• Nenhum resultado encontrado

Pressão exercida sobre os ecossistemas litorais e elementos que pertubam/

3. Caso de estudo

3.1. Litoral de Vila Nova de Gaia

3.1.4. Pressão exercida sobre os ecossistemas litorais e elementos que pertubam/

degradam os serviços ecossistémicos.

Como visto anteriormente, um conjunto variado de SE são amplamente utilizados pela população para os mais variados fins, contudo, tais utilizações podem colocar em risco os ecossistemas e os SE que presta. Assim, nesta secção, abordam-se os elementos, quer de origem vegetal quer de origem antrópica, que colocam em risco os ecossistemas e SE. Para começar é importante esclarecer os principais ecossistemas costeiros que se encontram dentro da área de estudo, bem como a sua distribuição ao longo da faixa costeira. A Figura 24 permite clarificar bem essa questão.

Figura 24 - Ecossistemas presentes na faixa costeira de Vila Nova de Gaia.

De forma geral, percebe-se que os diferentes ecossistemas se distribuem de maneira quase uniforme pela costa, sendo que alguns deles assumem um lugar de destaque devido a sua dimensão, como é o caso do Estuário do Douro. O tipo de ecossistema que mais está presente são as Dunas e Praias, seguindo-se os Estuários e por fim as Praias rochosas. É ainda possível confirmar que nas áreas onde apenas existe Praia são também as áreas onde o edificado está junto à costa. Nas Figuras 25, 26, 27 e 28 é possível observar exemplos de alguns desses mesmos ecossistemas.

Figura 25 - Praia rochosa de Lavadores.

Figura 26 - Estuários junto das praias de Valadares (A), Francelos (B) e Madalena (C).

Figura 27 - Dunas - Praias da Aguda (A) e Francelos (B).

Figura 28 - Praias arenosas de Salgueiros (A) e Aguda (B).

Ora acontece que estes ecossistemas estão sob vários tipos de meaças. Estas podem ter origem em processos naturais, como é o caso da erosão costeira causada por temporais,

A B C

A B

A B

ou em ações antrópicas como por exemplo a ocupação (e destruição) das áreas dunares por infraestruturas dedicadas às atividades de recreio e lazer, ou simplesmente pelo pisoteio. Através da Figura 29 é possível verificar os principais tipos de ameaças aos ecossistemas e SE da área de estudo, bem como a sua distribuição.

Figura 29 - Principais ameaças aos ecossistemas de VNG.

Existem três grandes tipos de ameaças, a Erosão costeira, a presença e alastramento de espécies invasoras e ainda a Ocupação antrópica. De um modo geral são estes dois últimos que mais estão presentes em toda a faixa costeira, a erosão também se faz notar, mas apenas em alguns locais é mais severa. É preocupante perceber ainda que em vários locais, sobretudo a partir da Praia da Madalena, um único ecossistema pode estar sujeito a mais do que um tipo de ameaça.

De modo a perceber o real impacto de cada ameaça é necessário tratar cada uma delas de forma individual, começando pelas Espécies invasoras. As principais espécies invasoras existentes são o Carpobrotus edulis, conhecido como Chorão (Figura 31), a Cortaderia selloana, vulgarmente chamada de Cortadeira (Figura 32), e o Arundo donax L. (conhecido simplesmente como Cana) (Figura 33) (Marchante, Morais, Freitas, &

Marchante, 2014). Na Figura 33 verifica-se o grau de ocupação destas ao longo da faixa costeira.

Figura 30 - Carpobrotus edlis (Chorão). Localizado junto à praia do Cabedelo, perto do estuário do Douro.

Figura 31 – Espécime isolado (por enquanto) de Cortaderia selloana (Cortadeira), no setor costeiro de Lavadores, inserido numa área intensamente colonizada por chorão.

Figura 32 - Arundo donax L. (Cana). Localizado junto à praia da Madalena.

Numa escala de 1 a 5 (sendo que 1 significa nada ocupado e 5 significa muito ocupado), a maioria dos ecossistemas apresenta uma ocupação de espécies invasoras de nível 2, 3 e 4 sendo que o os piores casos aparecem sobretudo próximos às áreas urbanas. As áreas com o nível de ocupação de espécies invasoras mais baixo são as áreas junto ao Campo de golfe de Miramar, na localidade da Aguda (mais precisamente no Parque de Dunas da Aguda, espaço dedicado à conservação destes ecossistemas) e a Sul da área de estudo, na Praia de Brito, uma área pouco intervencionada.

Figura 33 – Grau de ocupação de espécies invasoras no litoral de Vila Nova de Gaia.

Já na Figura 34 é possível constatar o caso oposto, ou seja, o caso das espécies autóctones. Genericamente, a área de estudo apresenta níveis muito baixos destas espécies, a maioria do território apresenta valores entre o 1 e o 3, os valores mais elevados aparecem-nos mais a Sul onde o estado de conservação também é melhor.

Figura 34 – Nível de ocupação de espécies autóctones no litoral de Vila Nova de Gaia.

Relativamente à ameaça da erosão, esta também está presente em praticamente todo o litoral, no entanto há alguns locais onde essa erosão é mais acentuada, como é o caso da área entre a localidade da Aguda e da Granja. Este setor é um dos locais onde há uma grande preocupação em proteger as infraestruturas existentes. Tendo consciência da importância da proteção costeira, o município de VNG, em colaboração com outras entidades, não tem poupado esforços neste sentido e para isso tem adotado medidas de proteção costeira ao longo de toda a linha de costa. Essas medidas visam proteger o cordão dunar frontal existente e criar novas dunas onde estas não existam ou estejam a ser degradadas. Na Figura 35 é possível observar a distribuição das medidas de proteção costeira adotadas nos vários ecossistemas.

Figura 35 - Medidas de proteção costeira adotadas ao longo da linha de costa de VNG.

Figura 36 - Exemplos de proteção costeira presentes na faixa costeira de VNG (Praia da Granja); Paliçadas (A) Sacos de areia (B).

Tendo em conta as várias ameaças analisadas até então, estes ecossistemas não apresentam, de forma geral, um estado de conservação ideal para aquilo que era esperado. Na sua grande maioria estes ecossistemas apresentam um estado de conservação Mau, Nem bom nem mau ou apenas Bom, sendo que em alguns casos o estado de conservação é mesmo Muito mau. Apenas alguns ecossistemas presentes mais a Sul encontram-se num estado de conservação Muito bom (Figura 37).

A B

Figura 37 - Estado de conservação dos ecossistemas de VNG.

No que toca a ameaça de ocupação antrópica esta está presente em todo o território de forma generalizada. Quando falamos de ocupação antrópica falamos por exemplo de:

edifícios de habitação, ou com outro tipo de funções, muito próximos dos ecossistemas (50 metros ou menos); elevada ocupação das praias durante a época balnear e do pisoteio da vegetação autóctone pela população e veículos nos acessos às praias.

Através das Figuras 38 e 39 é possível observar também a densidade populacional bem como o número de edifícios existentes na área de estudo, respetivamente.

Relativamente à densidade populacional, é bastante percetível que predominam valores de baixa densidade. No entanto há certas áreas que se destacam, a faixa litoral abrangida pelas freguesias de Gulpilhares e Valadares e Arcozelo regista o maior número de subsecções com valores mais elevados.

Figura 38 - Densidade populacional de faixa litoral de VNG, por subsecção.

No que toca ao número de edifícios, de um modo geral a sua distribuição é bastante uniforme em toda a área de estudo. Contudo é possível ver alguns aglomerados ainda que de pequena dimensão. Esses podem ser vistos a Sul da freguesia de Canidelo, ao longo da faixa litoral da União de freguesias de Gulpilhares e Valadares e também da freguesia de Arcozelo. Ao compararmos as duas imagens é notória uma ligação entre as subsecções com os valores mais elevados de densidade e as subsecções com o maior

número de edifícios. Contudo há diferenças, no caso do número de edifícios a sua distribuição é quase uniforme, o mesmo não acontece no caso da densidade populacional, também são visíveis subsecções cujo número de edifícios é mais expressivo no interior, já noutras os valores mais elevados surgem junto à costa.

Figura 39 - Número de edifícios presentes ao longo da faixa costeira de VNG, por subsecção.

Importa ressalvar que estes mapas foram elaborados com recurso aos dados relativos à subsecção das freguesias de Vila Nova de Gaia. Apesar de serem dados já um pouco ultrapassados (Censos de 2011) e com alguns lapsos são, no entanto, os únicos capazes de mostrar a densidade populacional e o número de edifícios a uma escala como esta.

Relativamente à forte ocupação das praias durante a época balnear, os dados mostram um cenário preocupante. Foram recolhidos dados relativamente à ocupação de barracas (Figura 40), número de estabelecimentos junto às praias (Apoios de praia, bares, cafés e restaurantes) (Figura 41), distribuição de carros pelos diversos parques de estacionamento (Figura 42) e a ocupação das praias por guarda-sóis (Figura 43). Importa esclarecer que os dados correspondem ao dia 17/8/2014 (domingo), durante o qual foram registadas temperaturas máximas na ordem dos 30ºC e mínimas na ordem dos 16ºC (Weather Underground, 2014). Começando pela ocupação das barracas, existem diferentes níveis de pressão antrópica ao longo da faixa litoral de V. N. Gaia, evidenciando-se que quanto maior é a concentração de áreas concessionadas com barracas, maior a atração na afluência de pessoas.

Figura 40 - Distribuição das áreas concessionadas com barracas ao longo da costa de VNG.

No que toca ao número de estabelecimentos há disparidades relativamente à distribuição dos serviços representados. A faixa costeira das freguesias de Canidelo e Madalena é a que detém maior número de estabelecimentos dedicados à restauração (neste caso trata-se de restaurantes, cafés, bares e apoios de praia). Além disso estes serviços estão maioritariamente junto á costa. Nas restantes freguesias o cenário é

diferente, além do número de estabelecimentos ser menor, estes também estão mais distribuídos.

Figura 41 - Distribuição do número de estabelecimentos ao longo da costa de VNG.

Relativamente à distribuição de carros estacionados o quadro é preocupante. Em quase todas as freguesias existia uma concentração elevada de carros estacionados, no entanto é junto á costa que a concentração é maior, o que agrava ainda mais a pressão exercida nos ecossistemas. Os únicos casos em que a pressão é menor é junto ao Campo de Golfe de Miramar e na freguesia de São Félix da Marinha, nesta última apesar de existir uma concentração de carros estacionados, esta faz-se sentir numa área restrita.

Figura 42 - Distribuição de carros estacionados ao longo da costa de VNG.

Por fim, temos o caso da ocupação das praias por guarda-sóis. É claramente visível a pressão e os riscos a que estão sujeitos os ecossistemas costeiros (neste caso praias e dunas) durante a época balnear, sobretudo em dias como este em que os dados foram recolhidos. A concentração destes elementos é quase contínua de Norte para Sul, e são escassas as áreas que não estão ocupadas por estes elementos.

Figura 43 - Distribuição de guarda-sóis ao longo da costa de VNG.

No que toca à ameaça relacionada com o pisoteio da vegetação autóctone pela população e veículos nos acessos às praias, esta faz-se sentir um pouco por toda a faixa costeira. No entanto, é mais visível nos locais onde os acessos à praia são mais curtos e estreitos ou encontram-se mais afastados entre si. Assim, as populações caminham pelo espaço dunar em direção ao local que desejam. Este comportamento por parte da população além de contribuir para a degradação do cordão dunar frontal (importante na defesa da costa contra a erosão costeira), destrói os ecossistemas dunares comprometendo a manutenção da vegetação autóctone existente.

As áreas mais afetadas por este tipo de ameaça são as áreas Sul da praia da Madalena e junto à praia de Miramar (onde a população usa o espaço junto às dunas como parque de estacionamento improvisado) (Figura 44). O mesmo regista-se a Sul da praia da Granja e por toda a praia de Brito. Aqui, os acessos à praia estão mais dispersos e, por isso, este tipo de pressão é ainda maior. Além disso, a população coloca-se em perigo (pois é necessário atravessar a linha de caminho de ferro não havendo acesso para tal) e invade o espaço dunar em direção à praia, chegando mesmo a originar “trilhos” devido à passagem contínua da população (Figura 45).

Figura 44 - Utilização do espaço dunar para estacionamento de veículos, na praia da Madalena (A) e na praia da Sãozinha (B).

A B

Figura 45 - Marcas do pisoteio do ecossistema dunar por parte da população na praia de Brito (A e B).

Documentos relacionados