Componente7: Prevenção e Tratamento das Doenças Cardiovasculares [DCV]
Componente 1: Prestação de Cuidados de Saúde para a sobrevivência da criança
Situação actual
Garantir a sobrevivência infantil em Cabo Verde é ainda um desafio. Apesar dos ganhos conseguidos nos últimos 30 anos no que respeita à assistência aos menores de cinco anos, deve reconhecer-se que os desafios persistem sobretudo relativamente à protecção e à promoção da saúde das crianças em idade escolar.
Os dados do Relatório Estatístico do Ministério da Saúde de 2006 indicam uma taxa de mortalidade infantil ainda elevada, de 24,9‰ nados vivos, com uma contribuição importante da mortalidade neonatal precoce de 12,2‰ nados vivos. A mortalidade perinatal é igualmente elevada, atingido 29,5‰ nascimentos. A taxa de mortalidade entre menores de 5 anos era de 28,7‰ nados vivos, prevalecendo como principais causas de mortalidade neste grupo etário as afecções perinatais (46,2%), as doenças infecciosas e parasitárias (18,4%), os traumatismos (6,7%) as afecções respiratórias (9,1%) e as anomalias congénitas com 5,6%.
Em relação ao aleitamento materno, os resultados dos inquéritos demográficos e de saúde reprodutiva [IDSR I em 1998, e IDSR II em 2005], indicam que a percentagem de crianças até 6 meses de idade sob amamentação exclusiva passou de 39% para 60%, com a duração mediana de 4,3 meses, em 2005. Tomando o aleitamento materno, na globalidade, a duração mediana passou de 13 meses em 1998 para 15,9 meses em 2005.
O Programa Alargado de Vacinação [PAV] tem sido uma componente importante para a sobrevivência da criança. Começou em Cabo Verde em 1977 integrado no programa PMI/PF, o qual foi convertido, a partir de 2001, no Programa Nacional de Saúde Reprodutiva [PNSR]. Tem como objectivo alcançar uma cobertura vacinal de, pelo menos 90% das crianças menores de um ano protegendo-as contra a tuberculose, difteria, tétano, tosse convulsa, poliomielite, hepatite B e sarampo. Cabo Verde subscreve as iniciativas de erradicação da poliomielite, do controlo do sarampo e da eliminação do tétano neonatal. A vacina contra a hepatite B foi introduzida em 2002, prevendo-se para 2009 a introdução da vacina contra o Hemophilus influenzae B.
De acordo com os dados de rotina referentes ao ano 2006, a proporção de menores de 1 ano vacinados contra DTP3 (84,9%), Sarampo (76,7%) e completamente vacinadas (73,6%), ainda inferiores aos níveis de 90%, estabelecidos no Plano Estratégico Plurianual do PAV.
De destacar que depois da última epidemia de Sarampo em 1997-1998 e de Poliomielite em 2000, têm- se desenvolvido Jornadas nacionais de vacinação complementar contra as mesmas.
A monitorização do crescimento e do desenvolvimento da criança é bem desempenhada pelo programa de SR. Na PNS preconiza-se a efectivação duma estratégia de atendimento integral às doenças da infância [AIDI], incluído no pacote de cuidados essenciais, [39] em todas as estruturas de saúde.
Não está estabelecido um programa integrado de actividades promocionais, preventivas, curativas ou de outra natureza para com as crianças de 5 anos ou mais, para além do Programa de Saúde escolar implementado pelo Ministério da Educação.
No contexto da implementação do PNDS, devem ser feitos esforços no sentido de melhorar o acompanhamento da gravidez, da assistência ao parto e pós-parto, com vista a reduzir o peso das afecções perinatais na mortalidade infantil; reforçar o PAV para melhorar os níveis de cobertura; 92
[39] - Incluir no pacote essencial, como cuidados à criança: a vacinação; a vigilância ao crescimento e ao desenvolvimento; o aconselhamento nutricional; a
generalizar a estratégia de AIDI e dinamizar a parceria com o Ministério da Educação no tocante à implementação do Programa de Saúde escolar.
Estratégias operacionais
Criação de condições humanas, técnicas e materiais, em cada estrutura de saúde, para a prática duma "atenção integrada às doenças da infância", AIDI adoptada pelo país, incluindo os cuidados neo- natais;
Reforço da capacidade de resposta do PAV incluindo a introdução de novas vacinas;
Garantia dum mecanismo eficaz de vigilância e resposta das doenças preveníveis por vacina, no quadro da vigilância integrada das doenças com potencial epidémico;
Reforço das actividades de IEC orientadas para a sobrevivência da criança;
Participação activa no programa de saúde escolar em parceria com o Ministério da Educação; Metas
1. Alargar a todos os níveis da pirâmide sanitária até 2009 a atenção integrada às doenças da infância (AIDI), incluindo os cuidados neo-natais;
2. Atingir e manter uma cobertura vacinal de 90%, a nível nacional, a partir de 2009; 3. Ter, a partir de 2009, introduzido a vacina contra Hemophilus influenzae B;
4. A partir de 2009, ter uma participação efectiva do sector da saúde na implementação do Programa de Saúde escolar;
5. Atingir, em 2011, 75% de aleitamento materno exclusivo até os 6 meses. Actividades/Intervenções
1. Expandir a atenção integrada às doenças da infância (AIDI) a todas as Delegacias de Saúde e Hospitais centrais e regionais com enfoque particular na componente dos 0-2 meses;
2. Reforçar a capacidade em matéria de gestão, dos responsáveis pela saúde infantil a todos os níveis incluindo o PAV;
3. Reforçar a capacidade de recolha, tratamento e circulação dos dados relativos à saúde infantil; 4. Rever/actualizar o Plano estratégico e plurianual do PAV incluindo aquisição das vacinas e material
de vacinação, manutenção da cadeia de frio, normas e procedimentos; 5. Realizar de dois em dois anos, inquéritos de avaliação da cobertura vacinal; 6. Reforçar a vigilância activa do Sarampo, PFAs e TNN integrada no SNIS;
7. Criar as condições necessárias para a introdução da vacina contra Hemophilus influenzae B; 8. Realizar uma avaliação externa do PAV em 2009;
9. Elaborar e implementar o novo “Caderno de Saúde da Criança” com inclusão das novas vacinas; 10. Realizar actividades conducentes à expansão da amamentação exclusiva até aos 6 meses, 11. Criar as condições para a participação efectiva do Ministério da Saúde na implementação do
Programa da saúde escolar;
12. Actualizar o caderno de Saúde Escolar em parceria com o Ministério da Educação; 13. Dinamizar as actividades de IEC orientadas para a sobrevivência da criança; Resultados esperados
1. Cobertura vacinal mantida acima dos 90% dos menores de 5 anos;
3. Vigilância activa do Sarampo, PFAs e TNN reforçada e inscrita no SNIS;
4. Amamentação exclusiva até aos seis meses de idade praticada pela maioria das mães;
5. Programa de saúde escolar implementado em parceria estreita com o Ministério da Educação. Organismos e Instituições responsáveis pela execução
1. Ministério da Saúde: DGS/PNSR, DGF, DGRHA/DGPOC, Serviço de epidemiologia, Delegacias de Saúde, Hospitais; CNDS
2. Parceiros a nível Nacional: Ministério de Educação [ICASE], INE, Autarquias; ONGs; 3. Parceiros da Cooperação internacional: Itália, Luxemburgo, OMS, JO (UNICEF, UNFPA) Indicadores de avaliação
1. Percentagem de estruturas de saúde que implementam a AIDI incluindo cuidados neo-natais; 2. Taxas de cobertura vacinal;
3. Prevalência da amamentação exclusiva até a idade de 6 meses;
4. Número de escolas com um programa de saúde escolar em implementação;
5. Numero e tipo de programas de IEC para a sobrevivência da criança e respectiva audiência; Mecanismos de Seguimento e de avaliação
1. Relatórios de actividades de implementação da AIDI incluindo cuidados neo-natais; 2. Relatórios Estatísticos do PAV;
3. Inquéritos sobre a amamentação exclusiva;
4. Relatórios de actividade do Programa de saúde escolar; 5. Relatórios de actividades IEC.
Sustentabilidade: Pontos fortes e fracos Pontos fortes
1. Programa Nacional de Saúde Reprodutiva com experiência de intervenção na saúde da criança; 2. Existência de normas técnicas de vacinação editadas e difundidas;
3. Existência do Plano plurianual do PAV;
4. Aquisição de vacinas, e outros consumíveis, assegurada pelo Orçamento Geral do Estado; 5. Vigilância das doenças-alvo do PAV integrada no sistema nacional de vigilância das doenças; 6. Combinação das estratégias fixa, avançada e móvel na vacinação de rotina.
Pontos fracos
1. Número insuficiente, ainda, de quadros formados em cuidados neo-natais; 2. Fraco controlo das projecções da população-alvo das actividades do PAV; 3. Insuficiente formação em gestão e logística dos agentes do PAV;
4. Inexistência de um Comité de Coordenação Inter-agências (CCIA) para o PAV. Condicionantes ambientais
1. Dependência externa do financiamento do Programa de Saúde reprodutiva; 2. Nível de instrução das famílias em geral ainda relativamente baixo.