CAPÍTULO III – Diversidade cultural e educação
6- Pressupostos e objectivos gerais da educação intercultural
Ao pensarmos nos objectivos e nas estratégias a utilizar para a formação de atitudes e de valores no domínio da interculturalidade existe um conjunto de pressupostos que se relacionam com as características do público-alvo e com o tipo de trabalho desenvolvido.
As perspectivas de cada aluno em termos de valores são, muitas vezes, acompanhadas por uma carga emocional que depende do seu background pessoal, o professor não deve desprezar as experiências de cada aluno, pelo contrário, deve aproveitá-las para o processo de ensino-aprendizagem.
Na área dos valores, geralmente enquanto docentes, trabalhamos com os nossos alunos os direitos humanos, o anti-racismo, a educação ambiental, entre outros temas e é fundamental que se crie um ambiente positivo de aprendizagem, do ponto de vista físico e psicológico, ambiente esse que permita ao aluno expressar e racionalizar os seus próprios pontos de vista, ouvir e entender outras
117
formas de pensar e não se mostrar apreensivo ao ter que assumir uma mudança de atitude face a um determinado tema/tópico, que até então defendia.
Quer o professor pretenda realizar um trabalho concreto com os seus alunos na área da interculturalidade, quer apenas deseje promover a interculturalidade com base na rotina das suas aulas, a sua conduta e trabalho são essenciais, como veremos posteriormente.
6.1- Objectivos da educação interculcultural
São vários os autores que definem os objectivos da educação intercultural, obtendo-se de cada um, respostas muito variadas. Alguns salientam o lado internacional, outros, o património cultural, a diversidade cultural ou linguística, os problemas do racismo e xenofobia, os problemas dos imigrantes e de outros grupos minoritários, ou ainda as questões da igualdade. Tudo isto reforça a ideia de que a noção de educação intercultural é uma noção complexa, já que toca simultaneamente o problema da diversidade e da diferença (Miranda, 2001:21).
A mesma autora refere ainda que a educação intercultural visa: -a promoção da compreensão intercultural e internacional; -o reconhecimento e o respeito das diferenças culturais;
-as questões dos direitos do Homem e da cidadania (responsabilidades humanas);
-a garantia da igualdade de oportunidades (o sistema educativo deve favorecer a integração);
-as estratégias a favor da universalidade de acesso ao processo de aprendizagem;
-as estratégias que visam analisar as aptidões e os conhecimentos que as crianças trazem para a escola e utilizar essas aptidões e esses conhecimentos como recursos educativos (idem)
Do exposto anteriormente podemos deduzir que a educação intercultural se tornou num modelo educativo que proporciona o enriquecimento cultural dos cidadãos partindo do reconhecimento e respeito pela diversidade, através do intercâmbio e diálogo, na participação activa e crítica para o desenvolvimento de uma sociedade democrática baseada na igualdade, tolerância e solidariedade (Miranda, 2001: 21).
118
Ouellet (1991) considera que a educação intercultural deverá obedecer a determinados pressupostos, assim terá que ser uma educação:
-onde o pluralismo faça parte da formação de todos os alunos, de grupos minoritários ou não;
-em que os alunos dos grupos minoritários não sejam forçados a abandonar a língua materna e onde o bilinguismo seja considerado uma vantagem e não um
handicap;
-onde a cultura familiar do aluno, não seja objecto de desvalorização aquando da entrada no meio escolar;
-que integre medidas que ofereçam aos alunos provenientes de grupos minoritários, um nível de sucesso escolar comparável ao dos alunos de grupos maioritários;
-que promova a interacção dos membros das diversas comunidades étnicas com a sociedade de acolhimento.
Secundamos Le Thanh Khõi (cf.1995) quando propõe um conjunto de indicações fundamentais como bases de uma educação intercultural:
-formar professores e educadores;
-preparar um material didáctico adequado e rever os manuais com tendências etnocêntricas;
-utilizar os média, particularmente os média audiovisuais de maneira adequada.
Por conseguinte, Botey (1990), Jordán (1992), Soto (1995), Borras (2001) definiram vários objectivos a atingir através do eixo transversal da educação intercultural:
-flexibilizar as conceptualizações sobre o universo cultural próprio que se tem como referência;
-conhecer, compreender e respeitar outras formas possíveis de conceber, interpretar, explicar e organizar o mundo e os fenómenos que acontecem no quotidiano;
-reconhecer e analisar elementos e factores que intervêm na formação da identidade cultural;
119
-analisar o papel dos meios de comunicação na transmissão de estereótipos culturais;
-rejeitar todas as manifestações de discriminação por motivos de raça, crença, ideia e valores;
-participar na construção da igualdade de oportunidades entre os diferentes campos étnicos;
-proporcionar e facilitar às pessoas alheias à cultura dominante, o seu desenvolvimento na vida quotidiana.
Na perspectiva de Banks (1994) definir educação multicultural é uma tarefa ampla e complexa, uma vez que hoje em dia, a educação multicultural, é fundamentalmente entendida com um conceito que engloba toda a formação sistemática que apresentará como objectivos:
-educação para todos; -educação para a liberdade;
-desenvolvimento de competências de interacção cultural; -reflexão sobre a interdependência e coesão social;
-reformas educativas.
O autor supracitado refere-se às dimensões da educação multicultural, indicando formas e caminhos que conduzem à concretização desta forma de viver em sociedade:
-uma pedagogia para a igualdade; -a integração de conteúdos;
-o processo de construção do conhecimento; -a redução de preconceitos e estereótipos;
-a promoção de uma estrutura escolar e social, valorizadas.
Parafraseando os autores Sales e Garcia (1997) os objectivos fundamentais da educação intercultural são:
-proporcionar e oferecer condições para a igualdade de oportunidades educativas para participar activamente na sociedade e na transformação da cultura, dentro de uma sociedade democrática em que se formam novas gerações
120
de cidadãos críticos que tomam decisões públicas para o desenvolvimento das estruturas e práticas sociais e culturais;
-valorizar a diversidade e respeitar a diferença como elemento dinamizador e enriquecedor na interacção entre as pessoas e os grupos humanos. A inter- relação destes objectivos é o que melhor define o modelo intercultural porque a interculturalidade só pode ser entendida como igualdade na diferença, como a possibilidade de instaurar um verdadeiro diálogo entre diferentes culturas, que procurará ser enriquecedor e não discriminatório;
-procurar valores comuns que possam dar sentido à interculturalidade como pontos de referência para desenvolver ideologias, políticas e modelos educativos, ameaçados por um certo relativismo pós-moderno, através de estratégias cativas, sociais e educativas baseadas no diálogo, como forma de intercâmbio de perspectivas culturais e busca de consensos e modelos culturais e sociais alternativos;
-tomar consciência das práticas sociais e educativas individuais e colectivas que resultam de atitudes estereotipadas e preconceitos étnicos, culturais, sexuais ou sociais e desenvolver habilidades cognitivas, afectivas, comportamentais, pessoais e sociais para transformar estas práticas e as estruturas que determinam e legitimam o racismo, para evitar a sua produção (preconceitos individuais) e a sua reprodução (ideologias institucionais);
-desenvolver competências multiculturais conhecendo, entendendo e valorizando diferentes percepções culturais que conduzam à superação de etnocentrismos paralisantes e discriminadores;
-favorecer o desenvolvimento de uma identidade cultural aberta e flexível.
Os objectivos apresentados pelos diversos autores conduzem aos conceitos de cultura, indivíduo, sociedade e educação, que justificam a filosofia do modelo e cujos princípios e pressupostos estão presentes nos programas educativos que favorecem a interculturalidade através das atitudes. A tarefa de os implementar não é fácil, embora estejam contemplados, quer na Lei de Bases do Sistema Educativo Português, quer nas normas comunitárias da educação (Miranda, 2001:22).
Segundo a mesma autora, a legislação nacional e as práticas locais deveriam ser elaboradas tendo em conta a Convenção das Nações Unidas relativa
121
aos direitos da criança e a Declaração da Conferência Mundial sobre a Educação para Todos.
A educação intercultural é uma educação que requer estudo e reflexão por parte das opções políticas, sendo para isso necessário um grande empenho por parte de todos os intervenientes neste processo.
Citando ainda (Cardoso, 1996) poderemos concluir que a educação intercultural se tornou num modelo educativo que propicia o enriquecimento cultural dos cidadãos, partindo do reconhecimento e respeito pela diversidade, através do intercâmbio e diálogo, na participação activa e crítica para o desenvolvimento de uma sociedade democrática baseada na igualdade, tolerância e solidariedade.
De acordo com os aspectos defendidos pelos autores apresentados, a educação intercultural tem como objectivos essenciais: a promoção da compreensão intercultural e internacional; o reconhecimento e o respeito das diferenças culturais; as questões dos direitos do homem e da cidadania; a garantia da igualdade de oportunidades (o sistema educativo deverá favorecer a integração), as estratégias a favor da igualdade de acesso ao processo de aprendizagem; estratégias que tenham em conta as aptidões e os conhecimentos que as crianças trazem para a escola e a utilização dessas aptidões e desses conhecimentos como recursos educativos (Miranda, 2004: 24)
7-Praticar a educação intercultural
7.1- As políticas de educação face à diversidade cultural
A interacção entre pessoas pertencentes a culturas distintas não se consegue apenas pelo seu contacto e aproximação, mas por políticas e estratégias de educação e formação que possibilitem a troca cultural, de modo a que todos se sintam identificados e integrados. Porém, as medidas de política educativa e cultural que existem para enfrentar a realidade da diversidade cultural com que nos deparamos, variam em função do contexto político, ideológico, histórico e sócio- demográfico de cada país.
122
As principais diferenças dessas políticas estão no modo escolhido para gerir as diversidades existentes na escola:
Algumas desenvolvem-se para eliminar as características particulares dos grupos minoritários ou de criar, mediante a sua função, uma cultura homogénea (políticas assimilacionistas); outras, no de respeitar e valorizar essas características, tentando responder às necessidades educativas de todos os elementos da população escolar (políticas multiculturais); e também outras procurando criar capacidades de relacionamento com pessoas de diferentes culturas e, através da negociação interpessoal, construir espaços de entendimento recíproco -políticas interculturais (Rocha-Trindade, 1995:251).
Em Portugal, antes da década de 70, as políticas educativas orientavam-se face à diversidade, pelo princípio da assimilação, valorizando a hegemonia social. Nos finais dos anos 80, início dos anos 90, o Ministério da Educação produz discursos de igualdade de oportunidades e de respeito pela diversidade cultural orientados para a compreensão do fenómeno do multiculturalismo e para uma intervenção educativa que respondesse às características plurais dos estudantes.
A aprovação da Lei de Bases do Sistema Educativo, em 1986, foi um acontecimento importante para a educação, não só pelas medidas que implementou, como também pelas opções políticas que enuncia. Os princípios que caracterizam esta lei foram ao encontro dos discursos da época de crítica à escola tradicional (monocultural), aos princípios de ideologia democratizante e aos compromissos assumidos internacionalmente, nomeadamente a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), aprovado no âmbito da ONU e que explícita o princípio da igualdade face à educação escolar.
Segundo Carlinda Leite (2002:288), o reconhecimento pelo sistema do cenário multicultural nas escolas começou com a Reforma Educativa que defendia uma "escola para todos" que se tornou mais visível com:
" 1) a criação, em 1991, do Secretariado Coordenador dos Programas de Educação Multicultural8
8
Designado actualmente como Secretariado Entreculturas. Este secretariado tem desenvolvido diversas actividades e foi o impulsionador do PREDI e da criação da Associação de Professores para a educação Intercultural (APEDI) em 1993.
123 2) a institucionalização, em 1993, de um projecto de Educação Intercultural (PREDI);
3) a criação, em 1996, do cargo de Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas;
4) o reconhecimento da educação inter/multicultural como uma área de formação prioritária nas candidaturas ao abrigo do Regulamento de Equiparação a Bolseiro;
5) a constituição de um grupo de trabalho para estudar medidas a implementar no sistema escolar para criar oportunidades de igualdade e inserção dos ciganos".
Ao nível do poder central, podemos referir outras medidas institucionais tais como: o projecto "A Escola na Dimensão Intercultural" em 1990, o projecto "Pelas Minorias" em 1998, a institucionalização da diversidade religiosa nas escolas públicas (Decreto-lei nº 329/98 de 2 de Novembro) e a criação do Grupo de Trabalho Para os Mediadores Culturais através do Despacho conjunto nº 1165/2002.
Esta reforma do Sistema Educativo Português iniciou-se no Ministério de Roberto Carneiro que implementou um discurso dirigido para a problemática da multiculturalidade sendo um elemento promotor da criação de projectos relacionados com a problemática do direito à diversidade na educação escolar. Para Carlinda Leite (2002:311), os diplomas que configuram o início da Reforma
Educativa e da Reforma Curricular não explicitaram discursos a nível do multicultural, "apenas na Lei de Bases do Sistema Educativo é expresso o desejo de uma formação onde se interrelacionem a cultura escolar e a cultura do quotidiano sem, no entanto, enunciar que essa cultura do quotidiano é atravessada por aspectos que advêm das diversidades étnicas, religiosas, linguísticas, etc. A autora, após uma análise do Decreto-lei nº 286/89 (Reforma dos Planos curriculares do Ensino Básico e Secundário) concluiu que existe aceitação da diversidade e a intenção de promover o sucesso educativo de todos os alunos e o reconhecimento da existência de diferentes religiões. No entanto, é só nos Programas do 1º CEB (1990) que são referidas outras culturas da comunidade e o conhecimento dos seus costumes, gastronomia, língua, música, mas limitando-se
124
a uma folclorização das diversas culturas.
Na opinião de Leite (2002), o quadro legal e os discursos da política educativa valorizam e indicam uma educação intercultural como preventiva de fenómenos de exclusão mas ao nível da operacionalização desse discurso, na prática, existem desencontros. Deste modo, a reforma gerou "mais uma mudança dos discursos do que da agência ou seja da actuação dos seus destinatários" (Leite, 2002:561).
No plano internacional, as directrizes produzidas inicialmente por organizações internacionais (OCDE, UNESCO, Conselho da Europa e União Europeia) inicialmente tinham "como objecto privilegiado de intervenção as crianças e os jovens filhos de imigrantes que afluíam às sociedades industrializadas", focando apenas aspectos relacionados com o domínio da língua (ibidem:336). Estas directrizes foram evoluindo, passando a ter em "conta todas as minorias e dando origem a uma educação para a multiculturalidade" (ibidem). Esta intervenção educativa deixou progressivamente "de ser dirigida apenas às minorias (atitude hoje considerada como indiciadora de uma visão patológica ou deficitária dessas minorias) e foi-se estendendo também às maiorias (no sentido de as informar e formar para a vivência numa sociedade multicultural)" (ibidem). No intuito de ilustrar a contribuição das organizações internacionais, apresentamos, resumidamente as suas posições perante a diversidade cultural, em contexto educativo.
A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), que tem como um dos seus objectivos assegurar os direitos do Homem e das liberdades fundamentais para todos sem distinção de raça, língua ou religião, distingue-se pelo seu dinamismo na área da educação multicultural através da promoção de estudos e encontros e da edição de variadas publicações sobre esta questão. Esta organização foi também responsável pela produção de dispositivos legais como por exemplo a Convenção sobre discriminação na Educação (1960) que promove a igualdade de oportunidades à educação.
A OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico) tem desenvolvido projectos de investigação e estudos comparativos com o objectivo de conhecer e avaliar as acções realizadas neste campo nos diversos países membros, nomeadamente em relação à escolarização de filhos de migrantes, ao impacto do pluralismo cultural e linguístico, na educação, à
125
influência do racismo nos resultados escolares" (Rocha-Trindade, 1995:257). Foi nos anos 70 que esta organização internacional começou a dar atenção aos aspectos de desigualdade perante a educação. Nos anos 80 interessou-se pela situação das crianças filhas de migrantes numa perspectiva de progresso económico e social.
O Conselho da Europa é um dos organismos supranacionais europeus que mais contribuiu para promover e dinamizar as políticas multiculturais educativas dos anos sessenta e setenta, e é também o principal impulsionador e definidor da educação intercultural. Este organismo promoveu o ensino da língua e da cultura de origem dos filhos de imigrantes, desde os anos sessenta, e mais tarde fomentou experiências de educação intercultural (a partir de meados dos anos oitenta). Este Conselho afirma que a presença de crianças de diferentes origens na escola representa uma riqueza, referindo as potencialidades do multiculturalismo como factor de enriquecimento, como instrumento para promover a igualdade de oportunidades e a inserção das minorias.
Assim, as linhas programáticas do Conselho da Europa podem-se resumir aos seguintes pontos:
“As sociedades tornaram-se multiculturais - cada cultura tem as suas
especificidades próprias, que se devem respeitar em si mesmas; não se trata de promover uma mestiçagem cultural mas de promover a comunicação e a aceitação do outro" (Ferreira, 2003:77).
Relativamente à posição da União Europeia, podemos declarar que as instâncias comunitárias se dedicam à questão da educação intercultural desde os anos setenta, "produzindo estudos especializados, redigindo normas orientadoras e promovendo acções de vária natureza, que têm por objectivo proporcionar igualdade de oportunidades no acesso ao ensino e no alcance de sucesso educativo em contextos multiculturais" (Rocha - Trindade, 1995:259).
Através de programas específicos como o Erasmus, Comett e o Língua promoveu o espírito europeu e a dimensão intercultural da educação na Europa, com o intercâmbio de estudantes e professores. Promoveu também a aprendizagem de línguas faladas no espaço comunitário, a realização de visitas de estudo e o desenvolvimento de projectos de investigação - acção através do
126
programa Sócrates.
Estas iniciativas são desenvolvidas tendo em vista a construção da Europa Social e de uma cidadania europeia baseada no reconhecimento, na aceitação da diferença e na interacção das diferentes culturas.
Desde os anos setenta que as instâncias Comunitárias dedicam à problemática da educação intercultural uma especial atenção, produzindo estudos especializados, redigindo normas orientadoras e promovendo diversas acções que têm por objectivo proporcionar igualdade de oportunidades no acesso ao ensino e no alcance de sucesso educativo em contextos multiculturais.
Todavia, os pressupostos subjacentes à tomada de posição dos diferentes órgãos Comunitários relativamente à educação de migrantes e seus descendentes, durante este período, têm vindo a alterar-se substancialmente. Tal deve-se ao facto de a presença de trabalhadores migrantes ter deixado de ser perspectivada como transitória, em virtude da estadia de parte destes se ter tornado definitiva, incutindo um carácter irreversivelmente multicultural às sociedades europeias.