3.3 Coleta dos dados
3.3.1 Primeira oficina pedagógica
A primeira oficina pedagógica intitulada “Problematizando o cuidado ao idoso com
delirium na UTI”, foi realizada em janeiro de 2014, contou com a participação de dez
enfermeiras e uma técnica em enfermagem e apresentou a duração de 03 horas e 35 minutos. Este encontro correspondeu à primeira fase da PA, a do diagnóstico, e teve como finalidade: verificar os conhecimentos e as práticas da equipe de enfermagem acerca do cuidado ao idoso para prevenção e monitorização do delirium; e identificar, com as profissionais, os problemas existentes nas práticas de prevenção e monitorização do delirium no idoso crítico na UTI do estudo.
No dia da realização dessa oficina, que foi conduzida por roteiro específico (APÊNDICE C), as participantes receberam um classificador contendo bloco de anotações, caneta, crachá, Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE D), questionário para caracterização dos sujeitos (APÊNDICE E) e folder expondo os objetivos do encontro e a programação das atividades (APÊNDICE F).
Antes de iniciá-la, a pesquisadora se apresentou ao grupo, retomou os objetivos do estudo, as fases da PA, a técnica de coleta de dados a ser utilizada e o seu papel, enquanto moderadora, na condução das oficinas. Enfatizou também a forma e a importância da efetiva participação das profissionais em todos os encontros, que a tomada de decisão na pesquisa seria colaborativa e que as ações seriam planejadas e executadas pela equipe presente. Solicitou então que as profissionais lessem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e assinassem caso concordassem em participar da pesquisa, assim como respondessem ao questionário presente na pasta. Nenhuma das participantes referiu dúvidas em relação ao estudo e às informações presentes no TCLE.
Em seguida, a pesquisadora realizou uma dinâmica de integração solicitando que as participantes, divididas em duplas, conversassem rapidamente sobre o seu histórico pessoal e
profissional atual e sobre os motivos que as levaram a participar da pesquisa e as suas expectativas em relação ao estudo. Então, uma integrante da dupla apresentou a outra participante e vice-versa. Após o término da dinâmica, a moderadora solicitou que o grupo estabelecesse o contrato de convivência, definindo o horário de início dos encontros, com a respectiva tolerância e o compromisso em efetuar as ações acordadas.
Após esse momento inicial, a oficina pedagógica foi dividida em duas etapas. Na primeira etapa, a moderadora iniciou um grupo de discussão, guiado por roteiro pré- determinado (APÊNDICE G), com a finalidade de identificar o conhecimento das profissionais sobre a temática delirium, incluindo medidas para prevenção, meios para detecção e controle do quadro.
Ao final da discussão, foram fixadas folhas de papel metro em uma das paredes da sala de aula, contendo a figura de um idoso crítico ao centro e os seguintes tópicos: medidas preventivas adotadas, detecção e controle do quadro. A pesquisadora então efetuou a leitura das memórias de uma paciente que vivenciou delirium durante o internamento na UTI, obtidas do site www.nancyandrews.net/section/delirious, de forma a sensibilizar as participantes sobre as consequências emocionais e cognitivas do quadro para o indivíduo, segundo a percepção de quem já o apresentou. Então, solicitou que uma das participantes relatasse alguma experiência durante o cuidado a um idoso com delirium e as palavras/frases centrais proferidas foram registradas no papel metro, de acordo com cada tópico.
Outras participantes, individualmente, foram convidadas a apresentarem suas vivências, completando assim os dados do papel metro. Ao final dessa atividade, a mediadora questionou às profissionais se alguma informação sobre os tópicos ainda necessitava ser incluída, obtendo a resposta negativa. Posteriormente, a pesquisadora efetuou a leitura completa das informações contidas no papel metro, objetivando determinar as práticas de cuidado do grupo para prevenção e monitorização do delirium na UTI do estudo.
No segundo momento da oficina, a pesquisadora apresentou às participantes as evidências científicas relevantes sobre delirium no idoso crítico, abordando: definição, histórico, fatores de risco, epidemiologia, implicações para o idoso crítico, métodos para detecção, prevenção e controle da disfunção, enfatizando o essencial papel da enfermagem nesse contexto. Durante a apresentação, a pesquisadora fez associações entre o conteúdo dos slides e os conhecimentos e práticas das participantes para prevenção e monitorização do
delirium no idoso na UTI, expostos no primeiro momento da oficina.
Em seguida, solicitou que o grupo, a partir das evidências científicas apresentadas e das informações expostas e registradas no papel metro, analisasse e discutisse as práticas
efetuadas para prevenção e monitorização do delirium no idoso crítico na unidade do estudo, identificando os problemas existentes. Foram detectados onze problemas pelo coletivo: estrutura física inadequada com janelas posicionadas atrás do paciente e com película, dificultando a visualização e iluminação natural do ambiente; déficit de sensibilização da equipe em relação ao cuidado ao idoso em risco para delirium ou que curse com o quadro; dificuldade de visualização dos relógios por alguns pacientes; material inadequado para realização da contenção física; ausência de rotinas para permissão de uso de aparelho auditivo, óculos e prótese dentária; orientação deficiente dos pacientes por parte dos profissionais; comunicação insuficiente entre profissionais e familiares; luminosidade excessiva durante o período noturno; interrupção do sono dos pacientes no período noturno; ruídos excessivos na unidade; e a não utilização de escalas para detecção do delirium.
Após a identificação dos problemas, foi realizada a avaliação da oficina corrente e, em seguida, a pesquisadora concluiu a sessão confirmando a data e os objetivos do próximo encontro, distribuindo dois artigos às participantes (BALAS et al., 2012; FARIA; MORENO, 2013) para a efetuação da leitura antes da segunda oficina.