CENTRO OESTE
4.3 PRIMEIRO MOMENTO: A LINHA DE BASE AVALIATIVA COM ENFOQUE QUANTITATIVO
Para a construção da linha de base avaliativa, o campo de investigação são os municípios do estado da Bahia, numa amostra por cluster, sendo considerado como cluster primário as macrorregiões e como cluster secundário os municípios, tomando-se como referência o Plano Diretor de Regionalização. Este estabelece nove macrorregiões (conjunto de municípios que se localizam no raio de influência de uma ou mais cidades consideradas como centros polarizadores de serviços de alta complexidade), que são: Centro-Leste, Centro Norte, Extremo Sul, Leste, Nordeste, Norte, Oeste, Sudoeste, Sul. Assim, os municípios foram selecionados para a construção da linha de base avaliativa em função dos seguintes critérios:
Município referência macrorregional;
Município referência ou não de macrorregião e referência microrregional; Município referência ou não de macrorregião, referência ou não de microrregional e sede da Diretoria Regional de Saúde (Dires);
Município referência ou não de macrorregião, referência ou não de microrregional e sede ou não de Dires e com a gestão plena do sistema de saúde.
Adotando-se esses critérios, o maior número de municípios ficou concentrado na macrorregião Leste, totalizando doze municípios. Como critério adicional para que todos os
clusters tivessem o mesmo número de municípios, foram selecionados aqueles excluídos dos
critérios anteriores e que obtiveram um percentual igual ou maior que 70% de encerramento oportuno nas investigações epidemiológicas no ano de 2007. Para esse ultimo critério foi necessário realizar um sorteio, pois algumas macrorregiões ultrapassavam o número necessário de municípios para completar os clusters.
Por outro lado, mesmo com esse critério adicional, nas três macrorregiões (a Norte, a Oeste e a Nordeste) não se formou os doze municípios, sendo então incluídos aqueles municípios cujo percentual de encerramento oportuno nas investigações epidemiológicas se aproximou de 70%. Nessa situação foram acrescentados três municípios, um em cada cluster, sendo que um apresentava percentual de encerramento oportuno de 66,7% e dois municípios
com 60%. Portanto, a amostra inicial para a construção da linha de base avaliativa ficou em cento e oito (108) municípios.
4.3.1 Sujeitos da Pesquisa
Os atores foram estratificados em grupos de representação e selecionados intencionalmente de acordo com os objetivos da pesquisa. Assim, para construção da linha de base avaliativa foram selecionados os gestores da VE municipal, pois para esse momento pretende-se fazer uma avaliação primeira da capacidade de gestão da VE, para posterior aprofundamento, através do estudo de caso. Encaminhou-se um questionário on line para cento e oito (108) gestores da VE municipal, sendo que trinta e oito (38) gestores responderam.
4.3.2 Coleta de dados
Para a construção da linha de base avaliativa foi utilizado um questionário respondido via on line pelos gestores da VE dos municípios. Esse questionário foi formulado contemplando as dimensões do triângulo de governo proposto por Carlos Matus (1993) e re- traduzido por Guimarães e outros (2002) para avaliar a capacidade de gestão da VE. Sendo a pesquisa também do tipo interessada, participaram da revisão do questionário, através de uma oficina, gestores e trabalhadores da Diretoria de Vigilância Epidemiológica, quando foram acrescentados novos indicadores e modificados alguns dos formulados.
O questionário (Apêndice A) foi disponibilizado pelo sítio institucional da Divep, www.saude.ba.gov.br/entomologiabahia/dengue. Cada gestor da VE recebeu, através da Divep, uma senha que viabilizou o acesso ao questionário, garantindo dessa forma o sigilo das informações dadas pelos respondentes. Da mesma forma, em anexo, seguiu o termo de consentimento livre e esclarecido para o conhecimento dos respondentes quanto ao objetivo
da pesquisa, seus riscos e benefícios.
O questionário somente foi encaminhado depois de ter passado inicialmente por um teste, no qual um gestor de uma coordenação da vigilância epidemiológica municipal o respondeu via on line, o que permitiu ajustar algumas questões para que não houvesse inconsistência nas respostas. Nessa fase, três pesquisadores do Grupo de Pesquisa Gerir, vinculado à Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia, participaram na revisão e ajuste do instrumento. O questionário foi digitalizado no sítio institucional da Divep, de forma que os informantes somente poderiam responder o mesmo mediante a concessão da sua autorização em participar da pesquisa, após leitura do termo de consentimento livre e esclarecido. Da mesma forma, para evitar inconsistência ou campo sem preenchimento, o respondente somente podia passar para a questão seguinte após ter respondido a questão anterior.
Cabe salientar que antes do questionário ser disponibilizado no sítio para todos os municípios selecionados, também se fez testes com a participação de dois técnicos da Divep, de uma pesquisadora do Grupo Gerir e dois gestores da VE, para verificar se havia dificuldade de retorno das respostas e para o armazenamento das mesmas.
Utilizou-se como estratégias, para informar aos gestores da vigilância epidemiológica quanto a pesquisa e a disponibilidade do questionário no sítio, o envio de ofícios assinados pela Diretora da Divep (Anexo A), ligações telefônicas para os gestores da VE municipal e informação durante eventos promovidos pela citada diretoria.
Para Silverman (2009) a internet tem sido um meio de comunicação importante para a investigação, desde que o acesso seja apropriado em termos éticos. Especificamente para este estudo, a internet permitiu, como afirma o autor, acabar com as distâncias físicas, criando um potencial para a cooperação e colaboração. Além disso, permitiu utilizar o tempo e as noções de espaço de maneira criativa, aumentando a execução da pesquisa, sobretudo em termos de coleta das informações.
Muito embora se constitua numa vantagem, neste estudo se identificou alguns entraves que dificultaram a coleta dos dados on line: a extensão do tempo de retorno dos questionários respondidos, que foi em média quatro meses; a extensão do questionário, com quarenta e duas perguntas; a não disponibilidade da opção de salvar as respostas à medida que os gestores fossem respondendo, de modo que pudessem recuperar em outra oportunidade o que foi escrito, caso não respondessem o questionário em um único momento, até considerando a sua extensão e a disponibilidade do gestor; a falta de informação para os gestores com relação ao número de perguntas existentes no instrumento e quanto ao tempo
mínimo que deveria durar ao iniciar o preenchimento do mesmo.
Atendendo às recomendações do Comitê de Ética em Pesquisa, que emitiu o parecer favorável a realização do estudo (Anexo B), foi resguardado o nome dos municípios. Após a conclusão da coleta de dados, e diante da análise das respostas, foi possível identificar, entre os diferentes municípios, aquele que apresenta uma melhor capacidade e outro com capacidade menos favorável de gestão da VE.
4.3.3 Plano de Indicadores
Adotando-se as idéias de Guimarães e outros (2004, p.1646) o indicador é entendido como:
Elemento que indica certa condição, característica, qualidade, atributo ou medida numérica que, ao registrar, compilar e analisar facilita que conceitos mais complexos se tornem mensuráveis. Nesse sentido, o Indicador sintetiza ou representa e/ou dá maior significado ao que se quer avaliar.
Portanto, entende-se que um indicador é como um sinalizador, que quando relacionado com os demais formam um padrão, o que permitem fazer uma primeira avaliação da capacidade de gestão da VE. Assim, para cada indicador construído foram propostos parâmetros, tendo como referência os conceitos orientadores deste estudo.
Nesse sentido, o plano de indicadores contempla as três dimensões da gestão, sendo constituído por descrição do indicador, parâmetros, fontes e meios de verificação e as respectivas premissas (Apêndice B). O plano de indicadores foi formulado para a construção da linha de base avaliativa, que foi extensiva aos 108 municípios, contemplando as variáveis relacionadas no quadro abaixo (Quadro 5).
Quadro 5 - Variáveis definidas para avaliação da capacidade de gestão segundo dimensão de análise
DIMENSÃO VARIÁVEIS
• ORGANIZACIONAL • Competências e habilidades do
gestor • Processo decisório • Controle social • Mecanismos formais de comunicação entre a SMS e as unidades de saúde
• Gestores que informam conhecer as metas contidas na PAVS e Pacto pela Vida
• População cadastrada pela Estratégia Saúde da Família.
• OPERACIONAL • Recursos operacionais
• Gestão de pessoas
• Mecanismos sistemáticos de educação permanente
• Capacidade técnica para desenvolver as ações de VE
• Monitoramento e avaliação do Sistema de Informação de Agravos Notificáveis (Sinan)
• Descentralização das ações de VE para as Equipes de Saúde da Família (ESF)
• SUSTENTABILIDADE • Construção de parcerias e alianças
DIMENSÃO VARIÁVEIS resultados
• Acesso aos serviços de saúde
• Regularidade de suprimento
• Formulação de planos e projetos • Receita aplicada para a saúde
Como mencionado anteriormente, o material produzido foi re-elaborado, através de oficina de trabalho, junto aos gestores e técnicos da Divep. A referida oficina se constituiu em um momento de discussão importante pois, além de possibilitar a revisão de indicadores e acrescentar outros, permitiu a inserção dos gestores neste processo, criando-se a expectativa dos mesmos serem utilizados em avaliações futuras.
4.4 SEGUNDO MOMENTO: ANALISE DE CONTEXTO E ESTUDO DE CASO COM