5. Resultados e Discussões
5.3. Análise das Componentes Principais
5.3.1. Primeira Análise das Componentes Principais
Para a primeira análise das componentes principais, utilizaram-se como objetos ou casos as amostras de extratos etanólicos, EEP30, EEP50, EEP70, EEP80, EEP95, EEP100 e de extratos oleosos, EOP10, EOP30 e EOP90. As variáveis consideradas foram: Solvente de extração, tempo de extração, rendimento de extração, teor de fenóis em extrato de própolis,
teor de flavonóides em extrato de própolis, teor de fenóis em relação à própolis in natura, teor
de flavonóides em relação à própolis in natura. A Figura 30 mostra a relação dos extratos de
Legenda:
-Grupo situado em torno do eixo positivo do Fator 1: EOP10, EOP30 e EOP90. -Grupo situado no quadrante negativo de x e positivo de y: EEP30 e EEP50. -Grupo situado no quadrante negativo de x e y: EEP70, EEP80, EEP95 e EEP100. Figura 30. Análise de componentes principais para fenóis totais e flavonóides em extratos
Entre os casos avaliados pela ACP, observou-se a formação de 3 grupos diferentes considerando as variáveis estudadas.
O grupo encontrado em torno do eixo positivo do Fator 1 reúne os extratos oleosos. As três amostras oleosas foram deixadas extraindo por um período de extração diferente (10, 30 e 90 dias) e verificou-se que quanto maior o tempo de extração, maiores são os rendimentos de extração e os teores de fenóis totais e flavonóides em relação ao extrato seco e à própolis bruta para os extratos oleosos. No entanto os extratos EOP30 e EOP90 mostraram-se próximos na Figura 30 e são semelhantes em relação a algumas variáveis não sendo necessária a extração por 90 dias. Porém, os extratos oleosos se diferenciam dos extratos etanólicos por apresentarem os menores rendimentos de extração e menores teores de fenóis totais e flavonóides.
No quadrante negativo de x e positivo de y encontram-se os extratos EEP30 e EEP50 e as variáveis consideradas são o rendimento de extração e o teor de fenóis totais em relação ao extrato seco. Os dois parâmetros possuem relações com os dois extratos, pois as duas amostras possuem menores rendimentos de extrações, porém apresentam maiores teores de fenólicos totais em relação ao extrato seco quando comparados com as demais amostras. Também pode-se considerar que o extrato EEP30, que se encontra mais distante da origem dos eixos, é um ponto extremo, ou seja, um extrato que apresenta propriedades diferentes dos restantes extratos analisados.
Por último, o grupo dos extratos EEP70, EEP80, EEP95 e EEP100, situado no quadrante negativo de x e y. Este grupo relaciona-se com quatro variáveis: o teor de fenóis totais em relação à própolis bruta, o solvente utilizado, o teor de flavonóides em relação à própolis bruta e o teor de flavonóides em relação ao extrato seco. Em relação ao solvente utilizado, nota-se que são as amostras obtidas com maior concentração de etanol. Analisando os teores de flavonóides em relação ao extrato seco e à própolis bruta os quatro extratos são os que possuem as maiores porcentagens. Devido a essas relações existentes entre essas quatro amostras, pode-se levar em consideração também o teor de fenóis totais em relação à própolis bruta que diminui ao passar do extrato 70 % v/v a etanol absoluto.
5.3.2. Segunda Análise das Componentes Principais.
Na segunda análise das componentes principais (Figura 31) consideraram-se, além das variáveis consideradas na primeira análise de PCA, as atividades antibacterianas e citotóxicas apresentadas pelos extratos testados, EEP30, EEP70, EEP95 e EOP90.
Assim podemos observar a relação desses objetos ou casos com as variáveis: Tempo de extração, teor de fenóis totais em relação ao extrato seco, teor de fenóis totais em relação à própolis bruta, teor de flavonóides em relação ao extrato seco, teor de flavonóides em relação
à própolis bruta, solvente, bem como a atividade antibacteriana contra: Escherichia coli,
Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosas e Listéria monocytogenes e atividade antitumoral contra células tumorais humanas: leucemia, carcinoma de mama, carcinoma de cólon e glioblastoma.
Legenda:
- Caso situado no eixo negativo do Fator 1: EEP30.
- Caso situado no quadrante negativo de x e positivo de y: EEP70. - Caso situado no quadrante positivo de x e y: EOP90
- Caso situado em cima do eixo negativo do Fator 1: EEP95
Figura 31. Análise de componentes principais da relação dos teores de fenóis totais e
flavonóides com os testes biológicos para os extratos EEP30, EEP70, EEP95 e EOP90.
Através da Figura 31 verifica-se que, com exceção do extrato EEP95 situado no eixo negativo do Fator 1, cada extrato apresentou-se em quadrantes diferentes, não se observando a formação de grupos entre esses casos. Porém os extratos EEP70 e EEP95 demonstram alguma proximidade, uma vez que, esses extratos apresentam os maiores rendimentos de extração e os maiores teores de fenólicos e flavonóides extraídos da própolis bruta, quando comparados com o extrato EEP30 e o extrato oleoso EOP90 analisados pela PCA. Em relação a sua
atividade antibacteriana foram os únicos extratos a apresentar atividade contra Escherichi coli
e somente EEP70 mostrou inibição contra a bactéria Gram negativa Pseudomonas
aeruginosa.
O extrato EEP30, situado bem distante da origem do sistema de coordenadas, no quadrante positivo de x e negativo de y, se diferencia de todos os extratos por apresentar os menores rendimentos de extração, porém o maior teor de fenólicos totais no extrato e ainda
apresentar melhor atividade contra a bactéria Staphylococcus aureus. Também EEP30
somente apresentou atividade citotóxica contra células de carcinoma de mama.
O caso situado no quadrante positivo de x e y é o extrato oleoso 90 dias. Este caso está
relacionado com as variáveis: tempo de extração, bactérias Listéria monocytogenes e
Staphylococcus aureus e células tumorais carcinoma de cólon, leucemia e glioblastoma. EOP90 foi obtido após extração por 90 dias, enquanto que, os demais extratos após 10 dias de extração. O extrato oleoso mostrou inibição apenas contra as bactérias Gram positivas
Listéria monocytogenes e Staphylococcus aureus. Ainda mostrou excelente desempenho nos
testes de atividade citotóxica contra todas as células testadas, principalmente contra células tumorais de carcinoma de cólon e gliobastoma seguido por células de leucemia. Apenas os extratos EOP90 e EEP70 (ambos no eixo positivo do Fator 2) apresentaram atividade contra células tumorais leucêmicas.
6. CONCLUSÕES
A partir da análise dos rendimentos de extração, teores de fenóis totais e flavonóides em relação à massa do extrato seco e da própolis bruta e atividades antimicrobiana e citotóxica, conclui-se que:
- obtêm-se extratos de própolis com maior rendimento quando se emprega etanol 70 % como solvente extrator;
- o solvente mais eficiente para a extração da própolis, considerando maiores rendimentos de extração dos compostos da resina como um todo e das substâncias fenólicas principalmente os flavonóides foi o etanol 70 %.
- em relação ao teor de fenóis totais nos extratos de própolis, o extrato mais rico em compostos fenólicos é o obtido com etanol 30 %. Considerando apenas a classe de compostos fenólicos classificada como flavonóides, o extrato mais rico nesses compostos é o obtido com etanol 70 %;
- nos testes antimicrobianos todos os extratos testados, tanto etanólicos como os oleosos, apresentaram atividade inibitória contra as bactérias Gram-positivas testadas. O extrato obtido com etanol 70 % apresentou atividade contra todas as bactérias testadas, com exceção de
Salmonella typhimurium. Somente para Staphylococcus aureus o extrato obtido com etanol 30
% apresentou halo de inibição maior que o extrato 70 %. Este estudo mostra que apesar de ser relatado freqüentemente o efeito antibacteriano da própolis, é necessária a escolha certa do solvente extrator quando se deseja potencializar seu efeito antimicrobiano;
- o óleo de canola empregado na extração da própolis possui baixo poder de extração dos compostos da própolis, sendo necessário um tempo muito longo de agitação;
- porém, os resultados obtidos tanto nos testes antimicrobianos como de citotoxicidade mostraram que o extrato oleoso possui substâncias bioativas da própolis e apresentou resultados comparáveis ou melhores, contra algumas linhagens de células tumorais, que os extratos etanólicos. A extração da própolis com óleo comestível é promissora sendo necessários, portanto, estudos que objetivem o aprimoramento do solvente extrator e/ou processo de extração com óleo para haver melhores rendimentos e conseqüentemente melhores teores de fenóis totais e flavonóides em relação à própolis bruta.
Em relação à análise estatística, utilizando o método das componentes principais, verificaram-se agrupamentos e correlações coerentes entre os casos e entre esses e as variáveis consideradas.
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