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Previdência Complementar: Entidades Fechadas e Entidades Abertas

CAPITULO III. PREVIDÊNCIA PÚBLICA E PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR

3.3. Previdência Complementar: Entidades Fechadas e Entidades Abertas

O Sistema Previdenciário Brasileiro é formado por três diferentes instituições de previdência, a Previdência Pública, a qual já foi discutida anteriormente, a Entidade Fechada de Previdência Complementar (EFPC), também chamada de fundo de pensão, e a Entidade Aberta de Previdência Complementar (EAPC).

As Entidades de Previdência Complementar Fechada e Aberta possuem uma mesma finalidade, prevista no art. 2º da Lei Complementar nº 109/2001: “instituir e executar planos de benefícios de caráter previdenciário” (Brasil, 2005).

Porém, em diversos aspectos essas entidades apresentam diferenças substanciais, como, por exemplo, a forma de constituição, o enquadramento e a abrangência de proteção previdenciária.

3.3.1. Entidade Fechada de Previdência Complementar - EFPC

O primeiro fundo de pensão no Brasil com características de entidade complementar fechada, segundo Martinez (1996), foi a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil S.A. – PREVI, criada em 1904, que hoje é o maior fundo de pensão brasileiro.

Na década de 1970 foi criada a maioria dos fundos de pensão das empresas estatais e suas subsidiárias, destacando-se a Fundação Petrobrás de Seguridade Social – PETROS, criada em 1970, e os fundos da Telebrás, Eletrobrás e Vale do Rio Doce.

De uma forma geral, foram as empresas com alto valor patrimonial estatal ou privado nacional e as multinacionais as que mais aderiram a este esquema de previdência privada, em função principalmente do quadro legislativo que as regulamenta.

As entidades fechadas de previdência complementar constituem-se sob a forma de fundação ou sociedade civil, conforme previsto na Lei Complementar nº 109/2001:

Art. 31. As entidades fechadas são aquelas acessíveis, na forma regulamentada pelo órgão regulador e fiscalizador, exclusivamente: I – aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas e aos servidores da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos

Municípios, entes denominados patrocinadores; e II – aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial, denominadas instituidores.(...). (BRASIL, 2005)

Além disso, as EFPC possuem como principais características a ausência de finalidade lucrativa, conforme definido no §1º do mesmo Art. 31 citado acima, o qual menciona “§1º. As entidades fechadas organizar-se-ão sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos”. Este mesmo caráter é reforçado no Art. 19, da Lei Complementar nº 109/2001:

Art. 19. As contribuições destinadas à constituição de reservas terão como finalidade prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, observadas as especificidades previstas nesta Lei Complementar.Parágrafo único. As contribuições referidas no caput classificam-se em:

I - normais, aquelas destinadas ao custeio dos benefícios previstos no respectivo plano; e

II - extraordinárias, aquelas destinadas ao custeio de déficits, serviço passado e outras finalidades não incluídas na contribuição normal. (BRASIL, 2005)

A entidade fechada tem como obrigação promover a administração dos recursos obtidos através das contribuições aportadas pelos seus participantes e patrocinadores, constituindo reservas técnicas, provisões e fundos.

Os investimentos realizados com tais recursos devem respeitar as diretrizes do Conselho Monetário Nacional, “observados os padrões mínimos de segurança econômico-financeira e atuarial, com fins específicos de preservar a liquidez, solvência e equilíbrio dos planos de benefícios e da própria entidade” (ABRAPP, 2006).

Todos os resultados de superávit de uma EFPC devem ser destinados a constituição de reserva e esta poderá corresponder a até 25% do total de reservas constituídas pelos participantes do plano. Todo o esforço na busca de melhores resultados e lucratividade nos investimentos será revertido em maior segurança da entidade frente a eventos futuros, incertos e imprevisíveis.

A abrangência da EFPC é restrita aos empregados ou servidores vinculados, respectivamente, a empresas da iniciativa privada ou aos entes estatais, conforme já demonstrado nos incisos I e II, do art. 31, na Lei Complementar nº 109/2001, transcritos acima.

Salienta-se ainda que este tipo de entidade é regulada e fiscalizada pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, através do Conselho de Gestão da Previdência Complementar – CGPC e da Secretaria de Previdência Complementar – SPC, conforme Artigo 74 da Lei Complementar nº 109/2001:

Até que seja publicada a lei de que trata o art. 5º desta Lei Complementar, as funções do órgão regulador e do órgão fiscalizador serão exercidas pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, por intermédio, respectivamente, do Conselho de Gestão da Previdência Complementar (CGPC) e da Secretaria de Previdência Complementar (SPC), relativamente às entidades fechadas (...). (BRASIL, 2005)

Posteriormente à redação original, a Medida Provisória nº 233, de 30 de dezembro de 2004, criou a Superintendência Nacional de Previdência Complementar – PREVIC, conforme Artigo 1:

Fica criada a Superintendência Nacional de Previdência Complementar - PREVIC, autarquia de natureza especial dotada de autonomia administrativa e financeira e patrimônio próprio, vinculada ao Ministério da Previdência Social, com sede e foro no Distrito Federal e atuação em todo o território nacional, que atuará como entidade de fiscalização e de supervisão das atividades das entidades fechadas de previdência complementar e de execução das políticas para o regime de previdência complementar operado pelas entidades fechadas de previdência complementar, observadas as disposições constitucionais, legais e regulamentares. (BRASIL, 2004)

3.3.2. Entidades Abertas de Previdência Complementar – EAPC

A Entidade Aberta de Previdência Complementar é uma pessoa jurídica, que comercializa planos de previdência no mercado, por meio de empresas constituídas exclusivamente para este fim ou por sociedades seguradoras, obrigatoriamente constituída sob a forma de sociedade anônima, conforme previsto no Art. 36 da Lei 109/2001:

Art. 36. As entidades abertas são constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas e têm por objetivo instituir e operar planos de benefícios de caráter previdenciário concedidos em forma de renda continuada ou pagamento único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas. (...). (BRASIL, 2004)

Outra característica que é específica da EAPC é o fato da mesma possuir finalidade lucrativa, conforme descrito na Lei nº 6.404/76, em seu artigo 2º, em que pode ser objeto da companhia qualquer empresa que temna fins lucrativos e não controriando a lei, nem a ordem

pública e nem aos bons costumes. No §1º diz que qualquer que seja o objeto, a companhia tem caráter mercantil regindo-se pelas leis e usos do comércio.

As EAPCs são acessíveis a quaisquer pessoas físicas e são reguladas e fiscalizadas pelo Ministério da Fazenda, por intermédio do Conselho Nacional de Seguros Privados - CNSP e da Superintendência de Seguros Privados - SUSEP:

Art. 74. Até que seja publicada a lei de que trata o art. 5º desta Lei Complementar, as funções do órgão regulador e do órgão fiscalizador serão exercidas pelo (...) Ministério da Fazenda, por intermédio do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), em relação, respectivamente, à regulação e fiscalização das entidades abertas. (BRASIL, 2012)

Segundo Póvoas (1990), estas entidades são mais adaptáveis às características do mercado, pois são constituídas em forma de categorias definidas as quais possibilitam o acesso a todos aqueles que, sendo economicamente ativos, queiram nelas ingressar. Em função disso, é coerente esperar que as entidades abertas sejam as maiores impulsionadoras dos planos privados de previdência em caráter de precaução.

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