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Renato Ferreira de Souza16 INTRODUÇÃO

A cartografia é essencial no ensino da geografia e que muitas vezes não é tão explorada pelo professor, principalmente da rede pública de ensino fundamental. Considerando que hoje as geotecnologias surgem para auxiliar nas técnicas cartográficas, este trabalho traz os resultados do uso de uma ferramenta acessível ao aluno, de modo que contribui no processo de desenvolvimento do ensino-aprendizagem. O uso da cartografia digital é pouco explorado pelo professor, com poucos estudos desenvolvidos (CANTO & ALMEIDA, 2011; OLIVEIRA, 2008). Vários fatores estão relacionados a isso: ausência de laboratório de informática, dificuldade de acesso e de domínio da ferramenta por parte do professor e, duração de tempo de aula inadequada. Mediante isso, apresentamos uma proposta de prática educativa que vem de encontro para minimizar tais dificuldades.

O programa Philcarto foi escolhido para a prática educativa, por ser de fácil acesso. Além de ser um software livre e de fácil manipulação, pode ser instalado em qualquer notebook ou computador pessoal, em caso de ausência de laboratório de informática na escola. O uso do programa para trabalhar com os alunos do ensino fundamental tem como objetivo introduzir a cartografia digital, servindo como um atrativo para contribuir na construção do conhecimento cartográfico abordado nos livros didáticos de geografia.

METODOLOGIA

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Professor de Geografia da rede municipal de ensino (SEMED) desde 2008, com mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em 2010.

A proposta metodológica dessa prática educativa consiste em usar o programa Philcarto versão 5.70 para auxiliar nas aulas de geografia. Trata-se de um software livre encontrado no site www.philcarto.free.fr para realizar o download do programa. O programa é bem fácil de usar, sendo possível manipular e gerar os mapas temáticos em um tempo de aula. Essa prática está sendo aplicada em sala de aula, com os alunos do turno vespertino da Escola Municipal Ana Sena Rodrigues, localizada no bairro Novo Israel II.

As aulas práticas foram realizadas com 58 (cinqüenta e oito) alunos de 8º e 9º anos do ensino fundamental a cada final de bimestre. Não é necessário ter acesso à internet para fazer uso do programa. Desse modo, em cada turma os alunos utilizaram seus notebooks pessoais para as aulas práticas, num total de 10 (dez) notebooks, possibilitando uma média aproximada de três alunos por notebook. A partir daí, o aluno tem autonomia para elaborar seu mapa digital, com as devidas orientações sobre as técnicas cartográficas, propiciando um conhecimento crítico sobre o espaço representado. Essas práticas servem como aulas atrativas, motivando os alunos a terem interesse pela cartografia que é ensinada no ensino fundamental, contribuindo para um melhor rendimento escolar.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Uma dificuldade encontrada foi a resistência da maioria dos alunos em não trazer seus notebooks, por considerar que a escola encontra-se em área vermelha. Apesar disso, todos os alunos envolvidos, participaram das aulas práticas por considerarem úteis no aprendizado.

Conforme dados coletados das fichas de avaliação da prática educativa, 34 alunos têm idades na faixa etária de 12 a 14 anos, e 24 estão na faixa de 15 a 17 anos. Desses alunos, 52 alunos (89,6%) demonstraram motivação em usar o computador nas aulas e 55 (94,8%) demonstraram está motivados a estudar geografia. Com relação ao programa, 46 alunos (79,3%) consideram de fácil uso e 52 alunos (89,6%) consideram que ajuda na elaboração dos mapas, ou seja, a maioria dos alunos envolvidos considera que o recurso tecnológico ajuda no aprendizado da geografia.

Com base nos registros de notas do diário de classe da matéria de geografia, houve um aumento no rendimento escolar a partir do segundo semestre do ano letivo de 2016 nas turmas envolvidas. A média do índice de aprovação no primeiro semestre era

de 69% e no segundo semestre alcançou 84%. De fato, observa-se que as geotecnologias no ensino da geografia estimulam o desenvolvimento cognitivo dos alunos.

Um percentual mínimo de alunos teve dificuldade no uso do programa, devido ao fato de nunca ter o contato com o computador. Apesar disso, muitos aprovam o uso do programa nas aulas de geografia e consideram importante na leitura cartográfica. A produção dos mapas digitais acaba se tornando uma motivação, pois existe a interação entre a interface computacional e o contexto da realidade, possibilitando o conhecimento crítico que o aluno desenvolve a partir de sua percepção.

CONCLUSÃO

Cada vez mais os mapas passam a circular no mundo virtualmente. O aluno de hoje é aquele que gosta de interagir com os recursos tecnológicos que estão ao seu alcance. A geografia pode ser trabalhada nesse viés a partir das geotecnologias disponíveis. Respeitando a faixa etária e a cognição de cada aluno, é possível introduzir a leitura cartográfica, trabalhando com softwares livres de fácil acesso. Cabe ao professor conduzir da melhor maneira essa prática educativa, pois servirá como ferramenta de motivação para os alunos entenderem os conteúdos da matéria de geografia.

A escolha do software, o local e a metodologia utilizada para esse uso são fatores fundamentais para a aceitação dos alunos. O fato de o aluno elaborar seu próprio mapa, interagindo com o programa, ajuda na construção do conhecimento crítico da realidade em que vive. Dessa forma, o acesso as geotecnologias no ensino da geografia, possibilita em um melhor rendimento escolar, permitindo ao professor preparar aulas que vem de encontro com o interesse do aluno. A aula de geografia não se prende apenas nos conceitos, mas a aplicação destes na prática, onde o uso de softwares para produção de mapas surge como alternativa para ajudar no processo ensino- aprendizagem.

REFERÊNCIAS

CANTO, T. S. & ALMEIDA, R. D. Mapas feitos por não cartógrafos e a prática cartográfica no ciberespaço. In: ALMEIDA, R. D. (org.). Novos rumos da cartografia escolar: currículo, linguagem e tecnologia. São Paulo: Contexto, 2011.

MARTINELLI, M. Mapas da Geografia e Cartografia Temática. 6ª ed. São Paulo: Contexto, 2011.

OLIVEIRA, A. R. Geografia e Cartografia Escolar: o que sabem e como ensinam professoras das séries iniciais do Ensino Fundamental? Revista Educação e Pesquisa. São Paulo. v. 34. n. 3. pp. 481-494, 2008.