A análise do conteúdo dos Livros de Relatório que descrevem as atividades desenvolvidas na instituição universitária entre os anos de 1962 e 1972 indica que a disciplina Psicologia da Educação não sofreu alteração significativa dentro da matriz curricular do
34 Dentre os acontecimentos considerados como expressivos estão: 1) a adoção pela UEPG, em 1972, do regime
semestral de créditos, quadro que exigiu que todos os cursos de graduação da referida instituição fossem reestruturados e, no caso do Curso de Pedagogia, ocorreu a inserção das habilitações Orientação Educacional, Supervisão Escolar, Administração Escolar e Inspeção Escolar, instituindo a figura dos especialistas em educação; 2) o retorno, em 1990, do regime anual, fato que mobilizou novas reformas curriculares; 3) a instituição, em 1997, de um novo modelo do Curso de Pedagogia que passava a ter a duração de cinco anos, de modo que as habilitações foram excluídas do corpo do curso, sendo cursadas, em caráter opcional, no quinto ano do curso; 4) os embates travados no cenário nacional entre os Curso de Pedagogia e os Cursos Normais Superiores, que motivou, em 2001, a reintrodução das habilitações no interior da matriz curricular do Curso de Pedagogia da UEPG, que voltou a ter a duração de quatro anos; 5) a aprovação, em 2006, das Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Pedagogia, fato que requereu uma nova reformação curricular; 6) as mudanças efetivadas na última reforma curricular do Curso de Pedagogia da UEPG, ocorrida em 2012, realizada para atender às demandas e reinvindicações sinalizadas nas avaliações internas do referido curso.
Curso de Pedagogia, de modo que a sua carga horária e a sua disposição no organograma curricular praticamente mantiveram-se as mesmas no decorrer dessa década. Esse quadro acompanhou o cenário do próprio curso no interior da instituição de ensino, que se manteve igualmente inalterado ao longo desse período. É pertinente atentar, com base em Julia (2001), que a ausência de mudanças expressivas indicada pelas fontes de pesquisa não equivale afirmar que o cenário se caracterizava por total passividade e inércia, pois é sabido que pequenas mudanças vão acontecendo, sutilmente, em dado contexto, de modo que sua presença e manifestação são quase que imperceptíveis. Segundo Julia (2001, p. 15), convém “[...] recontextualizar as fontes das quais podemos dispor, estar conscientes de que a grande inércia que percebemos em um nível global pode estar acompanhada de mudanças muito pequenas que insensivelmente transformam o interior do sistema”. Além disso, ao dialogar com as fontes de pesquisa é necessário cuidado para que não se menospreze o significado que pode residir nos silêncios e ausências que caracterizam um determinado fato, situação ou período histórico analisado.
Sob esse prisma, as fontes inqueridas na pesquisa revelam que, grosso modo, as disciplinas que integram a área da Psicologia da Educação acompanharam o movimento do próprio Curso de Pedagogia na UEPG, caracterizado pela ausência de mudanças significativas. Vale lembrar que o Curso de Pedagogia da UEPG mantinha, nessa época, fina sintonia com o modelo nacional que o orientava, centrado na formação de bacharéis para a docência em Cursos Normais.
O cenário da Psicologia da Educação no Curso de Pedagogia ao longo da década 1962-1972 pode ser visualizado a partir da síntese contida no quadro que se apresenta:
Trajetória da Área da Psicologia da Educação no Curso de Pedagogia da UEPG
P er ío do Reg ime Dis cipl ina s do Curríc ulo M ínim o Dis cipl ina s Co mp leme nta re s O brig a tó ria s Dis cipl ina s Co mp leme nta re s O pta tiv a s O bs er v a çõ es Co rpo do ce nte da á re a e perío d o de a tua çã o 35 1962 - 1972 Psicologia Educacional (1ª série) Psicologia Educacional (2ª série)
Professor Pedro Pereira não ministrava aulas para o Curso de Pedagogia. Atuava junto ao Curso de Didática e demais licenciaturas, ministrando aulas de Psicologia da Aprendizagem e da Adolescência
- Prof. Pe. Miguel; - Prof. Pedro
Quadro 14 - Panorama da Psicologia da Educação no Curso de Pedagogia entre os anos de 1962-1972 Fonte: A autora
As disciplinas eram ofertadas para as turmas de primeiro e segundo ano do curso, desenvolvidas em quatro aulas semanais ao longo do ano letivo. Quanto à carga horária anual das disciplinas, não constam nos Livros de Relatório analisados informações pontuais a esse respeito, exceto que as disciplinas mencionadas equivaleriam 45 créditos. Contudo, a soma das aulas registradas mensalmente pelo professor Miguel Soaki nos Diários de Classe das turmas de primeiro e segundo ano do Curso de Pedagogia referente ao ano letivo de 1964 integraliza um percentual de 112 horas.
A análise das ementas e dos conteúdos programáticos da Psicologia de Educação relativas a esse período evidenciou que a única mudança que merece atenção especial consta no Livro de Relatório de 1963 e refere-se à inserção da Teoria Psicanalítica de Sigmund Freud no ementário e no programa da disciplina.
Para além dessa situação, as fontes analisadas evidenciam pequenas variações no ementário e no conteúdo programático da disciplina, porém, todas muito sutis, preservando assim a identidade da disciplina. Tais variações ficavam restritas à alterações na redação dos ementários e dos programas apresentados em anos distintos, ou seja, o teor da ementa e do conteúdo programático das disciplinas da Psicologia da Educação eram preservados, mas redigidos de forma diferente. Como não consta nos Livros de Relatórios nenhuma observação sobre essas alterações, as deduções que decorrem do processo de análise sobre esse fato sugerem que as mesmas podem ser resultado do processo quase artesanal que marcava a elaboração dos Livros de Relatório, uma vez que o formato datilografado é mais suscetível a
35 - Profº Pe Miguel Soaki (Admissão 17/01/1961 – Aposentadoria 04/05/1988);
lapsos, omissões e alterações, conforme já mencionado anteriormente, ou, ainda, podem indicar alterações realizadas pelo próprio docente da disciplina que, contando com uma relativa autonomia, poderia dispor sobre a ementa e o conteúdo programático com maior liberdade do que atualmente se faz.
O ementário e o conteúdo programático da disciplina Psicologia Educacional referente ao ano de 1962, primeiro ano do curso, preconizava o estudo das seguintes temáticas:
CURSO: PEDAGOGIA - DISCIPLINA: PSICOLOGIA EDUCACIONAL EMENTA: 1ͣ série
Professor: Miguel Soaki
Matéria lecionada: Noções preliminares sobre a Psicologia. Noções preliminares sobre a educação. Conceituação do método científico. O método indutivo. Observação e experimentação. As regras da observação e história. Exames das testemunhas e crítica dos dados. Algo de noção da filosofia da história. A observação em Psicologia. A questão psicológica sobre a vida. Análise das teorias sobre a vida. Imortalidade da alma. A espiritualidade da alma. A consciência e a sua natureza em Psicologia. A inteligência não é uma faculdade especial. A espontaneidade e a intuição da consciência. A natureza psicológica da alma. O generalismo e a origem da alma. As provas da origem da alma.
Quadro 15 - Ementa da disciplina Psicologia da Educação ofertada para a 1ª série do Curso de Pedagogia no ano de 1962
Fonte: FEFCL, 1962, s/nº
PROGRAMA: PSICOLOGIA EDUCACIONAL - 1ͣ série CURSO: PEDAGOGIA
1- Noções de Psicologia -Psicologia Educacional -Objeto da Psicologia -Escolas contemporâneas - Relações com as outras ciências. Métodos.
2- Psicologia com alma ou sem alma- Vida: noção, natureza- Existência da alma- natureza da alma.
3- As propriedades da alma: unicidade, simplicidade, espiritualidade, imortalidade. 4- A vida psíquica no plano consciente e inconsciente - teorias sobre a consciência.
5- Os grandes dinamismos que regulam a vida psíquica - Interpretação das diferentes escolas. 6- Dinamismo intelectual: percepção, pensamento, atenção, imaginação, intuição, introspecção, linguagem.
7- Dinamismo volitivo: vontade, liberdade, discussão das teorias. 8- Dinamismo impulsivo: tendências, necessidades, instintos. 9- Dinamismo emotivo: emoção, paixão.
10- O comportamento psicológico no plano habitual.
Quadro 16 - Programa da disciplina Psicologia da Educação ofertado para a 1ª série do Curso de Pedagogia no ano de 1962
Fonte: FEFCL, 1962, s/nº
A redação da ementa da disciplina Psicologia da Educação, registrada no Livro de Relatório de 1963, apresenta-se diferente daquela que foi registrada em 1962, entretanto, os conteúdos previstos acabam sendo preservados:
CURSO: PEDAGOGIA - DISCIPLINA: PSICOLOGIA EDUCACIONAL 1ͣ série
Professor: Miguel Soaki
Matéria lecionada: Origens da alma. Crítica das teorias sobre a alma humana. A função da consciência. Sua relação com a pessoa humana. Orientação educacional. A questão do inconsciente. As provas das atividades do inconsciente. Sigismundo Freud36. A primeira conclusão
da psiconálise. Intenção -conceitos, provas e princípios. A natureza e efeitos da atenção, habilidades, meios e suas leis. Elementos das sensações. Medição das sensações. Percepção. Juízo - condições de abstração e comparação. Caracteresdos juízos. O raciocínio. Sua função e orientação educacional. A vontade. A Psicologia. A liberdade subdivisão e qualificação. A noção do determinismo e sua divisão e subdivisão.
Quadro 17 - Ementa da disciplina Psicologia da Educação ofertada para a 1ª série do Curso de Pedagogia no ano de 1963
Fonte: FEFCL, 1963, s/nº
Além das modificações na redação do texto e da introdução da Teoria Psicanalítica de Sigmund Freud, é possível também identificar a inserção da temática Orientação Educacional no ementário da disciplina. Contudo, não há nenhum esclarecimento sobre esse procedimento nos relatórios analisados.
Ao analisar a ementa, é possível observar que o conceito de alma é adotado como correlato ao conceito de psiqué humana. O teor das ementas e dos conteúdos expressos nos quadros apresentados evidencia o caráter filosófico que perpassava a disciplina nessa época, centrado no estudo da alma e da existência humana. As fontes analisadas não revelam os critérios e procedimentos empregados no processo de elaboração curricular das disciplinas da área da Psicologia da Educação, fato que abre precedente para supor se tratar de uma proposta elaborada pelo catedrático responsável pela cadeira, no caso, o professor Miguel Soaki, padre com formação teológica e filosófica.
Assim, a característica filosófica que personificava a disciplina nessa época pode ser considerada não somente como uma decorrência do movimento da própria história da Psicologia, que nasce emaranhada ao campo da Filosofia e somente se constitui como ciência autônoma quando dela se emancipa37, como também, produto da possível influência da trajetória e da subjetividade do docente responsável pela disciplina, considerando a sua formação teológica e filosófica e, sobretudo, o fato do docente configurar-se, na época, como o principal representante da Psicologia da Educação na instituição universitária. Isso permite depreender que a influência exercida pelos elementos particulares da trajetória do professor,
36 Os equívocos de datilografia presentes nos documentos originais foram preservados, critério que se aplica para
os demais documentos analisados nessa tese.
37 O processo de emancipação da Psicologia frente à Filosofia tem, como marco principal, a instalação do
primeiro Laboratório de Psicologia em Leipzig (Alemanha), na passagem do século XIX para o XX, fundado por Wilhelm Wundt (1832-1926).
atrelada ao viés filosófico que historicamente vinha contornando a área da Psicologia, contribuiu para o delineamento do contorno epistemológico que orientou a disciplina por toda essa década (1962-1972), marcado, conforme já mencionado, por uma tônica filosófica centrada no estudo da alma, da existência, da vontade, da liberdade e da moralidade.
Em depoimento concedido na ocasião da entrevista, a professora Lindamir dos Santos Policarpo38, que cursou tais disciplinas na condição de acadêmica de Pedagogia entre os anos de 1968 e 1970 e, posteriormente, atuou como docente da área da Psicologia da Educação junto ao Departamento de Educação da UEPG, teceu considerações sobre a característica metafísica das referidas disciplinas. Para ela:
No 3º grau, a Psicologia da Educação enfocava as mais importantes questões espirituais, estudo relevante para levar ao entendimento de que a espiritualidade bem cultivada é um caminho importantíssimo para a evolução de todos os seres humanos. Os estudos tratavam de um ser transcendente, etéreo, imaterial, metafísico, ou seja, a alma. O grande objetivo era a busca da perfeição, do bem e do belo, através do desenvolvimento de qualidades ou virtudes destas almas, que eram tangidas ou orientadas por uma escala de valores. Então distinguiam-se as virtudes intelectuais das virtudes morais. Lembro, ainda hoje, que as virtudes intelectuais eram relacionadas com o conhecimento e a contemplação, no que difere das morais que se tratavam da força, da disposição, do impulso em se fazer o bem e cumprir os deveres. O caráter educacional se apresentava na ênfase dada ao cumprimento dos deveres e da boa conduta. Estudávamos São Tomás, para que afirmava que as virtudes morais são muito necessárias, mas as intelectuais são as mais nobres. Outra questão valorizada nos estudos de Psicologia era o sentir, conhecer a existência e os atributos de Deus somente com a exercício da razão. Os referenciais teóricos contemplavam os grandes pensadores da igreja, como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino e outros estudiosos insignes da alma. (POLICARPO, ago. 2015).
As palavras da professora evidenciam que o conteúdo curricular da disciplina estava voltado, eminentemente, às prescrições estabelecidas como válidas e indispensáveis para a formação de um sujeito idealizado pela sociedade. De modo geral, tais prescrições advém de documentos oficiais normativos, cuja elaboração se dá de forma estanque aos interesses e reais demandas de formação dos alunos. Cabe ressaltar que, conforme a história do currículo, o mesmo vai se definindo a medida que se prioriza a matéria escolar, situação geralmente
38 A professora Lindamir dos Santos Policarpo graduou-se em Licenciatura em Pedagogia pela Universidade
Estadual de Ponta Grossa, no ano de 1970. Concluiu, em 1985, curso de mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Realizou curso de especialização lato sensu em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná – UFPR, em 1974. Foi aprovada em concurso público para a carreira docente da Universidade Estadual de Ponta Grossa -UEPG, em 1971, vindo a se aposentar no ano de 1994. Dedicou-se, do início ao fim da sua carreira, à docência das disciplinas da área da Psicologia da Educação, dentre as quais estão Psicologia da Aprendizagem, Psicologia da Adolescência e Psicologia da Educação. Sua atuação profissional foi de fundamental importância para a constituição da área da Psicologia da Educação na UEPG.
definida pelo Estado ou por interesses acadêmicos, afastando-se do interesse dos alunos e de suas necessidades. (GOODSON, 2012).
O título das obras que compunham o referencial bibliográfico das disciplinas Psicologia da Educação I e Psicologia da Educação II, cujo registro consta nos programas curriculares informados nos Livros de Relatório do Setor de Ciências Humanas, Letras e Arte da UEPG referentes ao período entre 1973 e 1986, corrobora o enfoque metafísico que as caracterizava:
Referencial Bibliográfico:
-Suma Teológica - Santo Tomás de Aquino -Carlos Lehr - Psicologia e Lógica
-Gamelli Zunini - Introdução à Psicologia -Gustav L. Vogel - O que sabemos sobre a alma -José Gredt - Psicologia e Lógica
-René Le Trocquer - Que é o homem? -José Fröbes - Psicologia Experimental -Valfredo Tepi - O sentido da vida -A. Reinstadler - Lógica e Psicologia -William A. Kelly - Psicologia da Educação -Júlio de La Vaissière - Psicologia Pedagógica -Agostinho Gemelli - A Psicologia da Idade Evolutiva -José Vance - A mirror of personality
-Régis Jolivet - Psicologia
-Mário Ferreira dos Santos - Ecologia e Psicologia -Nivaldo Monte - Formação do caráter
-Afro do Amaral Fontoura - Psicologia Geral -Rudolfo Allers - Psicologia do caráter -Leonel França - A formação da personalidade
Quadro 18 - Referencial bibliográfico registrado nos programas curriculares das disciplinas Psicologia da Educação I e Psicologia da Educação II
Fonte: UEPG, Livro de Relatório do Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, 1973, s/nº
Cabe informar que, em decorrência da falta de informações em algumas fontes primárias, a presente tese assume a suposição39 de que o referencial bibliográfico apresentado esteve orientando as disciplinas da Psicologia da Educação desde o início do Curso de Pedagogia até o ano de 1972.
39 O emprego desse termo deve-se ao fato dos programas curriculares da área da Psicologia da Educação
correspondentes ao período entre 1962 e 1972 não apresentarem informações sobre o referencial bibliográfico adotado nas referidas disciplinas. Essa situação se repete nos livros de chamada dos professores, cujos registros não fazem alusão à bibliografia por eles empregada. A única fonte que faz menção aos referenciais bibliográficos adotados pelo Professor Pe Miguel Soaki é a Revista da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Ponta Grossa – Revista Minerva, fascículo nº 2, editada em 1968, em que consta um artigo de autoria do referido professor, intitulado As paixões, cuja bibliografia contempla alguns dos títulos acima mencionados.
Remetendo-se ao caráter metafísico adotado nas disciplinas mencionadas, a professora Priscila Larocca40, em entrevista concedida, comenta:
Então (pausa), eu lembro ainda das ementas e dos programas de Psicologia que eram muito (pausa), como poderíamos dizer (pausa), a gente poderia caracterizá-los como metafísicos. Havia, inclusive um professor que dominava o Departamento, eu acho que ele era professor titular na época da disciplina, que era um padre, então as ementas traziam conteúdos como por exemplo: Psicologia da alma, a simplicidade da alma, eu lembro bem que era um dos pontos que apareciam, não lembro mais dos outros, mas tinha essa ligação com a Filosofia e diria pra você assim, uma abordagem de educação, propriamente dita, não tinha quase nada. Esse professor, inclusive, ele não permitia que ninguém alterasse o programa dele, e as pessoas, eu não sei se por respeito, ou o porquê, realmente ninguém se atrevia a mudar nada do que havia sido colocado. (LAROCCA, ago. 2015).
O depoimento da professora Priscila aborda não somente o viés filosófico que, na época, caracterizava as disciplinas da Psicologia da Educação, mas evidencia a manifestação de uma prática universitária rechaçada no contexto acadêmico dos dias atuais e, ainda, combalida pelo princípio da gestão colegiada que atualmente orienta os processos decisórios referentes à organização de ementas e programas curriculares. Seu relato indica, também, um certo distanciamento da disciplina com questões educacionais.
A professora Maria Odete Vieira Tenreiro41, na ocasião da entrevista, relata ter sido aluna do professor Miguel Soaki na época da sua graduação em Pedagogia na UEPG e reafirma a característica metafísica assumida nos conteúdos da Psicologia da Educação:
40 A professora Priscila Larocca tem graduação em Licenciatura em Ciências pela Universidade Estadual de
Ponta Grossa (1976) e Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (1984). Em 2002, concluiu o curso doutorado em Psicologia da Educação pela Universidade Estadual de Campinas-UNICAMP, defendendo a tese intitulada Psicologia e prática pedagógica: o processo de reflexão de uma professora, sob a orientação do Profº Dr. Sérgio Antônio da Silva Leite. Na mesma instituição de ensino e também sob a orientação do Profº Sérgio, concluiu, em 1996, o curso de mestrado em Psicologia da Educação, apresentando a dissertação Conhecimento psicológico e séries iniciais: diretrizes para a formação de professores. Realizou curso de especialização Lato-sensu em Psicologia da Infância pela Universidade Estadual do Centro-Oeste- UNIOESTE, em 1989. Atualmente, atua como docente do quadro ativo do Departamento de Educação-DEED da UEPG, tendo iniciado sua atividade como docente dessa instituição em 1991, chegando a se aposentar em 2009. Reiniciou sua carreira como docente da UEPG no ano de 2010, ocasião em que foi aprovada em novo concurso público, permanecendo até os dias atuais. É uma professora que, desde o início da sua carreira como docente universitária, vem se dedicando ao estudo de questões relativas ao campo da Psicologia da Educação, com diversas publicações na área.
41 A professora Maria Odete Vieira Tenreiro é Licenciada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Ponta
Grossa, especialista em Alfabetização, mestre em Educação pela Universidade Estadual de Ponta Grossa e doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUC. É professora adjunta do Departamento de Educação da UEPG e Coordenadora Institucional do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência PIBID/UEPG desde 2011. É vice coordenadora do ForPibid - Região Sul e vice-presidente do Conselho Municipal de Educação de Ponta Grossa. Atuou como docente das disciplinas de Psicologia da Educação I e II para o Curso de Pedagogia oferecido na cidade de Palmeira-PR, entre os anos de 2003 e 2006. A partir de então migrou para a área de Fundamentos da Educação, na docência da disciplina Fundamentos Teóricos da Educação Infantil.