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Primeiros resultados

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A seguir, apresento os resultados preliminares dos questionários aplicados nas escolas municipais de Austin, relativos ao perfil e às condições de trabalho oferecidas no local. No total, foram aplicados 68 questionários ( modelo em anexo), contendo 12 questões fechadas e 2 questões abertas. Abaixo, os resultados obtidos nessa fase inicial da pesquisa.

A pesquisa revela que 60% das docentes têm até 35 anos de idade, remetendo a um corpo docente relativamente jovem, o que vai ao encontro dos 67% de professoras com até 15 anos de

experiência no magistério verificado no gráfico seguinte. Os resultados nos levam a concluir que a maioria das professoras iniciou bem jovem na profissão, em torno dos 20 anos de idade, geralmente oriundas do curso Normal de formação de professores. No entanto, não significa que não tenham feito o nível superior em outro momento, conforme verificamos em conversas informais com algumas docentes, já que não constituía objeto de nossa análise.

Com relação ao local de trabalho, temos o resultado esmagador de 83% das professoras satisfeitas com o local de trabalho, corroborando com o resultado de 82% entre professoras que escolheram onde trabalhar por opção ou por oportunidade. Tais resultados demonstram que no caso de Austin, a escolha do local de trabalho atendeu quase que plenamente às necessidades e anseios

das professoras. Esta questão, embora não constitua um problema primário, não pode ser descartada pois há uma diferença entre a satisfação com a localização geográfica (ligado ao deslocamento até o trabalho) e com a ambientação e harmonização no espaço de trabalho.

A questão local é sem dúvida um fator importante nas relações de trabalho e prática docente no caso estudado, assunto rico e discutido na contemporaneidade por diversos estudiosos, pois se trata de um fator fundamental no processo de construção da identidade do indivíduo, conforme desenvolvido no capítulo dois. A proximidade comunitária mostra-se muitas vezes um local de resistência às interveções externas do mundo globalizado.

A escolha espontânea para trabalhar em Austin foi feita por 58% das professoras pesquisadas, o que é coerente com os 57% satisfeitas com o local de trabalho, e que vai ao encontro do resultado de 60% de professoras que mesmo tendo a opção de mudar de local, não sairiam do Bairro de Austin. Podemos perceber que fatores como começar jovem no magistério e o processo de aquisição de experiência na profissão, podem criar laços fortes com o local onde se escolhe para trabalhar. A identificação do profissional com sua profissão também necessita de sua identificação com seu ambiente de trabalho. Tais fatores fazem parte do processo de construção da identidade profissional, como nos mostrou Dubar (2005).

Também podemos verificar que a escolha do local de trabalho é coerente com o município de origem das professoras, uma vez que 68% pertencem a municípios da Baixada Fluminense. Devemos considera que deste total, 51% são de Nova Iguaçu, município do Bairro de Austin onde se dá a pesquisa.

Quando entramos no campo delicado, subjetivo e individual do sentimento da professoras com relação à sua profissão (o magístério), temos uma cisão entre as opiniões das professoras de Austin. Enquanto 51% delas sente-se realizada e respeitada, temos 34% com a sensação de desrespeito e desânimo, mais 1% de arrependidas e outros 14% que manifestaram-se de forma negativa, usando expresões como explorada, cansada, desiludida e triste com a atual situação em

que se encontram frente ao cenário da educação dentro e fora de sala de aula. Assim teriamos, de forma geral um resultado bem apertado entre 51% que tem boas impressões da sua profissão e 49% que estão com uma impressão ruim da sua atual situação profissional. Esta cisão nos dá combustível pra uma investigação mais profunda, a fim de compreender até que ponto tais resultados podem interferir no dia a dia e na prática docente destas professoras, fator que abordamos nas entrevistas.

Mais intrigante fica esta investigação quando temos um resultado onde 71% das professoras afirmam que não mudariam de profissão. O que assinala que parte das professoras insatisfeitas, se encontram em uma posição paradxal, pois até que ponto tal decisão é tomada por amor à profissão ou por mero comodismo? Também interessou investigar esta questão ao longo das entrevistas.

Quando perguntadas sobre sua identificação ( no sentido sentir-se indentificada) com a profissão em que atuam, a resposta foi positiva para 92% das professoras pesquisadas, o que pode levar a pensar nas insatisfações apontadas anteriormente como problemas cusados por fatores externos que interferem na prática docente. Porém, uma investigação mais profunda se faz necessária para clarificar tais questões.

Os 85% de respostas entre vontade e ideal, como os principais motivos que as levaram à escolha da profissão de professora do ensino fundamental, vai ao encontro dos resultados de 92% que se indentificam com a profissão, e os 71% que não mudariam de profissão. Esta autonomia na escolha da profissão é um fator fundamental para o professor, uma vez que se espera deste sujeito autonomia em suas decisões, numa profissão em que o papel de protagonista e coadjuvante é vivido e vivenciado de maneira alternada no processo de ensino e aprendizagem. Onde se espera e necessita, em vários momentos deste processo, de um sujeito atuante e proativo, com posições (mesmo que transitórias) coerentes, a fim de guiar e perceber o momento de ser guiado pelos seus alunos ou pares de profissão sem preciosismos ou constragimentos, mas ensinando e aprendendo a todo momento, como nos ensinou o mestre Paulo Freire.

Nesta questão, buscou-se saber o quanto as professoras tinham empatia pelo bairro de Austin e sua realidade, assim como a de seus moradores (alunos). Vemos que 26% destas professoras se sentem muito identificadas com tal realidade. Já 49% diz estar em parte interessadas ou preocupadas com a realidade deste bairro e de sua população. Mas para 25% das professoras, tal realidade não é um ponto relevante em seu cotidiano de trabalho. Portanto, uma investigação mais densa se faz necessária, para verificarmos até que ponto tal fator implica ou não em suas práticas de trabalho. Quero crer que a interação de um professor com a realidade de seus alunos é uma condição sine qua non para que o educador possa realizar plenamente suas funções.

A partir da análise das respostas aos questionários já foi possível traçar um perfil inicial do professor de ensino fundamental atuante na rede municipal de Austin. Em primeiro lugar, temos um corpo docente jovem, apesar de experiente. Ou seja, a maioria se iniciou na profissão bem jovem, em torno dos 20 anos de idade, logo após a conclusão do curso de formação de professores.

A maioria absoluta está satisfeita com o local de trabalho, tendo feito esta escolha por opção ou por oportunidade. Podemos concluir que esta escolha atendeu às necessidades e anseios dessas professoras, resultado bastante auspicioso pelas relações com o processo de construção da identidade do indivíduo implicadas.

A consequência imediata desse resultado é a opção por não trocar seu local de trabalho, evidenciando fortes laços com ele, o que reforça os laços profissionais e o próprio processo de construção da identidade profissional. Essa afirmação é corroborada pelo fato da maioria recusar uma mudança de profissão, apesar das insatisfações manifestadas por cerca de metade das respondentes. Como a maioria absoluta mostrou-se identificada com a profissão e levada a ela por vontade própria ou ideal, só podemos atribuir essas insatisfações a problemas externos.

Também consideramos esses resultados positivos, tendo em vista o papel ambivalente – ao mesmo tempo de protagonista e de coadjuvante – assumido pelo profissional da educação no exercício de suas tarefas cotidianas, demandando coerência e autenticidade. Podemos ressaltar ainda que a empatia pelo bairro foi manifestada por 75% dos respondentes, deixando apenas 25% na categoria de pouco interessada pela realidade local.

A seguir, analisamos na próxima seção, de forma mais aprofundada, o conteúdo dos dados coletados junto aos sujeitos da pesquisa.

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