ATIVIDADE DO CONDUTOR DA LINHA UM 249 ANEXO A – CERTIFICADO DE APROVAÇÃO DO COMITÊ DE
1.2 PRESSUPOSTOS E QUESTÕES DE PESQUISA
No contexto do presente estudo adotaram-se os seguintes pressupostos:
A atividade do condutor de linha automatizada na indústria automotiva é um processo permanente de regulação que visa responder adequadamente aos objetivos da tarefa, às múltiplas determinações do contexto de trabalho (determinantes situacionais, físico, materiais, instrumentais, organizacionais e sociais) e às suas condições internas.
A densidade de trabalho dos condutores de linhas automatizadas com prensas e robôs é elevada, devido à quantidade de atividades realizadas por unidade de tempo, associada à realização de ações simultâneas e pressão temporal.
As exigências da tarefa, tais como: necessidade de vigilância constante, elevado grau de responsabilidade, processamento de informações e tomada de decisões, solicitação intensa da memória, representação, entre outras, são fatores de carga que, associados aos demais fatores presentes no sistema de trabalho do condutor, podem gerar sobrecarga e comprometimento da sua saúde e bem-estar.
Nesse contexto, com o presente estudo, pretende-se responder às seguintes questões de pesquisa:
Como se dá o processo de trabalho do condutor de linha de produção automatizada na indústria automotiva?
Quais os possíveis fatores existentes no sistema de trabalho desses condutores de linhas automatizadas capazes de gerar aumento da carga de trabalho?
Quais as estratégias de gestão da carga de trabalho adotadas pelos condutores de linha de produção automatizada na indústria automotiva para evitar a sobrecarga de trabalho?
Quais os impactos positivos e/ou negativos da carga de trabalho sobre a saúde, segurança e bem-estar desses trabalhadores? 1.3 JUSTIFICATIVA
Os elementos de um sistema de trabalho interagem na geração de fatores de estresse físico ou psicossociais sobre os indivíduos, os quais, segundo Carayon e Smith (2000), resultam em uma carga que pode gerar efeitos positivos ou negativos, conforme as condições de trabalho e as condições do indivíduo para responder a tais estímulos. Essa adequação entre as exigências do trabalho e a capacidade de resposta do trabalhador é fundamental para a sua saúde, segurança e bem-estar.
Com as inovações tecnológicas, surge a necessidade de novas competências de forma a que os trabalhadores possam se tornar aptos para se integrarem ao novo modelo de produção. O novo papel dos trabalhadores, segundo Volpato (2003), é o de supervisionar, controlar, intervir, comunicar-se, ser crítico, ter a visão holística do processo de produção e entender o funcionamento da fábrica. Segundo Abrahão (2000), essa nova configuração tem como resultado a modificação da natureza da atividade humana, exigindo uma forte mobilização mental para a compreensão do trabalho. Nessa perspectiva, pode-se inferir que
as novas tecnologias têm imposto cada vez mais exigências de natureza cognitiva ao trabalhador.
A tendência ao crescimento na adoção de robôs na indústria de manufatura foi observada por Rahimi e Karwowski (1990). Diversos estudos evidenciam a tendência de crescimento na adoção das novas tecnologias pelas empresas, tais como os de Mital e Pennathur (2004) e Cordero, Walsh e Kirchhoff (2009), entre outros. Essa perspectiva de aumento na adoção das AMT, associada à possibilidade de impactos negativos da tecnologia sobre a saúde dos trabalhadores, corroboram a relevância do presente estudo.
O estudo da situação de trabalho através da ergonomia cognitiva possibilita compreender como as pessoas agem, assim como pode explicar o curso da ação situado no contexto do trabalho. Marmaras e Pavard (1999) salientam a necessidade de se considerar a pesquisa comportamental em situação real de trabalho como fonte de subsídios para a compreensão das situações de trabalho nos sistemas informatizados, sua compatibilidade com os processos decisórios exigidos e as estratégias dos usuários.
No estudo sobre carga de trabalho em sistemas complexos entre os controladores de tráfego aéreo, Motter (2007) constata que esses operadores desenvolvem um saber individual e coletivo sobre as adversidades que enfrentam. Segundo a autora, a fim de reduzir a discrepância entre a tarefa e as condições reais de trabalho, os trabalhadores desenvolvem um modo de gerir o próprio trabalho, de forma a garantir o funcionamento do sistema.
O aumento das exigências mentais e psíquicas no trabalho decorre, segundo Falzon e Sauvagnac (2007), do aumento da importância do trabalho de representação. O operador tem que construir e manter uma representação mental do objeto de sua atividade, além das atividades de antecipação e simulação mental, assim como intensa solicitação da memória. Para os referidos autores, o excesso de solicitação mental pode ser causa de estresse entre os trabalhadores.
O estresse é um mecanismo de adaptação do organismo que prepara o indivíduo para enfrentar as agressões do meio ambiente, permitindo-lhe aumentar a vigilância e a agressividade, focalizar a atenção para as situações que são percebidas como ameaçadoras ao seu bem-estar físico ou psicológico (ATKINSON et al., 2002). Esses aspectos são reações positivas, permitindo melhor mobilização dos recursos físicos e mentais do organismo. Porém, o mesmo mecanismo, se utilizado com intensidade excessiva, como salienta Falzon e Sauvagnac (2007), pode se caracterizar como um fator negativo e
resultar em ansiedade, obsessão, anorexia, insônia e baixa da libido, entre outros efeitos negativos para a saúde.
Os trabalhadores que controlam o funcionamento de linhas de produção automatizadas na indústria automotiva estão sujeitos à significativa carga de trabalho física, mental e psíquica. Densidade do trabalho, pressão de tempo, vigilância constante, solicitação intensa da memória, entre outras exigências do trabalho automatizado, justificam a relevância deste estudo (RAMINI; KARWOWSKI, 1990; WEIL- FASSINA, 1990; KARUPPAN, 1994; MARMARAS; PAVARD, 1999; CARAYON; SMITH, 2000; MITAL; PENNATHUR, 2004; LEPLAT, 2004a; ABRAHÃO; SILVINO; SARMET, 2005; DBIJO; VALLÉRY; CIMBALISTA, 2006; LANCRY, 2006; FALZON; SAUVAGNAC, 2007; NORROS; SAVIOJA, 2007; BOUYER, 2008; FAYE; FALZON, 2009).
Determinadas situações levantadas no local de trabalho na fase exploratória deste estudo, tais como: incidente resultando em perda do produto (sucata), a tensão gerada pelo incidente e a necessidade de desenvolver ações simultâneas sob pressão de tempo, também confirmaram a importância do presente estudo.
1.4 OBJETIVOS