4.1 Simulados de emergência
4.1.1 Preparação para a execução dos simulados de emergência
Para proceder a execução dos simulados de mesa e de evacuação total, primeiramente foi necessário realizar a etapa de preparação, caracterizada pela definição de critérios indispensáveis à dinâmica dos simulados, sendo estes:
a) Definição sistema de alerta à população;
b) Definição de rotas de fuga e Ponto de encontro; c) Definição de controle de acesso à área afetada;
d) Capacitação da Equipe de resposta e apoio a evacuação;
e) Capacitação da População afetada na zona de autossalvamento (ZAS);
A seguir será detalhado cada critério determinado na etapa de preparação.
a) Definição de Sistema de alerta à população
Para a barragem em estudo foram utilizadas três sirenes localizadas em pontos distribuídos nas proximidades da ZAS de forma a permitir a audibilidade do som de alerta em toda a área habitada da ZAS. O sistema de sirenes foi interligado a um painel de acionamento por botoeira que foi instalado na central de controle de emergências.
Vale ressaltar que dentro da ZAS o empreendedor é responsável por alertar a população afetada, caso identifique estado de emergência na barragem em tempo hábil para a evacuação, sendo que a forma na qual deve ser conduzido o procedimento de alerta prevê o uso de sirenes.
b) Definição de Rotas de fuga e ponto de encontro
Para a definição da forma como a evacuação ocorre, partiu-se de visitas de reconhecimento da área a jusante da barragem diretamente afetada pela mancha de inundação, tendo como informação de entrada o tempo em que a onda de inundação chega à área habitada a partir do momento em que se declara estado de emergência na barragem, considerando a iminência de ruptura do barramento.
A definição do ponto de encontro teve como premissa ser um local fora da mancha de inundação, de fácil acesso e capaz de acomodar a população afetada para a contagem de
pessoas. Outro critério para a definição foi de que o local deveria ser fora da mancha de inundação, ser visível a distância e de fácil acesso para toda a população da área afetada.
As rotas de fuga foram definidas considerando o menor percurso possível e seguro para o deslocamento da população afetada até o ponto de encontro.
Os tempos de evacuação foram levados em consideração e medidos a partir dos pontos mais desfavoráveis das instalações a jusante de forma que o ponto de encontro e as rotas de fuga permitissem que toda a população fosse capaz de evacuar a área em tempo hábil (antes da chegada da onda de inundação após a declaração de iminência de ruptura).
As rotas de fuga e o ponto de encontro foram inseridos em foto aérea da área a jusante para utilização posterior na capacitação dos atores e da população afetada, conforme apresentado na Figura 21.
Figura 21 – Rotas de fuga e ponto de encontro.
Fonte: Autor.
c) Controle de acesso à área afetada
Em uma eventual situação de emergência ou iminência de ruptura do barramento, além das ações de evacuação da população a jusante, também é necessário assegurar que pessoas não acessem a área afetada pela mancha de inundação. Logo, devem ser definidos pontos de bloqueio de entrada na área afetada, o que foi feito por meio de visitas de reconhecimento no entorno da área afetada pela mancha de inundação.
O critério da escolha dos pontos de bloqueio tomou como premissa a seleção de local fora da mancha de inundação, em ponto com rota alternativa de acesso que pudesse ser acessada sem passar pela mancha evitando a exposição de pessoas ao risco. Na Figura 22 estão indicados os cinco pontos de bloqueio definidos.
Figura 22 – Pontos de bloqueio de acessos à área afetada pela mancha de inundação.
Fonte: Autor.
d) Capacitação da equipe de resposta e apoio a evacuação
Para a capacitação das equipes envolvidas foi utilizado como base o PAEBM (no qual estão listadas as responsabilidades de cada equipe) e as informações da área afetada pela mancha de inundação para a definição do Sistema de Alerta, Rotas de fuga, Ponto de encontro e Controle de acesso à área afetada.
Após a preparação do material de capacitação foi realizado treinamento individualizado para cada grupo onde também foram repassadas as responsabilidades de cada grupo na operacionalização do Plano, contemplando também visitas em campo na área afetada.
O número de equipes internas totalizou dez grupos, ligadas ao empreendedor e divididas em função da estrutura organizacional da empresa.
e) Capacitação da população afetada na ZAS
A população da área afetada foi mapeada constatando-se que em cada turno trabalham em média cem pessoas, tendo em vista a ausência esporádica de alguns empregados ao trabalho. O material de capacitação foi concebido para ser o mais simples e visual possível, e foi consolidado em uma apresentação de slides. A apresentação foi dividida em duas partes, sendo a primeira parte uma introdução sobre as medidas de segurança da barragem e a outra parte sobre as ações de emergência com a apresentação da foto aérea do local com as rotas de fuga e ponto de encontro.
A apresentação com as rotas de fuga e ponto de encontro foi transformada em um vídeo educativo mostrando o trajeto de cada instalação para o ponto de encontro. Também foi esclarecido para a população afetada o conceito de zona de autossalvamento (ZAS), em que a própria pessoa deve se retirar da área e dirigir-se para o ponto de encontro ao ouvir a sirene, visto que não haveria tempo suficiente para que as equipes de emergência chegassem ao local para iniciar a evacuação.
Após a preparação do material, a população afetada recebeu a capacitação e obteve conhecimento das Rotas de fuga, Ponto de Encontro e Som emitido pelas sirenes instaladas na ZAS.