/saúde ocupacional e foi composto por 27 questões subdivididas em 3 partes.

A primeira parte inquiria sobre a situação actual da MT/SHST/SO com perguntas sobre políticas de saúde da empresa e nacional (itens 1 e 2); adequação da legislação sobre Medicina do Trabalho, o papel e as funções do médico do trabalho e o seu grau de cumprimento (itens 3, 4 e 5); suficiência de médicos do trabalho (item 6); garantias de exercício e estatuto profissional e impacto da actividade dos médicos do trabalho (itens 7, 8, 10 e 11) e o contributo de outros profissionais de saúde não médicos (item 9).

A segunda parte questionava sobre: modelo de organização de serviços de Medicina do Trabalho (item 12); a utilidade do regulamento e do relatório dos serviços de Medicina do Trabalho (itens 13 e 14); a boa prática de planeamento, organização e gestão dos serviços de Medicina do Trabalho (item 15).

A terceira parte focava o desenvolvimento da Medicina do Trabalho/Saúde Ocupacional numa perspectiva futura e incluía questões sobre: as prioridades da política de saúde nos locais de trabalho (item 16); as influências de organismos e políticas internacionais (itens 17 e 18); as medidas prioritárias na definição de política de Saúde Ocupacional/Medicina do Trabalho (item 19). Este último item, tinha uma formulação particular, com a

5 – Finalidade, objectivos e metodologia

128

enumeração de 9 medidas concretas de política, solicitando aos inquiridos a sua ordenação por grau de prioridade e permitia a inclusão de outras propostas. Nesta terceira parte do 1º questionário foram incluídas ainda perguntas sobre: o modelo de organização de serviços de Medicina do Trabalho/Saúde Ocupacional (itens 20, 21 e 22); a participação dos trabalhadores e dos empregadores (itens 23 e 24); o financiamento (item 25); a prioridade de formação de profissionais de saúde ocupacional (item 26), nesta questão foi solicitada a hierarquização de prioridades de formação de 6 perfis clássicos de profissionais de SO, com a possibilidade de acrescentar outros não mencionados; o regime de exercício profissional dos médicos (item 27).

No segundo questionário (Anexo 2) pretendeu-se caracterizar a prática profissional e o nível de actividade em Medicina do Trabalho. Era constituído por 29 questões.

O tipo de actividade de MT/SO desenvolvido foi questionado no 1º item. Os itens 2 e 3 pretenderam caracterizar a situação dos diplomados que não desenvolvessem à altura qualquer actividade de MT. Somente os que desenvolviam actividade em MT/SO foram chamados a responder às questões sobre: nível de actividade (item 4); especialização (itens 5 e 6); actualização (item 7); importância da formação recebida, sua classificação e necessidade de aprofundamento futuro (itens 8 e 9). Nesta última questão foi solicitada a classificação numa escala de 1 a 5 de nove temas de formação clássica do Curso de Medicina do Trabalho segundo os critérios de avaliação da formação recebida e necessidade de aprofundamento da mesma. A parte final do questionário foi dirigida, em particular, à modalidade de exercício de médico do trabalho de empresa e incluiu: a caracterização do serviço de medicina do trabalho (itens 10 a 15 e 17 a 23); a caracterização da actividade médica (itens 16, 24, 25 e 28); a participação das estruturas representativas dos trabalhadores (itens 26 e 27); o contributo da administração da empresa para melhorar as condições de trabalho (item 29).

Estes dois questionários foram objecto de pequenas modificações aquando do segundo inquérito realizado no ano 2000. As principais modificações foram: a actualização da terminologia, isto é em vez de medicina do trabalho passou a referir-se medicina do trabalho/segurança, higiene e saúde no trabalho; no questionário n.º 1 foi suprimida a II parte, perguntas 12 a 15, que incidia sobre a legislação de medicina do trabalho de 1967 (D.L. nº47511 e D. nº47512, ambos de 1967); o número de ordem das perguntas foi

5 – Finalidade, objectivos e metodologia

129

actualizado sequencialmente e o questionário n.º 1 passou de 27 para 23 itens; no questionário n.º 2 foram suprimidas as perguntas 12 e 13 referentes à caracterização por género e categoria profissional dos trabalhadores das empresas com serviços de medicina do trabalho (Anexos 3 e 4).