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7.1 Atividades preliminares

7.1.4 Preparo do material de apoio

Para o momento dois da coleta de dados do Mapa de demanda e potencial, foi necessária a elaboração de um material de apoio que transmitisse a realidade dos recursos hídricos do Parque. Esse material teve como base o Relatório de Qualidade da Água do Parque Municipal da Lagoinha do Leste, elaborado pelo NEAmb em 2012 e um resumo das Resoluções do CONAMA nº274 de 2000, do CONAMA nº 357 de 2005 e da Portaria do Ministério da Saúde 2.914 de 2011.

O diagnóstico dos recursos hídricos do Parque teve o objetivo de observar os possíveis impactos ambientais provocados pela atividade antrópica nas zonas de influência da área de camping da Lagoinha do Leste. O plano contempla análises mensais no período de Setembro de 2011 a Setembro de 2012, totalizando assim 12 meses de monitoramento. Os pontos de coleta são visualizados na Figura 10.

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,

Figura 10: Representação dos pontos de coleta da água no Parque.

As análises de qualidade da água foram realizadas com auxílio da Companhia de Águas e Saneamento (CASAN), que disponibilizaram material para as coletas e realizará os procedimentos laboratoriais. A metodologia de análise é baseada no Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, sendo as análises propostas são de duas naturezas, uma de potabilidade para as fontes, e outra de indicadores de poluição antrópica da lagoa.

A proposta de análises de qualidade da água nas fontes utilizadas para consumo foi realizada mensalmente, nas duas principais fontes do Parque (Canto Sul – Figura 11; e Canto norte – Figura 12). Os parâmetros analisados são baseados na Portaria 518 do Ministério da Saúde (2004) e estão listados a seguir:

 Turbidez;  Cor;  Sólidos dissolvidos totais;  Cloretos;  Sulfatos;  Coliformes termotolerantes.

Fonte Sul

Fonte Norte

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Figura 11: Ponto de coleta na

Fonte Sul.

Figura 12: Ponto de coleta na Fonte Norte.

Já na lagoa, são propostos dois pontos de coleta mensal, o primeiro próximo ao principal rio que desemboca na lagoa (Ponto 1 – Figura 13), onde há menor contato da lagoa com as atividades humanas e o segundo próximo às áreas de camping (Ponto 2 – Figura 14). Os parâmetros avaliados estão baseados no Índice de Qualidade da Água (IQA), sendo eles:

 Oxigênio Dissolvido (OD);  Coliformes Termotolerantes;  Potencial Hidrogeniônico (pH);  Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO5);  Temperatura;  Salinidade;  Nitrogênio total;  Fósforo total;  Turbidez;  Resíduos totais (sólidos);  Surfactantes.

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Figura 13: Ponto 1 de coleta na

lagoa.

Figura 14: Ponto 2 de coleta na lagoa.

A Resolução do CONAMA nº 357 de 2005 dispõe sobre a classificação e condições de lançamentos de efluentes. Os rios do Parque foram classificados como classe especial e em águas salobras.

As análises das Fontes Norte e Sul para o consumo humano foram comparadas com os padrões da Portaria nº 2.914 de 2011 (potabilidade). Já as análises da lagoa foram comparadas com os parâmetros da Resolução nº 357 de 2005 do CONAMA, que dispõe sobre o enquadramento dos rios e diretrizes ambientais, e a Resolução nº 274 de 2000 também do CONAMA, que dispõe sobre as águas destinadas a balneabilidade.

O Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CERH Santa Catarina, através da resolução CERH nº 003/2007, estabelece que todos os cursos d’água da Ilha de Santa Catarina, exceto o rio Tavares, devem enquadrar-se como Classe Especial, conforme classificação estabelecida pela resolução CONAMA n° 357/2005. Segundo BRASIL (2005), a Resolução CONAMA fixa parâmetros físicos, químicos e biológicos para águas doces, salobras e salinas.

O artigo 13 da Resolução CONAMA nº 357, estabelece que nas águas de classe especial, deverão ser mantidas as condições naturais do corpo de água. E uma vez que não são estabelecidos valores limites para águas de classe especial, adota-se os padrões pré- determinados para a classe 1.

- Qualidade da água nas Fontes:

Como o acesso a praia do Parque Municipal da Lagoinha do Leste é através de uma trilha considerada semi-pesada, os

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freqüentadores e praticantes de camping carregam pouco peso na mochila, e captam a água para consumo e alimentação nas fontes do Parque, no canto norte e sul da praia. Os Valores Máximos Permitidos (VMP) foram retirados da Portaria 2.914 de 2011 do Ministério da Saúde. Abaixo pode se verificar os resultados das análises de maior relevância para a constatação de ação antrópica:

Gráfico 1: Valores de Cor aparente nas Fontes.

Gráfico 2: Valores de Escherichia coli nas Fontes.

- Qualidade da Água nos Pontos da Lagoa:

O “ponto1” de coleta da lagoa encontra-se nas regiões onde os seus principais afluentes deságuam. O “ponto2” está localizado nas margens das principais áreas de camping. Os resultados das análises

0 5 10 15 20 25 30

set out nov dez jan fev mar abr mai jun jul ago

m g/ L e m P tC o

Cor aparente

Fonte Norte Fonte Sul Portaria 2.914 VMP = 15 0 500 1000 1500 2000 2500 3000

set out nov dez jan fev mar abr mai jun jul ago

NM P /1 0 0 m L

E. Coli

Fonte Norte Fonte Sul VMP da Portaria 2914 = Ausente

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que melhor indicam a ação antrópica estão expostos nos gráficos abaixo:

Gráfico 3: Valores de Fósforo Total na Lagoa

Gráfico 4: Valores de Surfactantes na Lagoa

O Relatório de qualidade da água no Parque Municipal da Lagoinha do Leste é um importante documento para o Termo de Refêrencia, que é o embasamento para o Plano de Manejo.

A Fonte Norte apresentou boa qualidade de água e com baixa frequência de E. Coli. Já a Fonte Sul, cujo afluente possui maior contato com áreas de camping, constantemente apresentou E. Coli alto, o que representa um problema de saúde pública. A cor aparente também apresentou valores acima do VMP permitido pela Portaria 2.914, o que pode ser explicado pela erosão causada pelo desmatamento nas áreas da nascente.

0 2 4 6 8 10 12 14 16 18

set out nov dez jan fev mar abr mai jun jul ago

mg /L

Fósforo Total

P1 P2 CONAMA 357 VMP = 0,124 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8

set out nov dez jan fev mar abr mai jun jul

mg

/L

Surfactantes

P1 P2

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A Lagoa apresentou alguns parâmetros acima do Valor Máximo Permitido pela Resolução do CONAMA 357, como Fósforo Total e E. Coli, que pode ser explicado pela presença antrópica no local. Ambientes naturais devem apresentar ausência de surfactantes (compostos de sabões e detergentes), ao contrário do que foi verificado.

A fonte do Pântano do sul não apresenta estudos de qualidade da água, porém é muito utilizada pelos visitantes e devido sua importância, foi adicionada a atividade de Mapa de demanda e potencial.

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